Paul Copan
O zoólogo Richard Dawkins, de Oxford, insiste: “As crenças científicas são apoiadas por evidências e obtêm resultados. Mitos e fés não são apoiadas por evidências e não trazem resultados”(33). O biólogo de Harvard, Richard Lewontin, diz algo semelhante - a saber, que o “aparato social e intelectual, Ciência” é o “único gerador da verdade.” Esses cientistas operam de acordo com o “modelo de guerra” da relação entre fé Cristã e ciência e assumem a ideologia do "cientificismo", que os Cristãos comuns muitas vezes se perguntam como devem abordar.
Graças ao J. P. Moreland, da Biola University, um recurso importante e acessível está disponível! Moreland é considerado um dos 50 principais filósofos mais influentes da atualidade. Ele não só escreveu livros e artigos nos níveis acadêmico e popular; Ele também tem uma paixão em ver as pessoas se entregarem a Cristo, para então movê-las em direção à semelhança de Cristo, e encorajá-las a experimentar o poder do Espírito. Por essas e muitas outras razões, Moreland tem sido um grande presente e bênção para a igreja.
*Fé, Conhecimento e Integração*
Em seu livro mais recente, Scientism and Secularism: Learning to Respond to a Dangerous Ideology, Moreland lembra aos leitores que a fé Cristã é uma questão de conhecimento, que tem o apoio da razão e das evidências; apesar das caricaturas, a fé não é mera emoção ou opinião (38). A fé Cristã é uma tradição de conhecimento que forneceu uma visão unificadora que ajudou no avanço da civilização Ocidental, a educação e a ciência. A perda de uma visão unificada em nosso sistema educacional moderno levou à fragmentação. Isso inclui a dicotomia entre fatos (públicos, objetivos) e valores (privados, subjetivos), bem como a diminuição das humanidades em favor das ciências (42-46). Claro, o problema não é com a ciência em si (a ciência moderna foi estabelecida por Cristãos que crêem na Bíblia).
A questão chave é a postura filosófica do cientificismo; esta é uma das três principais tábuas do naturalismo, sendo as outras duas determinismo e materialismo.
Devido a esses desafios, Moreland insta pais, pastores e outros líderes Cristãos a pensarem de forma mais Cristã sobre o mundo e sobre a ciência em particular. Eles devem também ensinar fielmente a próxima geração sobre os sólidos fundamentos intelectuais à sua fé e capacitá-los a responder às visões seculares prevalecentes que minam a fé Cristã e encorajam a ruptura da crença em Deus.
*O que é o Cientificismo?*
O livro de Moreland nos alerta sobre a influência perniciosa do cientificismo, que está ancorada em uma cosmovisão naturalista. O naturalismo afirma que apenas a natureza existe e que apenas a matéria é real (materialismo). Assim, esta cosmovisão exclui Deus, a alma, os anjos e uma existência pós-morte. O cientificismo insiste que “as ciências exatas - como a química, a biologia, a física, a astronomia - fornecem o único conhecimento genuíno da realidade” (24).
*[[A adesão rígida ao cientificismo - em oposição a um respeito saudável pela ciência - é muito prevalente em nosso mundo hoje. Em vez de levar a uma compreensão mais profunda do nosso universo, essa visão de mundo realmente mina a ciência real e marginaliza a moralidade e a religião. Neste livro, o célebre filósofo JP Moreland expõe a natureza autodestrutiva do cientificismo e nos equipa para reconhecer a presença prejudicial do cientificismo em diferentes aspectos da cultura, encorajando nosso testemunho do Cristianismo bíblico e nos armando com estratégias para a integração entre a fé e a ciência - único caminho viável para o conhecimento genuíno.]]*
O cientificismo tem duas versões. A versão forte diz que a ciência por si gera conhecimento; a versão fraca afirma que a ciência é a melhor maneira de conhecer. Em contraste, a ética e a “religião” são privadas e subjetivas - não o material do conhecimento real. (Quantas vezes ouvimos o desafio: “Você pode provar isso cientificamente?”) Como resultado, a fé Cristã tornou-se marginalizada; para muitos, o Cristianismo está fora da “estrutura de plausibilidade” e não é mais tratada como uma tradição de conhecimento. O cientificismo também levou ao caos moral (já que não pode haver normas éticas ou dignidade humana intrínseca) e ao niilismo (já que não pode haver propósito para o universo e nenhum *telos* ou objetivo pelos quais os humanos devam lutar).
A ciência moderna foi fundada pelos Cristãos. Como Galileu disse, quando interpretamos corretamente o mundo de Deus (ciência) e a Palavra de Deus, elas não estarão em conflito mutuamente. O verdadeiro problema é o cientificismo, que na verdade retira nossa própria humanidade - livre arbítrio, moralidade, dignidade humana, propósito, beleza e até mesmo consciência. No entanto, os pais Cristãos muitas vezes estão mal equipados para lidar com essa ideologia difusa e corrosiva que seus filhos encontram no ensino médio e na universidade.
*Problemas com o cientificismo*
No entanto, existem boas notícias. Por toda a arrogância e esplendor nos domínios cientificistas, essa metodologia é tanto auto-refutável quanto desafia as crenças do senso comum. Insistir que a ciência é a única maneira de conhecer (cientificismo forte) não é algo cientificamente conhecido (como você pode provar cientificamente que todo conhecimento deve ser cientificamente comprovado?). E se a ciência não pode nos informar sobre a realidade da ética, do livre arbítrio ou da dignidade humana, e daí? A ciência tem limitações embutidas, mas alguns modernos colocaram um fardo na ciência que ela não pode - e nunca teve a intenção de - suportar. Teologia, filosofia e outras fontes de conhecimento não apenas ajudam a complementar o que a ciência pode mostrar, mas também podem enriquecer nosso estudo da ciência.
O cientificismo fraco não é melhor. Por quê? O cientificismo fraco apela à autoridade (ou seja, da "Ciência") ao invés de argumentos e evidências reais. Além disso, a própria ciência depende rotineiramente de leis não-empíricas da lógica e de verdades matemáticas. Os cientistas devem confiar na confiabilidade de suas faculdades cognitivas/racionais - uma confiança que é necessária mesmo antes que a ciência possa entrar em cena. Tal como acontece com o cientificismo forte, o cientificismo fraco confirma o fato de que “a filosofia tem uma espécie de primazia sobre a ciência” (72).
Temos todo tipo de conhecimento não científico. As leis da lógica e as verdades matemáticas exigidas na ciência são verdades necessárias - em oposição às verdades contingentes da ciência. E, para estudar o mundo material, é necessário o domínio não material da consciência (consciência em primeira pessoa, direta e privadamente acessível). E a realidade do conhecimento moral (por exemplo, o erro de torturar bebês por diversão) é fundamental para nosso pensamento e função adequados como seres humanos, mas não pertence ao domínio da ciência.
*Naturalismo Metodológico*
Moreland levanta um ponto importante sobre o naturalismo metodológico. O que é isso? Bem, o naturalismo metodológico é distinto do naturalismo metafísico ou filosófico, que é claramente oposto ao teísmo. Em contraste, alguns teístas defendem o naturalismo metodológico, que sustenta que a ciência deveria ser naturalista ou ateísta em sua metodologia. A existência e a ação de Deus são irrelevantes para fazer ciência adequadamente [afirmam]; somente processos, entidades, leis e princípios naturais ou físicos devem ser invocados para explicar um evento físico [segundo eles].
Esses teístas estão preocupados com a acusação do “Deus das lacunas”: no passado, a “explicação de Deus” foi usada para tapar os buracos de nossa ignorância, mas à medida que a ciência avança, apelar a Deus para explicar eventos físicos torna-se cada vez mais irrelevante. Moreland aborda algumas dessas preocupações. Entre estas estão inclusas a distinção entre ciência empírica - que estuda padrões naturais repetidos e verificáveis, como reações químicas - e a ciência histórica, que se concentra em eventos não repetíveis.
O naturalismo metodológico tem implicações problemáticas, especialmente para os teístas. Por um lado, "a hipótese de Deus" não pode ser usada para explicar o começo do universo físico segundo o cientificismo. Nem a atividade demoníaca pode ser invocada para explicar os comportamentos humanos físicos mais erráticos ou bizarros, apesar do testemunho dos Evangelhos. Mas a camisa de força do naturalismo metodológico é problemática não apenas por razões bíblicas e filosóficas. Por um lado, simplesmente não há uma linha clara de demarcação entre o científico e o não-científico. E por que a agência pessoal - divina ou humana - não pode ser uma categoria apropriada para explicar eventos físicos? Afinal, um ato de Deus não é uma lei da natureza.
Por qual motivo de não-mendicância devemos excluir o design divino como a explicação para a surpreendente bio-amabilidade do universo ou a surpreendente complexidade da célula? E apesar da rejeição do design como “não científico”, alguns naturalistas apelarão à existência de múltiplos mundos (“certamente um desses mundos produzirá as condições necessárias para permitir, criar e sustentar a vida”). Mas observe que não há evidência científica para esses mundos; então, por que favorecer essa explicação como superior a hipótese de Deus? Ou considere como alguns desses cientistas também apelarão para a “ilusão” ou “aparência” do design. Agora, se o universo ou os organismos parecem projetados, talvez seja porque eles são realmente projetados. A ciência simplesmente não pode nos ajudar a determinar entre o aparente e o real. Este é um julgamento filosófico ou teológico. O naturalismo metodológico é muito constritivo. Além disso, alguns cientistas criam seu próprio “naturalismo das lacunas”: não importa o quanto exista de evidência aparente de design ou ação divina, devemos sempre recorrer ao que pode ser explicado por processos naturais. Em vez de buscar a melhor explicação, eles buscam a melhor explicação natural.
*Onde o conflito realmente se encontra?*
O livro do filósofo Cristão Alvin Plantinga, *Where the Conflict Really Lies,* enfatiza como a fé em Deus e a ciência são profundamente congruentes enquanto conflitam apenas superficialmente. Em contraste, o naturalismo e a ciência são superficialmente congruentes, mas estão em profundo conflito. No mesmo espírito, Moreland estima que “95% da ciência e da teologia [são] cognitivamente irrelevantes uns para os outros” (por exemplo, “como Cristão, não importa para mim se uma molécula de metano tem quatro ou catorze átomos de hidrogênio” [171]). Três por cento oferece apoio positivo para o ensino Cristão (por exemplo, o Big Bang, a segunda lei da termodinâmica), enquanto apenas 2 por cento parecem prejudicar a teologia Cristã (ou seja, certas interpretações de Gênesis 1–11). Manter o ponto principal, o principal, ajudará os crentes a se tornarem mais adeptos à integração entre fé e ciência - em casa, na igreja e em nosso trabalho acadêmico.
Além disso, Moreland nos lembra da pressão social dentro da comunidade científica para se conformar a uma filosofia naturalista, bem como a uma metodologia naturalista ao fazer ciência. Além disso, não devemos perder de vista o fato de que as pessoas têm razões pessoais, e não evidenciais, para rejeitar Deus (por exemplo, o filósofo ateísta da NYU, Thomas Nagel, que não quer que Deus exista).
Então, quando o secularista exige que “provemos cientificamente” a fé Cristã, não precisamos jogar esse jogo. A suposição cientificista de que todo conhecimento deve ser cientificamente demonstrável não é cientificamente demonstrável. É uma afirmação filosófica. Além disso, mesmo que não tenhamos treinamento científico, ainda podemos envolver as pessoas nas ciências em um nível mais profundo: O empreendimento científico depende muito de suposições e raciocínios filosóficos (“ciência” costumava ser chamada de “filosofia natural”), e muitos cientistas naturalistas como Dawkins e Lewontin cometem erros filosóficos básicos que podemos facilmente captar.
*“A suposição cientificista de que todo conhecimento deve ser cientificamente demonstrável não é cientificamente demonstrável. É uma afirmação filosófica.”*
Sim, a fé Cristã é “uma cosmovisão altamente racional, com muito apoio evidencial e argumentativo” (192), e Paulo certamente apela para a evidência histórica da ressurreição corporal de Jesus (1 Coríntios 15). Mas o cientificismo como método de conhecimento é incoerente.
Devido ao que o naturalismo tem a oferecer, não temos bons motivos para rejeitar a fé Cristã à luz do que sabemos da ciência.
Tradução Walson Sales.
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