No filme de "Contato", Ellie disse ao pai que o amava, mas ela não poderia provar a ele cientificamente. Isso porque a ciência não pode fazer esse tipo de coisa. A ciência não pode mostrar que duas pessoas se amam. A ciência é simplesmente uma ferramenta que utilizamos para descobrir fatos sobre o universo observável. Então aqui está um fato interessante: A ciência não é onisciente. Não pode responder a todas as nossas perguntas. Nem por qualquer esforço da imaginação. E a idéia de que não podemos saber nada a menos que tenhamos provas científicas para isso, é ridícula. A alegação “Não podemos saber nada a menos que possamos verificar isso cientificamente” não pode, em si, ser verificada cientificamente. Esse tipo de argumento é autodestrutivo. Interessante, não? Assim, quando alguém diz: "Não há nenhuma evidência científica para isso, então eu não vou acreditar", eu posso responder dizendo ou:
1. Seu rosto não tem nenhuma evidência científica; ou
2. Existem coisas que sabemos ser verdade a parte de qualquer evidência científica.
Eu acho a última mais eficiente, embora não tão épica. Aqui estão 2 categorias de fatos que todos nós aceitamos sem a ajuda da ciência:
1. Fatos Metafísicos
A Metafísica, por definição, está fora do domínio da ciência. O termo "metafísica" significa metafísica "meta física” ou "além da física ou além do que é físico". Fatos metafísicos incluem a existência de outras mentes, a existência do mundo exterior de sua própria mente, e a realidade do passado. Nós acreditamos que há outras mentes além da nossa, que o mundo externo é real, e que o passado não foi criado há 5 minutos com a aparência de ser mais velha. Essas crenças são o que os filósofos chamam de crenças propriamente básicas. Isso significa que elas são fundamentais. Nós não podemos mostrar que elas são verdadeiras ou falsas. Nós as aceitamos como fatos sem questionar, mas elas não podem ser provadas pela ciência.
A ciência não pode me dizer que existem outras mentes além da minha. Quando eu estou em uma palestra, presumo que o professor que está lecionando é uma entidade real, com uma mente e não simplesmente uma invenção da minha imaginação ou parte dos meus sonhos (tanto quanto eu gostaria de pensar assim). Eu trato o mundo em volta de mim como se fosse real. Eu poderia estar preso numa matriz ou eu poderia ser um cérebro flutuando em um frasco de produtos químicos sendo estimulado por algum cientista maluco que está me dando a ilusão deste mundo. Mas eu sei que não sou. Eu sei que o passado é real; Eu não fui criado há 5 minutos e implantado com 22 anos de memórias. Acredito confortavelmente em tudo isso e ainda não há nenhuma evidência científica que as confirme.
2. Fatos Éticos
Um grande interesse foi gerado recentemente no campo da psicologia evolutiva. Alguns especialistas neste campo têm argumentado que podemos obter a moralidade de um entendimento de que somos como mamíferos sociais. A idéia do puramente "gene egoísta" está lentamente sendo entendida como sendo falsa, ou, pelo menos, uma imagem incompleta de quem realmente somos. Nós simplesmente não somos mamíferos solitários na busca para propagar nosso DNA a todo custo - há uma infra-estrutura social complexa nos grupos de mamíferos/rebanhos que tem uma moralidade inerente com a finalidade de nos ajudar a lidar uns com os outros. Elefantes enterram seus mortos, os chimpanzés confortam uns aos outros após a perda, e a maioria dos primatas entendem e operam pelas leis da reciprocidade e justiça. Isso explica a moralidade, certo? Ciência nos deu ética!
Só um minuto, colega. Não vamos ficar à frente de nós mesmos. Esse tipo de argumento comete o que David Hume articulou como a falácia do é-deve ser. Você não pode obter um "deve ser" de um "é". Isto significa que observando e entendendendo como são as coisas não podem nos dizer que esta é a forma como as coisas deveriam ser. Só porque nós observamos que os mamíferos ajudam uns aos outros não nos diz que devemos ajudar uns aos outros. Bem, talvez possamos dizer que temos de ajudar uns aos outros, porque isso aumenta o florescimento humano. Certo? Ok, mas isso pressupõe que o desenvolvimento humano é bom e deve ser esforçado nesse sentido. Mas por que o florescimento e a prosperidade humana são bons, em primeiro lugar? Por que devemos procurar esse florescimento? Qualquer resposta que se dá a essa pergunta não virá da ciência. Isso porque a ciência é descritiva, não prescritiva. O "deveria" ou "deve" tem que vir de outro lugar. A ciência não pode nos dar isso.
A ciência não nos diz que o estupro é mal. A ciência não pode nos dizer que o estupro é mal. O juízo de valor, mal, está além do âmbito da aplicação do método científico. Claro, a ciência pode nos dizer que o estupro pode ter repercussões biológicas e psicológicas sobre os indivíduos e sociedades, mas dizer que o estupro é mal não é algo que a ciência pode fazer. Sabemos que o estupro é mal totalmente à parte da ciência.
A ciência não pode responder a questões além daquelas sobre o mundo observável, testável que nos rodeia. Tentar fazer é semelhante à utilização de uma bitola para saber o peso de um balde de água. Não vai funcionar porque essa não é a ferramenta correta. Meu ponto aqui não é dizer que a ciência é ruim. De modo nenhum. Eu amo a ciência. A Ciência nos deu, e continua a fornecer-nos o progresso na saúde e o entendimento do mundo ao nosso redor. Mas não devemos tentar aplicar a ciência fora dos campos para o qual se destina.
Fonte:
By Walson Sales.
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