quinta-feira, 4 de julho de 2019

Estudos sucintos sobre as passagens fundamentais relativas ao Cessacionismo (Pt 03)

Efésios 3.14-21
14 Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai [...] 16 para que, segundo as riquezas de sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder (δυνάμει) pelo seu Espírito no homem interior; 17 para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, 18 poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, 19 e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais cheios de toda plenitude de Deus. 20 Ora, aquele que é poderoso para fazer tudo, muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, 21 a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre, Amém.

Esta passagem oferece indicações fortes do esquema repetido por Paulo dos Charismata que persiste até o fim. Devemos observar os paralelos com 1Co 1:4-8 e 13:8-14. Paulo também ora para que Deus, o Pai, conceda o Espírito Santo ao leitor, que lhe revele o conhecimento de Cristo e seja “cheio da plenitude de Deus,” que é um estado ideal parcialmente realizado no presente e plenamente realizado no eschatom. A “plenitude de Deus,” entre outras coisas, pode refletir a condição de ser “cheio do Espírito,” que é claramente um fenômeno repetido produzindo atividade carismática (Ef 5:19; At 2:4; 4:8; 31; 9:17; 13:9, 52).

A doxologia (vv. 20-21) repete o tema acima. Paulo começa a louvar a Deus e a descrevê-lo em termos de Sua provisão de δύναμις (“poder”) disponível a seu povo se algum crente (“nós”) pedir (como pedindo por enchimentos do Espírito, como fez Paulo. Deus é glorificado pelo poder miraculoso que atualmente opera na Igreja. A gama de coisas pelas quais os crentes são ordenados a “pedir”, certamente inclui o Espírito carismático. Deus sendo “glorificado” por milagres é um tema comum nos Evangelhos Sinóticos e Joanino. Se a natureza essencial do Espírito é carismática, então a mera menção do Espírito neste contexto de Sua operação na Igreja indicaria que os Charismata estão envolvidos aqui. Contudo, isto é confirmado e explicitado pelas referências repetidas ao “conhecimento” e ao “poder” como descrevedores do Espírito ou de Deus operando nesta passagem.
Mas o ponto crucial aqui é que um contexto escatológico governa a operação do Charismata. A doxologia se refere a Deus, “O poderoso Capacitador” (της δυνάμεως, cf. Mc 14.62), cuja atividade ilimitada e inimaginável funciona “de acordo com o δύναμις energizando-nos (a igreja)”. Isso parece referir-se a uma gama mais ideal e completa dos Charismata.
(Sobre a Cessação dos Charismata: A polêmica Cessacionista sobre os Milagres Pós-Bíblicos. Jon Ruthven)
Por Rafael Félix.

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