sexta-feira, 19 de julho de 2019

Línguas como Evidencia ou Dom de Línguas?

Embora houvesse hesitado sobre a necessidade de línguas como prova do batismo do Espírito Santo na controvérsia dentro das Assembleias de Deus em 1918, W.T. Gaston, um superintendente geral posterior, deixou sua posição clara no tratado “The Sing and the Gilf of Tongues” [O Sinal e o Dom de Línguas] [n.d]. Sobre a importante diferenciação entre a função das línguas no livro de Atos e o dom das línguas em 1Coríntios 12 e 14 para a posição sobre a evidencia inicial, Gaston observa:
Em Marcos 16 as novas línguas são mencionadas como um dos sinais que seguirão os que creem no Evangelho. Três exemplos concretos estão registrados no livro de Atos. Em 1 Coríntios 12, lemos que o dom de línguas foi estabelecido na Igreja. Seu uso é regulado no capítulo 14. O “sinal” é prometido em Marcos e cumprido em Atos, e o “dom” definido e regulado em Coríntios é sempre o mesmo em essência e uso? Esta é uma pergunta viva até hoje como nenhuma alma honesta bem informada negará que há múltiplos milhares de casos genuínos de novas línguas após a pregação do Evangelho de hoje.
Muitos queridos irmãos afirmam que todo verdadeiro exemplo é o dom das línguas; que o Batismo no Espírito é para todos os crentes, e que cada crente assim ungido receberá um ou mais dos nove dons – como Ele quer; enquanto um número cada vez maior de santos cheios do Espírito vê uma distinção na área e uso de línguas, entre aquela experiencia inicial no derramamento do Espírito como em Atos, onde a manifestação parece incluída e inerente à maior experiencia do Batismo do Espírito. Onde o vaso humano produzido é controlado inteiramente pelo Espírito divino – daí, ilimitado e sem restrições. E nas línguas como um dom na assembleia estabelecida como em Corinto, onde a manifestação está sob controle da mente humana ungida, onde seu exercício é limitado e prescrito. Esta distinção em uso está claramente marcada nas Escrituras [...]
Outra razão pela qual não posso ver que todo falar em línguas é dom, no sentido limitado e prescrito de 1 Coríntios 14, é porque aquela instrução apostólica que rega o uso do dom nas assembleias esta em conflito com a prática dos apóstolos em relação ao fenômeno das línguas no derramamento pentecostal. Primeiro observe, aqueles que têm o dom na assembleia, devem manter o silencio a menos que haja um intérprete; só falam consigo mesmos e com Deus; e onde há um intérprete, “falem dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete”. Isto é, não mais do que três devem falar em qualquer reunião, e um cada vez; enquanto um é para interpretar. Repito, essas instruções estão em aberto conflito com a prática dos apóstolos nos Atos. Em Cesaréia, toda a multidão magnificava a Deus em línguas sem nenhum esforço da parte de Pedro em manter a ordem e ter as línguas interpretadas. E também, quando consideramos que eles quebrantaram diretamente no sermão do pregador, e o orador um apóstolo, e sem dúvida poderosamente ungido, pois Pedro não tinha acabado sua mensagem – ele disse que tinha apenas “começado”; quando esses gentios começaram a falar em línguas, não um de cada vez. Certamente arruinariam um bom sermão em Cesaréia. Mas, com certeza, o Espírito Santo tem o direito de substituir até mesmo um apóstolo; e este é o simples, mas brilhante relato do Espírito Santo descendo sobre eles e tomando posse deles. Pedro poderia muito bem deixar de falar com eles, enquanto Deus é condescendente em falar através deles.
[...] quando pelo próprio Espírito, usando suas faculdades rendidas e extasiadas, eles [os crentes em Atos 2] começaram a engrandecer Deus, de uma só vez, e em várias línguas. Poderia qualquer coisa estar mais flagrante violação do entendimento geral de “decência e ordem” nas reuniões religiosas? No entanto, os apóstolos não tentaram chamar essas assembleias à ordem. Na verdade, eles mesmo o fizeram em Jerusalém (Atos 2.4).
Concluo com esta observação que, para evitar que as Escrituras ao lidar com esse assunto se contradigam, e os ensinamentos de Paulo discordem seriamente de sua prática, devemos distinguir entre o uso de línguas, sob o controle da mente e o regulado pela instituição apostólica, e ao falar inicial em línguas que acompanhou o derramamento do Espírito nos Atos, onde o candidato – a mente, a língua e tudo o mais – está controlado pelo Espírito, sem qualquer tentativa de regulação por qualquer apóstolo em qualquer momento.
(Evidencia Inicial: Perspectivas Históricas e Bíblicas sobre a Doutrina Pentecostal do Batismo no Espírito. Gary McGree)
Por Rafael Félix.

Nenhum comentário:

Postar um comentário