quarta-feira, 31 de julho de 2019

A religião da ciência

Por David W. Gilmore
Em meu artigo anterior, discuti uma cosmovisão conhecida como cientificismo – que é a visão de que a verdade só pode ser descoberta por intermédio do que a ciência pode ou não nos dizer. Apontei várias falhas nesta visão, e mostrei algumas das questões que a ciência não pode responder. Então, se essa visão é falha, por que tantas pessoas começaram a adotá-la? Por que as pessoas defendem a ciência com uma fé tão inquestionável e se apegam à noção de que apenas a ciência pode nos dar a verdade suprema?
A ciência não diz nada - os cientistas dizem
Quando um experimento é realizado, cabe ao observador chegar a uma conclusão. A ciência em si não nos dá a resposta diretamente. Evidências observáveis apontam para uma conclusão. À medida que novas evidências são descobertas, as teorias são trocadas e mudam porque os dados mudam. Por exemplo, os cientistas costumavam acreditar que o universo era estático, constante, e com um tamanho fixo. Nesta visão o tamanho do universo era, é e seria sempre o mesmo. Um dos maiores defensores dessa visão era Albert Einstein. Mas, uma vez que Edwin Hubble descobriu que o universo estava se expandindo - e ele mostrou essa expansão para Einstein -, Einstein foi forçado a abandonar sua teoria porque novas evidências haviam sido introduzidas.
Às vezes você pode ouvir o termo "ciência estabelecida". Este termo implica que alguns fatos científicos ou teorias não devem mais ser discutidas; temos todas as evidências de que precisamos, chegamos à única conclusão lógica possível, e esse assunto está encerrado agora. Mas, essa linha de pensamento não leva em conta como funcionam as descobertas científicas? Costumávamos pensar que a Terra era plana e que tudo girava em torno dela. As teorias do movimento e da física continuam a evoluir com o passar do tempo. Onde claramente, se fecha completamente em uma teoria e exclui a pessoa de considerar possibilidades alternativas e explorá-las.
Um dos meus programas favoritos nos últimos 20 anos é o Mythbusters [caçadores de mitos]. Neste programa, os apresentadores começam com um mito ou uma lenda urbana - como comer um certo tipo de guloseima (neste caso Pop Rocks) e beber refrigerante faz seu estômago explodir, ou limpar cimento endurecido de um misturador com explosivos (meu experimento favorito). Eles então desenvolveriam uma série de testes para ver se o mito era verdadeiro e chegariam a uma conclusão. Na maioria das vezes eles provavelmente acertaram. No entanto, vez após vez, eles revisitavam os mitos porque não haviam considerado algum fato ou variável e, com uma certa frequência, chegaram a uma conclusão diferente. É assim que a ciência deve ser feita. Se você fizer um teste, e chegar a uma conclusão, você deve fazer o mesmo teste mais algumas vezes e obter os mesmos resultados, então sua conclusão será boa. Mas, uma vez que novas evidências sejam descobertas, os resultados precisam ser reconsiderados para ver se sua teoria precisa ser alterada.
A religião da ciência
Muitas pessoas serão rápidas em criticar a fé dos Cristãos em Deus como sendo uma “fé cega” em algo que parece ser contrário ao que nossos sentidos nos dizem. Eles dizem que os Cristãos fecham os olhos para as evidências da ciência. Quando os Cristãos oferecem a Deus como uma explicação, eles são frequentemente criticados por usar um argumento denominado de “deus das lacunas”. É algo assim - não consigo explicar isso, então, portanto, Deus é a resposta. Mas, e se fizermos nossas investigações, e as evidências nos levarem a uma conclusão de que um evento sobrenatural ocorreu, ou um Criador sobrenatural deu o pontapé inicial no Big Bang? Se confiarmos apenas na ciência para poder oferecer uma explicação natural da realidade, rejeitamos automaticamente que eventos sobrenaturais possam ocorrer antes de começarmos nossa investigação. Ser ressuscitado dos mortos é um evento sobrenatural. O universo surgir do nada é um evento sobrenatural - o que significa que eles exigem forças fora da natureza para que ocorram. Então, se você rejeitar automaticamente que eventos sobrenaturais são possíveis, você encerrou a investigação de que um evento sobrenatural poderia ter acontecido antes mesmo de sua investigação começar!
Em um artigo escrito em 1997, o professor Richard Lewontin fez essa admissão inicial:
Nossa disposição para aceitar afirmações científicas que são contra o senso comum é a chave para uma compreensão da verdadeira luta entre a ciência e o sobrenatural. Nós ficamos do lado da ciência, apesar do patente absurdo de algumas de suas construções, apesar de seu fracasso em cumprir muitas de suas extravagantes promessas de saúde e vida, apesar da tolerância da comunidade científica por histórias arranjadas cuidadosamente, mas sem fundamentos. Porque temos um compromisso prévio, um compromisso com o materialismo.
Não é que os métodos e instituições da ciência de alguma forma nos obrigam a aceitar uma explicação material do mundo fenomenal, mas, ao contrário, que somos forçados por nossa adesão a priori às causas materiais a criar um aparato de investigação e um conjunto de conceitos que produzem explicações materiais, não importa quão contra intuitivas sejam, não importa quão mistificadoras sejam aos não-iniciados. Além disso, esse materialismo é absoluto, pois não podemos permitir um Pé Divino na porta.
O eminente estudioso de Kant, Lewis Beck, costumava dizer que qualquer um que pudesse acreditar em Deus poderia acreditar em qualquer coisa. Recorrer a uma divindade onipotente é permitir que, a qualquer momento, as regularidades da natureza sejam rompidas, que os milagres possam acontecer. [Ênfase no original]
Lewontin está comprometido com o materialismo e incentiva os outros a serem também, mesmo que as evidências pareçam estar levando a algum outro lugar! Esta é quase a definição do livro didático de “fé cega”. E ele diz que se uma série de testes científicos provar a existência de um Ser ou evento sobrenatural, então a ciência estava errada e precisamos refazer os testes até que os testes determinem que Deus não existe. Esta não é uma atitude de uma mente aberta. Esta atitude decide sobre a conclusão antes do início do experimento. E se o experimento lhe der resultados indesejados, então seu experimento estava errado. Você precisaria então continuar refazendo seus testes até que eles digam que Deus não existe.
Quando Einstein começou a aplicar algumas de suas teorias ao estudo do universo estático, ele percebeu que alguns dos dados e números não se encaixavam. Por exemplo, um universo finito poderia se tornar tão denso que entraria em colapso e se tornaria um gigantesco buraco negro. Para contornar este problema, ele criou o que chamou de constante cosmológica. Em outras palavras, ele disfarçou os dados. Ele simplesmente visualizou os dados corretos, observou as implicações e colocou um fator disfarce lá para escondê-los! Ele estava tão comprometido com o conceito de um universo estático que, quando seus números e dados não se encaixavam, ele inventou algo que faria a equação funcionar. Depois que Hubble mostrou a ele o universo em expansão, Einstein mais tarde passou a chamar sua ginástica matemática de um dos "maiores erros" de sua vida.
Às vezes pessoas realmente inteligentes entendem errado
Então, por que damos tanto crédito aos cientistas? Não se engane - os cientistas geralmente são pessoas altamente inteligentes. Também não há dúvida de que a ciência foi responsável por uma explosão de conhecimento que adquirimos nos últimos cem anos. Mas é errado pensar que alguém altamente inteligente em uma área do conhecimento é altamente inteligente em todas as áreas. Quando se trata de tecnologia e de dispositivos interagindo entre si, sou um cara muito inteligente. Também gosto de aprender e conheço um pouco de uma ampla gama de tópicos. Eu formulei muitas opiniões sobre muitas coisas com o passar dos anos. Mas me aventurei em outros campos até que comecei a estudar lógica, raciocínio e filosofia que descobri como era ruim em raciocínio lógico e filosofia! Havia todo tipo de falhas lógicas nas conclusões que eu havia formulado. Muitos filósofos modernos disseram a mesma coisa sobre muitos trabalhos filosóficos feitos por cientistas como Richard Dawkins, Steven Hawking, Neil de Grasse Tyson ou Bill Nye. Até mesmo os filósofos ateus são rápidos em apontar seus erros lógicos. Esses homens são brilhantes. Bill Nye é um professor de princípios científicos altamente divertido e eficaz. Mas o brilho em uma área não infere brilhantismo em todas as áreas.
A ciência é um grande mecanismo para aprendermos mais sobre o mundo natural em que vivemos. O impacto que a ciência teve em nossas vidas em áreas como medicina, viagens e interação com o meio ambiente é inegável. As descobertas científicas continuam a alavancar a humanidade geração após geração. E é isso que é a aprendizagem - descobertas. Se estamos sinceramente buscando a verdade, temos que estar abertos para ir onde a descoberta nos leva. Mesmo que as evidências apontem para uma causa fora do nosso universo natural - uma coisa que a ciência não pode explicar.
Fonte:
Tradução Walson Sales.

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