(Filósofo Ateu x Filósofo Cristão )
Foi muito incômodo ver um vídeo do filósofo ateu Leandro Karnal, palestrando o tema intitulado "O mal primordial: O orgulho nosso de cada dia". Na ocasião, alguém da plateia o instiga a esbanjar seus argumentos ateístas após citar o trecho de Efésios 1.12 que diz: "Deus nos criou para o louvor da sua glória". Ele segue perguntando "se ao invés de pontuar Lúcifer como o primeiro elemento orgulhoso, não seria mais justo dar o veredicto a Deus?". Karnal, por sua vez, responde com seu costumaz sarcasmo, afirmando - "que não foi Deus quem criou o homem, mas o homem quem concebeu a ideia de Deus", acrescentando que o resultado dessa concepção é um Deus vaidoso, senhor de si, de forma que não admite outros deuses. Logo, a vaidade dos homens é tão grande, que também atingiu a concepção da ideia de um Deus vaidoso, segundo ele.
Para afirmações descabidas semelhantes a essas, o filósofo e teólogo cristão Paul Copan, brilhantemente argumenta com base em seu legítimo conhecimento bíblico, a saber:a humildade é uma virtude mal compreendida.
Antes de abordamos qualquer coisa, é bom primeiro definirmos termos. O que realmente significa "orgulho" e "humildade"? Sabemos que o orgulho é uma visão exagerada de nós mesmos - uma falsa campanha de publicidade em que procuramos nos promover, porque suspeitamos que os outros não aceitam quem realmente somos.
Em certo sentido podemos "ter orgulho" ou nos sentir satisfeitos com o nosso trabalho; Paulo fez isso como apóstolo (2Co 10.17); também esteve orgulhoso do progresso dos primeiros cristãos na fé e na utilização adequada das habilidades dadas por Deus (2Co 7.14; 9.3-4). Nesses casos, Paulo reconhece que Deus é o grande capacitador.
O que é então a humildade? É ter uma avaliação realista de nós mesmos - dos nossos pontos fracos e fortes. A verdadeira humildade não nega habilidades, mas sim reconhece Deus como a fonte dessas habilidades, pelas quais não podemos receber o crédito. De fato, o que temos que não tenhamos recebido (1Co 4.7)?
Ser humilde é saber nosso lugar diante de Deus- com todas as nossas forças e fraquezas.
Bem, então, Deus é orgulhoso? Não, ele tem uma visão realista de si mesmo, não uma visão falsa ou exagerada.
Deus, por definição é o maior ser concebível, o que faz com que seja digno de adoração.
O fato de Deus ordenar que o adoremos não é uma manifestação de orgulho da falsa visualização inflada de si mesmo. A chamada para adoração significa, dentre outras coisas, a inclusão na vida de Deus. O culto expressa a consciência do lugar apropriado que Deus ocupa - e o lugar que ocupamos - na ordem das coisas, e também nos transforma naquilo para o qual fomos projetados a ser. Na realidade, o que Deus deseja é ser conhecido como Deus, o que é perfeitamente razoável e o bem supremo para suas criaturas. Por outro lado, quando os seres humanos desejam uma fama universal e eterna de si mesmos, eles estão praticando uma idolatria negadora da realidade.
Tipicamente, as criaturas estão espontaneamente chamando uns aos outros a adora-lo. A adoração flui naturalmente da alegria que Deus provoca - e completa o gozo das suas criaturas. Vale salientar que Ele não precisa de seres humanos frágeis para massagear- lhe o ego. Como o Salmo 50.12 nos lembra: "Se eu Deus tivesse fome, não te diria,pois meu é o mundo e toda a sua plenitude"
C. S. Lewis teve seus próprios equívocos sobre esta noção de louvor e escreveu sobre a lição que aprendeu:
"Mas o fato mais óbvio sobre o louvor a Deus ou outra coisa qualquer - estranhamente me escapou. Pensei nisso em termos de elogio, aprovação ou concessões de honra. Eu nunca tinha percebido que toda alegria transborda espontaneamente em louvor.[...] O mundo ressoa em louvores - amantes louvam seus amantes, leitores louvam seus poetas favoritos, caminhantes louvam as paisagens, os jogadores louvam seus jogos. [...] Eu acho que nos deleitamos em louvar aquilo que nos dá satisfação, porque o louvor não meramente expressa, mas completa essa alegria; é uma espécie de consumação".
Lewis percebeu que louvor consiste em fazer o que não se pode deixar de fazer - expressar o que nós consideramos extremamente valioso : "É bom cantar louvores ao nosso Deus". Por quê? "Pois é agradável e decoroso o louvor" (Sl 147.1).
Os novos ateus pressupõem erroneamente que Deus deve ser uma deidade igualitária, que Ele é como nós (ver Sl 50.21).
Podemos anular a falsa acusação de que Deus é um falastrão divino, pomposo, procurando ter seu ego acariciado pela lisonja humana. Esse é o tipo de argumento blasfemo, irresponsavelmente isolado do contexto, bem diferente dos argumentos de intérpretes que examinam seriamente as Escrituras. (COPAN, 2011, p.26,31,32,34)
Fontes: Deus é um monstro moral ? - Entendendo Deus no contexto do Antigo Testamento (Paul Copan).
Por Fabiana Ribeiro.
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