Teísmo, Humanismo, Niilismo – Quem Está com a Razão sobre a moralidade?
William Lane Craig debateu com o humanista ateu Paul Kurtz sobre o tema Is Goodness Without God Good Enough? [a tradução livre ficaria assim: a bondade sem Deus é suficientemente boa?]. Paul Kurtz, apesar de ateu [humanista], defende os valores morais à parte de Deus e defende uma singularidade especial nos seres humanos também à parte de Deus, apesar de defender que o homem não é nada! Kurtz começou errando o tema central do debate. Como apresentado no silogismo que citei do David Wood acima, se Deus não existe, valores morais objetivos não existem. Kurtz distorceu, inserindo a palavra “crença, fé”, no tema. Então ele defendeu o seu argumento como se o tema fosse assim: a bondade sem a fé em Deus é suficientemente boa. Percebe? Ele queria defender que um homem pode ser bom sem a fé em Deus. Errando logo no começo, todo o debate virou-se contra ele. Como sabemos, e isso é um consenso quase geral nos pensadores cristãos, a imagem e semelhança de Deus ainda está impressa no homem caído. Sendo assim, mesmo sem fé em Deus, o homem tem consciência do que é certo e errado, como citado acima (Romanos 1 e 2).
Quando o Dr. Craig assumiu a tribuna, ele começou a desconstruir esse mal entendido do Kurtz assim:
Deixe-me dizer logo no início, quão claro quanto eu possa ser, eu concordo que uma pessoa pode ser moral ser ter fé em Deus, mas, este não é o tópico do debate de hoje. Nós não estamos falando sobre bondade sem fé em Deus, mas ao invés, bondade sem Deus. Quando o Professor Kurtz diz, “a bondade sem Deus é boa o bastante”, ele está levantando de uma maneira provocativa a questão da base dos valores morais. Em um livro recente, ele utilmente distingue três visões em resposta a estas questões. O Teísmo mantém que os valores morais são fundamentados em Deus. O Humanismo mantém que os valores morais são fundamentados nos seres humanos. E o Nihilismo mantém que os valores morais não têm absolutamente nenhum fundamento e, portanto são, por fim, ilusórios e não comprometedores.
Esta análise é instrutiva porque nos ajuda a ver que o Dr. Kurtz está engajado em uma luta em dois fronts: de um lado contra o teísta e de outro lado contra o niilista. Isto é importante porque nos ajuda a ver que o humanismo não é uma posição sem concorrentes. Isto é, se o teísta está errado, isto não quer dizer que o humanista está certo. Porque se Deus não existe, talvez o niilista esteja certo. A fim de conduzir este caso, o Dr. Kurtz deve vencer a ambos, o teísta e o niilista. Em particular, ele deve mostrar que na ausência de Deus, o niilismo não seria verdade.
Com isso em mente, eu defenderei duas afirmações neste debate:
Se o teísmo é a verdade, nós temos um sólido fundamento para a moralidade.
Se o teísmo é falso, nós não temos um fundamento sólido para a moralidade.
Vamos olhar a primeira afirmação juntos: Se o teísmo é a verdade, nós temos um sólido fundamento para a moralidade. Aqui eu quero fazer três subpontos.
Primeiro, se o teísmo é a verdade, nós temos uma base sólida para os valores morais objetivos. Dizer que existem valores morais objetivos é dizer que alguma coisa é boa ou mal independentemente se alguém acredita nisso ou não. Isto é, por exemplo, o Holocausto foi moralmente mau, mesmo embora os Nazistas que o praticaram pensassem que fosse algo bom.
Na visão teísta, os valores morais objetivos estão enraizados em Deus. Ele é o local e a fonte dos valores morais. A própria santidade de Deus e sua natureza amorosa fornece o padrão absoluto contra o que todas as ações são medidas. Ele é por natureza amor, generoso, justo, fiel, gentil e assim por diante. Assim, se Deus existe, os valores morais objetivos existem.
Segundo, Se o teísmo é a verdade, nós temos um sólido fundamento para as obrigações morais objetivas. Dizer que temos obrigações morais objetivas é dizer que temos certas obrigações morais, independente do que nós pensamos ou não.
Na visão teísta, a natureza moral de Deus é expressa em direção a nós na forma dos mandamentos divinos que constituem nossos deveres morais. Longe de ser arbitrário, esses mandamentos fluem necessariamente de sua natureza moral. Sobre este fundamento, podemos afirmar a bondade objetiva, justiça do amor, generosidade, autossacrifício e igualdade e condenamos como objetivamente mal e errado o egoísmo, ódio, abuso, discriminação e opressão.
Terceiro, se o teísmo é verdade, temos uma base sólida para a responsabilidade moral. Na visão teísta, Deus mantém todas as pessoas moralmente responsáveis por suas ações. O mal e o erro serão punidos; a justiça será vindicada. Apesar das injustiças da vida, no fim, a balança da justiça de Deus será equilibrada. Podemos até mesmo cometer atos de extremo autossacrifício que vão de encontro aos nossos interesses, sabendo que tais atos não são vazios e que em última análise, não são gestos sem sentidos.
Então, eu acho que está evidente que se Deus existe, a objetividade dos valores morais, das obrigações morais e da responsabilidade moral está garantida. Portanto, o teísmo provê uma base sólida para a moralidade (CRAIG, apud KING & GARCIA, 2009, p. 29-31).
KING, Nathan L.; GARCIA, Robert K. (Eds.). Is Goodness without God Good Enough?: A Debate on Faith, Secularism, and Ethics. Lanham, Maryland: Rowman & Littlefield Publishers, 2009
Com efeito, toda a ação moral perde o sentido se está apenas baseada no ser humano, que é apenas um produto de uma evolução cega e sem conceito de moralidade.
By Walson Sales.
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