Paul Copan e
Matthew Flannagan
Afirmações preliminares
Karen
Armstrong, uma escritora popular sobre religião, afirma, “Existe muito mais
violência na Bíblia do que no Alcorão; a ideia de que o Islã foi imposto pela
espada é uma ficção Ocidental, fabricada durante o tempo das Cruzadas, quando,
de fato, eram os Cristãos Ocidentais quem estavam lutando uma guerra santa
brutal contra o Islã”.[1]
O
erudito em Religiões Phillip Jenkins afirma que a Escritura é até mesmo mais
violenta do que o Alcorão:
Ordens para
matar, para cometer limpeza étnica, para institucionalizar a segregação, para
odiar e temer outras raças e religões...estão todas na Bíblia e ocorrem com uma
frequência maior do que no Alcorão. Em todos os estágios, podemos inquirir o
que a passagem em questão quer dizer, e certamente se elas devem ter alguma
relevância para as épocas posteriores. Mas o fato que permanece é que as
palavras estão lá e sua inclusão na Escritura significa que elas são,
literalmente, canonizadas, não menos do que na escritura Muçulmana.[2]
Como
veremos no capítulo seguinte, as afirmações de Armstrong sobre as Cruzadas são
enganosas e equivocadas.
E
sobre as afirmações de Phillip Jenkins? Ele é um erudito refinado e gracioso,
mas parece que alguns dos textos que ele chama de “textos obscuros” e “textos
de terror” poderiam ter uma precisão e qualificação melhor. Descrições como
“cometer limpeza étnica”, “institucionalizar a segregação” e “ódio e medo de
outras raças e religiões” não capturam fielmente o espírito das Escrituras do
Antigo Testamento.
Embora
tenhamos já abordado tais desafios em outros capítulos, pode ser bom aproveitar
esta oportunidade para rever brevemente alguns desses temas:
●
“limpeza étnica”: seria melhor definido como “limpeza moral” – ou mais especificamente, julgamento moral tão esperado sobre um
povo ímpio, cujo tempo finalmente havia chegado (Gn 15: 16). Também, a mesma
linguagem severa “anti-Cananéia” é igual a linguagem “anti-Israelita” que
permeia todo o Antigo Testamento, particularmente nos profetas. Estas ameaças
servem como uma advertência para Israel e elas também incluem a mesma linguagem
identica como “destruir competamente” (Jr 25: 9; cf. Is 43: 28) – julgamentos
que Deus trás eventualmente sobre o seu próprio povo. De uma forma
paralelamente séria, Deus ameaça “Então farei a vocês o mesmo que planejo fazer a eles" (Números 33:56; cf. Lv 18:
26-30; 20: 22-23). Além disso, a Cananéia Raabe (Js 2 e 6) e os “estrangeiros”
Cananeus, aparentemente os Siquemitas (Js 8: 33, 35) são incluídos na benção de
Deus pelo fato de terem respondido ao único Deus verdadeiro. Desde o princípio,
o Antigo Testamento representa um Deus cuja salvação é pretendida afetar todas
as pessoas do mundo (Gn 12: 1-3), que incluem os inimigos de Israel – Assíria,
Egito, Babilônia, Filístia (Sl 87: 4-6; Is 19: 23-25) – e até mesmo os próprios
Cananeus, que farão parte do verdadeiro povo de Deus (Zc 9: 6; cf. Mt 15: 22).
Por fim, os profetas Hebreus usaram linguagem antissemita em alto e bom som e
com muita veemência contra o povo de Deus, os chamando de “Sodoma”, “Gomorra” e
“meretriz” (Is 1: 9-10; Ez 17; Oséias).
●
“institucionalizar a segregação”: Israel deveria se dintinguir
moral e espiritualmente dos povos que os cercavam, de modo que eles pudessem,
por fim, trazer bençãos às nações (Sl 67). No entanto, os Israelitas eram
ordenandos repetidamente a cuidar dos estrangeiros e peregrinos que estivessem
entre eles, porque eles também haviam sido estrangeiros e peregrinos no Egito
(e.g., Ex 22: 21; 23: 9; Lv 19: 34; 25: 6; etc.). e Deus promete abençoar qualquer nação que se arrependa (Jr. 18:
7-10; cf. Jo 3-4).
●
“odiar e temer outras raças e nações”: já vimos que a acusação de
odiar e temer outras raças e nações é claramente falsa. Mas e sobre odiar e
temer outras religiões? Claro, a
Bíbia se opõe a idolatria – criar deuses substitutos que no fim prejudicam
apenas seus adoradores. E já observamos que Deus trás julgamento severo sobre o
antigo Israel – o próprio povo escolhido
de Deus – por eles terem se engajado na idolatria e terem quebrado o pacto
com Deus depois de terem prometido fidelidade, apego e obediência (Ex. 24: 3;
Dt. 10: 12; 11: 1, 13, 22; etc.).
Vamos
agora dar uma olhada de perto na questão da guerra tanto no Antigo Testamento,
quanto na Jihad Islâmica. Como são compatíveis?
Os textos Bíblicos e do Alcorão
Já
vimos muitas referências do Alcorão sobre a guerra, e esta guerra não é apenas
defensiva, mas ofensiva também. Aqui vai um exemplo:[3]
●
“E não deixará perder-se o mérito dos que morrerem por sua
causa...e os introduzirá no paraíso que Ele lhes revelou” (Alcorão 47: 4, 6).
●
“Que combatam pela causa de Deus os que trocam esta vida terrena
pela vida futura! Pois quem combater pela causa de Deus, quer sucumba quer
vença, conceder-lhe-emos grandes recompensas...Os crentes combatem na senda de
Deus; os descrentes combatem na senda do ídolo Tagut. Combatei, pois, os aliados
do demônio. A astúcia do demônio é ineficaz” (Alcorão 4: 74, 76).
●
“Não há igualdade entre os crentes que permanecem em casa, sem
serem inválidos, e os que combatem e arriscam bens e vida a serviço de Deus.
Deus eleva os que lutam por Ele com seus bens e sua vida um grau acima dos
outros. A todos, Deus promete excelente recompensa, mas conferirá aos
combatentes paga superior à dos que permanecem em casa” (Alcorão 4: 95).
●
“Mas quando os meses sagrados tiverem transcorrido, matai os
idólatras onde quer que os encontreis, e capturai-os e cercai-os e usai de
emboscadas contra eles. Se se arrependerem e recitarem a oração e pagarem o
tributo, então libertai-os. Deus é perdoador e misericordioso”. (Alcorão 9: 5).
●
“O castigo dos que fazem a guerra a Deus e a seu mensageiro e
semeiam a corrupção na terra é serem mortos ou crucificados ou terem as mãos e
os pés decepados, alternadamente, ou serem exilados do país: uma desonra neste
mundo e um suplício no Além, com exceção daqueles que se arrependem antes de
serem dominados por vós. Deus é perdoador e misericordioso”. (Alcorão 5: 33,
34).
●
“E combatei-os até que não haja mais idolatria e que a religião
pertença exclusivamente a Deus. Se desistirem, Deus observa o que fazem”.
(Alcorão 8: 39).
●
“Ó profeta, exorta os crentes ao combate. Se houver vinte dentre
vós que sejam firmes, prevalecerão sobre duzentos, e se houver cem,
prevalecerão sobre mil dos descrentes. Estes não possuem entendimento”.
(Alcorão 8: 65).
●
“Dos adeptos do Livro, combatei os que não creem nem no último dia
e não proíbem o que Deus e seu mensageiro proibiram e não seguem a verdadeira
religião – até que paguem, humilhados, o tributo”. (Alcorão 9: 29).
Quanto
as escrituras, já revisamos a linguagem em inúmeros textos de guerra do Antigo
Testamento – linguagem de “nenhum sobrevivente”, “destruir totalmente”, não
deixar “nada que respire”, “expulsar”, “desapropriar” – e tentamos colocar
estes textos em seus contextos históricos apropriados do Oriente Próximo
antigo.
Jenkins
afirma que os “textos de terror” da Bíblia são “canonizados” dentro da Bíblia,
assim como são os textos do Alcorão. Mas a palavra “canonizados” é
completamente enganosa. Não importa quantos textos bíblicos empilhamos perto
dos textos do Alcorão, diferenças claras entre os textos emergem a medida que
retiramos as primeiras camadas e exploramos as diferenças notáveis em vários
níveis.
Primeiro,
eventos militares capturados em um cânon
bíblico são meramente descritivos de uma parte singular da história da salvação
que se desenrola. Está claro para
a maioria dos leitores Judeus e Cristãos que estes textos de guerra não exercem
influência normativa permanente sobre os crentes – muito menos a ordem de Deus
a Abraão para sacrificar seu filho se torna a base para a prática de sacríficio
humano. De fato, Judeus por toda a história não tem se baseado nos textos de
guerra para justificar guerras subsequentes ou em andamento em nome de Deus e o
mesmo é geralmente verdade para os Cristãos em toda história. Já percebemos
estas questões em capítulos anteriores.
Segundo,
enquanto os textos bíblicos oferecem
descrições singulares da história, os textos do Alcorão, por contraste, parecem
estar emitindo comandos duradouros e contínuos. De fato, estes textos tem
sido tomados por muitos muçulmanos por toda a história para justificar uma
jihad contínua para trazer os não muçulmanos da esfera da guerra (dar al-harb) para a esfera do Islã (dar al-islã).[4] Esta divisão é
refletida na história do Islã bem como no tratamento que o Islã dá aos
subordinados e frequentemente humilhados dhimmis
(e.g. Judeus e Cristãos) sob seu governo.[5] Enquanto podemos ser gratos
pelo fato de que existem muitos muçulmanos que amam a paz, e somos gratos em
conhecer e ter amizade com muçulmanos adoráveis e hospitaleiros. Mas “os fatos
são coisas inflexíveis”[6] como disse certa vez o Presidente Americano John
Adams. Um desses fatos é que o Islã tem exibido uma agressividade militarista
desde o começo de sua história, e essa agressividade tem sido alimentada pelos
textos do Alcorão, que muitos muçulmanos por toda a história tem tomado como
normativos ou obrigatórios, contínuos por toda a história, e mundial em sua
aplicabilidade. De fato, isto é assumido na própria visão global de Maomé; como
ele disse aos seus seguidores no discurso de despedida: “Eu fui ordenado a
lutar contra todos os homens até que eles digam, ‘não existe nenhum deus a não
ser Allah’”.[7]
Terceiro,
as diferenças entre as guerras ordenadas
divinamente no Antigo Testamento e [supostamente] na jihad islâmica são muito
mais nítidas do que parecidas. A Escritura enfatiza a singularidade destes
textos de guerra embutidos dentro de uma porção da longa história de Israel –
uma parte do desenvolvimento da história da salvação. Somando-se a isso, sendo
eventos singulares e não repetíveis dentro da própria
escritura, estas guerras são restritas a uma porção relativamente pequena da terra (Canaã) – aproximadamente do
tamanho de Nova Jersey. De fato, os Israelitas foram ordenados a evitar certas terras tais como Edom,
Amon e Moab. Além disso, encontramos na escritura uma exibição esmagadora de
sinais e maravilhas divinas tanto para Israel quanto para seus inimigos verem.
Por contraste, as “revelações” a Maomé foram privadas e não estavam disponíveis publicamente para o escrutínio
nem foram reforçadas por sinais e maravilhas dramáticas. E mais, Israel era um
instrumento do julgamento divino sobre povos ímpios – diferente de Maomé, que
atacou e assaltou mesmo aqueles que eram “O Povo do Livro” (Judeus e Cristãos)
– parte do alcance global ao qual Maomé e seus seguidores aspiraram
O Exemplo de Maomé
Para
adicionar mais peso aos textos do Alcorão devemos trazer o próprio Maomé ao
debate, pois ele é o exemplo humano supremo que os muçulmanos devem seguir.
Como vimos, sua meta era “lutar contra todos os homens até que eles digam, ‘não
existe nenhum deus a não ser Allah.’” Seus seguidores não deveriam levar a
sério tal empreendimento? De fato eles levam a sério.
Maomé
morreu em 632 d.C., com seus próprios planos de atacar todas as nações vizinhas
ainda não alcançadas. Seus sucessores imediatos permaneceram no mesmo espírito,
avançando sobre a Síria, Palestina, Pérsia, Egito, ilhas do Mediterrâneo e
além. Exatamente 100 anos após a morte de Maomé, Carlos Martelo estava lutando
a batalha de Tours, França – um choque de civilizações decisivo, cujo
significado é negligenciado ou minimizado por historiadores contemporâneos. Mas
estamos avançando por conta própria.
Talvez
nos ajude dar uma pequena olhada no contexto e mostrar um pouco da carreira de
Maomé, a quem os Muçulmanos “canonizaram” como uma norma e modelo a ser
seguido. Em sua carreira, existe uma estimativa de que Maomé tenha lutado em 86
campanhas militares.[8] A primeira biografia autoritativa de Maomé - e agora
publicada pela Oxford University Press – foi escrita por Ibn Ishaq (morto em
763) e engloba as batalhas de Maomé em 75% de suas 813 páginas.[9] Esta
biografia também inclui representações de assassinatos, estupros e crueldade,
todas com a aprovação de Maomé.
Vamos
olhar alguns desses eventos. Em uma ocasião, o “Apóstolo Maomé” disse, “Mate
qualquer Judeu que cair em seu poder.” Depois, um de seus seguidores “se lançou
sobre Ibn Sunayna...um mercador Judeu com quem eles tinham relações sociais e
de negócios, e o matou.”[10] Maomé enviou seu companheiro e filho adotivo Zayd
em um ataque em Banu Fazara e “uma mulher muito idosa” chamada Umma Qirfa foi
capturada. Zayd ordenou que ela fosse morta por Qays b. al-Musahhar, “e ele a
matou cruelmente...ao amarrar cordas em suas duas pernas a dois camelos e
fazendo com que os camelos corressem em sentido contrário até que ela fosse
rasgada em duas partes.”[11]
Em
outro episódio, Maomé enviou uma força comandada por Abu Ubayda, que encontrou
um homem com apenas um olho que não havia se submetido ao Islã. Abu Ubayda
disse que colocou a ponta do seu arco no “olho sadio desse homem”, enquanto ele
dormia e roncava, e “empurrou com tanta força que o olho desse homem saiu atrás
do seu pescoço.” Abu Ubayda contou o que havia acontecido a Maomé e “ele [Maomé]
me abençoou”.[12]
Somando-se
a isso, aqui está um incidente de tortura comandado por Maomé:
Kinana b.
al-Rabi, que tinha a custódia dos tesouros de B. al-Nadir, foi trazido ao
apóstolo [Maomé] e este o perguntou sobre o tesouro. Ele negou que soubesse
onde estava o tesouro. Um Judeu veio...ao apóstolo e disse que tinha visto
Kinana indo e rodeando uma certa ruína todas as manhãs muito cedo. Quando o
apóstolo disse a Kinana, ‘você sabe que se descobrirmos que você tem o tesouro,
nós vamos lhe matar?’ Ele respondeu: sim. O apóstolo deu a ordem para que a
ruína fosse escavada e uma parte do tesouro foi encontrado. Quando ele
perguntou a Kinana sobre o resto, Kinana se recusou, de modo que o apóstolo deu
ordens a al-Zubayr b. al-’Awwam, ‘torture-o até que você arranque dele o que
ele tem,’ de modo que ele acendeu um fogo com pedras e ferro no peito de Kinana
até eu ele ficasse quase morto. Então o apóstolo o entregou a Muhammad b.
Maslama e ele arrancou a cabeça de Kinana, em vingança pelo seu irmão Mahmud.[13]
De
acordo com o Alcorão e as tradições sobre Maomé (Hadith), ele permitia que seus
soldados tivessem relações sexuais não apenas com suas esposas (obviamente),
mas também com mulheres cativas e escravas – que é o significado da frase
“aquelas a quem sua mão direita possui” (Alcorão 4: 24; 23: 5, 6; 70: 22-30,
etc.). Apesar dessa prática ter sido banida logo após o tempo de Maomé, essa
prática do “casamento temporário” persiste no Islã, mais notadamente no
Islamismo Xiita (chamado de mutah).[14]
Poderíamos
dizer mais aqui.[15] Antes, te indicamos esta biografia antiga e autoritativa
de Maomé, escrita por Ibn Ishaq. Vimos inúmeras amostras de passagens do
Alcorão que endossam uma militância agressiva, e estas são ilustradas e
reforçadas pela visão militar expansionista de Maomé – o ideal para todos os
muçulmanos. Infelizmente, o diálogo muçulmano com os Cristãos ignora
frequentemente os versos estridentes do Alcorão, da vida de Maomé, e - como
veremos abaixo – a história das conquistas e agressões Islâmicas e o governo
sobre os não muçulmanos.
A História Primitiva do Islã e seus
Encontros Contínuos com o Mundo não Muçulmano
Ainda
outra gama importante de informação diferencia as representações das batalhas
bíblicas do Alcorão e de Maomé - saber,
a expansão primitiva do Islã e seus encontros contínuos com o mundo não
muçulmano. Isto também deve ser considerado como uma parte da linha histórica
contínua do islã.
Embora
o Alcorão afirme que não há “compulsão na religião” (2: 256)[16], este verso
que é usado por muitos hoje para endossar tolerância religiosa, é na verdade,
contraditado por outras passagens dentro do Alcorão.[17] Além de ser
contraditado pelo próprio exemplo de Maomé – como percebemos acima e que é
citado nas tradições (ou Hadith) com
os dizeres, “Quem quer que mude de sua religião islâmica, mate-o.”[18]
Em
nossa discussão sobre as Crusadas no próximo capítulo, recontaremos brevemente
a expansão primitiva e rápida do Islã conduzida pelos sucessores de Maomé. Eles
conduziram o espírito militarista de Maomé, cujos instrumentos de guerra estão
agora em exibição no Palácio Topkapi na Turquia.[19] Somando-se aos cabeços da
barba de Maomé, aos seus dentes extraídos e a amostra de solo de sua tumba, a
“Câmara das Relíquias Sagradas” contém ainda o arco de bambu de Maomé e suas
espadas, decoradas em pedras preciosas. Também encontram-se lá as espadas dos
quatro primeiros Califas e outros líderes Islâmicos. E o “Estandarte de Maomé”
que era exibido nos campos de batalha a medida que os exércitos islâmicos
adentravam a Turquia, está agora surrado, mas é preservado em um busto no museu
Topkapi. O espírito primitivo do Islã sob Maomé foi mantido adiante por seus
seguidores em uma expansão militar agressiva.
Devemos
dizer algo sobre a palavra “Jihad” (“luta”), que tradicionalmente tem tido
conotações militarres. De acordo com a Encyclopedia
of Islam: “Na lei, segundo a doutrina geral e sua tradição histórica, a
jihad consiste da ação militar com o objeto da expansão do Islã e, caso
precise, de sua defesa.”[20] E continua dizendo que “a expansão do Islã pelas
armas é uma obrigação religiosa sobre os muçulmanos em geral...a Jihad deve
continuar a ser feita até que o mundo inteiro esteja sob o domínio do
islã.”[21] O Alcorão tem um espaço para o sentido de uma luta ou esforço espiritual
“interno” dentro da pessoa para Allah (Alcorão 8: 72), que é chamado de “jihad
superior”, mas o Alcorão também indica claramente luta militar e conecta a
jihad à luta física (o que é chamado de “jihad inferior”).[22] Como David Cook
indica em seu livro Understanding Jihad, existe
pouco apoio no Alcorão e no Hadith para a noção de jihad como luta interna.[23]
Jihad inclui a luta física no Alcorão (qital),
como um forte impulso militar e um alcance geral e não restritivo: ““Que
combatam pela causa de Deus os que trocam esta vida terrena pela vida futura!
Pois quem combater pela causa de Deus, quer sucumba quer vença,
conceder-lhe-emos grandes recompensas” (4:74); “Deus eleva os que lutam por Ele
com seus bens e sua vida” (4: 95); “combatei os que não creem” (9: 29). O que
também inclui o terror: “Lançaremos o
terror no coração dos descrentes” (3: 151); “Infundirei o terror no coração dos
descrentes. Separai-lhe a cabeça do pescoço; batei em todos os seus dedos.” (8:
12). O Alcorão enfatiza o martírio por
meio da luta: “Os que creram e emigraram, e na luta por Deus, arriscaram suas
posses e sua vida, obterão a mais alta dignidade junta a Deus. Serão eles os
vitoriosos. Seu senhor anuncia-lhes clemência e recompensas e jardins onde conhecerão
uma felicidade ininterrupta.” (9: 20-21; cf. 9: 111; 57: 19).
Não
apenas a história islâmica primitiva continuou o espírito militarista de seu
fundador; a história do Islã revela uma postura opressiva contra os não
muçulmanos sob o governo islâmico.
A
erudita Judia Egipcia Bat Ye’or documentou toda a história da “dhimmitude” – a
condição dos Cristãos, Judeus e outros não muçulmanos (dhimmis) sob a lei islâmica – em área dominadas por muçulmanos.[24]
Ela argumenta que sim, muçulmanos no passado tem mostrado tolerância a Judeus e
Cristãos no meio muçulmano (apologistas muçulmanos enfatizam esse quadro). No
entanto, a condição de dhimmitude envolve o pagamento do tributo (a jizya) ao governo muçulmano que obriga
fidelidade ao espírito contínuo da jihad:
ou seja, qualquer tolerância sempre esteve sob ameaça contínua da jihad
muçulmana, se o tributo não fosse pago, e o tributo era pago em cerimônias
públicas na tentativa de humilhar o não muçulmano subjulgado. Ye’or fez uma
pesquisa expressiva para mostrar a opressão e até mesmo o “extermínio aberto de
populações Cristãs e o desaparecimento da cultura Cristã Ocidental.”[25]
Geralmente
(embora tenham havido exceções), os não muçulmanos não podiam praticar sua
religião livremente. Eles não podiam fazer reparos nas sinagogas ou nos templos
Cristãos; nem podiam observar sua religião em público. Apesar da “proteção” do
Islã ao “Povo do Livro”, muitas humilhações e condições foram atadas a “posição
legal” de Judeus e Cristãos, que a dhimmitude assumiu o status de “opressão,
privação e insegurança.”[26]
Mesmo
em Córdoba, Espanha – que tem sido ressaltada por muitos muçulmanos como uma
cidade da tolerância muçulmana e um centro para filósofos, artistas, e poetas
Judeus, Cristãos e muçulmanos tais como Maimonides, Ibn Hazm e Averroes – não
era totalmente tolerante. Mesmo o historiador especialista em Islamismo
Reinhart Dozy (1820-83) reconhece como a catedral principal se tornou uma
mesquita:
Todas as igrejas nesta cidade foram destruídas, exceto a
catedral, dedicada a São Vicente, mas
a posse desse santuário [catedral] foi garantida por um pacto. Por vários anos
o pacto foi respeitado; mas quando a população de Córdoba aumentou com a
chegada de Sírios Árabes [muçulmanos], as mesquitas não tinham acomodação
suficiente para os recém chegados, e os Sírios consideraram que seria bom para
eles adotar o plano que foi aplicado em Damasco, Emesa [Homs], e outras cidades
em seu próprio país, de se apropriarem de
metade da catedral e usar essa parte como mesquita. O governo [muçulmano]
aprovou o esquema, os Cristãos foram
obrigados a ceder metade do edifício. Este
foi claramente um ato de espoliação, bem como uma infração ao pacto. Alguns
anos depois. Abd-er Rahman I requisitou que os Cristãos vendessem a outra
parte. Os Cristãos recusaram firmemente,
destacando que se eles vendessem eles não mais teriam um lugar para a adoração.
Abd-er Rahman, no entanto, insistiu e chegaram a um acordo pelo qual os
Cristãos cederam sua catedral.[27]
E
mais, o poeta muçulmano Ibn Hazm instigou uma perseguição contra os Judeus em
Granada, Espanha, que matou quatro mil Judeus em 1066. O filósofo muçulmano
Averroes também era um forte antissemita. O filósofo Judeu Maimonides
eventualmente teve que fugir de perseguições. A conquista e o governo Islâmico
da Espanha foi marcado por massacres, ataques, perseguições e humilhações
regulares dos subjulgados dhimmis. A
“Era de Ouro do Islã” na Espanha é um mito.[28]
De
fato, de acordo com Ye’or, o “mito da tolerância muçulmana” não existiu antes
antes do século 20: “É em grande escala uma criação moderna. O obscurecimento
[da intolerância Islâmica] do Ocidente foi resultado das dificuldades políticas
e culturais do colonialismo.” Ela acrescenta: “A França dominou o Norte da
África, Algéria, Marrocos, Tunísia, Síria e Líbano depois da Primeira Guerra
Mundial. A Inglaterra dominou uma grande parte da população Islâmica na Índia e
também no Egito, Sudão, Iraque e Palestina. Eles não quiseram confrontar essa
população. Eles não quiseram proteger as minorias Cristãs nestas terras porque
eles queriam ter um benefício econômico pró-árabe, a favor da política
Islâmica.”[29]
De
modo que após o governo colonial, os Cristãos (predominantes) nestas áreas,
foram forçados a tentar se integrar nas culturas muçulmanas. Eles não tiveram
nenhuma proteção dos governos coloniais que, por razões políticas e econômicas
(a maioria relacionada ao petróleo), não queriam perturbar esses países
muçulmanos: “Como resultado eles desenvolveram toda uma literatura elogiando a
tolerância Islâmica com respeito a Judeus e Cristãos.”[30] Apesar de lermos no
Alcorão, “não há compulsão na religião” (2: 256), a compulsão foi incorporada
na carreira militar de Maomé, na expansão do Islã após sua morte e na vida sob
o governo do Islã.
Conclusão
A
afirmação de que os textos de guerra da Bíblia são “exatamente iguais” as do
Alcorão está incorreta. considerações adicionais devem ser dadas aos ensinos de
Maomé (e.g., no Hadith), ao exemplo
de Maomé em suas campanhas militares, à rápida expansão do Islã sob seus
sucessores e a vida dos dhimmis sob o
Islã no decorrer dos séculos.
As
escrituras Hebraicas retratam eventos singulares e não repetíveis da guerra
Israelita – diferente do aspecto contínuo e normativo da jihad no Alcorão e sob
a liderança de Maomé. Diferente dos textos bíblicos que destacam o julgamento de Deus contra povos específicos (Cananeus, Amalequitas), o
Alcorão e Maomé não colocaram tais limitações na jihad, pois os oponentes do
Islã são os não muçulmanos que estão na “Casa da Guerra” (dar al-harb) ao invés de estarem na “casa do Islã”. Até mesmo as
terras dos Cristãos seriam invadidas no Oriente Médio, Norte da África,
Turquia, Espanha e outras partes da Europa.
E
enquanto as Escrituras enfatizam uma área limitada geograficamente para o
engajamento militar, o Alcorão e Maomé não colocaram tais limites (e.g., “Eu
fui ordenado a lutar contra todos os homens até que eles digam, ‘não existe
nenhum deus a não ser Allah’”). Enquanto às ordens das guerras bíblicas foram
reforçadas por repetidos sinais e maravilhas públicos, dramáticos e óbvios, a
revelação de Maomé é privada e completamente não verificável.
Outro
ponto de contraste é a natureza de Deus no Alcorão e na Bíblia. O Alcorão
retrata uma deidade que ama apenas aqueles que o amam. Sim, Allah é
misericordioso e compassivo, mas ele só ama aqueles que o amam: “Deus não ama
os descrentes” (3: 32; 30: 45); “Deus não ama o pródigo” (6: 141) ou os
“agressores [ou ‘transgressores’]” (2: 190)[31] e é “um inimigo dos descrentes”
(2: 98). Aqueles que rejeitam o Islã são “as piores das criaturas” (98: 6).
Aqui o amor de Deus é condicional,
dependendo da resposta dos seres humanos.
O
amor do Deus bíblico é incondicional. Ele não ama meramente apenas aqueles que
o amam. Antes, Deus ama todas as pessoas e até mesmo seus inimigos (cf. Mt 5:
44-48; Jo 3: 16; Rm 5: 6-10; I Jo 2:2). Ele procura tornar a salvação
disponível a todos, incluindo os próprios inimigos do seu povo Israel (e.g., Gn
12: 1-3; Sl 87: 4-6; Is 19: 23-25; Zc 9: 7).
Quando
comparamos a guerra com os Cananeus e a jihad Islâmica, as diferenças são
bastante acentuadas.
Quadro comparativo
As
guerras de Yaweh no AT
|
Jihad
Islâmica
|
Geografia: a guerra era limitada geograficamente
à Terra Prometida.
|
Não há
nenhum limite geográfico à jihad. O mundo não muçulmano é a “casa da guerra”
do Islã
|
Extensão e limite histórico: a guerra estava limitada mais ou
menos a 1 geração (por volta do tempo de Josué) – embora conflitos menores
tenham continuado com os inimigos persistentes de Israel.
|
Não existe
nenhuma limitação histórica/temporal para a Jihad.
|
Objetos de guerra: os Israelitas foram instrumentos
de Deus para punir um inimigo hostil (os Amalequitas) ou uma cultura profundamente
corrompida moralmente – não porque eles não fossem Israelitas ou mesmo porque
eles não quisessem adorar a Yaweh. Esta punição veio após um período de 400
anos, esperando que o pecado dos Cananeus chegasse a uma certa medida (Gn 15:
16).
|
A guerra/agressão
é indiscriminada, dirigida contra os não muçulmanos, até mesmo os Cristãos e
Judeus (“Povo do Livro”). O Alcorão é completamente universal (“matai os
idólatras onde quer que os encontreis” 9:5). É indiscriminado com respeito
aos objetos da jihad: todos os não muçulmanos, incluindo Judeus e Cristãos
(“Povo do Livro” 9: 29). O Alcorão deixa questões em aberto sem uma
especificidade histórica.
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Objetos do amor de Deus: Yahweh ama até mesmo os seus
inimigos/aqueles que não o amam (cf. Gn 12:3; Jonas). Seu plano redentor
engloba até mesmo os inimigos tradicionais de Israel (Babilônia, Assíria,
Egito), os incorporando ao povo de Deus.
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Deus ama
apenas aqueles que o amam e o obedecem. “Deus não ama os descrentes” (3: 32;
30: 45);”Deus não ama o pródigo” (6: 141) ou os “agressores [transgressores]”
(2: 190) e é “um inimigo dos descrentes” (2: 98).
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Padrão de moralidade: a natureza “compassiva e graciosa” de Deus é a fonte dos comandos
de Deus. Deus não pode ordenar o que é intrinsecamente mal (Jr 19: 4-5).
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O Alcorão
destaca Deus como uma vontade
absoluta (como oposta a natureza moralmente boa) que ordena
indiscrimidamente.
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Sinas e maravilhas: uma série contínua de milagres
(pragas no Egito, a abertura do Mar Vermelho, o pilar de nuvem e de fogo, o maná,
a atravessia do Jordão, etc.) indicam claramente a presença de Deus, sua
superioridade sobre todas as outras deidades e sua autoridade para julgar os
Cananeus.
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O Islã é
visivelmente carente de sinais e maravilhas. Só temos as revelações privadas
e não verificáveis de Maomé.
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Normatividade da guerra: as passagens sobre as lutas contra
os Cananeus são descritivas – elas
descrevem um evento único e não repetível que foi para pavimentar o caminho
para a vinda do Messias e a salvação para o mundo todo.
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As
passagens de guerra do Alcorão são prescritivas,
pois prescrevem o que os muçulmanos devem fazer, ilustradas pelas
agressões militares de Maomé (o fundador do Islã e ideal moral) e pela
expansão primitiva do Islã; sua história contínua de expansão e agressão
continua a linha histórica iniciada pelo próprio Maomé.
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Resumo:
●
É comumente afirmado que a Bíblia é mais violenta do que o Alcorão
e que o Islã ser imposto pela espada é uma ficção. Além disso, uma afirmação
comum é que o Antigo Testamento promove “limpeza étnica”, “institucionaliza a
segregação” e promove o “ódio e o medo de outras raças e religiões.”
●
Quanto a “limpeza étnica” e ódio e medo de outras raças e
religiões, perceba que a linguagem “anti-Cananeia” é do mesmo tipo da linguagem
“anti-Israelita” que permeia todo o Antigo Testamento quando Deus está julgando
o seu povo. Isso inclui a linguagem hiperbólica de “destruir totalmente” (Jr
25: 9; Is 43: 28); os profetas Hebreus chamaram o povo de Deus de “Sodoma”,
“Gomorra” e “prostituta” (Is 1: 9-10; Ez 16; Oséias); e as advertências de Deus
a Israel: “Então farei a você o mesmo que planejo fazer eles” (Nm 33: 56; cf.
Lv 18: 26-30; 20: 22-23). E incluídos no Povo de Deus estão Cananeus como Raabe
(Js 2 e 6) e os Cananeus “estrangeiros” em Siquém (Js 8: 33, 35).
●
Quanto a instucionalizar a segregação, Israel deveria ser distinta
moralmente e espiritualmente, mas por fim, deveria abençoar as nações (Sl 67);
eles deviam cuidar dos estrangeiros e peregrinos que estavam entre eles (e.g.,
Ex 22: 21; 23: 9; Lv 19: 34; 25: 6; etc.). E Deus promete abençoar qualquer nação que se arrependa (Jr 18:
7-10; cf. Jonas 3-4).
●
Quanto a odiar e temer “outras...religiões”, Yahweh se opõe a
outros deuses e a idolatria, que apenas causa prejuízo aos seus adoradores.
Como vimos antes, era um ato de traição quando os Israelitas se aliavam com
outras deidades por meio de imoralidade sexual e idolatria.
●
Quanto a comparar o Alcorão com os textos do Antigo Testamento, os
textos de guerra ordenados divinamente no Antigo Testamento são notavelmente
hiperbólicos, ao passo que temos boas razões pra pensar que as passagens de
guerra do Alcorão não são hiperbólicas, devido ao que conhecemos sobre a
carreira militar de Maomé.
●
Enquanto as Escrituras falam de forma descritiva, sobre os eventos singulares que ocorreram, as passagens
do Alcorão soam bem prescritivas; de
fato, a história do Islã desde o tempo de Maomé em diante parece indicar que
estas são ordens contínuas, duradouras.
●
As guerras de Yahweh no Antigo Testamento não foram apenas singulares e não repetíveis, mas elas foram acompanhadas por uma esmagadora exibição de sinais divinos e
maravilhas, tanto para Israel, quanto para que seus oponentes pudessem ver.
Por contraste, as “revelações” de Maomé foram privadas e não públicas para escrutínio.
●
No Antigo Testamento, os objetos do julgamento de Deus foram limitados e localizados em uma pequena porção geográfica do Oriente Próximo
antigo (Dt 20: 16-17) – e não contra outros inimigos de Israel como os
Edomitas, Amonitas e Moabitas; isto era completamente diferente do tipo de
alcance global pelo qual Maomé e seus seguidores aspiraram.
●
Em seu discurso de despedida, Maomé disse a seus seguidores: “Eu
fui ordenado a lutar contra todos os homens até que eles digam, ‘não existe
nenhum deus a não ser Allah.’” Seus seguidores assumiram essa responsabilidade
com muita seriedade. Exatamente 100 anos depois da morte de Maomé, Carlos
Martelo estava reagindo aos ataques dos guerreiros islâmicos em Tours, França.
●
A primeira biografia autoritativa de Maomé escrita por Ibn Ishaq
(morto em 763) cobre as batalhas de Maomé em 75% de suas 813 páginas. Incluem
representações de assassinatos, estupro, e crueldade que tiveram a aprovação de
Maomé (“mate qualquer Judeu que estiver em seu poder”; uma mulher idosa, Umma
Qirfa, foi amarrada a dois camelos; Maomé permitiu que seus soldados tivessem
relações sexuais com mulheres cativas e com escravas – uma prática que ainda
permanece no Islã Xiita [mutah];
Maomé ordenou a tortura – mandou acender um fogo no peito de um homem – até que
ele dissesse o local onde estava guardado o tesouro).
●
Ainda outra característica diferencia as representações das
batalhas bíblicas das ações do Alcorão e de Maomé – a saber, a expansão
primitiva do Islã e seus encontros contínuos com o mundo não muçulmano. Isto
também deveria ser considerado como parte da linha histórica contínua do Islã.
●
Desde o início a “jihad” (“luta”) tem conotações militares; existe
pouco suporte para seu significado primitivo de “luta interna”.
●
Bat Ye’or documentou a história da “dhimmitude” (a condição de
Cristãos, Judeus e outros não muçulmanos [dhimmis]
sob a lei islâmica) em regiões dominadas por muçulmanos. Ela documenta a
opressão e até mesmo “ o extermínio aberto de populações Cristãs e o
desaparecimento da cultura Cristã Ocidental.”
●
Mesmo em Córdoba, Espanha – embora ressaltado como um lugar da
tolerância muçulmana e de ser um centro de filósofos Judeus, Cristãos e
muçulmanos, artitas e poetas – todas as igrejas desta cidade foram destruídas,
exceto uma, que seria posteriormente apropriada como uma mesquita, primeiro em
parte, depois completamente.
●
O poeta muçulmano Ibn Hazm instigou a perseguição contra Judeus em
Granada, Espanha, que matou quatro mil Judeus em 1066. O filósofo muçulmano
Averroes também era um forte antissemita. O filósofo Judeu Maimonides teve que
fugir eventualmente de perseguições. A “Era de Ouro do Islã” na Espanha é um
mito.
●
Ye’or observa que o “mito da tolerância muçulmana” não existe
antes do século vinte e é largamente uma criação moderna.
Fonte:
COPAN, Paul; FLANNAGAN,
Matthew. Did God Really Command
Genocide? Coming to the Terms with the Justice of God. Grand Rapids, MI:
Baker Books, 2014, pp. 276-287.
Tradução Walson Sales.
____________________________________
Notas:
[1] Andrea Bistrich, “Discovering the Common
Grounds of World Religions,” entrevista com Karen Armstrong, Share International, 26, n. 7 (Setembro
de 2007): 19-22, disponível em http://www.unaoc.org/repository/armstrong_interview.pdf.
[2] Phillip Jenkins, “Dark Passages,” Boston Globe, 8 de Março de 2009,
disponível em http://www.boston.com/bostonglobe/ideas/articles/2009/03/08/dark_passages/.
Veja também o livro de Jenkins, Laying
Down the Sword: Why We Can´t Ignore the Bibles Violent Verses (New York:
HarperOne, 2011).
[3] A menos que se diga o contrário, todas as
traduções do Alcorão deste texto são de John Arberry. Para esta e outras
traduções paralelas do Alcorão em inglês, veja “The Quranic Arabic Corpus”,
disponível em: http://corpus.quran.com/.
[nota do tradutor: utilizei a tradução em português de Mansour Chalitta, sempre
observando as semelhanças com a tradução utilizada pelo autor].
[4] Norman Anderson, “Islam,” em The World Religions, quarta edição
(Downers Grove, IL: InterVarsity, 1975), 128.
[5] Veja as obras
referenciadas de Bat Ye’or abaixo.
[6] Citado em Margareth Miner e Hugh Rawson,
editores de The Oxford Dictionary of
American Quotations, segunda edição (Oxford: Oxford University Press,
2006), 245.
[7] Citado em Efraim Karsh, Islamic Imperialism: A History (New Haven: Yale University Press,
2006), 3.
[8] Este registro de 86 batalhas é de J. M. B.
Jones, “The Chronology of the Maghazi: A
Textual Survey,” Bulletin of the School
of Oriental and African Studies 19 (1975): 245-80.
[9] Ibn Ishaq, The Life of Muhammad, tradução de A. Guillaume (Karachi: Oxford
University Press, 1955).
[10] Ibid., 369.
[11] Ibid., 665.
[12] Ibid., 674-75.
[13] Ibid., 515.
[14] Isto foi documentado por Silas (um
pseudônimo), “Muhammad and the Female Captives,” Answering Islam: A Chistian-Muslim Dialog (website), http://www.answering-islam.org/Silas/femalecaptives.htm,
acessado em 25 de Março de 2014. Veja também www.mutah.com para uma grande variedade de
recursos e documentação sobre este tópico, com um “Chat Mutah” característico
para muçulmanos solteiros encontrar “parceiras Mutah de mesma opinião,” bem
como os votos (mulher: “eu me caso
com você pelo período de tempo conhecido e concordo com o dote”; homem: “Eu aceito”).
[15] Agradecimentos a Joshua Lingel por seus
insights. Veja também seu material “When Muslims Attack ...the Faith,” Charisma, 20 de Setembro de 2001, http://www.charismamag.com/site-archives/1463-online-exclusives/september-2011/14468-when-muslims-attack-the-faith.
[16] Aqui nós usamos a mais notável tradução, a
de Yusuf Ali. [nota do tradutor: continuei utilizando a versão em Português,
contudo, sem deixar de comparar a precisão comparada de ambas].
[17] Aqui vai uma coletânea de citações do
Alcorão: “Ó Profeta, luta contra os descrentes e os hipócritas e sê duro para
com eles” (9: 73). “Ó vós que credes, combatei os descrentes que estão próximos
de vós. E que sintam dureza em vós...” (9: 123). “Dize aos omissos entre os
Beduínos: ‘Breve sereis chamados para combater um povo de grande vigor.
Devereis combatê-lo até que se submeta ao Islã...” (48: 16).
[18] “Apêncice E: Alcorão 2: 256,” Answering Islam: A Christian-Muslim Dialog (website),
http://answering-islam.org/Hahn/mappe.ttml, acessado em
25 de Março de 2014. As tradições (Hadith)
do Islã reforçam este tema: “Alguns Zanadiqa (ateus) foram trazidos a Ali e ele
os queimou. As notícias deste evento chegaram a Ibn Abbas que disse, ‘Se eu
estivesse no lugar de Ali, eu não os teria queimado, como o Apóstolo de Allah
proibiu, dizendo, “não puna ninguém com a punição de Allah [o fogo].” Eu teria
os matado de acordo com afirmação do Apóstolo de Allah, “Quem quer que mude de
sua religião islâmica, mate-o.”’” Hadith,
vol. 9, livro 84, número 57, disponível em http://www.usc.edu/org/cmje/religious-texts/hadith/bukhari/084-sbt.php.
[19] Para mais detalhes, veja o website do Museu
Palácio Topkapi em http://www.ee.bilkent.edu.tr/~history/topkapi.html.
[20] Encyclopedia
of Islam, editado por Jane Dammen McAuliffe (Leiden: Brill, 1960-2003),
s.v. “Djihad”; citado em David Cook, Understanding
Jihad (Berkeley: University of California Press, 2005), 213n1.
[21] Citado em Ibid.
[22] Veja David Cook, Understanding Jihad; veja também The Oxford Encyclopedia of the Modern Islamic World, editado por
John L. Esposito (Oxford: Oxford University Press, 2001), s.v. “Jihad,” 2:
369-73.
[23] Cook, Understanding Jihad, capítulo 3.
[24] Para uma documentação completa sobre este
fenômeno relatado acerca do governo muçulmano sobre Cristãos e Judeus, veja o
excelente livro de Bat Ye’or The Decline
of Eastern Chistinanity under Islam: From Jihad to Dhimmitude (Teaneck, NJ:
Fairleigh Dickinson University Press, 1997).
[25] Citado em Michael Cromartie, entrevista com
Bat Ye’or, “The Myth of Islamic Tolerance,” em Books and Culture 4, n. 5 (Setembro/Outubro de 1998): 38, http://www.christianitytoday.com/bc/8b5038.html.
[26] Bat Ye’or, “Persecution of Jews and
Christians: Testimony vs. Silence,” palestra dada no Ethics and Public Policy
Center, Washington, DC, em 2 de Abril de 1998, http://www.dhimmi.org/LectureE4.html,
acessado em 12 de Abril de 2014.
[27] Reinhart Dhozy, Spanish Islam: A History of the Moslims in Spain, reimpressão e
edição (Bloomington, IN: Indiana University Press, 2008), 239, ênfase
adicionada.
[28] Andrew G. Bostom, “The Cordoba House and
the Myth of Cordoban ‘Ecumenism,’” PJMedia,
2 de Setembro de 2010, http://pjmedia.com/blog/the-cordoba-house-and-the-myth-of-cordoban-ecumenism/?singlepage=true;
veja também Bat Ye’or, “Andalusian Myth, Eurabian Reality,” Jihad Watch (21 de Abril de 2004), http://www.jihadwatch.org/2004/04/andalusian-myth-eurabian-reality.
[29] Bat Ye’or, citada
em Cromartie, “Myth of Islamic Tolerance.”
[30] Ibid.
[31] As traduções de
Muhammad Sarwar, Yusuf Ali e Marmaduke Pickthall usam “transgressores” neste
verso. [Chalitta usa “agressores”].
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