O filósofo e jurista Habermas, a despeito de toda a sua influência da escola de Frankfurt, de origem neomarxista, reconhece a importância da influência religiosa para a sociedade atentando, inclusive, para o risco das fontes de solidariedade entre os cidadãos poderem vir a secar se a secularização da sociedade como um todo "sair dos trilhos".
O filósofo também reconheceu a importância da teologia cristã como parte integrante da genealogia dos direitos humanos.
Ele advoga que uma das maiores contribuições que o pensamento cristão agregou ao desenvolvimento da ideia de direitos humanos é algo fundamental "A transformação da condição de similidariedade com Deus do ser humano em dignidade igual e incondicional de todos os seres humanos é uma dessas transposições preservadoras que, para além dos limites da comunidade religiosa, franqueia ao público em geral, composto também por descrentes e por pessoas de outras religiões, o conteúdo de conceitos bíblicos.
O que observamos, por exemplo, em nosso país é justamente o contrário do que o filósofo propõe. Tomando a exemplo o movimentos cristão Pro Vida, que é hostilizado mesmo apresentando racionalmente dados científicos comprovados pela genética e a embriologia, tais como:
- Que desde a concepção já existe uma vida com material genético distinto do da mãe; comprovando não se tratar de um prolongamento do corpo da mulher;
- Que há um ser humano no ventre da mãe e não um tumor ou um objetivo qualquer;
-Que o bebê dentro da barriga da genitora pode apresentar tipo sanguíneo e fator Rh distintos do sangue da mãe;
- Que se não fosse a cápsula protetora, o bebê seria expulso, como um corpo estranho;
- Que ciências como nutrição, psicologia e educação reconhecem a importância do período intrauterino para a formação do indivíduo fora do útero ( O bebê, mesmo na barriga da mãe, ja tem iniciativa e capacidade de aprendizado que ocorre através de estímulos exteriores, daí, inclusive, a recomendação de fazê-lo ouvir determinadas músicas ou simplesmente conversar com o bebê);
- Que a taxa de suicídios em mulheres que provocam o aborto é seis vezes maior que em mulheres que tiveram seus bebês;
- Que existe o aumento dos índices de depressão e de novos abortos espontâneo decorrente de um aborto provocado, já realizado;
- Que o argumento da mulher de dispor do próprio corpo não é válido, pois ninguém tem o direito absoluto do próprio corpo, lembrando que uma pessoa pode, por exemplo, até ser presa caso comece a se mutilar ou vender os seus órgãos ( se uma pessoa não pode fazer essas coisas com aquilo que efetivamente, faz parte do seu corpo, quanto mais com um bebê no ventre que efetivamente é um ser humano distinto do corpo da mulher).
Apesar de tudo isso, como se tais argumentos fossem irrelevante, mesmo se apresentando todos esses fatos elencados, na maioria das discussões o que vemos não é a tentativa de refutação desses argumentos racionais, mas sim o velho chavão: " não me aborreça com suas crendices". O mais intrigante é que os defensores do "direito" ao aborto são os primeiros a mencionar o termo religião, na atitude patética de tentar descaracterizar e desqualificar a discussão intelectual que se faz necessária.
Livro: A Cristofobia no Século XXI ( Daniel Chagas Torres)
Via Fabiana Ribeiro.
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