(Pt 02)
Ef :.7-21
Em Efésios 1:17-21, mais uma vez este mesmo padrão de operação de dons espirituais por todo tempo antes do eschaton, é repetido. Como em 1Coríntios 1:4-8, ele dá graças por eles, e continua a pedir que
17 Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê o espírito de sabedoria e de revelação em toda sabedoria dele; 18 que tendo iluminados os olhos dos vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas de sua gloriosa herança nos santos; 19 qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, 20 que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus, 21 acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro.
Esta passagem está cheia de implicações para o Cessacionismo. Primeiro, o Espírito é caracterizado pela “sabedoria e revelação”, mais uma vez, dois dos charismata e, por extensão, caracterizados ainda mais como “sobre-excelência do seu poder” (v.19). Em segundo lugar, Paulo está orando para que eles possam conhecer [no sentido bíblico de ‘experiencia’, em vez de unicamente conhecimento, entre outras coisas], “a sobre-excelência do seu poder (δυναμις) sobre nós os que cremos [particípio presente, πιστεύοντας (que cremos), ou, crentes em geral].” Este poder é descrito como “semelhante” [κατά com o acusativo] ao poder da ressurreição de Cristo. Paulo enfatiza vigorosamente a “grandeza sobre-excelente” (ύπερβάλλον, extraordinária) deste poder, que é como, insiste ele, a “operação (lit. ‘energizando’) do poder de sua força.” Uma descrição do poder “miraculoso” – como a do milagre supremo, a ressurreição – normativamente em ação na igreja cristã, dificilmente poderia ser mais explícita. Em terceiro lugar, como em tantas outras passagens do Novo Testamento, Paulo une a distribuição dos Charismata, neste caso, poder miraculoso, à exaltação de Cristo, não ao apostolado paulino, como Warfield insistia. O quarto e mais importante ponto d nosso estudo é que esse poder deve ser experimentado “não só na era presente, mas também naquela que virá.” Talvez se objete que esta ultima citação se aplica somente à exaltação de Cristo e não ao poder na Igreja.
Mas a oração de Paulo é que Deus “dê” (δώη, aoristo subjuntivo) dons de sabedoria e conhecimento, ambos como vimos, conhecidos como contemporâneos, nesta época presente. Conectado com este verbo principal, “dê”, está o particípio perfeito, (πεφωτισμένους [tendo sido iluminados], indicando ação completada antes da ação do verbo principal), ou seja, “corações iluminados” para que os leitores possam “conhecer a esperança para qual foram chamados.” A “esperança” poderia ser uma característica da era vindoura se o objeto da esperança for realizado? Além disso, as palavras finais desta longa sentença, formada pelo vv 15-23, qualificam anda a atividade do Cristo exaltado em direção à sua Igreja durante a ‘era presente”: “Deus colocou todas as coisas debaixo dos seus pés (incluindo os poderes demoníacos)” e colocou-o como cabeça sobre todas as coisas que é “para, dado à,” “Igreja, o seu corpo, a plenitude daquele que preenche tudo em todos os sentidos.” Esta última frase certamente parece ampla o suficiente para incluir a distribuição dos Charismata. Além disso, a colocação do δόξα (glória) e seus cognatos indicam uma forte implicação escatológica para os contextos.
Assim, o ponto aqui é estabelecer que as operações dos Charismata são fixadas pelo menos “na era presente” com forte sugestão de que o poder de Deus, experimentado agora pela Igreja, também, como o amor em 1Coríntios 13:13 e a exaltação de Cristo continuará na “era vindoura.”
(Sobre a Cessação dos Charismata. Jon Ruthven)
Por Rafael Félix.
Nenhum comentário:
Postar um comentário