É importante nos situarmos no contexto cultural e social que construíram o pensamento da sociedade nos tempos bíblicos, a fim de compreendermos melhor as diretrizes de Deus para aqueles dias, bem como sua aplicação nos nossos dias. Nesta proposta, seguimos enfocando as condições da figura feminina nos tempos bíblicos, porém, sempre colocando tais circunstâncias a luz da revelação de Deus como sempiterno farol norteador. Assim fazendo, compreenderemos melhor a grandeza da conduta de Jesus na redenção do valor de todas as coisas nos escritos do Novo Testamento.
Para tanto, existem fatores indispensáveis que farão diferença nessa compreensão, como pontua Coleman:" É importante que tenhamos o cuidado de não julgar o povo de Israel pelas nossas perspectivas modernas. Para eles, a harmonia e a cooperação entre as pessoas eram mais importantes do que um sentimento de liberdade e individualidade. Isso não justifica a conduta deles, mas nos ajuda a entender seu raciocínio"( COLEMAN,1991,p.92).
Paul Copan acrescenta: " Embora Gênesis 1-2 exponha o ideal de igualdade entre macho e fêmea, as leis com respeito a mulher em Israel assumem uma abordagem realista quanto as estruturas humanas caídas no Oriente Próximo. Na legislação de Israel Deus faz duas coisas: (1) ele trabalha dentro de uma sociedade patriarcal para mostrar a Israel um caminho melhor; e (2) ele provê muita proteção e controle contra os abusos direcionados a mulher em condições reconhecidamente interiores" ( COPAN,2011, p.115).
Durante todo o relato bíblico vemos a importância singular da família. E a resistência, bem como o triunfo da nação israelita, em grande parte, dependeu da devida coesão dos membros familiares. Com isso, não se estar afirmando que as famílias dos tempos bíblicos eram perfeitas, pois o relato das escrituras não esconde os vários problemas e conflitos que ocorreram nas mais variadas famílias. Todavia, tais realidades não anulam a regra geral do modelo de Deus para a família como célula master que proporciona estabilidade e vida.
Quanto a essas questões familiares, observemos a posição da mulher:
" A hebréia era treinada para se tornar esposa e mãe. Durante séculos, a realização pessoal da mulher dependeu de seu sucesso no desempenho dessas funções.
O limite de sua liberdade e da auto-expressão criativa que ela poderia exercitar dependia em parte de sua própria iniciativa, mas também da disposição do marido. Algumas mulheres se limitavam as atividades domésticas; mas outras, além disso, por serem mais desenvoltas, conseguiram deixar sua marca na sociedade.
A mulher descrita em Provérbios 31 era uma dessas. Percebe-se que ela ela estava longe de ser uma pessoa passiva. Mesmo se a compararmos com os padrões modernos, temos que reconhecer que ela desenvolveu sua própria personalidade, e aproveitou todas as oportunidades que se lhe apresentaram. Essa mulher, tão elogiada administrava bem as servas em casa, geria um negócio bastante lucrativo e ainda cuidava dos pobres e necessitados. Chegou até a lidar com compras e vendas de imóveis.
Embora muitas mulheres levasse uma vida restrita ao círculo familiar, não havia nenhuma lei divina obrigando-as a isso. Muitas das limitações impostas ao grupo feminino da sociedade eram criadas por maridos autocratas, e reforçadas pelo fato de algumas mulheres se submeterem a elas.
A Bíblia honestamente relata que nas sociedades dos tempos bíblicos, as mulheres não recebiam tratamento igual ao que era dado aos homens. Se uma delas cometesse adultério, por exemplo, o marido poderia apresentar uma acusação formal contra ela ( Nm 5.12ss). Mas se fosse ele quem cometesse infidelidade, ela não poderia fazer quase nada, pois dispunha de poucos recursos legais. Se um homem, por qualquer motivo, quisesse divorciar-se, precisava apenas dar-lhe um " termo de divórcio"( Dt 24.1). Segundo dizem alguns rabinos, eles podiam divorciar-se caso não gostasse da comida ou achasse que não cuidava bem da casa. Mas a mulher mesma nunca poderia entrar com um processo de divórcio. Quando Jesus veio, ele restaurou a igualdade entre os cônjuges, negando aos homens o direito de assim proceder" ( COLEMAN,1991,p.34).
Muitos críticos da Bíblia se valem de fatos como esses acima narrados, de maneira aleatória e fora do contexto geral da revelação bíblica, para tecer comentários desonestos acerca da fé cristã e, consequentemente, sobre o valor dado as mulheres no cristianismo bíblico. Fato é que a lei, para cumprir o alcance dos seus objetivos e todas as suas implicações, não poderia ser aplicada de forma partidária, uma vez que Deus não faz acepção de pessoas ( At 10.34). Esses críticos, não consideram um fator fundamental para a compreensão da Palavra de Deus. O fato de que Jesus em seu advento na plenitude dos tempos, cumpriu perfeitamente toda a lei de Deus (Mt 5.17), tornando de fato sua aplicabilidade igual e justa a todos, homens e mulheres ( Mt 5.28).
Segue....
Por Fabiana Ribeiro.
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