A teoria romanista considerou que os milagres continuaram ao longo da história credenciando a verdade da doutrina Católica até os dias atuais. Esta teoria, Warfield escreve, é, pelo menos, mais “consistente e razoável” do que a “opinião predominante” do seu tempo que considerava que os milagres continuaram após a era apostólica para poucos, geralmente três ou quatro séculos. Walfield cita a Free Inquiry (Investigação Livre) de Middleton pelo fato desta manter tal opinião predominante. A primeira é que os milagres eram obrigados a fortalecer a Igreja até que o poder civil do Império Romano convertido ao cristianismo e estivesse numa posição de protege-lo. A Igreja, “sendo agora entregue a todos os perigos, e segura do sucesso, escondeu-se sob a proteção da maior potencia do mundo”. O tom sarcástico de Middleton aqui talvez seja dirigido a tais clérigos que não sentiam nada de errado em referir-se ao governo civil de Roma, em vez de Deus como “a maior potencia do mundo” a proteger a Igreja.
Os milagres e os dons são elementos essenciais na própria natureza do Reino de Deus que Jesus apresentou, do evangelho proclamado e demonstrado pelos discípulos, apóstolos e pela Igreja. Um exame das Escrituras revela que os milagres não provam o Evangelho, mas são elementos essenciais dele. Os milagres representam, na realidade, o deslocamento do domínio de Satanás para o Reino de Deus, seja no domínio físico, emocional, moral ou espiritual; o evangelho articula esses eventos. Portanto, remover a presença do poder carismático de Deus do Evangelho cristão é destruir sua própria essência como descrito biblicamente. Talvez seja este medo que levou o escritor de 2Tm 3.5 a prever uma luta escatológica contra aqueles com “aparência de piedade, mas negando a eficácia dela.” A natureza do Evangelho é “miraculosa” no modo como ela é apresentada, e também na maneira como ela continua seu propósito na comunidade da Igreja.
(Sobre a Cessação dos Charismata. Jon Ruthven)
Por Rafael Félix.
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