Benjamim Breckinridge Warfield (nasc. 1855) foi um professor de teologia didática e controvérsia teológica no Seminário de Princenton de 1887 até sua morte em 1921. Warfield é talvez mais bem conhecido como o último dos defensores da ortodoxia calvinista que permaneceram em Princeton. Em um prodigioso número de artigos, resenhas, livros e monografias, Warfield tentou opor-se à crescente onda do liberalismo que tinha, pensava ele, negado a inspiração divina e inerrância das Escrituras. Uma extenção desta preocupação foi a crescente ênfase sobre a experiencia religiosa que para Warfield, minimizava a centralidade da revelação proposicional para entender o contexto da Escritura.
[...] Mas a influencia decisiva d Warfield não se limitou ao debate Evangélico sobre a Escritura. Ele também elaborou uma declaração definitiva para os evangélicos sobre outra questão: a ocorrência de milagres modernos.
[...] A controvérsia de Warfield é expressa nas proposições cessacionistas Protestantes tradicionais sobre os dons miraculosos: 1) O papel essencial dos dons miraculosos é credenciar a verdadeira doutrina ou os seus portadores. 2) Embora Deus providencialmente aja de maneiras incomuns, ou mesmo esclarecedoras, os verdadeiros milagres se limitam às épocas de especial revelação divina, ou seja, aqueles que ocorrem dentro do período bíblico. 3) Os milagres são julgados pelas doutrinas qu eles pretendem credenciar: se as doutrinas são falsas, ou mudam as doutrinas ortodoxas, os milagres as acompanham são necessariamente falsos.
[...] A falha central do Cessacionismo de Warfield é a confusão entre a suficiência da revelação, a saber a manifestação histórica única de Cristo e a doutrina apostólica finalmente revelada nas Escrituras com os meios instrumentais de comunicas, expressar e aplicar essa revelação, ou seja, através dos dons espirituais, incluindo os dons de profecia e milagres. Em outras palavras, os dons espirituais não credenciam o Evangelho, nem substituem o Evangelho; em vez disso, os carismas expressam o Evangelho. Assim como o procedimento físico de pregar o Evangelho não nega a sua mensagem, tampouco o faz o dom da profecia; assim como um charisma da hospitalidade expressa, mas não substitui ou diminui o significado do sacrifício da graça de Cristo, tampouco o faz o dom de cura. Alegar que certos dons do Espírito (a saber, os meios de comunicação e expressão) são substituídos pelo Evangelho (o conteúdo da comunicação), é como afirmar que os “milagres” da rádio e televisão cristãos são necessariamente substituídos pela teologia cristão. Mas, além disso, os dons espirituais são manifestações divinamente ordenadas do Jesus ressuscitado e exaltado; na verdade, eles são o “poder de Deus para a salvação.”
(Sobre a Cessação dos Charismata: A Polêmica Cessacionista sobre os Milagres Pós-Bíblicos. Jon Ruthven)
Por Rafael Félix.
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