Samuel revelou-se um aluno muito aplicado. Todas as palavras, idéias e princípios que eram ensinados ficavam indelevelmente gravados em sua memória. Além disso, observava também as expressões refinadas e o jeito de falar de suas professoras. Mas para Samuel, seu principalmente mestre continuava sendo o Espírito da Verdade. Muitas vezes quando estava solucionando um complicado exercício de matemática dizia, de voz baixa mais audível " ajuda-me Senhor". Muitas pessoas vinham de longe para ver e conversar com Samuel, mas o jovem não tinha tempo para conversas sem sentido. Assim que alguém era apresentado, cumprimentava, e ele logo entregava a Bíblia e queria que abrisse no texto que desejava estudar. Então, solicitava que lesse para ele. Pretendia dessa forma ouvir a leitura da Bíblia toda.
*Havia na Universidade um estudante que era ateu e gostava de proclamar seu ateísmo.* Não conseguia aceitar que outros crescem em Deus como quisessem. *Conhecia bem todos os argumentos do pensamento ateu e não perdia a oportunidade de entrar em discussão com os alunos crentes.*
Nem sempre era fácil entrar em contato com Samuel de um momento para o outro. Normalmente, quando não estava orando, falava pouco. Mas, o jovem ateu insistiu com alguns colegas para que o levasse ao quarto do africano e o apresentasse a ele. E foi até lá todo preparado para uma discussão, pensando que ia derrotar facilmente aquele rapaz simples e iletrado.
Como costumava fazer, Samuel entregou-lhe a Bíblia aberta e pediu-lhe que lesse determinado texto. O rapaz jogou o livro sobre a mesa dizendo:
"Eu não leio mais esse livro! Só fala de guerras, de casos amorosos e uma porção de histórias falsas. Não creio em uma única palavra dele"
Samuel nunca tinha conversado com um ateu antes, nem mesmo na África, por lá todos creem em algum deus. Então ficou sentado, quieto, olhando para o outro, até que terminasse sua explosão verbal. Quando ele parou de falar, levantou-se e disse :
"Meu caro amigo, seu pai fala com você e não acredita nele? Seu irmão fala com você e não acredita nele? O sol brilha e você não acredita nele?
Deus é seu Pai; Cristo é seu irmão e o Espírito Santo é seu Sol".
Em seguida, colocou a mão sobre o ombro do estudante e disse:
"Ajoelhe-se vou orar por você."
A salvação daquela alma estava em jogo, é *o Espírito de Deus colocou nos lábios de Samuel as palavras certas, para chegar ao coração do rapaz, e ele conseguiu tocar suas cordas mais sensíveis.*
O ateu, porém, resistiu até onde pôde , mas, no momento em que estava saindo do quarto, foi tocado pelo Espírito, que o convenceu da verdade. *No final do semestre, quando saiu da universidade, era um crente dedicado à oração e ao serviço do Senhor.* Tempos depois, aquele jovem que antes zombava do Evangelho veio a ser bispo.
A influência espiritual de Samuel Morris não foi sentido apenas pela maioria evangelica da escola, mas também pelos próprios céticos que ali estudavam.
Embora a maior parte do corpo estudantil fosse constituída de crentes sinceros, as igrejas e as escolas denominacionais passavam por um período de enfraquecimento da fé, sofrendo uma crescente influência do mundo. A teoria da evolução proposta por Darwin, parecia estar minando as bases da autoridade da Bíblia na mente das pessoas. O aumento da riqueza, favorecido pelas novas invenções científicas, fomenta o materialismo.
Nessa época, a Universidade Taylor era dirigida por um grupo de líderes da Igreja Metodista Episcopal, e ainda tinha um padrão de ensino espiritual elevado. O que não era muito comum. Contudo, grande parte dos leigos bem como alguns ministros da denominação tinham apenas uma fé nominal na obra do Espírito Santo, que John Wesley, fundador do metodismo, experimentara e pregara. Wesley ensinara que só podemos ter a vida de amor e santidade que as Escrituras requerem de nós pelo poder purificador do Espírito Santo.
Mas Samuel Morris despertou toda Universidade, do reitor ao aluno mas novato, sendo ele mesmo uma demonstração de que, com grande simplicidade o Espírito Santo pode conferir graça e poder até ao mais humilde ser humano.
Toda a escola foi levada a um nível espiritual bem elevado. Os alunos não apenas eram "salvos", mas também se tornavam espiritualmente fortes e ganhavam outros para Cristo.
*Através da influência espiritual de Samuel Morris, um crente que buscava o reino de Deus em primeiro lugar, que "todas essas coisas foram acrescentadas" a Universidade Taylor.* Foi durante seu tempo de estudante, que a escola chegou ao fim de todos os seus recursos financeiros, e a junta diretora se reuniu para aquele que seria seu último encontro. Mas a inspiração que um aluno como Samuel Morris representava, foi o canal que se moveu em socorro deles.
Foi o "Fundo de Fé Samuel Morris" implantado, inicialmente, para ajudar os estudos do jovem africano que, posteriormente, foi o canal para abençoar, também, financeiramente a universidade.
Fora atraída e nomeada uma comissão para ir a Fort Wayne e conversar com a junta a respeito do novo contrato. O grupo entrou em contato com Samuel e todos ficaram muito impressionados com ele.
Nessa ocasião então, o novo contrato foi assinado e pouco depois eles vieram para escolher o terreno que seria o lugar da escola, optando pelo belíssimo local onde ela funciona até hoje.
Por volta do fim do ano, um Evangelista promoveu juntamente com outros pregadores uma série de culto de avivamento no velho rinque da patinação da Rua Principal. Todas as noites havia um grande número de pessoas presentes. Samuel gostava principalmente dos hinos. Parecia que a sua alma era feita de música.
E sempre que a congregação cantava o hino, sua voz era ouvida em todos os cantos da grande salão.
E sempre havia uma cadeira para ele na plataforma. Quando um dos obreiros, que ficavam no meio do povo, encontravam uma pessoa mais resistente a pregação, davam um sinal para o rapaz , daí a pouco haveria dois ou três pecadores ajoelhados. Ninguém recusava o seu convite de ir para o altar e orar.
Roupas caras e belos chapéus não eram empecilhos para ele. O fato de ele ser negro, em uma época que o preconceito era muito grande, também não chocava ninguém, pois todos logo percebiam a graça e o grande poder espiritual que Deus concedera a Samuel.
Não pregou muito nesse período, mas cantou e orou bastante.
As torturas que o rapaz sofrera durante o tempo em que fora refém de guerra, e as condições adversas que vivera durante a viagem no navio - cargueiro , haviam enfraquecido muito sua constituição física, que já era frágil.
Samuel continuou a assistir assiduamente a todos os cultos , naquele inverno de 1992 a 93, que foi ainda mais frio do que o normal.
Certo dia , quando assistia um culto noturno da Igreja Metodista na rua Berry, pegou um forte resfriado. Mas não contou nada a ninguém e foi suportando a doença em silêncio, como se nada tivesse acontecendo. Não se preocupava com o fato de a noite está fria, chuvosa e a temperatura 30°C abaixo de zero. Sentia que era seu dever estar ali ; tinha prazer de participar dos cultos. Seu rosto simples sua expressão de sinceridade era uma inspiração para o pregador, que se sentia mais entusiasmado e dava tudo de si no trabalho.
*Samuel Morris sacrificou a saúde pelo trabalho de Deus.* Ele permaneceu na igreja até ao final do último culto.
Embora Samuel não possuísse resistência orgânica para superar o resfriado que com traíra, continuava assistindo as aulas regularmente. As suas forças foram diminuindo e a certa altura começou a revelar sinais de hidropsia, e daí para diante não conseguiu mais esconder o fato de que estava gravemente doente.
Recebeu os melhores cuidados e atenção no Hospital St. Joseph. Muitas pessoas foram visitá-lo, gente que havia aprendido a amá-lo. Como ele distribuirá muito amor, agora também recebia muita afeição.
A princípio rapaz não entendeu porque não se recuperava a saúde. Mas depois ele compreendeu. Certo dia quando os alunos da escola foram fazer uma visita costumeira, ele disse com tranquilidade e alegria que já havia obtido resposta:
"Estou muito feliz", disse ele. "Vi os anjos e muito breve eles viram me buscar. A luz que meu Pai do céu mandou para me salvar, quando estava jogado naquela forquilha na África, tinha uma razão de ser. Fui salvo com um objetivo definido; Agora ele já se realizou. Minha obra aqui foi concluída ".
O Dr Reade lhe indagou a acerca do grande trabalho que ele planejava realizar junto ao seu povo na África, e o rapaz respondeu:
*"O trabalho não é meu, é de Cristo. É ele quem escolhe seus obreiros. Outros poderão realizar essa obra é melhor do que eu*
A casa onde o Dr Stemem morava ficava bem em frente ao hospital. No dia 12 de maio, por volta das 10 horas da manhã, ele estava aparando a grama do seu jardim, quando ouviu alguém gritar:
" Não trabalha demais, não , Dr. Stemem".
Ergue os olhos e deu com Samuel que o contemplava da janela do quarto, no hospital. Então acenou para ele , e o rapaz respondeu, para logo sair da janela e sentar-se em uma poltrona. O Dr. Stemen continuou a sua tarefa. Alguns instantes depois, a irmã Hellen, que trabalhava no hospital, veio a casa do Dr Stemen e comunicou-lhe que Samuel parecia inerte.
O médico correu lá e encontrou o jovem africano sentado tranquilamente na cadeira. Estava morto. Em seu rosto , estampava- se uma expressão de um gozo solene, a mesma que se via nele sempre que entoava seu hino predileto:
*Desvaneçam-se as* *alegrias terrenas,*
*Jesus é meu!*
*Rompam-se todos os laços afetivos,*
*Jesus é meu!*
*O deserto é sombrio,*
*Na terra não há lugar de descanso.*
*Só Cristo pode dar-me felicidade.*
*Jesus é meu"*
A Universidade Taylor estava se preparando para a solenidade de lançamento da pedra fundamental de sua nova sede, em Upland. A direção de ferrovias estava programando trens especiais para levar os interessados em assistir ao grande evento. Samuel Morris deveria estar presente pois iria dar uma palavra e cantar um hino. Seria a principal atração das festividades, embora se contasse com a presença de bispo da denominação e de pessoas muito importantes. Então, a morte do rapaz envolveu em grande tristeza toda a comunidade da escola.
Todo mundo tinha no coração grande perplexidade com relação a esse mistério da providência divina, ceifando uma vida tão jovem, que prometia ser uma grande benção para tantos. Será que a fé dele iria acabar em envolta numa sombra de dúvidas?
O corpo de Samuel ficou exposto na capela da Universidade até o dia do sepultamento. Seu caixão foi levado a Igreja Metodista da Rua Berry, da qual era membro, pelas mãos de alunos da escola.
A igreja ficou lotada pela cerimônia fúnebre; e na rua havia centenas e centenas que não conseguiram entrar.
Após o culto , ele foi levado ao cemitério Lindenwoord, sua última morada terrena, e a cerimônia de sepultamento ali também foi assistida por grande multidão.
A primeira lápide do seu túmulo foi doada por uma professora, Harriet Stemen.
Tempos depois, em 1928 , a turma de formandos deste ano mandou erigir um monumento em honra dele, numa colina, onde, na primavera e no verão, ele fica cercado das mais belas flores que a natureza produz.
Passado o choque inicial da tristeza e pesar geral causados pela morte de Samuel, seus conhecidos- mestres, colegas e amigos- começaram a entender o verdadeiro sentido da sua vida e missão.
O plano e o propósito de Deus para a vida dos jovem africano tinham sido mais amplos do que eles tinham em mente. E o Dr Reade expressou bem a ideia quando escreveu o seguinte:
*"Samuel Morris foi um grande mensageiro divino, enviado por Deus à Universidade Taylor. Ele achara que viera aqui para se preparar para ser um missionário entre seu povo. Mas sua vinda tinha por finalidade preparar a Universidade Taylor para a missão que ela deveria realizar no mundo todo. Foi por intermédio dele que essa escola obteve uma visão ampla da necessidade espiritual do mundo. Com isso, ela deixou apenas de ser uma instituição local, para ser mundial.*
No primeiro culto de oração realizado após a morte de Samuel, um jovem se levantou e disse:
*"Neste momento sinto que devo ir para África em lugar dele. Só peço que é assim como a continuação da obra dele caiu sobre minha pessoa, sua fé também venha sobre mim como um manto".*
E esse jovem foi imediatamente imitado por mais dois, que também se apresentaram para ser missionários no campo africano. *E eles foram apenas os primeiros de um grande número de voluntários que se apresentariam.*
Além disso, a morte de Samuel teve outro aspecto positivo.: ampliou sua influência. Tivesse ele retornardo a África, teria ficado totalmente identificado com o povo negro. E nada mais natural, é claro, do que sua própria gente achar nele inspiração e um exemplo de vida.
Mas seu falecimento prematuro, quando era o único estudante negro daquela escola, identificou-se não somente com os da sua raça, mas também com outras raças. Por causa disso, a história de sua grande fé tornou-se uma benção para as pessoas de todas as origens.
*SAMUEL MORRIS*
*1872-1893*
*Príncipe Kaboo*
*Natural da África Ocidental*
***
*Exemplo de Uma Vida Cheia do Espírito Santo*
Resumo do livro Samuel Morris
Via Fabiana Ribeiro.
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