Declaração de abertura de Craig
Boa noite! Quero começar expressando meus agradecimentos pelo privilégio de participar desse evento sobre o quinquagésimo aniversário do famoso debate entre Copleston e Russel e é uma honra especial estar dividindo a plataforma nesta noite com o Dr. Flew.
Agora, a fim de determinar racionalmente se Deus existe ou não, nós precisamos conduzir nossa investigação de acordo com as regras básicas da lógica e perguntar a nós mesmos duas questões fundamentais: (1) há boas razões para pensar que Deus existe? E (2) há boas razões para pensar que Deus não existe?
Agora, com respeito a segunda questão, eu deixarei para o Dr. Flew apresentar as razões pelas quais ele pensa que Deus não existe. Mas perceba que embora os filósofos ateus tenham tentado por séculos refutar a existência de Deus, nenhum foi capaz de vir com um argumento bem sucedido. Então, ao invés de ataca-lo nesse ponto, eu somente esperarei ouvir a resposta do Dr. Flew à seguinte questão: que bons argumentos existem para mostrar que Deus não existe?
Vamos olhar, então, a primeira questão: existem boas razões para pensar que Deus existe? Nesta noite eu estou apresentando cinco razões pelas quais eu penso que o teísmo é muito mais plausivelmente verdadeiro do que o ateísmo. Livros completos foram escritos em cada tópico, então eu só posso apresentar aqui um breve esboço de cada argumento e então detalhar mais a medida que o Dr. Flew os responde. Essas razões são independentes umas das outras e tomadas em conjunto constituem em um poderoso caso cumulativo a favor da existência de Deus.
I. A Origem do Universo
Você já se perguntou de onde veio o universo? Porque existe alguma coisa ao invés do nada? Tipicamente os ateus têm dito que o universo é apenas eterno e não causado. Como Russell observou a Copleston: “O universo é tudo o que existe e isso é tudo”.[1] Mas isso é realmente tudo? Se o universo nunca passou a existir, então isso significa que o número de eventos na história passada do universo é eterna. Mas matemáticos reconhecem que realmente o número infinito de coisas leva a auto contradições. Por exemplo, o que é infinito menos infinito? Bem, matematicamente você recebe respostas auto contraditórias. Isso mostra que o infinito é apenas uma ideia em sua mente, não algo que existe na realidade. David Hilbert, talvez o maior matemático desse século, declara, “O infinito está longe de ser encontrado na realidade. Ele não existe na natureza, nem constitui uma base legítima para o pensamento racional ... O papel que resta para o infinito apresentar é somente essa de uma ideia.[2] Mas isso exige que os eventos passados não são somente ideias, mas são reais, o número de eventos passados devem ser finitos. Portanto, a série de eventos passados não podem voltar para sempre. Particularmente, o universo deve ter passado a existir.
Essa conclusão tem sido confirmada por descobertas extraordinárias em astronomia e astrofísica. A evidência astrofísica indica que o universo passou a existir em uma grande explosão chamada “Big Bang” 15 bilhões de anos atrás. O espaço físico e o tempo foram criados nesse evento, como também toda a matéria e energia no universo. Portanto, como o astrônomo de Cambridge Fred Hoyle destaca, a teoria do Big Bang requer a criação do universo do nada. Isso é porque se você volta no tempo, você chega em um ponto em que, nas palavras de Hoyle, “o universo estava contraído a nada”.[3] Assim, o modelo do Big Bang requer que o universo passou a existir e foi criado do nada.
Agora, isso tende a ser muito embaraçoso para o ateu, como Anthony Kenny da Universidade de Oxford encoraja, “Um proponente da teoria [do Big Bang], pelo menos se ele é um ateu, deve crer que...o universo veio do nada e por nada”.[4] Mas, certamente, que isso não faz sentido! Do nada, nada vem. Então porque o universo existe ao invés do nada? De onde veio o universo? Deve ter havido uma causa que trouxe o universo a existir.
Nós podemos sumarizar nosso argumento em grande parte assim como segue:
1 Tudo o que passa a existir tem uma causa.
2 O universo passou a existir.
3 Portanto, o universo tem uma causa.
Agora, da completa natureza do caso, como a causa do espaço e tempo, essa causa deve ser não causada, eterna, imutável, imaterial e um ser de um poder inimaginável que criou o universo. Além disso, eu argumentaria, deve também ser pessoal. De que outra forma poderia uma causa atemporal dar origem a um efeito temporal como o universo? Se a causa foi um grupo de condições necessárias e suficientes, então a causa nunca poderia existir sem o efeito. Se a causa foi um eterno presente, então o efeito seria um eterno presente também. A única forma para a causa ser eterna e para o efeito passar a existir no tempo é a causa ser um agente pessoal que escolheu criar livremente um efeito no tempo sem nenhuma condição prévia determinante. Assim, nós fomos trazidos não meramente por uma causa transcendente do universo, mas por seu criador pessoal.
Não é inacreditável que a teoria do Big Bang confirma o que os teístas Cristãos sempre acreditaram – que “no inicio Deus criou os céus e a terra”?[5] Agora eu simplesmente coloco pra você: o que você acha que faz mais sentido – que o teísta está certo ou que o universo somente “passou” a existir, não causado, do nada? Eu, pelo menos não tenho nenhum problema em avaliar essas alternativas.
Tradução Walson Sales
Notas do trecho:
[1] Bertrand Russel and F.C. Copleston, ‘A Debate On The Existence of God’, reprinted in John Hick (ed.), The existence of God, Problems of Philosophy Series (New York: Macmillan Publishing Co., 1964), p. 175.
[2] David Hilbert, ‘On the Infinite’, in Paul Benacerraf and Hilory Putnam (eds), Philosophy of Mathematics (Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall, 1964), pp. 139, 141.
[3] Fred Hoyle, Astronomy and Cosmology (San Francisco: W.H. Freeman, 1975), p. 658.
[4] Anthony Kenny, The Five Ways: St. Thomas Aquinas Proofs of God’s Existence (New York: Schocken Books, 1969), p. 66.
Continua na próxima postagem a tradução do próximo trecho do discurso do Dr. William Lane Craig:
II. A ordem complexa no universo
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