sábado, 27 de julho de 2019

A FALÁCIA DO SISTEMA TEOLÓGICO DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

2º PARTE.
POR LEONARDO MELO
6 A CONCEPÇÃO DO INFERNO SEGUNDO A TORRE DE VIGIA.
No seu cerne doutrinário, as Testemunhas de Jeová negam a existência do inferno. No livro publicado em 1946 pela Torre de Vigia em inglês “Let God be true”, literalmente “Deixe Deus ser verdadeiro”, e publicado na versão portuguesa em 1949, “SEJA DEUS VERDADEIRO”, eles ensinam neste livro que o inferno é a própria sepultura, e que o lugar de suplício eterno , onde os ímpios serão atormentados para sempre, não existe. Dedicam 13 páginas do livro para argumentarem acerca da inexistência do inferno, sob o sub-título no cap. VI “inferno, lugar de descanso em esperança”
Essa conclusão parte de uma exegese equivocada, onde claramente é notado a ausência de conhecimento acadêmico nas línguas hebraicas e gregas, e consequentemente, suas traduções são eivadas de erros semânticos quanto a análise das palavras Sheol, Hades e Geena, por não considerarem as mesmas em seu contextos, e assim postergam alguns princípios ou leis da hermenêutica, como por exemplo as “Leis do contexto, da interpretação do texto e da implicação do texto”. Especificamente, Sheol, Hades e Geena, dentre outras, são palavras que eles transliteram sem considerar alguns princípios de interpretação, não considerando tais palavras em seus contextos.

1.Para eles , INFERNO (SHEOL/HADES), seria literalmente “a sepultura”, o lugar onde os mortais aguardam a ressurreição, eles argumentam que o termo na língua hebraica e grega apresentam o mesmo significado, enfim, “ A Sociedade Torre de Vigia ENSINAM QUE O INFERNO É UM ESTADO, E NÃO UM LUGAR”. Na tradução do Novo Mundo, eles simplesmente retiraram a palavra inferno. Segundo (SOARES. 2009, pg.173-174), analisando Mateus 25.46, texto grego: “και απελευσονται ουτοι εις κολασιν αιωνιον οι δε δικαιοι εις ζωην αιωνιον”, tradução : “E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna”. Tradução Novo Mundo: “E estes partirão para o decepamento eterno, mas os justos para a vida eterna”.
A organização substituiu o termo grego κολασιν (kolasis) castigo, por decepamento. Benjamin Wilson alega, na nota de rodapé da tradução N.M., que tal tradução concorda melhor com a segunda parte da sentença, preservando assim a força e a beleza da antítese”. Além, também do texto em II Pe. 2.9b em que eles substituem a palavra “castigo” por “decepar” em suas traduções: “reservar os injustos para o dia do juízo, para serem castigados;
“ δε εις ημεραν κρισεως κολαζομενους τηρειν”. Neste texto, eles trocam castigados por decepados. Absurdo exegético.

2. O termo GEENA, 
do hebraico גֵי־הִנֹּם, que é a forma grega, que significa vale de Hinon, Josué 15.8a. “E este termo sobe pelo vale do filho de Hinom, do lado sul dos jebuseus (esta é Jerusalém)...”. mas, que tomou o significado de lugar onde os ímpios receberiam como castigo o sofrimento eterno, a destruição total. Assim, é um local localizado ao sul da cidade Santa, onde se sacrificam aos ídolos; em um lugar chamado Tofete, e que a posteriori, por iniciativa do Rei Josias, rei de Judá; o local foi transformado em um depósito de lixo, e alegoricamente tomou a conotação de inferno e fogo.
Porém, no livro das Testemunhas de Jeová “Seja Deus verdadeiro”, das páginas de 75 á 79, a Torre de Vigia lança seus argumentos, e deu-lhe um novo sentido, passando a significar “a condição de destruição, aniquilação, que o Diabo, seus demônios e todos os opositores da seita chegarão”, condição essa de que não há retorno ou ressurreição. Enfim, onde a palavra geena aparece significando inferno, o Corpo Governante trocou por “destruição total” em sua tradução “Novo Mundo”. Se aceitarmos a tradução deles, então teremos simplesmente o significado de “tormento eterno do vale de Hinom”.

Refutação.
Podemos afirmar que há vários textos na Bíblia Sagrada em que entendemos que há sim um lugar de sofrimento e tormento eterno, e que a separação consciente de Deus é factual. Alguns textos que evidenciam essas verdades:
“ E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna”, Mt.25.46; “E os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes”, Mt.13.42, ainda para corroborar com os textos mencionados temos: Mt.8.11-12; Lc.13.24-28; II pe. 2.17; Jd.13; Ap.14.9-11, 19.20.
Conforme (MARTIN. pg. 131) “dos versículos citados anteriormente, talvez a forma mais descritiva no grego seja a de Apocalipse 20.10, João afirma incisivamente que o diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro de fogo e enxofre, onde não só se encontram a besta, como também o falso profeta, isto é a trindade satânica, e serão atormentados βασανισθησονται
(basanisthesontai) de dia e de noite pelos séculos(αιωνας) dos séculos. O termo grego basanizo (βασανίζω), literalmente significa “atormentar”, “torturar”, “ser atormentado”, “afligir com dor terrível”, e é empregado no N.T. com o sentido de forte dor, tormento consciente, e nunca aniquilação, cessação da consciência, ou extinção total, cujo objetivo é demonstrar a justiça eterna de Deus, cf. referências: Mt. 8.6, 8.29; Mc. 5.7; Lc. 8.28; Ap. 14.10-11”.
Concluímos que a Palavra de Deus é muito clara quanto a questão do sofrimento e castigo de maneira consciente e eterna para aqueles que rejeitam á Cristo como Senhor de suas vidas.
Amém.
Referências.

1. SOARES, Esequias. Testemunhas de Jeová. A inserção de suas crenças e práticas no texto da Tradução do Novo Mundo. S. Paulo. Hagnos. 2009. 264 pg.
2. MARTIN, Walter. O Império das Seitas. Vol. 1. M.G. Venda Nova. Betânia. 1992. 200 pg.
3. SOARES, Esequias. Manual de Apologética Cristã.
R.J. CPAD. 2014. 380 pg.

4. SOCIEDADE TORRE DE VIGIA. Seja Deus Verdadeiro. EUA. Brooklin. N. York. International Bible Students Association. 1949. 320 pg.
5. MARTINS , Jaziel Guerreiro. Seitas. Heresias do nosso tempo. P. R. Curitiba. A.D. Santos Editora. 2000. 176 pg.
6. MELO, Edino. 77 Verdades sobre as Testemunhas de Jeová. à luz da Bíblia. S.Paulo. Transcultural Editora. s/d. 40 pg.

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