O Dr. Roy Zuck (1932-2013) - Professor e Deão Acadêmico do Seminário Teológico de Dallas, nos Estados Unidos - apresenta neste livro uma riqueza de informações indispensáveis a quem deseja entender o significado do texto sagrado, ensiná-lo com fidelidade e aplicá-lo na vida do dia-a-dia.
No capítulo UM (A interpretação Bíblica – O que é e porque fazê-la), Zuck abrange vários conceitos básicos que estão relacionados com a interpretação. Ele explica o que é a interpretação bíblica e porque ela é importante. A disciplina da hermenêutica consiste em três etapas distintas: Observação, Interpretação e Aplicação; de acordo com Zuck, o segundo passo, Interpretação, é o mais importante. Além disso, Zuck explica neste capítulo porque é também o mais difícil dos três passos. Segundo ele, essa dificuldade surge da multidão de diferenças entre o público original e o leitor moderno. Essas diferenças exigem um conjunto de diretrizes para garantir que o autor bíblico seja entendido corretamente. De acordo com Zuck, então, é importante entender o texto na perspectiva do público original. Zuck faz questão de mencionar os chamados abismo ou lacunas que existem entre o leitor e o texto, como por exemplo: o abismo do tempo, o abismo do espaço, o abismo dos costumes, o abismo do idioma, dentre outros.
No capítulo DOIS (A interpretação bíblica – ontem e hoje), o autor economiza tempo e espaço e faz uma apresentação, ou seja, um levantamento compacto do início da interpretação mostrando a forma como os judeus e os pais da igreja interpretavam as Sagradas Escrituras. Zuck explora a história da interpretação bíblica dos pais da igreja do primeiro e segundo século para os períodos modernos e pós-modernos. O seu resumo compacto inclui métodos de interpretação (incluindo, literal, alegórico, tradicional, racional e subjetivo).
No capítulo TRÊS (Qual ponto de vista é válido?), Zuck responde esta pergunta ao apontar que a Bíblia é um livro humano e um livro divino. Então, observando por este lado, isso nos leva a seguinte conclusão: Quando alguém vai fazer a interpretação da Bíblia, ele deve entender que ela foi escrita para um público original; portanto, qualquer interpretação das Escrituras deve ser uma interpretação que o público original teria compreendido e entendido. Assim, de acordo com Zuck, a interpretação literal deve ser preferida. Este método de interpretação é assim chamado de interpretação histórico-gramatical porque procura compreender o texto a partir da perspectiva histórica ao empregar regras normais de gramática.
No capítulo QUATRO (A transposição do abismo cultural), Zuck mergulha no núcleo da metodologia interpretativa do livro. Ele afirma em um dos parágrafos iniciais desse capítulo que desconsiderar, ou seja, não levar em consideração o contexto consiste num dos problemas mais graves da interpretação bíblica. Além disso, Zuck exibe um elemento valioso, entretanto muitas vezes ignorado, para incluir na avaliação do contexto que é o ambiente histórico-cultural da época em que a passagem foi escrita. Zuck explora desafios importantes para a interpretação bíblica. O primeiro desses desafios é o contexto cultural que existe entre o público original e os leitores modernos. Essa diferença inclui diferenças sociais, governamentais, religiosas, étnicas, geográficas, domésticas e econômicas. Zuck frisa que as Escrituras só podem ser devidamente compreendidas quando o leitor moderno entende essas diferenças.
No capítulo CINCO (A transposição do abismo gramatical), o autor apresenta neste capítulo uma nova lacuna, um novo abismo, ou seja, o abismo gramatical. Passo a passo, vamos percebendo a visão e a opinião de Zuck a esse respeito. Para Zuck esse abismo só pode ser superado através de um estudo completo do real significado das palavras bíblicas, pois se negligenciarmos o real significados das palavras e de como elas foram usadas, nunca saberemos se a nossa forma de interpretar está correta. Devido ao fato de que as palavras possuem uma variedade de significados e também pelo fato desses significados mudarem ao longo dos tempos, o trabalho precisa ser feito de forma cuidadosa para atender o que cada autor quis dizer usando uma palavra particular e específica. Nesse capítulo Zuck explora esta questão de forma bem extensiva.
No capítulo SEIS (A transposição do abismo literário), o autor aborda agora o abismo literário, este abismo consiste na miríade de gêneros literários que existem nas Escrituras Sagradas. Além disso, muitos desses gêneros não possuem equivalentes modernos (ex. Profecia). Segundo Zuck, a interpretação retórica é uma parte importante de uma compreensão adequada das Escrituras. Compreender as diferenças literárias entre o público moderno e o antigo vai percorrer um longo caminho para apontar o intérprete moderno para o significado do texto que reflete com precisão a forma como a audiência antiga o teria entendido.
No capítulo SETE (As figuras de linguagem), o autor nos fornece uma revisão enorme desses tantos mecanismos literários coloridos e realçados encontrados nas Escrituras Sagradas. Zuck aborda a importância dessas figuras de linguagem afirmando que precisamos conhece-las com precisão pois temos que compreender as ideias que elas transmitem para nós, pois a interpretação figurada é o oposto da interpretação literal. Ao mostrar nesse capítulo alguns tipos de figura de linguagem, Zuck também argumenta que figuras normais de fala como alegoria, exagero, símile, etc. são aceitas como figuras normais de fala. Em outras palavras, Zuck argumenta que os intérpretes da Bíblia devem permitir o uso normal da linguagem, uma vez que a Bíblia foi escrita por seres humanos que usaram linguagem humana.
No capítulo OITO (O exame dos tipos e a compreensão dos símbolos), Zuck aborda os problemas de tipos e símbolos. Esses problemas de interpretação são frequentemente encontrados no NT quando o autor desenha uma conexão entre duas coisas para fazer uma comparação entre elas. Um exemplo de um tipo é a Páscoa do descrita no Êxodo e o sacrifício expiatório de Cristo (1 Co. 5. 7). Também ele nos apresenta características para discernirmos os tipos (Semelhança, Realidade histórica, Prefiguração, Elevação e Planejamento divino). Segundo Zuck, os tipos podem servir para vários propósitos, incluindo a prefiguração de algo ainda por vir, aumentando o significado do antítipo, etc.
No capítulo NOVE (O exame das parábolas e a análise das alegorias), o autor aborda as importantes questões interpretativas relacionadas às parábolas de Jesus. Essas questões interpretativas geralmente aumentam de nossas diferenças culturais com o público de Jesus. As parábolas de Jesus eram frequentemente eficazes porque falavam em termos culturais. Esta é uma questão que deve ser superada com a interpretação das parábolas. Em segundo lugar, as parábolas requerem muito cuidado por causa do fato de que Jesus ensinou nas parábolas a revelar a verdade aos seus seguidores e a esconder a verdade daqueles que não creram nele (Mc 4: 1-11). Zuck também aponta o fato de que as parábolas são uma forma de alegoria; portanto, deve-se ter cuidado na sua interpretação.
No capítulo DEZ (A interpretação da profecia), Zuck aborda a questão da profecia. O leitor moderno e atual pode se surpreender ao descobrir que, por profecia, Zuck use o livro do Apocalipse. É bastante argumentado e discutido por alguns que o Apocalipse é um livro apocalíptico e, como tal, pode ser entendido literalmente. Esta linha de argumentação, no entanto, não é abordada neste capítulo. Em vez disso, Zuck começa com a suposição datada de que o Apocalipse é um livro profético e então defende a interpretação pré-milenar.
No capítulo ONZE (O emprego do antigo testamento no novo), Zuck nos mostra várias coisas. Em primeiro lugar, ele mostra muito bem como os dois testamentos estão interligados e entrelaçados, evidenciados pela forma como muitos dos livros do Novo Testamento citam passagens do Antigo Testamento e quanto conteúdo do Velho Testamento é refletido no Novo Testamento. Em segundo lugar, ele indiretamente faz uma defesa da inerência e infalibilidade bíblica, abordando os casos em que as citações do Antigo Testamento não são refletidas no Novo Testamento com perfeita fidelidade textual. Em terceiro lugar, Zuck explora os motivos dos escritores Novo Testamento ao citar o Antigo Testamento e demonstra como as questões sobre motivo são úteis na interpretação de som. Em seguida, ele olha se os escritores do Antigo Testamento realmente sabiam o que estavam escrevendo, dado que certas passagens foram apropriadas para diferentes significados por autores do Novo Testamento, e se essas passagens citadas necessariamente têm mais de um significado. Por último, Zuck fornece uma lista de passos que o aluno pode usar para interpretar e aplicar citações do Novo Testamento do Antigo Testamento.
No capítulo DOZE (A aplicação da Palavra de Deus em nossos dias), o autor dedica-se apenas ao título correspondente ao capítulo. Talvez seja uma conclusão crítica para este livro, pois de certa forma parece que o mesmo negligencia a aplicação das escrituras e reduz o estudo bíblico para um exercício acadêmico beneficiando a vida do leitor. Zuck reconhece com razão o equilíbrio saudável entre a interpretação e a aplicação, advertindo contra inclinar-se muito longe em direção a um e longe do outro. As questões que sustentam a tarefa de aplicar uma interpretação envolvem relevância (“Como é essa interpretação relevante para a vida de alguém?”) e resposta (“O que fazer com esse conhecimento?”). Com estas questões em mente, Zuck oferece nove etapas para o leitor usar na aplicação da Bíblia em sua vida, culminando em uma lista de “90 verbos de ação” (pág. 338) para criar metas de transformação e uma admoestação necessária para envolver nosso paracleto, o Espírito Santo, em progresso em direção a esses objetivos.
CONCLUSÃO:
Em doze capítulos, o autor cobre amplamente quase todas as situações interpretativas da Bíblia. o leitor pode encontrar, e fornece exemplos amplos da aplicação de seus métodos de interpretação. Talvez as passagens mais difíceis que o estudante da Bíblia encontrem sejam aquelas envolvendo figuras de fala, simbolismo e alegoria, devido à facilidade em que a mente, quando desenfreada, vagueia em encontrar significados que não estão no texto.
Extraído de um trabalho para a obtenção de notas da ESTEADEB/PE.
Por Nivaldo Gomes.
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