sábado, 20 de julho de 2019

Casamento infantil e a pesquisa da UNESCO (Parte 01)


No ano de 2017, a ONU divulgou uma pesquisa sobre o número absoluto em casamentos infantis onde aponta o Brasil como ocupando o 4º lugar. Mas alguns fatos sobre esta pesquisa me chamaram atenção, tendo em vista a complexidade do assunto, gostaria de primeiramente de qualificar o tipo de casamento infantil que acontece no Brasil, segundo a mesma pesquisa:

1. A pesquisa no Brasil foi realizada com mulheres que tem entre 20 e 25 anos que afirmaram ter se casado com aproximadamente 14-17 anos.
2. A principal característica desses casamentos é que foram instituídos de forma consensual, ou seja, as crianças ou adolescentes consentiram no casamento.
3. Os lugares mais pobres são os mais atingidos por esse fenômeno.
Entretanto, a mesma pesquisa atesta que alguns países ficaram de fora da pesquisa por falta de fornecimento de dados, a saber: China, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã, Irã, Israel, Catar, Líbia entre outros. Ou seja, alguns dos países mais populosos do mundo onde historicamente esse problema é recorrente, que na verdade está incutido em sua cultura.

Não quero com isso colocar uma cortina de fumaça ao grave problema do casamento infantil que ocorre no Brasil, entretanto a pesquisa em si parece-me incoerente, ainda mais quando se coloca o Brasil em posição elevada em relação aos países historicamente muito mais envolvidos com esse problema, em especial os países árabes/muçulmanos. Explico:
Dentre os principais fatores que influenciam este evento estão:
1. O problema da iniciação precoce da vida sexual e consequentemente uma gravidez precoce e na tentativa de proteção à honra e assegurar o sustento da criança, agora mãe, e do potencial bebê.
2. Entre os problemas a pesquisa também mostra o desejo dessas crianças e adolescentes de se sentirem livres das responsabilidades dos pais, como também na necessidade de estabelecer um único parceiro sexual.
Conquanto, é importante fazermos uma comparação entre um quadro (o do Brasil) e dos países que ficaram de fora desta pesquisa, e assim podermos considerar se a pesquisa é realmente válida quanto aos seus resultados.

Iremos nas próximas postagens comparar os dados recolhidos nesta pesquisa com dados que temos sobre os países muçulmanos que ficaram de fora. Sabemos entretanto que, não só ficaram de fora países muçulmanos como a Irã e Emirados Árabes Unidos , mas por hora vamos nos ater a essa realidade.
Continua...
Por Rafael Félix.

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