sábado, 29 de junho de 2019

A pergunta: "O que é um arminiano?" Respondida por um Amante da Graça Livre

Por John Wesley
1. Dizer: "Este homem é um Arminiano", tem o mesmo efeito em muitos ouvintes, pois é o mesmo que dizer: "Este homem é um cachorro louco." Esta frase os deixa assustados: eles fogem com toda a velocidade e diligência; e dificilmente pararão, a menos que seja para jogar uma pedra no animal terrível e travesso.[Wesley está, com certeza, mostrando o contexto de sua época, onde os Arminianos eram vítimas das mais vis mentiras por parte dos Calvinistas].
2. Quanto mais ininteligível for a palavra, melhor responderá ao propósito. Aqueles que são “acusados” de serem Arminianos não sabem o que fazer: não entendem o que o termo significa, eles não sabem que defesa fazer ou como se livrar da acusação. E não é fácil remover o preconceito que os outros absorveram, pois não sabem nada sobre o significado de ser Arminiano, apenas que é "algo muito mau", ou que "tudo neste termo é mau!"
3. Para esclarecer o significado, portanto, deste termo ambíguo, pode ser útil para muitos: tanto para aqueles que tão livremente fixam este termo sobre os outros, que não podem dizer o que não entendem; quanto para aqueles que os ouvem, para que não sejam mais abusados pelos homens, dizendo que não sabem o que é; e àqueles sobre os quais o nome é fixado, para que saibam como responder por si mesmos.[fica claro neste trecho que os Calvinistas denegriram o termo Arminiano de forma tão cruel que virou um xingamento].
4. Pode ser necessário observar: Primeiro, que muitos confundem Arminianos com Arianos. Mas são termos com significados completamente diferentes; não há nenhuma semelhança entre eles. Um Ariano é aquele que nega a divindade de Cristo; nós precisamos simplesmente dizer que a Divindade é suprema e eterna; porque não pode haver nenhum Deus senão o supremo e eterno Deus, a menos que façamos dois Deuses, um Deus grande e um pequeno. Agora, ninguém jamais creu mais firmemente, ou mais fortemente afirmou a Divindade de Cristo, do que muitos dos (assim chamados) Arminianos; sim, e continuam crendo e afirmando enfaticamente até hoje. Portanto, o Arminianismo (seja o que for) é totalmente diferente do Arianismo.
5. Esta é a origem da palavra Arminiano: JAMES HARMENS, em latim, Jacobes Arminius, era o primeiro entre os ministros de Amsterdã e depois Professor de Divindade em Leyden. Ele foi educado em Genebra; mas no ano de 1591 começou a duvidar dos princípios que até então recebera. E estando mais e mais convencido de que os Calvinistas estavam errados, quando foi investido com a Cátedra, ensinou publicamente o que acreditava na verdade, até que, no ano de 1609, ele morreu em paz. Mas, alguns anos depois de sua morte, alguns homens zelosos com o Príncipe de Orange encabeçando, atacaram furiosamente tudo o que existia com as opiniões de Arminius; conseguindo condená-los solenemente no famoso Sínodo de Dort (nem tantos em número ou tão eruditos, mas tão “imparciais” quanto o Concílio ou o Sínodo Católico de Trento), sendo assim, alguns Arminianos foram mortos, alguns banidos, outros presos por toda a vida, os demais, todos eles, saíram de seus empregos e se tornaram incapazes de ocupar qualquer cargo, seja na Igreja ou no Estado.
6. As acusações de erro doutrinário lançados sobre eles (geralmente chamados de Arminianos) por seus oponentes, são cinco: (1) Que eles negam o pecado original; (2) Que eles negam a justificação pela fé; (3) Que eles negam a predestinação absoluta; (4) Que eles negam que a graça de Deus seja irresistível; e, (5.) Que eles afirmam que um crente pode cair da graça.
No que diz respeito às duas primeiras acusações, os Arminianos se defendem: Não somos culpados. Essas acusações são totalmente falsas. Nenhum homem que já viveu, nem o próprio João Calvino, jamais afirmou o pecado original, ou a justificação pela fé, em termos mais fortes, mais claros e expressos, do que Arminius. Esses dois pontos, portanto, devem ser colocados fora de questão: Nestas duas partes Arminianos e Calvinistas estão de acordo. A esse respeito, não existe uma grande diferença entre o Sr. Wesley e o Sr. Whitefield.
7. Mas há uma diferença inegável entre os Calvinistas e os Arminianos, no que diz respeito às três outras questões. Aqui eles se dividem; os primeiros acreditam na predestinação absoluta, o segundo apenas na predestinação condicional. Os calvinistas sustentam: (1) Deus decretou absolutamente, desde toda a eternidade, salvar tais e tais pessoas, e não outras; e que Cristo morreu por estes e por ninguém mais. Os Arminianos sustentam que Deus decretou, desde toda a eternidade, tocar em todos que têm a palavra escrita: “Quem crer será salvo; quem não crer será condenado”. E, para isso, “Cristo morreu por todos, todos os que estavam mortos em ofensas e pecados”, isto é, por todos os filhos de Adão, já que “em Adão todos morreram.”
8. Os Calvinistas sustentam, em segundo lugar, que a graça salvadora de Deus é absolutamente irresistível; que nenhum homem é mais capaz de resistir, do que pode um homem resistir ao relâmpago. Os Arminianos sustentam que, embora possa haver alguns momentos em que a graça de Deus age irresistivelmente, ainda assim, em geral, qualquer homem pode resistir e que, para sua eterna ruína, a graça pela qual era a vontade de Deus que ele deveria ter sido eternamente salvo.
9. Os Calvinistas sustentam, em terceiro lugar, que um verdadeiro crente em Cristo não pode cair da graça. Os Arminianos sustentam que um verdadeiro crente pode "naufragar da fé e da boa consciência", de modo que caia, não apenas obscenamente, mas finalmente, a ponto de perecer para sempre.
10. De fato, os dois últimos pontos, graça irresistível e perseverança infalível, são a conseqüência natural do primeiro, do decreto incondicional. Pois, se Deus decretou eternamente e absolutamente salvar tais e tais pessoas, tanto elas não podem resistir à sua graça salvadora (senão podem perder a salvação), como não podem finalmente cair daquela graça à qual não podem resistir. De modo que, com efeito, as três questões viram uma, “a predestinação é absoluta ou condicional?” Os Arminianos acreditam que é condicional; os Calvinistas que é absoluta.
11. Fora, então, com toda essa ambiguidade! Fora com todas as expressões que apenas confundem a causa! Deixe os homens honestos falarem, e não brinque com palavras duras que eles não entendem. E como pode alguém saber o que Arminius sustentou, quem nunca leu uma página de seus escritos? Que ninguém grite contra os Arminianos, até que saiba o que o termo significa; e então ele saberá que os Arminianos e Calvinistas estão apenas em um nível. E os Arminianos têm tanto direito de estarem zangados com os Calvinistas, quanto os Calvinistas devem estar zangados com os Arminianos. João Calvino era um homem devoto, instruído e sensível; e também James Harmens. Muitos Calvinistas são homens piedosos, instruídos e sensíveis; e assim também são muitos Arminianos. Apenas que os primeiros defendem a predestinação absoluta; os últimos, a predestinação condicional.
Da edição de Thomas Jackson das obras de John Wesley, 1872.
Fonte:
Tradução Walson Sales.

Um comentário:

  1. Muito bom esse artigo infelizmente muitas pessoas não sabem diferenciar mesmo um arminiano de um calvinista. E ver que seus confrontos estão no Campo da soteorologia.

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