O livro “Por esta cruz te matarei” revela-nos como foi difícil para Bruce Olson fazer missões entre os índios motilones enfrentando muitas lutas e sofrimento, também se destaca o amor e a perseverança de Bruce em sua missão e acima de tudo a “provisão de Deus” em todos os momentos. Vale apenas ler.
Bruce Olson é visto por muitos como sendo um dos maiores missionários do século XX. Bruce nasceu e foi criado em Minneapolis, Minnesota, nos Estados Unidos. Morava com seus pais e seu irmão. A sua família era meio conturbada, seu pai parecia sempre estar irritado com sua mãe e seu irmão e na maioria das vezes também com o próprio Bruce, que como forma de evitar conflitos muitas vezes preferia o silencio do seu quarto ao invés de ficar ouvindo as brigas e discursões constantes de sua família. Ele era um jovem de catorze anos de idade que costuma frequentar a igreja Luterana, onde desde pequeno ouvira prédicas e ensinamentos do seu pastor, onde na maioria das vezes essas prédicas e ensinamentos faziam Deus parecer terrível, violento e sanguinário. Tais ensinos despertava nele um medo de ler algumas passagens da Bíblia sagrada, inclusive os livros dos profetas, pois de acordo com o que os luteranos ensinavam, Deus era muito vingativo. Ainda muito jovem ele resolve preencher a ausência do diálogo familiar com a leitura e meditação da Bíblia sagrada juntamente com a leitura de outros livros. Estudava simultaneamente a Bíblia e outros idiomas como por exemplo o grego e o latim. Suas idas e vindas a igreja luterana pareciam reuniões rotineiras, sem graça e sem propósito. Bruce parecia não sentir mudança em sua vida e passa a correr em busca de respostas lendo a Bíblia sagrada. Certo dia, ele se depara com as seguintes perguntas: Afinal de contas, quem é o meu Deus? Onde está ele? Em busca por resposta, Bruce continua com o exercício da leitura da palavra de Deus e quando menos espera, se depara lendo o seguinte versículo: “por que o filho do Homem veio buscar e salvar o perdido”. Depois ele se depara com o outro texto em (Romanos 10.9) que diz: “...se em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos serás salvo”.
Daí por diante as coisas começaram a mudar em sua vida, ele descobriu que tudo o que precisa era apenas crer. Em um ato de reflexão descobre o quanto estava errado e se arrepende, sai do modo formal de oração como costumava fazer na igreja em que desde pequeno frequentara e se derrama aos pés de Jesus. Ele clama em oração e logo passa a sentir como nunca dantes houvera sentido a presença de Jesus em sua vida. Bruce agora está liberto de suas dúvidas, medos, tormentos, traumas e temores. Ele agora está decidido a contar para todos a maravilhosa experiencia que havia acabado de experimentar, entretanto nem seus amigos da igreja, nem seu seus pais e tão pouco seu pastor deram crédito ao saberem da nova experiencia contada por Bruce, pelo contrário, acharam um absurdo o que lhes contara.
Mas Bruce está decidido a continuar. Depois de certo tempo, sem poder compreende como seu pastor conseguia manter-se daquela forma na igreja, demonstrando não conhecer verdadeiramente Jesus em seus ensinos e prédicas, Bruce sente vontade de gritar e dizer que Jesus era diferente de tudo aquilo que houvera aprendido. Como forma de evitar conflitos ele passa a frequentar uma outra igreja, pois havia sido convidado pelo seu amigo Kent Lange a frequentar a sua igreja. Kent assim como Bruce, tivera a mesma experiencia, ele havia orado a Jesus pedindo que ele entrasse em seu coração. A igreja que Kent frequentava com sua família era bem diferente da igreja Luterana que Bruce costumava frequentar. Kent convidara Bruce para uma visita na sua igreja, onde seu pai era ministro da mesma. A princípio a forma de cultuar a Deus naquela igreja, deixara Bruce um pouco perplexo e apreensivo, pois notara algo diferente no comportamento daqueles irmãos e questionara a si mesmo se era certo ou não a forma de adoração feita por eles. O culto naquela igreja era sem formalidades, as pessoas se sentiam livres e bem à vontade para adorar a Deus, era só uma questão de tempo para que ele pudesse se acostumar.
Certa noite, quando estava voltando de um culto para casa, percebeu que o frio estava aterrorizante, a noite estava tão fria que podia em pouco tempo matar congelada qualquer pessoa que estivesse na rua, ou seja, fora de casa naquele momento. Já sem forças e com pouca respiração, Bruce resolve correr para sua casa e ao chegar percebe que a porta estava trancada e ninguém saíra após seus gritos de desespero para abrir a porta. Ele sabia que alguém o estava escutando, talvez seu pai, mas mesmo assim ninguém veio abrir a porta para ele. Em meio ao desespero ele se lembra da família Lange, resolve se dirigir para lá, ao chegar recebe abrigo e um quarto para dormir, onde também passara toda aquela noite. Quando Bruce tinha 16 anos de idade, ele participou de uma conferência missionária na igreja Interdenominacional onde eu agora já fazia parte. Tudo era novo para ele, e foi exatamente nessa conferência que ele ouvira pela primeira vez a frase “A Grande Comissão”, ele sabia que havia algo de misterioso nela. Após ouvir os relatos e assistir os vídeos exibidos por um dos missionários convidados para aquela conferência, Bruce fica chocado com tudo aquilo que o missionário havia mostrado. Ao tentar dormir, ele tem um sonho perturbador, onde um homem aparece comendo um rato, e de repente ele puxa o rato da boca que logo se transforma num chicote e o homem grita para ele e diz: “O meu sangue será exigido de você.” Daquele momento em diante ele começa a compreender que o amor que Deus não se direcionava apenas a ele, sua igreja, ou a sua comunidade, mais sim a todos os povos.
Mesmo assim Bruce tem um certo conceito acerca dos missionários, pois antes já parecia ter se decepcionado com alguns, devido a forma com que atuavam ele chegara a acreditar que a vida deles era uma vida de insucesso. Aos poucos Deus vai trabalhando na vida dele e esse conceito logo acaba sendo mudado. A chamada missionária se acende em seu coração, ele está decidido a cumprir o ide de Jesus. Contrariando seus amigos e principalmente a sua família, ele não desiste. Mesmo não sendo aceito por nenhuma agencia missionária ele decide ir por conta própria, afinal de contas Deus estaria lá com ele e já havia-lhe que o queria na América do Sul. Seu coração agora está queimando por missões.
Aos 19 anos, parte para Venezuela atendendo assim ao seu chamado missionário. Antes de partir, havia entrado em contato com um missionário que estava na Venezuela onde o mesmo se prontificou em lhe recepciona-lo no aeroporto daquele país, entretanto nada disso aconteceu, pois, ao chegar lá não havia ninguém o esperando. Ele aguarda por um longo período de tempo no aeroporto, mas ninguém aparece para recebê-lo, apenas o zelador que o convida a se retirar dali pois não poderia de forma alguma pernoitar ali. Sem saber para onde ir sai perambulando pelas ruas de Caracas. Despois de certo tempo ele conhece um rapaz muito alegre e risonho chamado Júlio, aluno da Universidade de Caracas, que conversa com ele em inglês e descobre o motivo pelo qual Bruce está ali. Bruce é convidado a ficar em sua casa por um certo período de tempo, e depois afim de ajudá-lo em sua missão com os índios, Júlio o apresenta ao Dr. Christian que desenvolvia um trabalho junto aos índios mantido pelo governo.
Depois de conversar com Bruce, ele demonstra certa resistência em leva-lo, mas depois decide leva-lo com ele. Mais tarde, depois de uma semana eles estavam em Puerto Ayachucho. Após percorrerem quilômetros e quilômetros de rio a dentro chegaram ao acampamento dos índios. Pela primeira vez Bruce tivera um contato com os índios. Dr. Christiaw levara mantimentos e assistência médica para eles. A tribo indígena com a qual Bruce fora chamado por Deus para desenvolver seu trabalho missionário ainda não era aquela, apesar de tentar fazê-lo sem sucesso. Bruce retorna para Caracas e Algum tempo depois conheceu alguns jovens universitários, indo morar com eles numa república. Entre eles estava o jovem Lúcio Mondragon. Lúcio era um dos líderes dos estudantes do partido socialista no campus da universidade. Bruce acreditava que havia um espírito anti-norte-americano muito forte ali, principalmente em Lúcio, que constantemente o provocava com brincadeiras leves, mas as vezes com formas violentas.
Sua persistência e paixão pelos índios fez com que ele sempre retomasse seu projeto de conhecê-los apesar das dificuldades encontradas em Caracas. Foi com um representante de uma petrolífera que Bruce conseguiu ir à tão sonhada floresta num avião da empresa e lá foi deixado sozinho à própria sorte. Pois ainda em Caracas soubera de um surto de sarampo que dizimara muitos índios e queria ajudar levando-lhes medicamentos e assistência. Ele descobre que o único meio de chegar até a tribo era a pé, então ele compra uma mula com um dinheiro que ele havia reservado e consegue chegar até lá, mas antes de chegar muito sofrimento, angustia, dúvidas e questionamentos o aguardava pelo caminho. Depois de muito, mais muito sofrimento ele consegue chegar a uma tribo.
Ele avista um aglomerado de cabanas, cerca de 20 pessoas são percebidas por ele, dentre elas estavam meninos velhos e mulheres que aos poucos iam saindo de suas cabanas e olhavam para ele de forma meio que estranha, ele bem que tentou contato com eles, mas nada adiantou, por um momento encantou alguns com o som de sua flauta, mas isso não duraria por muito tempo. Depois de certo tempo foi brutalmente castigado, chicoteador, flechado, por aqueles que ele julgava ser os motilones e por isso sofrido por eles de várias formas. Agora quase sem vida, um mundo de dúvidas e questionamentos passavam pela sua cabeça, até o momento em que o Senhor Jesus o fez compreender o porquê de todo aquele sofrimento. Sabendo que não era bem-vindo naquela tribo, principalmente pelo seu chefe, que já o havia torturado bastante, ele decide ir embora e quando assim o faz, já na partida é surpreendido por um homem velho que de repente aparece com uma criança doente de aproximadamente 4 anos de idade e o entrega para que ele faça alguma coisa. Logo em seguida outras pessoas também aparecem com outras crianças. Com pouco medicamento ele tenta sanar a doença, mas abe que o remédio está em quantidade pequena tornando a cura praticamente impossível.
Ele resolve orar a Deus e surpreendente um milagre acontece, todas aquelas crianças depois de alguns dias estão curadas. Logo atitude rude e cruel do chefe da tribo começou a mudar para com ele. Ele agora passou ser visto com bons olhos. Mais tarde ele descobre que aquela tribo ainda não era a tribo dos motilones, pois nenhuma das características da aquela tribo se coadunava com as características dos motilones. Aquela tribo era na verdade a tribo dos iucos. Os iucos morriam de medo dos motilones, mas Bruce conseguiu convencê-los a levarem-no até eles, depois é claro de oferecer alguns presentes ao grupo, ele parte com os índios iucos ao destino desejado.
Enfrentando as dificuldades da mata, passam pela fronteira Venezuela-Colômbia e chegam finalmente, à terra dos motilones. O grupo de índios percebendo a presença da tribo rival, foge e deixa Bruce sozinho na mata que logo é atingido na perna por uma flecha e passa a agonizar. Ele é capturado e é levado para a tribo e lá ele fica preso numa espécie de jaula. Por causa do ferimento, durante semanas agoniza de dor e febre até que resolve fugir da tribo. Sabendo que se não fugisse seria morto, ele aproveita um momento de distração dos motilones e foge de mata a dentro, de rio acima e enfrenta um processo tão difícil que minhas palavram não são capazes de descrever. Já sem força, sem vigor, sem energia, com muita dor e franqueza por conta de muitos cortes em todo o corpo, visando lhe dar foças, Deus prover milagrosamente para ele um cacho de bananas que desce nas águas rio a baixo e isso lhe dar um pouco de força e energia para continuar.
Certo tempo depois, ele é encontrado por um grupo de madeireiros que o leva até Talamaque e depois a Bogotá. Na capital, recebe tratamento, é acolhido por uma família de missionários e depois de certo tempo ele retorna para a tribo levando os medicamentos necessários para tratar à doença dos indígenas motilones. Desta vez ele não adentra de imediato, ele usa uma estratégia para se aproximar deles, estratégia essa que era a de “dar-lhes presentes”. A princípio parecia não surtir efeito, mas depois o seu plano funciona na íntegra. Bruce é aceito pela tribo dos motilones e passa agora a viver entre eles. Ele passa a desenvolver um clico de afeto muito grande com o índio “Bobarishora”, que mais tarde passa a ser chamando por Bruce de Bobby. O nome de Bruce também fora mudado para “Bruchko”, pois os motilones não conseguiam pronunciar o nome “Bruce”.
Os anos se passavam e Bruce Olson não havia sequer ainda falado uma única palavra sobre Jesus ou Deus para os motilones. Porém certo dia quando dois índios estavam pranteando a morte de um de seus parentes, Bruce se sente comovido com aquela situação e começa a falar do Jesus Cristo encarnado que veio salvar todos os índios. Ele apodera-se de uma antiga lenda indígena para explicar como Jesus tornou-se homem e anunciou sua palavra com amor e, por fim, morreu e ressuscitou. A partir desse dia em diante ele, pregava principalmente para seu amigo Bobby, e este por sua vez para os demais. Logo um a um começaram a aceitar a Jesus como seu salvador.
Certo tempo depois alguns grupos de foragidos de presídios instalaram-se nas proximidades da tribo dos motilones, objetivando apossar-se de suas terras. Um desses fugitivos colombianos era um tal de Humberto Abril que no início do livro surge fazendo uma ameaça a Bobby fazendo o sinal da cruz com os dedos polegar e indicador cruzados dizendo: “Juro por esta cruz que eu te matarei”. Porém Bobby estava decidido a lutar e a não mais ceder suas terras para esses forasteiros ladrões.
Cero dia quando Bobby resolvi subir o rio com alguns outros índios, ele é surpreendido e alvejado por tiros vindos de capangas a mando de Humberto Abril que agora cumprira sua promessa matando Bobby. Bruce fica devastado, arrasado, pois há pouco tempo atrás havia perdido também sua noiva Glória que morrera a pouco tempo atrás em um acidente trágico bem próximo ao seu casamento, como se não bastasse agora era o seu melhor amigo Bobby que morria. Desapontado e inconformado, passa a questionar a Deus sobre as mortes e perdas sofridas por ele pelos motilones. Deus faz em seu coração Bruce compreender que tudo aquilo vinculava-se ao propósito pelo qual ele havia sido chamado.
NOTA: Extraído de um trabalho realizado por mim para obtenção de notas na ESTEADEB/PE em 2017.
Por Nivaldo Gomes.
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