Etimologicamente, “interbíblico” quer dizer “entre a Bíblia”, ou melhor, “entre os dois Testamentos”, isto é, entre o Antigo e o Novo Testamento. Daí também decorre a designação “Intertestamentário”. O Período Interbíblico tem início com a interrupção da atividade profética entre o povo de Deus. Malaquias foi o último profeta a transmitir as palavras do Senhor até o começo do ministério de João Batista. O ministério de Malaquias pode ser datado entre 470 a.C. a 433 a.C. O seu livro foi escrito em alguma data desse período. Malaquias termina com a promessa do precursor do Messias (Ml 4.4-6; 3.1). Mateus 3.1 é o cumprimento fiel dessa profecia. No entanto, entre a profecia (Ml 3.1) e seu cumprimento (Mt 3.1), transcorreram nada menos de 400 anos. Em ligeiros traços, temos aqui uma parte significativa da história do povo de Deus. No transcurso desses anos, houve mudanças radicais, na terra e na vida do povo do Senhor, como também na vida e nos costumes das nações gentias. O mapa-múndi sofreu sensíveis transformações. A história das apuradas civilizações oscila grandemente. Enquanto poderosíssimas civilizações eram sepultadas pelas armas brutais dos inimigos incontidos, outras surgiam aqui e acolá, graças às armas vitoriosas de povos conquistadores. Assim, os geógrafos-historiadores contemporâneos ou semicontemporâneos desses acontecimentos registraram em seus anais as diversas transformações pelas quais o mundo de então passou.
Os 400 anos do Período Interbíblico caracterizam-se pela cessação da revelação bíblica, pelo silêncio profundo em que Deus permaneceu em relação ao seu povo, pois durante esse tempo nenhum profeta se levantou em nome de Deus. No silêncio desesperador desses 400 anos, o Senhor deixou que os esforços dos homens na resolução de problemas espirituais falhassem; que a filosofia se desmoronasse; que o poder material enfadasse as almas; que a imoralidade religiosa desiludisse a todos, mesmo os corações mais ímpios; que a corrupção campeasse e atingisse as raias da depravação, mostrando assim ao homem a inutilidade de tais sistemas e instituições.
Em 500 e poucos anos, os judeus foram derrotados, levados ao cativeiro; sua metrópole fora destruída, seu templo profanado e derrubado. Depois de duras provas pelas quais passaram, eles tornaram a Jerusalém, reedificaram a cidade, reconstruíram o templo e prosseguiram na sua história brilhante e ascendente, cujo término se verificou em 70 da nossa era, na destruição de Jerusalém pelos romanos. Durante o Período Interbíblico os judeus viveram sob o domínio consecutivo de três nações: Pérsia, Grécia e Roma.
Livro: O PERÍODO INTERBÍBLICO 400 ANOS DE SILÊNCIO PROFÉTICO.
ENÉIAS TOGNINI
Via: Ruanna Pereira
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