Geisler &Turek (2006) lançam luz sobre essa questão. Eles narram que, em fevereiro de 303 d.C., Diocleciano promulgou três editos de perseguição aos cristãos, porque acreditava que a existência do cristianismo estava rompendo a aliança entre Roma e seus deuses. Os editos pediam a destruição de igrejas, manuscritos e livros, assim como a morte dos cristãos. Centenas, se não milhares de manuscritos foram destruídos por todo o Império Romano durante essa perseguição, que durou até o ano 311 d.C.
No entanto, mesmo que Diocleciano tivesse sido bem-sucedido em varrer da face da terra todos os manuscritos bíblicos, ele não poderia ter destruído a nossa capacidade de reconstruir o NT. Por quê? Porque os Pais da igreja primitiva - homens dos séculos II e III como Justino Mártir, Irineu, Clemente de Alexandria, Orígenes, Tertuliano e outros - fizeram tantas citações do NT (36.289 vezes, para ser exato) que todos os versículos do NT, com exceção de apenas 11, poderiam ser reconstruídos simplesmente a partir de suas citações. Em outras palavras, você poderia ir até a biblioteca pública, analisar as obras desses homens e ler praticamente todo o NT simplesmente com base nas citações feitas! Desse modo, nós não apenas temos milhares de manuscritos, mas também milhares de citações desses manuscritos. Isso torna a reconstrução do texto original praticamente precisa (p.233).
McDowell (1996) prova a importância dos Pais da Igreja, citando o testemunho de sir David Darymple, o qual estava refletindo sobre a preponderância das Escrituras nos escritos antigos, quando alguém lhe perguntou: “Supondo que o Novo Testamento houvesse sido destruído, e se tivessem perdido todas as suas cópias, seria possível até o fim do terceiro século reconstrui-lo novamente a partir dos escritos dos Pais da Igreja do segundo e terceiro séculos?”. Após uma acurada investigação, Darymple chegou à seguinte conclusão: “Veja aqueles livros. Você lembra da pergunta que me fez sobre o Novo Testamento e os Pais? Aquela pergunta despertou a minha curiosidade, e, como eu conhecia todas as obras existentes dos Pais do segundo e terceiro séculos, comecei a pesquisar e, até agora, já encontrei todo o Novo Testamento, com exceção de onze versículos” (p.64).
Lembremo-nos, portanto, de que os escritos da era patrística antiga apresentam duas limitações:
Às vezes se fazem citações sem exatidão verbal;
Alguns copistas tinham tendências para erros ou alterações intencionais.
Havia toda uma atividade literária realizada pelos Pais da Igreja primitiva na evangelização, apologética e duplicação dos manuscritos. Tudo antes do Concílio de Nicéia, em que os ateus alegam que o NT foi “inventado”. Como um historiador sincero pode ignorar esses fatos?
(Ateísmo: Resposta às Objeções à Veracidade do Cristianismo. Walson Sales)
Por. Rafael Félix.
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