quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

As guerras de Yahweh no Antigo Testamento são exatamente iguais à Jihad Islâmica?



Paul Copan e Matthew Flannagan

Afirmações preliminares

Karen Armstrong, uma escritora popular sobre religião, afirma, “Existe muito mais violência na Bíblia do que no Alcorão; a ideia de que o Islã foi imposto pela espada é uma ficção Ocidental, fabricada durante o tempo das Cruzadas, quando, de fato, eram os Cristãos Ocidentais quem estavam lutando uma guerra santa brutal contra o Islã”.[1]
O erudito em Religiões Phillip Jenkins afirma que a Escritura é até mesmo mais violenta do que o Alcorão:

Ordens para matar, para cometer limpeza étnica, para institucionalizar a segregação, para odiar e temer outras raças e religões...estão todas na Bíblia e ocorrem com uma frequência maior do que no Alcorão. Em todos os estágios, podemos inquirir o que a passagem em questão quer dizer, e certamente se elas devem ter alguma relevância para as épocas posteriores. Mas o fato que permanece é que as palavras estão lá e sua inclusão na Escritura significa que elas são, literalmente, canonizadas, não menos do que na escritura Muçulmana.[2]

Como veremos no capítulo seguinte, as afirmações de Armstrong sobre as Cruzadas são enganosas e equivocadas.
E sobre as afirmações de Phillip Jenkins? Ele é um erudito refinado e gracioso, mas parece que alguns dos textos que ele chama de “textos obscuros” e “textos de terror” poderiam ter uma precisão e qualificação melhor. Descrições como “cometer limpeza étnica”, “institucionalizar a segregação” e “ódio e medo de outras raças e religiões” não capturam fielmente o espírito das Escrituras do Antigo Testamento.
Embora tenhamos já abordado tais desafios em outros capítulos, pode ser bom aproveitar esta oportunidade para rever brevemente alguns desses temas:
                   “limpeza étnica”: seria melhor definido como “limpeza moral” – ou mais especificamente, julgamento moral tão esperado sobre um povo ímpio, cujo tempo finalmente havia chegado (Gn 15: 16). Também, a mesma linguagem severa “anti-Cananéia” é igual a linguagem “anti-Israelita” que permeia todo o Antigo Testamento, particularmente nos profetas. Estas ameaças servem como uma advertência para Israel e elas também incluem a mesma linguagem identica como “destruir competamente” (Jr 25: 9; cf. Is 43: 28) – julgamentos que Deus trás eventualmente sobre o seu próprio povo. De uma forma paralelamente séria, Deus ameaça “Então farei a vocês o mesmo que planejo fazer a eles" (Números 33:56; cf. Lv 18: 26-30; 20: 22-23). Além disso, a Cananéia Raabe (Js 2 e 6) e os “estrangeiros” Cananeus, aparentemente os Siquemitas (Js 8: 33, 35) são incluídos na benção de Deus pelo fato de terem respondido ao único Deus verdadeiro. Desde o princípio, o Antigo Testamento representa um Deus cuja salvação é pretendida afetar todas as pessoas do mundo (Gn 12: 1-3), que incluem os inimigos de Israel – Assíria, Egito, Babilônia, Filístia (Sl 87: 4-6; Is 19: 23-25) – e até mesmo os próprios Cananeus, que farão parte do verdadeiro povo de Deus (Zc 9: 6; cf. Mt 15: 22). Por fim, os profetas Hebreus usaram linguagem antissemita em alto e bom som e com muita veemência contra o povo de Deus, os chamando de “Sodoma”, “Gomorra” e “meretriz” (Is 1: 9-10; Ez 17; Oséias).
                   “institucionalizar a segregação”: Israel deveria se dintinguir moral e espiritualmente dos povos que os cercavam, de modo que eles pudessem, por fim, trazer bençãos às nações (Sl 67). No entanto, os Israelitas eram ordenandos repetidamente a cuidar dos estrangeiros e peregrinos que estivessem entre eles, porque eles também haviam sido estrangeiros e peregrinos no Egito (e.g., Ex 22: 21; 23: 9; Lv 19: 34; 25: 6; etc.). e Deus promete abençoar qualquer nação que se arrependa (Jr. 18: 7-10; cf. Jo 3-4).
                   “odiar e temer outras raças e nações”: já vimos que a acusação de odiar e temer outras raças e nações é claramente falsa. Mas e sobre odiar e temer outras religiões? Claro, a Bíbia se opõe a idolatria – criar deuses substitutos que no fim prejudicam apenas seus adoradores. E já observamos que Deus trás julgamento severo sobre o antigo Israel – o próprio povo escolhido de Deus – por eles terem se engajado na idolatria e terem quebrado o pacto com Deus depois de terem prometido fidelidade, apego e obediência (Ex. 24: 3; Dt. 10: 12; 11: 1, 13, 22; etc.).
Vamos agora dar uma olhada de perto na questão da guerra tanto no Antigo Testamento, quanto na Jihad Islâmica. Como são compatíveis?

Os textos Bíblicos e do Alcorão

Já vimos muitas referências do Alcorão sobre a guerra, e esta guerra não é apenas defensiva, mas ofensiva também. Aqui vai um exemplo:[3]
                   “E não deixará perder-se o mérito dos que morrerem por sua causa...e os introduzirá no paraíso que Ele lhes revelou” (Alcorão 47: 4, 6).
                   “Que combatam pela causa de Deus os que trocam esta vida terrena pela vida futura! Pois quem combater pela causa de Deus, quer sucumba quer vença, conceder-lhe-emos grandes recompensas...Os crentes combatem na senda de Deus; os descrentes combatem na senda do ídolo Tagut. Combatei, pois, os aliados do demônio. A astúcia do demônio é ineficaz” (Alcorão 4: 74, 76).
                   “Não há igualdade entre os crentes que permanecem em casa, sem serem inválidos, e os que combatem e arriscam bens e vida a serviço de Deus. Deus eleva os que lutam por Ele com seus bens e sua vida um grau acima dos outros. A todos, Deus promete excelente recompensa, mas conferirá aos combatentes paga superior à dos que permanecem em casa” (Alcorão 4: 95).
                   “Mas quando os meses sagrados tiverem transcorrido, matai os idólatras onde quer que os encontreis, e capturai-os e cercai-os e usai de emboscadas contra eles. Se se arrependerem e recitarem a oração e pagarem o tributo, então libertai-os. Deus é perdoador e misericordioso”. (Alcorão 9: 5).
                   “O castigo dos que fazem a guerra a Deus e a seu mensageiro e semeiam a corrupção na terra é serem mortos ou crucificados ou terem as mãos e os pés decepados, alternadamente, ou serem exilados do país: uma desonra neste mundo e um suplício no Além, com exceção daqueles que se arrependem antes de serem dominados por vós. Deus é perdoador e misericordioso”. (Alcorão 5: 33, 34).
                   “E combatei-os até que não haja mais idolatria e que a religião pertença exclusivamente a Deus. Se desistirem, Deus observa o que fazem”. (Alcorão 8: 39).
                   “Ó profeta, exorta os crentes ao combate. Se houver vinte dentre vós que sejam firmes, prevalecerão sobre duzentos, e se houver cem, prevalecerão sobre mil dos descrentes. Estes não possuem entendimento”. (Alcorão 8: 65).
                   “Dos adeptos do Livro, combatei os que não creem nem no último dia e não proíbem o que Deus e seu mensageiro proibiram e não seguem a verdadeira religião – até que paguem, humilhados, o tributo”. (Alcorão 9: 29).
Quanto as escrituras, já revisamos a linguagem em inúmeros textos de guerra do Antigo Testamento – linguagem de “nenhum sobrevivente”, “destruir totalmente”, não deixar “nada que respire”, “expulsar”, “desapropriar” – e tentamos colocar estes textos em seus contextos históricos apropriados do Oriente Próximo antigo.
Jenkins afirma que os “textos de terror” da Bíblia são “canonizados” dentro da Bíblia, assim como são os textos do Alcorão. Mas a palavra “canonizados” é completamente enganosa. Não importa quantos textos bíblicos empilhamos perto dos textos do Alcorão, diferenças claras entre os textos emergem a medida que retiramos as primeiras camadas e exploramos as diferenças notáveis em vários níveis.
Primeiro, eventos militares capturados em um cânon bíblico são meramente descritivos de uma parte singular da história da salvação que se desenrola. Está claro para a maioria dos leitores Judeus e Cristãos que estes textos de guerra não exercem influência normativa permanente sobre os crentes – muito menos a ordem de Deus a Abraão para sacrificar seu filho se torna a base para a prática de sacríficio humano. De fato, Judeus por toda a história não tem se baseado nos textos de guerra para justificar guerras subsequentes ou em andamento em nome de Deus e o mesmo é geralmente verdade para os Cristãos em toda história. Já percebemos estas questões em capítulos anteriores.
Segundo, enquanto os textos bíblicos oferecem descrições singulares da história, os textos do Alcorão, por contraste, parecem estar emitindo comandos duradouros e contínuos. De fato, estes textos tem sido tomados por muitos muçulmanos por toda a história para justificar uma jihad contínua para trazer os não muçulmanos da esfera da guerra (dar al-harb) para a esfera do Islã (dar al-islã).[4] Esta divisão é refletida na história do Islã bem como no tratamento que o Islã dá aos subordinados e frequentemente humilhados dhimmis (e.g. Judeus e Cristãos) sob seu governo.[5] Enquanto podemos ser gratos pelo fato de que existem muitos muçulmanos que amam a paz, e somos gratos em conhecer e ter amizade com muçulmanos adoráveis e hospitaleiros. Mas “os fatos são coisas inflexíveis”[6] como disse certa vez o Presidente Americano John Adams. Um desses fatos é que o Islã tem exibido uma agressividade militarista desde o começo de sua história, e essa agressividade tem sido alimentada pelos textos do Alcorão, que muitos muçulmanos por toda a história tem tomado como normativos ou obrigatórios, contínuos por toda a história, e mundial em sua aplicabilidade. De fato, isto é assumido na própria visão global de Maomé; como ele disse aos seus seguidores no discurso de despedida: “Eu fui ordenado a lutar contra todos os homens até que eles digam, ‘não existe nenhum deus a não ser Allah’”.[7]
Terceiro, as diferenças entre as guerras ordenadas divinamente no Antigo Testamento e [supostamente] na jihad islâmica são muito mais nítidas do que parecidas. A Escritura enfatiza a singularidade destes textos de guerra embutidos dentro de uma porção da longa história de Israel – uma parte do desenvolvimento da história da salvação. Somando-se a isso, sendo eventos singulares e não repetíveis dentro da própria escritura, estas guerras são restritas a uma porção relativamente pequena da terra (Canaã) – aproximadamente do tamanho de Nova Jersey. De fato, os Israelitas foram ordenados a evitar certas terras tais como Edom, Amon e Moab. Além disso, encontramos na escritura uma exibição esmagadora de sinais e maravilhas divinas tanto para Israel quanto para seus inimigos verem. Por contraste, as “revelações” a Maomé foram privadas e não estavam disponíveis publicamente para o escrutínio nem foram reforçadas por sinais e maravilhas dramáticas. E mais, Israel era um instrumento do julgamento divino sobre povos ímpios – diferente de Maomé, que atacou e assaltou mesmo aqueles que eram “O Povo do Livro” (Judeus e Cristãos) – parte do alcance global ao qual Maomé e seus seguidores aspiraram

O Exemplo de Maomé

Para adicionar mais peso aos textos do Alcorão devemos trazer o próprio Maomé ao debate, pois ele é o exemplo humano supremo que os muçulmanos devem seguir. Como vimos, sua meta era “lutar contra todos os homens até que eles digam, ‘não existe nenhum deus a não ser Allah.’” Seus seguidores não deveriam levar a sério tal empreendimento? De fato eles levam a sério.
Maomé morreu em 632 d.C., com seus próprios planos de atacar todas as nações vizinhas ainda não alcançadas. Seus sucessores imediatos permaneceram no mesmo espírito, avançando sobre a Síria, Palestina, Pérsia, Egito, ilhas do Mediterrâneo e além. Exatamente 100 anos após a morte de Maomé, Carlos Martelo estava lutando a batalha de Tours, França – um choque de civilizações decisivo, cujo significado é negligenciado ou minimizado por historiadores contemporâneos. Mas estamos avançando por conta própria.
Talvez nos ajude dar uma pequena olhada no contexto e mostrar um pouco da carreira de Maomé, a quem os Muçulmanos “canonizaram” como uma norma e modelo a ser seguido. Em sua carreira, existe uma estimativa de que Maomé tenha lutado em 86 campanhas militares.[8] A primeira biografia autoritativa de Maomé - e agora publicada pela Oxford University Press – foi escrita por Ibn Ishaq (morto em 763) e engloba as batalhas de Maomé em 75% de suas 813 páginas.[9] Esta biografia também inclui representações de assassinatos, estupros e crueldade, todas com a aprovação de Maomé.
Vamos olhar alguns desses eventos. Em uma ocasião, o “Apóstolo Maomé” disse, “Mate qualquer Judeu que cair em seu poder.” Depois, um de seus seguidores “se lançou sobre Ibn Sunayna...um mercador Judeu com quem eles tinham relações sociais e de negócios, e o matou.”[10] Maomé enviou seu companheiro e filho adotivo Zayd em um ataque em Banu Fazara e “uma mulher muito idosa” chamada Umma Qirfa foi capturada. Zayd ordenou que ela fosse morta por Qays b. al-Musahhar, “e ele a matou cruelmente...ao amarrar cordas em suas duas pernas a dois camelos e fazendo com que os camelos corressem em sentido contrário até que ela fosse rasgada em duas partes.”[11]
Em outro episódio, Maomé enviou uma força comandada por Abu Ubayda, que encontrou um homem com apenas um olho que não havia se submetido ao Islã. Abu Ubayda disse que colocou a ponta do seu arco no “olho sadio desse homem”, enquanto ele dormia e roncava, e “empurrou com tanta força que o olho desse homem saiu atrás do seu pescoço.” Abu Ubayda contou o que havia acontecido a Maomé e “ele [Maomé] me abençoou”.[12]
Somando-se a isso, aqui está um incidente de tortura comandado por Maomé:

Kinana b. al-Rabi, que tinha a custódia dos tesouros de B. al-Nadir, foi trazido ao apóstolo [Maomé] e este o perguntou sobre o tesouro. Ele negou que soubesse onde estava o tesouro. Um Judeu veio...ao apóstolo e disse que tinha visto Kinana indo e rodeando uma certa ruína todas as manhãs muito cedo. Quando o apóstolo disse a Kinana, ‘você sabe que se descobrirmos que você tem o tesouro, nós vamos lhe matar?’ Ele respondeu: sim. O apóstolo deu a ordem para que a ruína fosse escavada e uma parte do tesouro foi encontrado. Quando ele perguntou a Kinana sobre o resto, Kinana se recusou, de modo que o apóstolo deu ordens a al-Zubayr b. al-’Awwam, ‘torture-o até que você arranque dele o que ele tem,’ de modo que ele acendeu um fogo com pedras e ferro no peito de Kinana até eu ele ficasse quase morto. Então o apóstolo o entregou a Muhammad b. Maslama e ele arrancou a cabeça de Kinana, em vingança pelo seu irmão Mahmud.[13]

De acordo com o Alcorão e as tradições sobre Maomé (Hadith), ele permitia que seus soldados tivessem relações sexuais não apenas com suas esposas (obviamente), mas também com mulheres cativas e escravas – que é o significado da frase “aquelas a quem sua mão direita possui” (Alcorão 4: 24; 23: 5, 6; 70: 22-30, etc.). Apesar dessa prática ter sido banida logo após o tempo de Maomé, essa prática do “casamento temporário” persiste no Islã, mais notadamente no Islamismo Xiita (chamado de mutah).[14]
Poderíamos dizer mais aqui.[15] Antes, te indicamos esta biografia antiga e autoritativa de Maomé, escrita por Ibn Ishaq. Vimos inúmeras amostras de passagens do Alcorão que endossam uma militância agressiva, e estas são ilustradas e reforçadas pela visão militar expansionista de Maomé – o ideal para todos os muçulmanos. Infelizmente, o diálogo muçulmano com os Cristãos ignora frequentemente os versos estridentes do Alcorão, da vida de Maomé, e - como veremos abaixo – a história das conquistas e agressões Islâmicas e o governo sobre os não muçulmanos.

A História Primitiva do Islã e seus Encontros Contínuos com o Mundo não Muçulmano
Ainda outra gama importante de informação diferencia as representações das batalhas bíblicas do Alcorão e de Maomé -  saber, a expansão primitiva do Islã e seus encontros contínuos com o mundo não muçulmano. Isto também deve ser considerado como uma parte da linha histórica contínua do islã.
Embora o Alcorão afirme que não há “compulsão na religião” (2: 256)[16], este verso que é usado por muitos hoje para endossar tolerância religiosa, é na verdade, contraditado por outras passagens dentro do Alcorão.[17] Além de ser contraditado pelo próprio exemplo de Maomé – como percebemos acima e que é citado nas tradições (ou Hadith) com os dizeres, “Quem quer que mude de sua religião islâmica, mate-o.”[18]
Em nossa discussão sobre as Crusadas no próximo capítulo, recontaremos brevemente a expansão primitiva e rápida do Islã conduzida pelos sucessores de Maomé. Eles conduziram o espírito militarista de Maomé, cujos instrumentos de guerra estão agora em exibição no Palácio Topkapi na Turquia.[19] Somando-se aos cabeços da barba de Maomé, aos seus dentes extraídos e a amostra de solo de sua tumba, a “Câmara das Relíquias Sagradas” contém ainda o arco de bambu de Maomé e suas espadas, decoradas em pedras preciosas. Também encontram-se lá as espadas dos quatro primeiros Califas e outros líderes Islâmicos. E o “Estandarte de Maomé” que era exibido nos campos de batalha a medida que os exércitos islâmicos adentravam a Turquia, está agora surrado, mas é preservado em um busto no museu Topkapi. O espírito primitivo do Islã sob Maomé foi mantido adiante por seus seguidores em uma expansão militar agressiva.
Devemos dizer algo sobre a palavra “Jihad” (“luta”), que tradicionalmente tem tido conotações militarres. De acordo com a Encyclopedia of Islam: “Na lei, segundo a doutrina geral e sua tradição histórica, a jihad consiste da ação militar com o objeto da expansão do Islã e, caso precise, de sua defesa.”[20] E continua dizendo que “a expansão do Islã pelas armas é uma obrigação religiosa sobre os muçulmanos em geral...a Jihad deve continuar a ser feita até que o mundo inteiro esteja sob o domínio do islã.”[21] O Alcorão tem um espaço para o sentido de uma luta ou esforço espiritual “interno” dentro da pessoa para Allah (Alcorão 8: 72), que é chamado de “jihad superior”, mas o Alcorão também indica claramente luta militar e conecta a jihad à luta física (o que é chamado de “jihad inferior”).[22] Como David Cook indica em seu livro Understanding Jihad, existe pouco apoio no Alcorão e no Hadith para a noção de jihad como luta interna.[23]
Jihad inclui a luta física no Alcorão (qital), como um forte impulso militar e um alcance geral e não restritivo: ““Que combatam pela causa de Deus os que trocam esta vida terrena pela vida futura! Pois quem combater pela causa de Deus, quer sucumba quer vença, conceder-lhe-emos grandes recompensas” (4:74); “Deus eleva os que lutam por Ele com seus bens e sua vida” (4: 95); “combatei os que não creem” (9: 29). O que também inclui o terror: “Lançaremos o terror no coração dos descrentes” (3: 151); “Infundirei o terror no coração dos descrentes. Separai-lhe a cabeça do pescoço; batei em todos os seus dedos.” (8: 12). O Alcorão enfatiza o martírio por meio da luta: “Os que creram e emigraram, e na luta por Deus, arriscaram suas posses e sua vida, obterão a mais alta dignidade junta a Deus. Serão eles os vitoriosos. Seu senhor anuncia-lhes clemência e recompensas e jardins onde conhecerão uma felicidade ininterrupta.” (9: 20-21; cf. 9: 111; 57: 19).
Não apenas a história islâmica primitiva continuou o espírito militarista de seu fundador; a história do Islã revela uma postura opressiva contra os não muçulmanos sob o governo islâmico.
A erudita Judia Egipcia Bat Ye’or documentou toda a história da “dhimmitude” – a condição dos Cristãos, Judeus e outros não muçulmanos (dhimmis) sob a lei islâmica – em área dominadas por muçulmanos.[24] Ela argumenta que sim, muçulmanos no passado tem mostrado tolerância a Judeus e Cristãos no meio muçulmano (apologistas muçulmanos enfatizam esse quadro). No entanto, a condição de dhimmitude envolve o pagamento do tributo (a jizya) ao governo muçulmano que obriga fidelidade ao espírito contínuo da jihad: ou seja, qualquer tolerância sempre esteve sob ameaça contínua da jihad muçulmana, se o tributo não fosse pago, e o tributo era pago em cerimônias públicas na tentativa de humilhar o não muçulmano subjulgado. Ye’or fez uma pesquisa expressiva para mostrar a opressão e até mesmo o “extermínio aberto de populações Cristãs e o desaparecimento da cultura Cristã Ocidental.”[25]
Geralmente (embora tenham havido exceções), os não muçulmanos não podiam praticar sua religião livremente. Eles não podiam fazer reparos nas sinagogas ou nos templos Cristãos; nem podiam observar sua religião em público. Apesar da “proteção” do Islã ao “Povo do Livro”, muitas humilhações e condições foram atadas a “posição legal” de Judeus e Cristãos, que a dhimmitude assumiu o status de “opressão, privação e insegurança.”[26]
Mesmo em Córdoba, Espanha – que tem sido ressaltada por muitos muçulmanos como uma cidade da tolerância muçulmana e um centro para filósofos, artistas, e poetas Judeus, Cristãos e muçulmanos tais como Maimonides, Ibn Hazm e Averroes – não era totalmente tolerante. Mesmo o historiador especialista em Islamismo Reinhart Dozy (1820-83) reconhece como a catedral principal se tornou uma mesquita:

Todas as igrejas nesta cidade foram destruídas, exceto a catedral, dedicada a São Vicente, mas a posse desse santuário [catedral] foi garantida por um pacto. Por vários anos o pacto foi respeitado; mas quando a população de Córdoba aumentou com a chegada de Sírios Árabes [muçulmanos], as mesquitas não tinham acomodação suficiente para os recém chegados, e os Sírios consideraram que seria bom para eles adotar o plano que foi aplicado em Damasco, Emesa [Homs], e outras cidades em seu próprio país, de se apropriarem de metade da catedral e usar essa parte como mesquita. O governo [muçulmano] aprovou o esquema, os Cristãos foram obrigados a ceder metade do edifício. Este foi claramente um ato de espoliação, bem como uma infração ao pacto. Alguns anos depois. Abd-er Rahman I requisitou que os Cristãos vendessem a outra parte. Os Cristãos recusaram firmemente, destacando que se eles vendessem eles não mais teriam um lugar para a adoração. Abd-er Rahman, no entanto, insistiu e chegaram a um acordo pelo qual os Cristãos cederam sua catedral.[27]

E mais, o poeta muçulmano Ibn Hazm instigou uma perseguição contra os Judeus em Granada, Espanha, que matou quatro mil Judeus em 1066. O filósofo muçulmano Averroes também era um forte antissemita. O filósofo Judeu Maimonides eventualmente teve que fugir de perseguições. A conquista e o governo Islâmico da Espanha foi marcado por massacres, ataques, perseguições e humilhações regulares dos subjulgados dhimmis. A “Era de Ouro do Islã” na Espanha é um mito.[28]
De fato, de acordo com Ye’or, o “mito da tolerância muçulmana” não existiu antes antes do século 20: “É em grande escala uma criação moderna. O obscurecimento [da intolerância Islâmica] do Ocidente foi resultado das dificuldades políticas e culturais do colonialismo.” Ela acrescenta: “A França dominou o Norte da África, Algéria, Marrocos, Tunísia, Síria e Líbano depois da Primeira Guerra Mundial. A Inglaterra dominou uma grande parte da população Islâmica na Índia e também no Egito, Sudão, Iraque e Palestina. Eles não quiseram confrontar essa população. Eles não quiseram proteger as minorias Cristãs nestas terras porque eles queriam ter um benefício econômico pró-árabe, a favor da política Islâmica.”[29]
De modo que após o governo colonial, os Cristãos (predominantes) nestas áreas, foram forçados a tentar se integrar nas culturas muçulmanas. Eles não tiveram nenhuma proteção dos governos coloniais que, por razões políticas e econômicas (a maioria relacionada ao petróleo), não queriam perturbar esses países muçulmanos: “Como resultado eles desenvolveram toda uma literatura elogiando a tolerância Islâmica com respeito a Judeus e Cristãos.”[30] Apesar de lermos no Alcorão, “não há compulsão na religião” (2: 256), a compulsão foi incorporada na carreira militar de Maomé, na expansão do Islã após sua morte e na vida sob o governo do Islã.

Conclusão

A afirmação de que os textos de guerra da Bíblia são “exatamente iguais” as do Alcorão está incorreta. considerações adicionais devem ser dadas aos ensinos de Maomé (e.g., no Hadith), ao exemplo de Maomé em suas campanhas militares, à rápida expansão do Islã sob seus sucessores e a vida dos dhimmis sob o Islã no decorrer dos séculos.
As escrituras Hebraicas retratam eventos singulares e não repetíveis da guerra Israelita – diferente do aspecto contínuo e normativo da jihad no Alcorão e sob a liderança de Maomé. Diferente dos textos bíblicos que destacam o julgamento de Deus contra povos específicos (Cananeus, Amalequitas), o Alcorão e Maomé não colocaram tais limitações na jihad, pois os oponentes do Islã são os não muçulmanos que estão na “Casa da Guerra” (dar al-harb) ao invés de estarem na “casa do Islã”. Até mesmo as terras dos Cristãos seriam invadidas no Oriente Médio, Norte da África, Turquia, Espanha e outras partes da Europa.
E enquanto as Escrituras enfatizam uma área limitada geograficamente para o engajamento militar, o Alcorão e Maomé não colocaram tais limites (e.g., “Eu fui ordenado a lutar contra todos os homens até que eles digam, ‘não existe nenhum deus a não ser Allah’”). Enquanto às ordens das guerras bíblicas foram reforçadas por repetidos sinais e maravilhas públicos, dramáticos e óbvios, a revelação de Maomé é privada e completamente não verificável.
Outro ponto de contraste é a natureza de Deus no Alcorão e na Bíblia. O Alcorão retrata uma deidade que ama apenas aqueles que o amam. Sim, Allah é misericordioso e compassivo, mas ele só ama aqueles que o amam: “Deus não ama os descrentes” (3: 32; 30: 45); “Deus não ama o pródigo” (6: 141) ou os “agressores [ou ‘transgressores’]” (2: 190)[31] e é “um inimigo dos descrentes” (2: 98). Aqueles que rejeitam o Islã são “as piores das criaturas” (98: 6). Aqui o amor de Deus é condicional, dependendo da resposta dos seres humanos.
O amor do Deus bíblico é incondicional. Ele não ama meramente apenas aqueles que o amam. Antes, Deus ama todas as pessoas e até mesmo seus inimigos (cf. Mt 5: 44-48; Jo 3: 16; Rm 5: 6-10; I Jo 2:2). Ele procura tornar a salvação disponível a todos, incluindo os próprios inimigos do seu povo Israel (e.g., Gn 12: 1-3; Sl 87: 4-6; Is 19: 23-25; Zc 9: 7).
Quando comparamos a guerra com os Cananeus e a jihad Islâmica, as diferenças são bastante acentuadas.

Quadro comparativo
As guerras de Yaweh no AT

Jihad Islâmica
Geografia: a guerra era limitada geograficamente à Terra Prometida.
Não há nenhum limite geográfico à jihad. O mundo não muçulmano é a “casa da guerra” do Islã

Extensão e limite histórico: a guerra estava limitada mais ou menos a 1 geração (por volta do tempo de Josué) – embora conflitos menores tenham continuado com os inimigos persistentes de Israel.

Não existe nenhuma limitação histórica/temporal para a Jihad.
Objetos de guerra: os Israelitas foram instrumentos de Deus para punir um inimigo hostil (os Amalequitas) ou uma cultura profundamente corrompida moralmente – não porque eles não fossem Israelitas ou mesmo porque eles não quisessem adorar a Yaweh. Esta punição veio após um período de 400 anos, esperando que o pecado dos Cananeus chegasse a uma certa medida (Gn 15: 16).

A guerra/agressão é indiscriminada, dirigida contra os não muçulmanos, até mesmo os Cristãos e Judeus (“Povo do Livro”). O Alcorão é completamente universal (“matai os idólatras onde quer que os encontreis” 9:5). É indiscriminado com respeito aos objetos da jihad: todos os não muçulmanos, incluindo Judeus e Cristãos (“Povo do Livro” 9: 29). O Alcorão deixa questões em aberto sem uma especificidade histórica.
Objetos do amor de Deus: Yahweh ama até mesmo os seus inimigos/aqueles que não o amam (cf. Gn 12:3; Jonas). Seu plano redentor engloba até mesmo os inimigos tradicionais de Israel (Babilônia, Assíria, Egito), os incorporando ao povo de Deus.

Deus ama apenas aqueles que o amam e o obedecem. “Deus não ama os descrentes” (3: 32; 30: 45);”Deus não ama o pródigo” (6: 141) ou os “agressores [transgressores]” (2: 190) e é “um inimigo dos descrentes” (2: 98).
Padrão de moralidade: a natureza “compassiva e graciosa” de Deus é a fonte dos comandos de Deus. Deus não pode ordenar o que é intrinsecamente mal (Jr 19: 4-5).

O Alcorão destaca Deus como uma vontade absoluta (como oposta a natureza moralmente boa) que ordena indiscrimidamente.
Sinas e maravilhas: uma série contínua de milagres (pragas no Egito, a abertura do Mar Vermelho, o pilar de nuvem e de fogo, o maná, a atravessia do Jordão, etc.) indicam claramente a presença de Deus, sua superioridade sobre todas as outras deidades e sua autoridade para julgar os Cananeus.

O Islã é visivelmente carente de sinais e maravilhas. Só temos as revelações privadas e não verificáveis de Maomé.
Normatividade da guerra: as passagens sobre as lutas contra os Cananeus são descritivas – elas descrevem um evento único e não repetível que foi para pavimentar o caminho para a vinda do Messias e a salvação para o mundo todo.
As passagens de guerra do Alcorão são prescritivas, pois prescrevem o que os muçulmanos devem fazer, ilustradas pelas agressões militares de Maomé (o fundador do Islã e ideal moral) e pela expansão primitiva do Islã; sua história contínua de expansão e agressão continua a linha histórica iniciada pelo próprio Maomé.

Resumo:
                   É comumente afirmado que a Bíblia é mais violenta do que o Alcorão e que o Islã ser imposto pela espada é uma ficção. Além disso, uma afirmação comum é que o Antigo Testamento promove “limpeza étnica”, “institucionaliza a segregação” e promove o “ódio e o medo de outras raças e religiões.”
                   Quanto a “limpeza étnica” e ódio e medo de outras raças e religiões, perceba que a linguagem “anti-Cananeia” é do mesmo tipo da linguagem “anti-Israelita” que permeia todo o Antigo Testamento quando Deus está julgando o seu povo. Isso inclui a linguagem hiperbólica de “destruir totalmente” (Jr 25: 9; Is 43: 28); os profetas Hebreus chamaram o povo de Deus de “Sodoma”, “Gomorra” e “prostituta” (Is 1: 9-10; Ez 16; Oséias); e as advertências de Deus a Israel: “Então farei a você o mesmo que planejo fazer eles” (Nm 33: 56; cf. Lv 18: 26-30; 20: 22-23). E incluídos no Povo de Deus estão Cananeus como Raabe (Js 2 e 6) e os Cananeus “estrangeiros” em Siquém (Js 8: 33, 35).
                   Quanto a instucionalizar a segregação, Israel deveria ser distinta moralmente e espiritualmente, mas por fim, deveria abençoar as nações (Sl 67); eles deviam cuidar dos estrangeiros e peregrinos que estavam entre eles (e.g., Ex 22: 21; 23: 9; Lv 19: 34; 25: 6; etc.). E Deus promete abençoar qualquer nação que se arrependa (Jr 18: 7-10; cf. Jonas 3-4).
                   Quanto a odiar e temer “outras...religiões”, Yahweh se opõe a outros deuses e a idolatria, que apenas causa prejuízo aos seus adoradores. Como vimos antes, era um ato de traição quando os Israelitas se aliavam com outras deidades por meio de imoralidade sexual e idolatria.
                   Quanto a comparar o Alcorão com os textos do Antigo Testamento, os textos de guerra ordenados divinamente no Antigo Testamento são notavelmente hiperbólicos, ao passo que temos boas razões pra pensar que as passagens de guerra do Alcorão não são hiperbólicas, devido ao que conhecemos sobre a carreira militar de Maomé.
                   Enquanto as Escrituras falam de forma descritiva, sobre os eventos singulares que ocorreram, as passagens do Alcorão soam bem prescritivas; de fato, a história do Islã desde o tempo de Maomé em diante parece indicar que estas são ordens contínuas, duradouras.
                   As guerras de Yahweh no Antigo Testamento não foram apenas singulares e não repetíveis, mas elas foram acompanhadas por uma esmagadora exibição de sinais divinos e maravilhas, tanto para Israel, quanto para que seus oponentes pudessem ver. Por contraste, as “revelações” de Maomé foram privadas e não públicas para escrutínio.
                   No Antigo Testamento, os objetos do julgamento de Deus foram limitados e localizados em uma pequena porção geográfica do Oriente Próximo antigo (Dt 20: 16-17) – e não contra outros inimigos de Israel como os Edomitas, Amonitas e Moabitas; isto era completamente diferente do tipo de alcance global pelo qual Maomé e seus seguidores aspiraram.
                   Em seu discurso de despedida, Maomé disse a seus seguidores: “Eu fui ordenado a lutar contra todos os homens até que eles digam, ‘não existe nenhum deus a não ser Allah.’” Seus seguidores assumiram essa responsabilidade com muita seriedade. Exatamente 100 anos depois da morte de Maomé, Carlos Martelo estava reagindo aos ataques dos guerreiros islâmicos em Tours, França.
                   A primeira biografia autoritativa de Maomé escrita por Ibn Ishaq (morto em 763) cobre as batalhas de Maomé em 75% de suas 813 páginas. Incluem representações de assassinatos, estupro, e crueldade que tiveram a aprovação de Maomé (“mate qualquer Judeu que estiver em seu poder”; uma mulher idosa, Umma Qirfa, foi amarrada a dois camelos; Maomé permitiu que seus soldados tivessem relações sexuais com mulheres cativas e com escravas – uma prática que ainda permanece no Islã Xiita [mutah]; Maomé ordenou a tortura – mandou acender um fogo no peito de um homem – até que ele dissesse o local onde estava guardado o tesouro).
                   Ainda outra característica diferencia as representações das batalhas bíblicas das ações do Alcorão e de Maomé – a saber, a expansão primitiva do Islã e seus encontros contínuos com o mundo não muçulmano. Isto também deveria ser considerado como parte da linha histórica contínua do Islã.
                   Desde o início a “jihad” (“luta”) tem conotações militares; existe pouco suporte para seu significado primitivo de “luta interna”.
                   Bat Ye’or documentou a história da “dhimmitude” (a condição de Cristãos, Judeus e outros não muçulmanos [dhimmis] sob a lei islâmica) em regiões dominadas por muçulmanos. Ela documenta a opressão e até mesmo “ o extermínio aberto de populações Cristãs e o desaparecimento da cultura Cristã Ocidental.”
                   Mesmo em Córdoba, Espanha – embora ressaltado como um lugar da tolerância muçulmana e de ser um centro de filósofos Judeus, Cristãos e muçulmanos, artitas e poetas – todas as igrejas desta cidade foram destruídas, exceto uma, que seria posteriormente apropriada como uma mesquita, primeiro em parte, depois completamente.
                   O poeta muçulmano Ibn Hazm instigou a perseguição contra Judeus em Granada, Espanha, que matou quatro mil Judeus em 1066. O filósofo muçulmano Averroes também era um forte antissemita. O filósofo Judeu Maimonides teve que fugir eventualmente de perseguições. A “Era de Ouro do Islã” na Espanha é um mito.
                   Ye’or observa que o “mito da tolerância muçulmana” não existe antes do século vinte e é largamente uma criação moderna.

Fonte:
COPAN, Paul; FLANNAGAN, Matthew. Did God Really Command Genocide? Coming to the Terms with the Justice of God. Grand Rapids, MI: Baker Books, 2014, pp. 276-287.

Tradução Walson Sales.
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Notas:

[1] Andrea Bistrich, “Discovering the Common Grounds of World Religions,” entrevista com Karen Armstrong, Share International, 26, n. 7 (Setembro de 2007): 19-22, disponível em http://www.unaoc.org/repository/armstrong_interview.pdf.

[2] Phillip Jenkins, “Dark Passages,” Boston Globe, 8 de Março de 2009, disponível em http://www.boston.com/bostonglobe/ideas/articles/2009/03/08/dark_passages/. Veja também o livro de Jenkins, Laying Down the Sword: Why We Can´t Ignore the Bibles Violent Verses (New York: HarperOne, 2011).

[3] A menos que se diga o contrário, todas as traduções do Alcorão deste texto são de John Arberry. Para esta e outras traduções paralelas do Alcorão em inglês, veja “The Quranic Arabic Corpus”, disponível em: http://corpus.quran.com/. [nota do tradutor: utilizei a tradução em português de Mansour Chalitta, sempre observando as semelhanças com a tradução utilizada pelo autor].

[4] Norman Anderson, “Islam,” em The World Religions, quarta edição (Downers Grove, IL: InterVarsity, 1975), 128.

[5] Veja as obras referenciadas de Bat Ye’or abaixo.

[6] Citado em Margareth Miner e Hugh Rawson, editores de The Oxford Dictionary of American Quotations, segunda edição (Oxford: Oxford University Press, 2006), 245.

[7] Citado em Efraim Karsh, Islamic Imperialism: A History (New Haven: Yale University Press, 2006), 3.

[8] Este registro de 86 batalhas é de J. M. B. Jones, “The Chronology of the Maghazi: A Textual Survey,” Bulletin of the School of Oriental and African Studies 19 (1975): 245-80.

[9] Ibn Ishaq, The Life of Muhammad, tradução de A. Guillaume (Karachi: Oxford University Press, 1955).

[10] Ibid., 369.

[11] Ibid., 665.

[12] Ibid., 674-75.

[13] Ibid., 515.

[14] Isto foi documentado por Silas (um pseudônimo), “Muhammad and the Female Captives,” Answering Islam: A Chistian-Muslim Dialog (website), http://www.answering-islam.org/Silas/femalecaptives.htm, acessado em 25 de Março de 2014. Veja também www.mutah.com para uma grande variedade de recursos e documentação sobre este tópico, com um “Chat Mutah” característico para muçulmanos solteiros encontrar “parceiras Mutah de mesma opinião,” bem como os votos (mulher: “eu me caso com você pelo período de tempo conhecido e concordo com o dote”; homem: “Eu aceito”).

[15] Agradecimentos a Joshua Lingel por seus insights. Veja também seu material “When Muslims Attack ...the Faith,” Charisma, 20 de Setembro de 2001, http://www.charismamag.com/site-archives/1463-online-exclusives/september-2011/14468-when-muslims-attack-the-faith.

[16] Aqui nós usamos a mais notável tradução, a de Yusuf Ali. [nota do tradutor: continuei utilizando a versão em Português, contudo, sem deixar de comparar a precisão comparada de ambas].

[17] Aqui vai uma coletânea de citações do Alcorão: “Ó Profeta, luta contra os descrentes e os hipócritas e sê duro para com eles” (9: 73). “Ó vós que credes, combatei os descrentes que estão próximos de vós. E que sintam dureza em vós...” (9: 123). “Dize aos omissos entre os Beduínos: ‘Breve sereis chamados para combater um povo de grande vigor. Devereis combatê-lo até que se submeta ao Islã...” (48: 16).

[18] “Apêncice E: Alcorão 2: 256,” Answering Islam: A Christian-Muslim Dialog (website), http://answering-islam.org/Hahn/mappe.ttml, acessado em 25 de Março de 2014. As tradições (Hadith) do Islã reforçam este tema: “Alguns Zanadiqa (ateus) foram trazidos a Ali e ele os queimou. As notícias deste evento chegaram a Ibn Abbas que disse, ‘Se eu estivesse no lugar de Ali, eu não os teria queimado, como o Apóstolo de Allah proibiu, dizendo, “não puna ninguém com a punição de Allah [o fogo].” Eu teria os matado de acordo com afirmação do Apóstolo de Allah, “Quem quer que mude de sua religião islâmica, mate-o.”’” Hadith, vol. 9, livro 84, número 57, disponível em http://www.usc.edu/org/cmje/religious-texts/hadith/bukhari/084-sbt.php.

[19] Para mais detalhes, veja o website do Museu Palácio Topkapi em http://www.ee.bilkent.edu.tr/~history/topkapi.html.

[20] Encyclopedia of Islam, editado por Jane Dammen McAuliffe (Leiden: Brill, 1960-2003), s.v. “Djihad”; citado em David Cook, Understanding Jihad (Berkeley: University of California Press, 2005), 213n1.

[21] Citado em Ibid.

[22] Veja David Cook, Understanding Jihad; veja também The Oxford Encyclopedia of the Modern Islamic World, editado por John L. Esposito (Oxford: Oxford University Press, 2001), s.v. “Jihad,” 2: 369-73.

[23] Cook, Understanding Jihad, capítulo 3.

[24] Para uma documentação completa sobre este fenômeno relatado acerca do governo muçulmano sobre Cristãos e Judeus, veja o excelente livro de Bat Ye’or The Decline of Eastern Chistinanity under Islam: From Jihad to Dhimmitude (Teaneck, NJ: Fairleigh Dickinson University Press, 1997).

[25] Citado em Michael Cromartie, entrevista com Bat Ye’or, “The Myth of Islamic Tolerance,” em Books and Culture 4, n. 5 (Setembro/Outubro de 1998): 38, http://www.christianitytoday.com/bc/8b5038.html.

[26] Bat Ye’or, “Persecution of Jews and Christians: Testimony vs. Silence,” palestra dada no Ethics and Public Policy Center, Washington, DC, em 2 de Abril de 1998, http://www.dhimmi.org/LectureE4.html, acessado em 12 de Abril de 2014.

[27] Reinhart Dhozy, Spanish Islam: A History of the Moslims in Spain, reimpressão e edição (Bloomington, IN: Indiana University Press, 2008), 239, ênfase adicionada.

[28] Andrew G. Bostom, “The Cordoba House and the Myth of Cordoban ‘Ecumenism,’” PJMedia, 2 de Setembro de 2010, http://pjmedia.com/blog/the-cordoba-house-and-the-myth-of-cordoban-ecumenism/?singlepage=true; veja também Bat Ye’or, “Andalusian Myth, Eurabian Reality,” Jihad Watch (21 de Abril de 2004), http://www.jihadwatch.org/2004/04/andalusian-myth-eurabian-reality.

[29] Bat Ye’or, citada em Cromartie, “Myth of Islamic Tolerance.”

[30] Ibid.

[31] As traduções de Muhammad Sarwar, Yusuf Ali e Marmaduke Pickthall usam “transgressores” neste verso. [Chalitta usa “agressores”].


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