Por LEONARDO MELO.
INTRODUÇÃO.
É ingenuidade querer que todas as pessoas do mundo tenham igual oportunidades na vida, e que os Governos dividam o que a Fazenda arrecada como impostos em partes iguais para todos. Não quero ser pessimista, mas também não sou ingênuo, precisamos compreender e é essa nossa proposta neste artigo, que tudo começou lá no Éden, a partir do pecado do primeiro homem, pois, antes do pecado certamente que as relações sociais eram justas, cremos que não haviam desequilíbrios nas relações.
Tudo começa no Livro do Gênesis, após a queda do homem, há uma interferência espiritual descomunal em sua vida, e dessa influência surge a sede de dominar, de ter poder, de subjulgar seu semelhante, consequentemente emerge da natureza humana uma relação soberano-vassalo, e que nós contemplamos claramente a partir do cap. 10.8-11, do Livro do Gênesis, com Ninrode, que foi caçador poderoso diante de Deus, e um dos primeiros a escravizar os homens.
Por conseguinte, a questão da pobreza não é o homem que vai extinguí-la ou resolvê-la, não são os mecanismos governamentais que irão dar um basta nela, nem muito menos a Igreja do Senhor Jesus Cristo, pois a finalidade da Igreja de Jesus na terra, é anunciar as boas novas ao homem caído, é restaurá-lo espiritualmente, através do perdão dos seus pecados. Somos levianos se quisermos usar a Palavra de Deus com tal finalidade, assim como fazem os mentores da “Teologia da Libertação”, os teólogos Leonardo Boff, Frei Betto e Gustavo Gutiérrez.
Em um artigo intitulado : A Teologia da Libertação: Leonardo Boff e Frei Betto, o sociólogo e pensador marxista, Michel Lowy, que é brasileiro e radicado na França define, ou de maneira clara nos faz compreender qual o objetivo fim desta teologia eivada da doutrina marxista, e que só pensa no homem na sua jornada agora, esquecendo que ele tem uma alma, e que um dia todos nós prestaremos contas á Deus, desconsiderando que o homem é antes de ser um ser relacional, social é também espiritual,:
“Podemos datar o nascimento dessa corrente, que poderíamos denominar como "cristianismo da libertação" no começo dos anos 60, quando a Juventude Universitária Católica brasileira (JUC), alimentada pela cultura católica francesa progressista (Emmanuel Mounier e a revista Esprit, o padre Lebret e o movimento "Economia y Humanismo", o Karl Marx do jesuíta J.Y. Calvez), formula por primeira vez, em nome do cristianismo, uma proposta radical de transformação social. Esse movimento se estende depois a outros países do continente e encontra, a partir dos anos 70, uma expressão cultural, política e espiritual na "Teologia da Libertação". O sociólogo em seu artigo, afirma ainda:
“Os dois principias teólogos da libertação brasileiros, Leonardo Boff e Frei Betto, estão, portanto, entre os precursores e inspiradores do altermundismo; com seus escritos e suas palavras participam ativamente nas mobilizações do "movimento dos movimentos" e nos encontros do Fórum Social Mundial. Se sua influencia é muito significativa no Brasil, onde muitos militantes dos movimentos sociais, tais como sindicatos, MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e movimentos de mulheres provêm de comunidades eclesiais de base (CEBs) conhecidas na Teologia da Libertação, seus escritos também são muito conhecidos entre os cristãos de outros países, tanto da América Latina quando do resto do mundo”.(LOWY. 2008. Adital).
Compreendemos nitidamente que os teólogos católicos da teologia da libertação e todo seu sistema religioso, não estão preocupados com a alma do homem, seu ser, enquanto criado por Deus, mas em nome de uma luta de contexto social-político quer liberta-los das amarras da pobreza e da opressão imposta pelo sistema opressor capitalista. É essa a visão de (SUSIN. 2013. Pg. 1679) “A teologia da libertação nasceu ecumênica, mas na periferia das Igrejas. Nasceu também com um caráter público e político, com interlocução social, mas na periferia do Ocidente. Nasceu de intelectuais das Igrejas em exílio político, mas foi precedida por movimentos sociais, especialmente movimentos de alfabetização e de direitos humanos”.
CONTEXTO TEOLÓGICO DA SALVAÇÃO.
Ante os textos mencionados, podemos concluir que a Teologia da Libertação não está preocupada com a libertação do pecado na vida do homem, mas, que este enquanto vivo, possa desfrutar de uma vida onde ele possa ter oportunidades iguais aos seus semelhantes afim de que possa viver dignamente aqui na terra, proclamando uma luta pela justiça social. Segundo, Gutiérrez, ele “apresenta a teologia da libertação como uma reconstrução da doutrina da salvação. Uma leitura atenta da obra do teólogo peruano mostra que ele não iguala simplesmente a salvação á libertação econômica. Pelo contrário, Gutiérrez se esforça para explicar que há, na verdade três níveis diferentes de libertação em Cristo: a interpretação tradicional da transformação pessoal e da libertação do pecado; , bem como, a libertação da opressão social e da marginalização, todavia, ele acha que na América Latina, deve se concentrar na libertação social”, (MILLER & GRENZ. 2011. Pg. 175-176).
Os teólogos católicos defensores da teologia da libertação, especificamente Gustavo Gutiérrez, chega ao absurdo de afirmar que há três níveis de libertação em Cristo, uma afirmação herética, que destoa frontalmente daquilo que a Palavra de Deus ensina sobre libertação. Enfim, a Teologia da Libertação enfatiza “A necessidade de se opor as injustiças sociais, quer na forma de pobreza estrutural, racismo ou patriarcalismo, afirmam eles, que ela deve ser uma reflexão concreta aliada a uma “práxis” libertadora, eles defendem em sua teologia que Deus tem preferência pelos oprimidos e que eles tem uma compreensão especial da vontade de Deus”, (MATOS.2008. pg. 256).
O cerne da questão teológica dos católicos adeptos desta teologia é que se preocupam com a libertação da pobreza e opressão do sistema capitalista, e esquecem que o homem, pecou, e que sua vida só terá sentido quando este pecado for expiado.
A verdadeira libertação que o homem experimenta, é a libertação do seu espírito, a libertação verdadeira em Cristo Jesus, se efetua de dentro para fora e nunca de fora para dentro. É oportuno salientar que o pecado se manifesta na vida do homem como uma culpa, uma corrupção em seu ser moral. A opressão econômica e social em que a humanidade está mergulhada já é uma consequência da queda do homem em desobedecer ao seu Criador, são consequências do pecado.
É razoável amentar que a história das religiões dá testemunho da universalidade do pecado, assim como a história da filosofia indica o mesmo fato, e que sugerem a necessidade do homem se reconciliar com seu Criador. Quando o homem pecou, Deus percebeu que o problema gerado no ´Éden, iam além das necessidades sociais do homem, o imbróglio surgido não passavam pelas questões sociais, mas tinham implicações puramente religiosas, de comunhão com o seu Criador, comunhão esta cessada através do pecado, “Porque todos pecaram e destituídos estão da Glória de Deus”, cf. Rm. 3.23. cf. Is. 59.-1-2, Mt. 3.6; Mc.2.7; Lc. 5.24; 7.48; Jo. 8.34, 15.22, 9.41; Rm. 5.12,14; 7.8; I Pe.2.24; I Jo.5.17, 1.9; Tg. 1.15.ss.
Também, devemos entender que os verdadeiros cristãos não tem morada permanente nesta terra, que a missão precípua do cristão não é o acúmulo de bens ou o viver uma jornada nesta terra sem infortúnio, mas desenvolver sua espiritualidade e ser fiel a sua chamada como cristão, precisamos entender que somo peregrinos e forasteiros, cf. Lv. 25.23; I Cr. 29.15; Sl.39.12; Ef. 2.19; Hb 11.13; I Pe. 2.11; ss, porém, não quero afirmar com isso que os pobres, os despossuídos, os descamisados sejam desprezados ou que sejam invisíveis a nós, enquanto, sociedade, mas quero salientar que o Evangelho de Cristo tem como finalidade primeva a salvação do homem, e quando esse homem reconhece que é pecador e se arrepende, então o Dono dos Céus passa a cuidar dele, Êx. 16.1-22; Sl. 23; Mt. 6.25-34; Lc. 12.11; I Pe. 5.7; Fp. 4.11-13; ss, e em certa medida há prosperidade, espiritual e material, porque agora Deus passa a cuidar dele.
Amém.
FONTES.
1. LOWY, Michel. Art.: Teologia da Libertação: Leonardo Boff & Frei Betto. Publicado em 23.10.2008: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=35648(atualmente (o site está em uma nova plataforma: Instituto Humanitas UniSinos- UHU, vinculado á Universidade do Vale do Rio do Sinos/Unisinos-Rio G. do Sul.
2. MATOS, Aderi Souza de. Fundamentos da Teologia Histórica. S. Paulo. Mundo Cristão. 2008. Pg. 308.
3. MILLER, Ed. L. & GRENZ, Stanley J.. Teologias Contemporâneas. S. Paulo. Edições Vida Nova. 2011. Trad. Antivan G. Mendes. 271 pg.
4. Revista Horizonte – PUC Minas Gerais. V. 11. Nº 32. OUT/DEZ 2013.(Mutirão de Revistas de Teologia Latino-Americanas. Art.: Teologia da Libertação: De onde viemos, para onde vamos? (Luiz Carlos Susin. Pg. 1679).
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