quarta-feira, 22 de maio de 2019

HÁ MALES QUE VÊM PARA O BEM!


Por Tiago Rosas
O Pr. Marcos Granconato, com quem tenho tido proveitoso diálogo nestes últimos dias, questionou-me sobre o fato de Paulo ter deixado seu amigo Trófimo doente em Mileto (2Tm 4.20). Segundo aquele pastor batista, isso era um sinal de que os dons espirituais já estavam caminhando para uma extinção. Óbvio que, como pentecostal, discordei peremptoriamente! Afinal, os dons do Espírito operam a bel prazer do Doador, não do portador do dom, que é apenas um instrumento por meio do qual Deus realiza seus propósitos. Nem mesmo Paulo, conquanto santo apóstolo de Cristo, podia manipular os dons segundo bem entendesse. "O Espírito reparte a cada um como quer" - era a convicção paulina! (1Co 12.11).
Mas o questionamento do Pr. Granconato me foi muito proveitoso para refletir sobre uma verdade atestada na Bíblia sagrada: Deus, soberano, nem sempre cura a doença, e muitas vezes impede que o dom do Espírito seja utilizado nalgum momento para dissipar o sofrimento, a fim de que por meio da doença um plano maior seja levado a cabo. Sim, ainda que não entendamos a ação providencial da mão de Deus nessas circunstâncias dolorosas, fato é que Ele também age assim. Já dizia o profeta Naum: "Deus tem os seus caminhos na tormenta" (Na 1.3). Jesus disse a seus discípulos, sobre a cegueira de um homem: "ele nasceu assim para que nele se manifestasse a obra de Deus" (Jo 9.3). Jesus não curou Lázaro quando soube de sua doença grave, mas protelou propositalmente sua visita a Betânia, para realizar uma obra maior que a cura: a ressurreição de seu amigo (Jo 11). E quantos parentes e amigos de Lázaro foram conhecer Jesus depois em razão deste milagre estupendo que funcionou como um grande marketing para atrair as multidões a Cristo? Dezenas ou centenas! (Jo 12.9, 12,17,18). Deus usou uma doença de Paulo para através dela levar o Evangelho de Cristo aos gálatas (Gl 4.13). Se a Deus aprouve agir assim para um bem maior envolvendo um número maior de pessoas, deveríamos lhe demonstrar gratidão por isso, conquanto tais experiências não neguem um milímetro sequer da continuidade dos preciosos dons, pois a outros aprouvera Deus curar através da palavra de ordem na boca de um instrumento Seu. Ele age como quer, curando ou não curando!
Mas você deve estar a essa altura se perguntando: o que a foto do doutor wesleyano William Lane Craig tem a ver com esse post? É que o irmão Craig tem um testemunho pessoal belíssimo a nos contar sobre uma oração por cura não respondida e que redundou em algo muito mais elevado do que o pretendido por ele. Leiamos:
"Não trato muito disso publicamente, mas eu tenho uma enfermidade neuromuscular congênita que provoca uma atrofia progressiva das extremidades (...) Quando jovem cristão, orei para que Deus me curasse. Mas ele não o fez. (...) Quando eu olho para a minha vida, percebo o quanto Deus tem usado essa enfermidade de tantas maneiras extraordinárias para moldar em mim a minha personalidade. Como não podia me dedicar ao atletismo, a fim de triunfar em algo fui impelido para a vida acadêmica. Devo realmente a minha existência como estudioso ao fato de ter essa enfermidade. Foi o que me impulsionou para a vida intelectual"¹
Notou? A doença não curada do irmão Craig fez com que seu sonho de virar atleta fosse redirecionado para a vida acadêmica, e hoje - para glória de Deus e nossa alegria - o irmão Craig é profícuo escritor, teólogo e filósofo, e um dos maiores apologistas da fé cristã no contexto atual, expondo, elucidando e defendendo a fé cristã ortodoxa diante de grandes nomes do ateísmo moderno, auxiliando sobretudo jovens cristãos na compreensão e afirmação de sua fé no Senhor Jesus! Deus tinha planos mais elevados para o irmão Craig do que o atletismo por ele pretendido, e a doença foi o caminho da santa disciplina para forjar nele o espírito de um verdadeiro aleta de Deus, que está a combater o bom combate.
Irmão, em tudo dai graças! Até mesmo por tuas orações não respondidas ou por tua doença ainda não sarada. Dai graças! No vale escuro da sombra da morte, Deus se manifesta com maior luz e vida para ti!
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¹ O testemunho do irmão Craig pode ser lido aqui:
Em defesa da fé (Lee Strobel), 1°. ed., 2002, editora Vida, p. 96.

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