sábado, 27 de julho de 2019

O mártir muçulmano e o infiel, a visão da morte no Islã

O Islamismo divide as pessoas, em seu contexto geral, em duas categorias, o fiel muçulmano, aquele que reconhece Allah como único Deus e Maomé como seu profeta, e o infiel, aqueles que estão desviados ou combatem contra o Islã. Para o Islã, Allah não tem compromisso em salva nem o fiel, nem de condenar o infiel, entretanto, o compromisso mais fiel que Allah tem para com os homens no sentido de salvação da condenação é com os mártires, aqueles que morreram em prol da causa de Allah.
Na mente da maioria dos muçulmanos, morrer na jihad, isto é, pela causa de Deus ou lutando por seus propósitos, na promoção do caminho de Deus, é algo recompensado com o acesso imediato ao Paraíso. Várias passagens do Alcorão afirmam que aqueles mortos em batalha não morrem de fato, mas simplesmente trocam a vida na terá pela vida no além. (SCHIRRMACHER, 2017, pp.375,376)
Por este motivo há uma busca por este tipo de morte, que é vista como a morte de uma herói que seguiu as ordens expressas de Allah pois, “O dever da jihad, como os outros, baseava-se nas palavras do Corão: ‘Ó tu que crês, combate o infiel que tens perto de ti’. A natureza dessa extensão da obrigação era cuidadosamente definidas pelos autores legais” (HOURANI, 2006, pp.206,207) e isso significa ainda que esta não é uma obrigação individual, mas toda a comunidade muçulmana deve participar. Portanto a morte na Jihad, significa lugar garantido no céu de Allah.
Muitos versículos do Alcorão falam de recompensas pelo martírio. Uma das passagens básicas é que morrer pela causa de Alá é a única forma garantida de se chegar ao céu. “E se tu fores assassinado ou morrer, no caminho de Alá, o perdão e a misericórdia de Alá serão muito melhores do que todas as recompensas que poderias ajuntar. E se morrerdes, ou fores assassinado, ó é para junto de Alá que serás levado” (Sura 3.157-8). “Não penseis naqueles que são mortos no caminho de Alá como se estivessem de fato mortos. Não, eles vivem, encontrando seu amparo na presença de seu Senhor (Sura 3.169). Aqueles que lutaram ou foram mortos – verdadeiramente, Eu eliminarei deles as suas iniquidades, e os admitirei em Jardins dotados de rios que jorram – terão a presença de Alá como recompensa” (Sura 3.195). (SPROUL; SALEEB, 2016, p.74)
Quanto aos infiéis, o Alcorão é claro “Então, quando deparardes, em combate, os que renegam a Fé, golpeai-lhes os pescoços.” (Alcorão 47.4) depois disso, Allah se encarregará de condená-los (v.8). Este verso se refere a qualquer um que insulte ou se oponha à religião de Allah. Entretanto, o próprio Maomé ensinou que aos não-muçulmanos são oferecidos 3 caminhos a saber: a conversão, ficando assim livres pois não um muçulmano não pode combater contra outro muçulmano; a submissão, ficando obrigado ao pagamento de um imposto (jizia), sendo este considerado inferior a um muçulmano, mas mesmo assim, estando livre a guerra enquanto estiver submisso; e a guerra, que é uma sentença de morte.
A recompensa daqueles que fazem guerra contra Alá e seu mensageiro e fazem o mal na terra é que eles devem ser mortos ou crucificados, ou que suas mãos e pés sejam cortados em lados opostos, ou que sejam exilados, essa é a sua desgraça nesse mundo e grande será o tormento no pós-vida.” (Alcorão 5.33).
Já a morte natural é encarada de uma forma como uma ida a um tribunal, onde de acordo com Christine, os muçulmanos que morrem de uma morte natural, serão interrogados por dois anjos a respeito de sua fé e que de alguma forma passarão algum tempo pagando pelos seus pecados, sendo só possível a sua libertação através da intercessão de Maomé, para assim, entrar no paraíso (2017, p.376), ainda de acordo com Bartlett, “ As almas conscientes dos justos são visitadas pelos anjos da misericórdia; as almas dos ímpios, pelos anjos da punição” (2017, p.150), portanto, a vida após a morte começa já na sepultura, com as almas conscientes de tudo quanto fizeram aqui na terra.
Há ainda um ritual da lavragem do corpo para que o morto possa assim entrar no paraíso limpo, já os mártires não passam por esta lavagem, sendo enterrados com as roupas manchadas de sangue, como testemunha de seu martírio pelo Islã.

Por Rafael Félix.

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