Todas as tentativas de teólogos reformados de encontrar Pais da Igreja anteriores a Agostinho que tenham adotado uma linha calvinista se mostraram, como era de se esperar e apesar de todos os esforços empreendidos, completamente debalde. Alguns deles, mesmo assim, insistiram em vender como bem-sucedidos seus resultados escandalosamente forçados, os quais foram, óbvia e solenemente ignorados pelos especialistas, sendo populares hoje apenas entre alguns “guetos” calvinistas. Portanto, não é de admirar que pouquíssima gente do meio reformado tenha partido para essa empreitada inglória. O próprio Calvino, que, antes de todos eles, já mergulhara nos Pais da Igreja em busca de apoio para sua doutrina da mecânica da Salvação, alertaria decepcionado que “todos os escritores eclesiásticos, exceto Agostinho”, lhe eram “contrários”.
O primeiro teólogo calvinista que tentou encontrar o que nem o diligente Calvino conseguiu encontrar foi o puritano John Owen (1616-1683). Entretanto, sua empreitada, apresentada em sua obra A Morte da Morte na Morte de Cristo (1647), foi apenas parcial. Owen não procurou entre os Pais da Igreja quem seguia todos os cinco pontos do calvinismo (Depravação Total, Eleição Incondicional, Expiação Limitada, Graça Irresistível e Perseverança dos Santos), mas apenas quem defendesse a Expiação Limitada. O teólogo britânico, principal elaborador do texto final de Confissão de Fé de Westminster (1646) e um dos três maiores teólogos calvinistas modernos (os outros dois seriam o próprio Calvino e Jonathan Edwards), em seu fervor calvinista, tentou defender a tese de que, entre os Pais da Igreja, havia, além de Agostinho, outros defensores da Expiação Limitada. Só que, como escreve o teólogo Gray Shultz, “os únicos dois homens que Owen cita que realmente acreditavam em redenção particular foram Agostinho e Próspero”.
Com o detalhe de que Próspero, que foi amigo e discípulo de Agostinho, no final da sua vida, voltou atrás (Veremos isso no capítulo 3 desta seção História). Enfim, durante os primeiros 400 anos da história da Igreja, ninguém defendeu tal coisa. O bispo de Hipona foi realmente o primeiro a fazê-lo.
Silas Daniel
Via Walson Sales.
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