Por André Holanda
Quando falo sobre a universalidade dos valores morais, muitos alunos sempre discordam afirmando que "nenhuma cultura tem o direito de impor os seus valores morais aos outros", "Cada cultura não deveria ser julgada por ninguém de fora. Isto seria xenofobia, etnocentrismo, etc", "A moral ocidental judaico-cristã (do homem/macho branco) não pode ser imposta aos outros povos", "Temos de aceitar o perspectivismo ou o lugar-de-fala de cada um", etc.
Sendo assim, para os multiculturalistas ou relativistas éticos, por exemplo, não temos o direito de condenar os povos africanos que mutilam geniltalmente as meninas. Também não deveríamos criticar os muçulmanos por praticarem sexo com meninas de oito ou nove anos de idade. Não podemos nos opor à prática de tribos indígenas que sepultam um bebê gêmeo vivo ou um bebê que nasceu deficiente. Nem poderíamos nos opor ao apedrejamento público de mulheres no mundo muçulmano. "Nossa cultura não tem o direito de julgar as demais". "É a cultura deles, respeite". Para os relativistas morais, não existe, então, algo que deva ser considerado universalmente errado a combatido por todos nós, a despeito da cultura de cada povo.
Para mim a resposta é muito simples e óbvia: pergunte o que a vítima acha do que está sendo feito à ela. Se a menina de oito ou nove anos de idade que vai ser obrigada a ser desvirginada por um homem de cinquenta ou sessenta anos tivesse o direito de escolher diferente, o que ela faria? Se a menina que está sendo mutilada pudesse escolher não ser mutilada, o que vc acha que ela escolheria? Se o bebê indígena que vai ser enterrado vivo pudesse falar, ele imploraria pela sua vida? Se a jovem, que vai ser apedrejada até a morte por não ter coberto o rosto, pudesse ser perdoada, o que ela escolheria?
Indo além: Nessas culturas, quem violenta quer ser violentado? Quem mutila quer ser mutilado? O pajé quer ser enterrado vivo? O líder muçulmano quer ser apedrejado no lugar da moça? Duvido. Nenhum deles quer! Portanto, pelo menos por causa das vítimas, há alguns valores morais válidos universalmente (como, por exemplo, o direito a permanecer vivo e o direito a não ter o seu corpo ferido por outrem) que devem ser seguidos por todos em qualquer época, em qualquer cultura e em qualquer lugar. E, há práticas que são sempre erradas, mesmo que todas as culturas as considerem certas.
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