sábado, 27 de julho de 2019

AS PRIMEIRAS HERESIAS: OS JUDAIZANTES E GNÓSTICOS NA IGREJA PRIMEVA – CONTESTAÇÃO ORTODOXA

Por Leonardo Melo – Parte II
2. O GNOSTICISMO.
É um sistema religioso cujo início deu-se antes da era cristã. Eram pagãos que quando aceitavam o Cristianismo queriam introduzir suas concepções pessoais, suas filosofias. Eram Considerado por muitos como resultado da interação do Judaismo, Cristianismo e as filosofia religiosas do Oriente Próximo. o Gnosticismo designa um dos movimentos religioso Cristão que tornou-se bem conhecido durante os séculos II e III, cujas bases filosóficas eram as da antiga Gnose, com influências do neoplatonismo, e dos filósofos pitagóricos, Possui seus próprios textos sagrados, sendo que o principal é o Evangelho de Tomé. O termo gnosticismo, vem da palavra grega gnoses, que significa conhecimento. Os gnósticos se julgavam pensadores originais que não podiam se dobrar a fé dos simples fiéis. Originou-se provavelmente na Ásia menor, e tem como base as filosofias pagãs, que floresciam na Babilônia, Egito, Síria e Grécia. Segundo (GONZÁLEZ. 2009, pg 96) ”O Gnosticismo não foi um grupo ou uma organização compacta que surgiu diante da Igreja, mas, foi antes de tudo, um movimento que existiu dentro do Cristianismo como fora dele e que, dentro do Cristianismo, tratava de reinterpretar a fé em termos inaceitáveis para os demais cristãos”.
Segundo o testemunho de Irineu de Lião e de outros pais da Igreja antiga, numerosos Evangelhos circulavam entre diversos grupos cristãos, além daqueles que compõem o N.T., como o Evangelho de Tiago, o Evangelho de Filipe, o Evangelho de Pedro, o Evangelho da verdade; e muitos outros hinos e poemas atribuídos a Jesus e a alguns dos seus discípulos. Alguns destes escritos gnósticos foram descobertos em Nag Hammadi e outros se perderam.
OBS.: Nag Hammadi , Cidade do Egito, antigo Chenoboskion, entre Siut e Luxor, a norte de Hamra Dom, próx. a cidade de Farshut. Os escritos de Nag Hammadi se referem á Biblioteca de escritos em língua copta, descoberta por Muhammad 'Ali al-Sammãn Khalifah, em dezembro de 1945. É certo também, que as pesquisas operadas sobre os documentos descobertos em Nag Hammadi conduzem o debate em outra dimensão. elas deixam entrever que essas discussões religiosas a respeito da natureza de Deus ou de Cristo comportam, simultaneamente, implicações essenciais para o desenvolvimento do Cristianismo. enquanto Religião institucional.
Em síntese, doutrinariamente , o gnosticismo manteve sua visão em algumas proposições que chamaram a atenção deles: o problema da criação e o problema do mal. Pois, se Deus criou o mundo, de onde veio o mal? Se não criou o mal, como pode ser considerado Criador único de todas as coisas? A salvação era a preocupação principal dos gnósticos, baseados em muitas doutrinas que circulavam á época, os gnósticos criam que tudo que era matéria era necessariamente mau. O ser humano, segundo eles, é um espírito eterno, que de alguma maneira ficou encarcerado neste corpo.
Então, como se unem, no homem, matéria e espírito? Como se liberta o espírito da matéria(problema de redenção) e volta para Deus? Sobre o tema, os gnósticos construíram sistemas filosófico-religiosos a fim de resolver essas questões doutrinárias, criaram complexas doutrinas pseudo-cristãs. (FRANGIOTTI. 2013)”Para os gnósticos há um reino de luz, que é o Deus bom, e o das trevas que é o da matéria eterna. Entre o deus-abismo e o organizador da matéria, o Demiurgo, há um número incalculável de graduações, que chamam de Eões”, estes por sua vez, são as emanações superiores que participam dos atributos da essência da divindade, distribuidos em classe. a união dos Eões formava o Pleroma ou plenitude da inteligência.
Em outras palavras, o Demiurgo, criador deste mundo material era o último dos Eões, o mais afastado do deus-abismo, ou o demônio que arrebatara uma centelha da plenitude divina para com ela animar a matéria, e segundo essa visão os homens estão divididos em classes(três), onde a classe dos espirituais ou gnósticos tem suas matéria dominada pelo Espírito de Deus.
Enfim, aplicando o próprio sistema á fé cristã, os gnósticos fazem de Cristo, um Eão superior, um Nõus(inteligência-logos) enviado por Deus aos homens, afim de revelar o Deus supremo e verdadeiro, até então desconhecido. O gnosticismo também influenciou a época apostólica, com Simão, o mago, cf. At. 9.8-11. A gnose simoniana, exaltou progressivamente seu fundador, chegando ao absurdo de considerá-lo divino. Eusébio denominou Simão como o principal autor de todo tipo de heresia (PELIKAN. 2014).
No século II, entre os anos 90 e 130, houve no meio da cristandade uma evolução das seitas heréticas, segundo Irineu de Lião e Epifânio, eles catalogaram 32 seitas. Os gnósticos nesses período, influenciados por seus sistemas doutrinários, negam a realidade humana de Cristo, sendo refutado de forma veemente por Inácio de Antioquia.

Também no rastro do gnosticismo, surge Marcião,nascido no início do século II, em Sinope(no Ponto, hoje Turquia) filho do bispo da cidade, que pregava um dualismo gnóstico que rejeitava o Deus do Antigo Testamento, e substituia o Eterno, por um Deus amoroso, Jesus
REFUTAÇÃO.
É razoável comentar que as heresias fizeram avançar a reflexão teológica, obrigaram os apóstolos e os primeiros pais da Igreja a fazerem uma primeira defesa da fé, todavia, a definição com precisão dos temas doutrinários relevantes no Cristianismo e o estudo minucioso dos termos ambíguos, vieram efetivamente, nos idos dos séculos II e III da nossa era, e como afirma o apóstolo Paulo de Tarso “E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós”, cf. I Co. 11.19, também é propício destacar que o nosso Senhor Jesus Cristo em sua oração sacerdotal, orou pela unidade da Igreja, portanto, conhecia Jesus, tanto o preço como a dificuldade da unidade, é a batalha anunciada que a Igreja há de travar até o seu recolhimento pelo seu Mestre e Senhor, cf. Jo.17.11,20-24, e o que Judas chamou de batalhar pela fé, cf. Jd. 3, corroborando com o exposto anteriormente , entendemos que nem sempre é possível haver concordância entre as filosofias humanas e a fé genuína nas Escrituras Sagradas, e desta maneira os teólogos cristãos terão que executar uma tarefa árdua entre a razão e a fé.
Quando se faz uma exegese comprometida com a revelação real daquilo que o texto escriturístico quer afirmar como Palavra de Deus, as falácias dos ensinos dos hereges são dissolvidos e desmascarados. Percebemos nas heresias judaizantes e no gnosticismo verdadeiro extravio exegético, pois o Texto Neo-Testamentario é bastante trasnslúcido nas principais questões doutrinárias, quais sejam: Jesus sendo o próprio Deus, e veio a terra e se humanizou, isto é tabernaculou entre seu povo, cf. . Is.9.6; Jo.1.1,14, 5.18, 10.30,8.58; 14.9-10, 20.27-28; Mt. 1.23; Cl. 2.9-10; Fp.2.5-7; etc. fez um sacrífico perfeito que libertou o homem, é o Senhor da Igreja, e um dia virá buscar sua noiva, e vai julgar a humanidade com equidade, cf. Mt. 20.18-19; Rm. 5.6, 6.13, 8.32; Ef. 5.2,25-27; Tt.2.14; Hb.9.14 e 28,10.10, 9.28;I Co. 1.7-8, 6.17; I Ts. 5.23; Tt.2.11-13, Mc.13.26-27; Ap. 19.7-8, 20.7-15, 22.17; Sl.28.4,62.12; Rm.2.6, etc.
(McGRATH. 2014) “As ideias morrem quando deixam de ser úteis. A heresia continua a existir - quer como uma noção teológica, quer como uma noção secular”. Batalhemos pela fé que uma vez nos foi dada, Jd. 3. Amém.
REFERÊNCIA.
1. GONZALEZ, Justo L.. A Era dos Mártires. Uma história ilustrada do Cristianismo. Vol. 1. S. Paulo. Vida Nova. 1995. 177 pg.
2. ALTANER, B. & STUIBER A.. Patrologia. S. Paulo. Paulus. 1988. 545 pg.
3. PELIKAN, Jaroslav V.. Tradição Cristã. Uma história do desenvolvimento da doutrina. Vol.I. Trad. Lena Aranha & Regina Aranha. S. Paulo. Shedd. 2014. 376 pg.
4. FRANGIOTTI, ROQUE. História das Heresias (séculos I - IV). Conflitos Ideológicos dentro do Cristianismo. S. Paulo. Paulus. 2013. 168 pg.
5. CAIRNS, Earle E.. O Cristianismo através dos Séculos. Uma História da Igreja Cristã. S. Paulo. Vida Nova. 2008. 671 pg.
6. CRISTIANI, Quirino. Breve História das Heresias. Trad. José A. Dellagnelo. S. Paulo. Ed. Flamboyant. 1962. 128 pg.

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