A sociedade ocidental já se tornou uma sociedade pós-cristã. A crença em um Deus genérico ainda é regra geral, mas crer em Jesus Cristo é hoje politicamente incorreto. Quantos filmes produzidos por Hollywood retratam cristãos de forma positiva? Em vez disso, quantas vezes já não vimos nesses filmes os cristãos sendo retratados como vilões superficiais, preconceituosos e hipócritas?
Como a cultura de hoje vê os cristãos que creem na Bíblia?
Por que essas considerações acerca da cultura são importantes?
Por que nós, cristãos, não podemos apenas seguir a Cristo e ignorar o que acontece na cultura que nos rodeia?Por que apenas não pregamos o evangelho para esse mundo sombrio, as portas da morte?
A resposta é porque o evangelho nunca é ouvido em isolamento. Ele sempre é ouvido em contraste com o pano de fundo da cultura na qual nascemos e fomos criados. Alguém que tenha sido criado em uma cultura que olhe para o cristianismo com simpatia será aberto ao evangelho de um modo que outra pessoa, criada em uma cultura secular, não será. No caso de pessoas inteiramente secularizadas, dizer para crer em Jesus é como dizer para acreditar em fadas e duendes! E assim absurda que a mensagem de Cristo soa aos seus ouvidos.
Para perceber a influência que a cultura tem na forma como pensamos, imagine o que você pensaria se um seguidor da religião hindu ou um Hare Krishna, com sua cabeça raspada e aquela roupa alaranjada, abordasse você em um aeroporto ou shopping center e lhe oferecesse uma flor, e convidasse você a se tornar um seguidor de Krishna. Um convite como esse provavelmente soaria bizarro a seus ouvidos, uma aberração, talvez até um pouco engraçado. Agora pense em como haveria uma reação completamente diferente se essa mesma pessoa abordasse alguém em Deli, na índia! Por ter sido criado na índia, é possível que ele levasse esse convite muito a sério.
Se essa tendência de cair no secularismo é geral hoje, nos Estados Unidos, o que nos espera amanhã já está evidente na Europa de hoje. A Europa ocidental se tornou uma sociedade tão secularizada que é difícil até mesmo ter hoje uma chance justa de ser ouvido.
Em conseqüência disso, missionários precisam trabalhar anos a fio para ganhar meia dúzia de convertidos por lá.
Depois de ter vivido na Europa por 13 anos, em quatro países diferentes, posso dar meu testemunho pessoal do quanto é difícil para as pessoas dali responder à mensagem de Cristo. Ao falar em universidades por toda a Europa, percebi que a reação dos estudantes era em geral de espanto diante do que eu dizia. Segundo o pensamento que eles têm, o cristianismo é coisa de mulheres idosas e crianças. Afinal, o que esse senhor, com dois títulos de doutorado de universidades europeias, está fazendo aqui, defendendo a verdade da f é cristã com argumentos para os quais não
temos respostas?
Certa vez, quando estava fazendo uma palestra em uma Universidade da Suécia, um estudante me perguntou, durante a sessão de perguntas e respostas, logo depois da minha preleção: “O que você está fazendo aqui? . Completamente espantado, eu respondi:
“Fui convidado pelo Departamento de Estudos Religiosos para dar essa palestra . Não é isso que estou querendo dizer’, insistiu ele. Você não percebe o quanto tudo isso e estranho? Quero saber o que motiva você pessoalmente a vir aqui lazer isso”. Suspeito que ele nunca havia conhecido um filósofo cristão na vida — na verdade, um importante filosofo sueco me disse que não havia filósofos cristãos em nenhuma universidade da Suécia.
Aquela pergunta me deu a oportunidade de compartilhar com aquela estudante a história de como eu me converti.
O ceticismo nas universidades europeias é algo tão profundo que quando falei sobre a existência de Deus, na Universidade do Porto, em Portugal, os estudantes (segundo me informaram depois) chegaram a ligar para o Instituto de Filosofia da Universidade de Louvain, na Bélgica, ao qual sou afiliado, para saber se eu era um impostor! Eles acharam que eu era um embuste! Eu simplesmente não me adequava ao estereótipo que eles faziam de um cristão.
Se o evangelho deve ser ouvido como algo intelectualmente viável por mulheres e homens que pensam, então é vital que nós, cristãos, moldemos nossas culturas de tal forma que a fé cristã não possa ser descartada como mera superstição.
É nesse ponto que entra a apologética cristã. Se os cristãos puderem ser treinados para fornecer sólidas evidências daquilo em que creem e boas respostas para as perguntas e objeções dos incrédulos, então a imagem que se tem dos cristãos vai pouco a pouco mudar. Os cristãos passarão a ser vistos como pessoas inteligentes e preparadas, a serem levadas a sério, e não meros fanáticos ou palhaços. E o evangelho será uma opção concreta para essas pessoas seguirem.
Não estou dizendo com isso que as pessoas se tornarão cristãs por causa de bons argumentos e evidências. Antes, estou dizendo que argumentos e evidências ajudarão a criar uma cultura na qual a fé cristã seja visto como algo razoável. E ajudarão também a criar um ambiente em que as pessoas estarão abertas ao evangelho. Portanto, ter uma boa formação em apologética é uma maneira de vital importância de ser sal e luz nas culturas ocidentais de hoje em dia.
Livro : Em Guarda- William Lane Craig
Via Fabiana Ribeiro.
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