segunda-feira, 8 de julho de 2019

As Leis do Governo de Deus

A maioria das pessoas na atualidade opera em uma distinção de fatos e valores, acreditando que a ciência descobre "fatos", que elas acreditam que são confiáveis e verdadeiros, ao passo que a moralidade e a religião são baseadas em "valores", que elas acreditam que são subjetivos e relativos a cada indivíduo. 
Infelizmente e com frequência alguns cristãos refletem essa atitude secular.

Temos a tendência de nos sentirmos confiantes com as leis de Deus para a natureza, tais como as leis da gravidade, do movimento e da hereditariedade; mas somos bem menos confiantes com as leis de Deus sobre a família, a educação ou o Estado.
Porém, um ponto de vista verdadeiramente cristão não faz tais distinções. Ele insiste em que as leis de Deus governam toda a criação. E da mesma maneira como aprendemos a viver com a lei da gravidade, também precisamos aprender a viver de acordo com as normas de Deus para a sociedade.

A razão por que estes dois tipos de leis parecem muito diferentes é que as normas da sociedade são obedecidas por opção. No mundo físico, as pedras caem, os planetas se movem nas suas órbitas, as estações do ano vêm e vão, e o elétron circunda o núcleo - tudo isso sem nenhuma opção - porque aqui Deus governa diretamente. Mas na cultura e na sociedade, Deus governa indiretamente, confiando aos seres humanos a tarefa de fabricar ferramentas, fazer justiça, produzir arte e música, educar as crianças e construir casas.
E embora uma pedra não possa desafiar a lei da gravidade de Deus, os seres humanos podem rebelar- se contra a ordem criada de Deus - e frequentemente o fazem. Mas isso não deveria nos cegar para o fato de que existe uma ordem universal e objetiva que abrange tanto a natureza quanto a natureza humana.
Todas as principais culturas, desde o começo da história entenderam esse conceito de uma ordem universal - todas, isto é, exceto a cultura ocidental pós-moderna. Apesar das diferenças entre elas todas as civilizações principais acreditam em uma ordem divina que estabelece as leis tanto no campo natural como no humano. No Extremo Oriente era chamada *Tao*; no Antigo Egito era chamada *Ma'at* e na filosofia grega, *Logos*.
Da mesma forma, no Antigo Testamento o salmista fala quase de um único fôlego de Deus espalhando a neve como a lã e revelando as suas leis e os seus decretos a Jacó, sugerindo que não existe diferença entre as leis de Deus para a natureza e aquelas para as pessoas (veja Sl 147.16 -19). Os dois tipos de leis são partes de uma única ordem universal. O Evangelho de João empresta a palavra grega para este plano universal da criação *(logos)* e, de uma maneira espantosa, a identifica como uma pessoa - o próprio Jesus Cristo. *"No princípio era o Verbo [logos]"*, que é a origem da criação (Jo 1.1). "Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez" (Jo 1.3). Em outras palavras, o próprio Jesus é a origem do abrangente plano ou projeto da criação.
Como resultado, a obediência a Cristo significa viver de acordo com aquele plano em todos os aspectos da vida. Família e igreja, negócios e comércio, arte e educação, política e lei são instituições baseadas na ordem criada por Deus; elas não são arbitrárias na sua configuração. Uma escola não é um negócio e não deveria ser administrada assim; uma família não é um Estado e não deveria ser administrada assim.
Cada um tem a sua própria estrutura normativa, ordenada por Deus, e cada um tem a sua própria esfera de autoridade, subordinada por Deus. Para o cristão, não deve haver dicotomia entre o que é sagrado e o que é secular, porque nada fica excluído da ordem criada por Deus. A nossa tarefa é reivindicar toda aquela ordem criada por seu domínio.
Livro: O Cristão na Cultura de Hoje - desenvolvendo uma visão de mundo autenticamente cristã. ( Charles Colson e Nancy Pearcey)
Via Fabiana Ribeiro.

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