Neste pequeno resumo buscamos refutar, à luz das Sagradas Escrituras e de algumas obras de apologistas da teologia cristã ortodoxa, os ensinos e práticas errôneas exercidos pela tradição dos romanistas definida por eles como mariologia, e pelos apologistas como idolatria à pessoa de Maria. Nosso maior objetivo aqui não é afrontar os fiéis da Igreja Católica Apostólica Romana, mas esclarecer os fatos mais obscuros acerca da doutrina sobre Maria, tanto para os leigos quanto para os fiéis da Igreja Romana. Procuraremos mostrar que os líderes católicos romanos estão equivocados no que ensinam. De acordo com as Sagradas Escrituras, seus ensinos são heréticos e conduzem os fiéis à prática da idolatria, distanciando-os de Deus.
Quantas pessoas no mundo, hoje, estão enganadas, ludibriadas prestando culto às coisas criadas pelos homens em vez de prestar culto ao seu próprio criador. O Nosso Senhor diz claramente em sua palavra, quando conversava com a mulher samaritana, que Deus procura adoradores que o adorem em Espírito e em verdade (Jo 4.24) (SANTOS, 2017, p. 41).
Podemos observar que o texto não trata exclusivamente da mariolatria, mas da idolatria em geral. No entanto, vamos nos ater ao problema da mariolatria e de sua refutação bíblica e teológica.
Os ensinos a respeito de Maria são considerados heréticos, porque não condizem com as Sagradas Escrituras. Esta deve ser o principal instrumento de avaliação de conduta e prática do cristão. Nenhum desses ensinamentos sequer é mencionado nas Escrituras, nem mesmo sombras deles aparecem, a não ser pela interpretação forçada de textos isolados feita pelos líderes do catolicismo romano. O mesmo podemos afirmar sobre algum documento da história da Igreja Primitiva nos primeiros cinco séculos.
Todos os ensinos da Mariolatria ou Mariologia (como os romanistas gostam de definir) foram sofrendo evoluções nos séculos subsequentes ao século V, trazendo inclusive características de culturas pagãs condenáveis biblicamente para dentro da igreja, sendo ensinados e praticados por eles e pelos seus principais líderes, chegando à formatação que se tem hoje.
O que a Bíblia diz sobre Maria?
Neste ponto, vamos ter uma visão panorâmica sobre a vida de Maria registrada na Bíblia Sagrada. A intenção aqui não é tratar sobre as minúcias da vida de Maria, até porque a Bíblia não se ocupa disso, mas com a vida de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Quanto à origem do nome de Maria, é um nome de variante hebraica que significa Miriã, conforme afirma Orlando Boyer:
Maria, hb. Miriã: o nome aparece 54 vezes no Novo Testamento e se refere, ao menos, a seis pessoas: 1. Maria mãe do Senhor Jesus. Desposou-se com José, Mt 1.18; Lc 1.27. O anjo Gabriel lhe anunciou o nascimento de Jesus, Lc 1.26-38. Visitou a Isabel, Lc 1. 39-45. Seu cântico, ‘O Magnificat’, Lc 1.46-55. Deu à luz o seu filho primogênito em Belém, Lc 2.14-21. Assistiu a um casamento em Caná, Jo 2.3. Preocupada com ministério de Jesus, Mc 3.31. Jesus, na cruz, entregou-se aos cuidados de João, Jo 19.25-27. A última menção dela, em oração com os Discípulos, no cenáculo, At 1.14 (BOYER, 2012, pp. 346,347).
A Bíblia não relata detalhes sobre a vida ou a morte de Maria. Podemos observar que o foco de onde é citada parte da origem de Maria é, na verdade, a genealogia de Jesus, no Evangelho segundo escreveu Mateus 1.1-17. Esse texto nos mostra que Maria fazia parte da tribo de Judá e que houve várias personagens importantes na história de Israel entre os seus ancestrais. A Bíblia apresenta Maria como uma mulher humilde, noiva de um jovem chamado José. Ela recebeu a visita do anjo Gabriel, que lhe anunciou que seria mãe do Salvador Jesus, mesmo não sendo casada nem tendo conhecido homem (Lc 1.26-28). Depois de certo tempo, cumpriu-se a promessa que Deus lhe fizera através do anjo Gabriel: “Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se juntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo” (Mt 1.18). Podemos observar que o foco não é Maria, mas, sim, Jesus Cristo. Maria estava noiva de José quando recebeu a promessa de que geraria um filho por obra do Espírito Santo, conforme está escrito no Evangelho conforme Lucas 1.26-38.
Segundo o comentário bíblico de Beacon, Maria era prima de Isabel (vol. 6, 2006, p.365), a mãe de João, a qual Maria foi visitar, conforme registrado em no Evangelho segundo Lucas 1.39-45. Assim que Maria recebeu a notícia de que seria mãe, ela foi visitar a sua prima, que já estava grávida de João Batista, aquele que veio para abrir o caminho para o Messias (Lc 1.17). Foi durante esta visita que Maria fez seu famoso cântico “O Magnificat”, exaltando a Deus pela escolha que fizera, reconhecendo a graça divina (Lc 1.51) e Jesus como seu Salvador (Lc 1.47). Este texto é reconhecido pelos católicos romanos como exaltação não de Jesus, mas da humildade de Maria. Como podemos observar, existe uma distorção acerca da interpretação do texto em relação ao seu louvor a Deus e ao seu reconhecimento de que Jesus também era seu Salvador. Isso nos revela que Maria reconhecia sua necessidade de um Salvador e que ela também estava inserida em todo o contexto dos pecadores.
Logo após esse cântico, a Bíblia declara que Maria fiou aproximadamente três meses com Izabel e retornou para casa (Lc 1.56). Depois disso, houve um censo em Israel, e Maria foi com José até Belém fazer o recenseamento. Ao chegar lá, não havia lugar para eles ficarem, e se cumpriu o tempo de Maria dar à luz. Ela O deitou em uma manjedoura, pois não havia encontrado vaga numa estalagem (Lc 2.1-7).
Lucas é o escritor bíblico que mais detalha a vida de Maria. Ele relata que Maria viu os anjos louvarem a Jesus; que ela levou Jesus para ser circuncidado, conforme a lei de Moisés; que recebeu a bênção de Simeão e de sua admiração sobre o que este havia falado sobre Jesus (Lc 2.21-38); e ainda nos fala que Jesus se perdeu de sua mãe no templo e foi procurado por ela e seus parentes.
Depois dessas coisas, a Bíblia só vem relatar a presença de Maria numa festa, nas bodas de Caná (João 2.3), onde Maria fala com Jesus sobre o vinho da festa que havia acabado, dizendo aos homens que fizessem tudo quanto Jesus lhes ordenassem. Já Marcos relata que Maria e a família de Jesus estavam preocupados com Seu ministério, por isso O procuravam (Mc 3. 31)
Passando praticamente todo o ministério de Jesus nos bastidores, sem que houvesse nenhum destaque especial para Maria ou para qualquer outro personagem bíblico que não fosse Jesus, a Bíblia não relata mais nada sobre ela. Maria só vem aparecer novamente na crucificação de Cristo, quando Jesus entrega Maria aos cuidados de João (Jo 19.25-27). Depois dessas coisas, Maria aparece pela última vez na Bíblia em uma oração com os discípulos em Atos dos Apóstolos 1. 14. Depois disso, o que se sabe é através da tradição
Maria sem dúvida exerceu um papel importante na história da humanidade e no ministério de Jesus, no entanto, a Igreja Católica Apostólica Romana e seus líderes a elevou a um lugar que certamente ela mesma não se colocou nem almejou que alguém a colocasse em tal posição. É afirmado na Bíblia que ela era uma pessoa humilde (Lc 1.48) e obediente a Deus e Lhe atribuía honra e glória.
No próximo ponto, abordaremos sobre um dos principais ensinos do catolicismo romano sobre Maria, que está totalmente em aversão ao ensino bíblico e teológico, por isso devemos recusá-lo como uma verdade absoluta, já que somente a Bíblia deve ser a única regra de fé e prática dos cristãos em geral. Toda tradição e ensinamentos devem ter a Bíblia como parâmetro para sua sustentação e elaboração, a fim de que seja genuíno e aprovado por Deus, caso contrário não passará de suposições humanas e heresias.
O único mediador dos homens é Jesus
Não queremos aqui difamar a pessoa de Maria, mas esclarecer algumas ideias errôneas a respeito da mãe do Senhor como, por exemplo, que ela é rainha dos céus, que teve uma imaculada conceição e que é corredentora, entre outros títulos. Mas a Bíblia Sagrada diz o contrário do que ensina a Igreja Católica Apostólica Romana. A Bíblia descarta totalmente as ideias dos romanistas. As Sagradas Escrituras conferem alguns títulos à pessoa de Jesus Cristo. Vejamos alguns deles: “Pois, não temos um sumo sacerdote que não possa compadece-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado” (Hb 4.15). Ainda podemos ver em 1 Tim 6.15: “ A qual a seu tempo mostrará o Bem-aventurado, e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores”. E ainda em Romanos 3.24: “sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus”, entre tantos outros textos. Esses textos afirmam que alguns títulos concedidos a Maria são, na verdade, de Cristo. Pela falta de espaço, trataremos neste ponto especificamente do ensino referente à “mediação” do ponto de vista católico romano, em detrimento do ponto de vista bíblico e teológico, trazendo o que alguns teólogos falam a respeito dessa questão.
Inicialmente precisamos entender por que a humanidade precisa de um mediador. Por causa do pecado, o homem afastou-se de Deus. Isso lhe causou a morte, tanto física como espiritual. O homem perdeu a comunhão com Deus e fez com que todos herdassem o pecado. Mas o Senhor já estava com planos traçados para levantar um Libertador e Restaurador da humanidade conforme a Sua presciência. Podemos conferir essa promessa logo após o homem pecar (Gn 3.15). Este texto aponta literalmente para a pessoa de Jesus Cristo, que viria para resgatar o homem do pecado: “e porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. No entanto, os líderes da Igreja Católica Apostólica Romana atribuem este texto à Maria, colocando-a como a pessoa que esmagaria a cabeça da serpente e seria ferida no calcanhar, atribuindo-lhe o papel de medianeira de todas as graças divinas e corredentora, conforme a principal obra de apologia à adoração a Maria:
Já que Maria é a Mãe e a dispensadora de todos os bens, diz ele, bem pode afirmar que todos os homens, especialmente os que vivem no mundo como devotos da Soberana, juntamente com a devoção de Maria adquiram todos os bens [...]. Quem ama Maria acha todo o bem, acha as graças e todas as virtudes porque ela por sua intercessão lhe alcança tudo quanto lhe é necessário para enriquecê-lo com a divina graça. (LIGÓRIO, 2016, 98).
Em 1 Timóteo 2.5 está escrito: “Porque há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem”. Podemos ver que a Bíblia é clara quando diz que somente Jesus Cristo é o único mediador, a única pessoa que pode fazer este papel. Porém Ligório diz que Maria é “nossa única advogada no céu, a única no sentido da palavra é amante e solícita de nossa salvação (2016, p.162). Para desqualificar alguns textos sagrados, os líderes da Igreja Católica colocam-na acima das Escrituras, definindo-a como a única debaixo de uma autoridade dada por Deus com capacidade de interpretar a Bíblia Sagrada. Os que se opõem a isso são excluídos do meio da comunidade católica. Mas sabemos que agem desta forma para intimidar e convencer as pessoas a continuarem em suas práticas idólatras e enganosas, colocando uma criatura acima do Criador e manchando toda a história do cristianismo. Ainda de acordo com a Bíblia Sagrada, vemos:
Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por maior e mais perfeito tabernáculo, não sendo feito por mãos, isto é, não desta criação, nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção. Porque, se o sangue dos touros e bodes e a cinza de uma novilha, esparzida sobre os imundos, os santificam, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo? E, por isso, é MEDIADOR de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna. (Hb 9.11-15 ARC, 2005. Grifo nosso).
Na Antiga Aliança, um animal se tornava mediador e aplacador da ira divina (Hb 9.12-13), mas na Nova Aliança, Jesus se tornou o Mediador entre Deus e os homens através de Seu sacrifício na cruz. Para Jesus Cristo se tornar Mediador entre Deus e os homens, foi necessário seu sacrifício na cruz, como está escrito na carta aos Hebreus 9.16-17: “Porque, onde há testamento, necessário é que intervenha a morte do testador”.
Um testamento tem força onde houve morte; ou terá ele algum valor enquanto o testador ainda vive? Portanto, de acordo com o texto acima, Cristo está capacitado para ser mediador dos homens para com Deus, pois para isso morreu e ressuscitou. Enquanto Maria nada fez em relação a isso. Não existe nenhuma passagem sequer nas Escrituras que fale sobre algum sacrifício de Maria em prol da humanidade para se tornar mediadora dos homens. É certo que Maria foi uma mulher temente a Deus e obediente a Sua vontade, como podemos ver nas palavras do evangelista Lucas 1.38: “Disse, então Maria: Eis aqui a serva do Senhor; compra-se em mim segundo a tua palavra [..]”. Devemos tomar o exemplo de Maria como uma serva humilde e obediente, mas adorá-la e lhe atribuir tantos títulos só atribuídos às pessoas da Trindade, isso um verdadeiro cristão jamais deve fazer, pois deve ter a Bíblia como sua maior autoridade. Entretanto, veja o que diz Santo Afonso, um dos principais escritores apologistas de Maria: “Sou a defesa dos que a mim recorrem, diz Maria; e a minha misericórdia lhes é um benefício, como uma torre de refúgio. E por isso o meu Salvador me fez medianeira da paz entre os pecadores e Deus” (LIGÓRIO, 2016, p.168).
Como já vimos, a Bíblia não relata nenhum sacrifício que Maria tenha sofrido para merecer ser chamada de mediadora dos homens, nem mesmo na história da Igreja Primitiva. Entretanto os líderes da Igreja Católica Romana interpretam equivocadamente o texto registrado no evangelho segundo Lucas 2.35, que diz: “(e uma espada traspassará também a tua própria alma), para que se manifestem os pensamentos de muitos corações” (ARC, 2005), Eles citam esse texto como defesa do suposto sofrimento que Maria passou em relação ao sacrifício de Cristo, culminando na obra redentora e colocando-a como corredentora da humanidade. Tal teoria recebe apoio dos teólogos da Igreja Católica Apostólica Romana. Dizem eles: “E então ela com suas dores nos proporcionou a vida eterna. Por isso todos podemos chamar-nos filhos das dores de Maria” (LIGÓRIO, 2016, p.47). Para os católicos, não somente o sacrifício de Cristo O coloca como mediador, mas também o sacrifício de Maria em ter aceitado ser mãe Dele a coloca como medianeira, não podendo o Filho ou Deus recusar algum pedido dos seus fiéis.
A Igreja Católica Apostólica Romana ainda se propõe a afirmar e ensinar aos seus fiéis que Maria e Jesus tinham a mesma natureza. Isto é: uma natureza divina e humana. Por isso não há diferença entre a grandeza de Jesus e a de Maria, cada um com sua individualidade, mas ambos possuindo a mesma glória.
Essa teoria mistura-se com outra que abordaremos no próximo ponto, a qual diz respeito ao título de “Mãe de Deus” concedido a Maria, colocando-a como participante de atributos incomunicáveis e exclusivos da Trindade.
Deus é eterno e existe por Si mesmo.
A Bíblia Sagrada não tem a preocupação de provar a existência de Deus, pois isto é um fato consumado que não precisa de comprovação. Ou seja: a existência de Deus é auto-evidente como uma crença natural do homem. Deus é transcendente à existência, ou seja, Ele não passou a existir a partir de algum momento, pois só o que foi criado teve um início. Vejamos o que diz Norman Geisler no livro “Quem Criou Deus?”: “Deus não tem início, Ele não precisa de uma causa de Seu início” (2014, p.23). Isso coloca Deus como algo não criado, portanto, Eterno, sem começo nem fim. Mas como explicar o título atribuído a Maria pela Igreja Católica como a Mãe de Deus? Esse ensinamento será refutado neste ponto através de referências da Bíblia Sagrada e de alguns escritores cristãos a respeito da Doutrina de Deus, que contradizem este falso ensino tão propagado pelos romanistas.
Antes de tudo, devemos esclarecer que o termo Mãe de Deus surgiu de uma discussão teológica a respeito da pessoa de Jesus Cristo no que tange a sua natureza divina e humana, e não sobre o próprio Deus, Criador de todas as coisas. Porém, atualmente, este termo se confunde. A discussão aconteceu em 431, entre Cirilo de Alexandria e Nestório, patriarca de Constantinopla, e recebeu o veredito favorável ao termo Mãe de Deus no Concílio de Éfeso:
O termo usado pelos cristãos era Theotokos, que literalmente é “Portadora de Deus”, por causa das controvérsias Cristológicas da época, para exaltar a deidade absoluta de Jesus. Nestório se posicionou contrário ao uso do termo. O Concílio de Éfeso condenou o nestorianismo e o termo se manteve para destacar a perfeita deidade de Jesus, por ser Jesus o verdadeiro Deus e o verdadeiro homem. O concílio da Calcedônia, 20 anos mais tarde, declarou o termo Theotokos como mãe do Jesus humano. (SOARES, 2011, p.181).
A Igreja Católica Apostólica Romana afirma que Maria foi eleita para ser a Mãe do Divino Verbo. Entretanto, podemos observar que os discursos e ensinos feitos pelos líderes romanistas trazem algo mais que distorcido, afirmando que Maria não é só Mãe de Jesus Cristo, o Verbo de Deus, mas do próprio Deus, o Criador de todas as coisas, esquecendo-se do que está escrito nas Escrituras Sagradas: “Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Sl 90.2). A expressão “eternidade” (hb. olam) refere-se à existência eterna de Deus, que não tem começo nem fim. Um dos grandes problemas para que esses erros continuem acontecendo é que o catolicismo romano se coloca acima das Escrituras Sagradas. Veja o que diz Santo Afonso de Ligório a respeito da maternidade divina de Maria:
Com efeito, não se pode pôr em dúvida que, simultaneamente com o decreto divino da Encarnação, ao verbo de Deus foi também destinada a Mãe da qual devia tomar o ser humano. E essa foi Maria. Ora, em vista da escolha de Maria para Mãe de Deus, convinha certamente que o Senhor, desde o primeiro instante, a adornasse com uma graça imensa, superior em grau à todos os homens e anjos. Pois tal tinha a graça de corresponder à imensa e altíssima dignidade, á qual o Senhor a elevara. Assim, concluem todos os teólogos como S. Tomás. A Santíssima Virgem, diz este, foi escolhida para ser Mãe de Deus e para tanto o Altíssimo capacitou-a certamente com sua graça. Antes de ser perfeita, que a pôs à altura dessa grande dignidade. (LIGÓRIO, 2016, pp. 260,261)
Enfim, a idolatria praticada pelos católicos romanos é gritante no que diz respeito a Maria. Seus ensinos não ficam somente presos às quatro paredes de um templo da Igreja Católica, mas é incentivado nas ruas e nas culturas onde o catolicismo romano predomina. Maria é a pessoa mais cultuada e reverenciada dentro do catolicismo. Essa situação é condenada na Bíblia Sagrada pelo próprio Deus no livro de Êxodo 20 3-5. Os líderes da Igreja Católica Apostólica Romana alegam que não adoram Maria, mas seus atos nos informam que sim. Os que afirmam a adoração a Maria por parte dos romanistas são taxados de hereges por falar isso. Podemos concluir que a causa inicial de alguma coisa deve ser maior que o resultado, portanto, Deus não pode ter Maria como mãe, pois Ele é “causa” maior que Maria. Deus não tem início nem fim.
Maria foi um ser humano exemplar, mas, como ser humano, ela nasceu em pecado como qualquer outra pessoa. Maria foi uma pessoa agraciada por Deus por causa de sua obediência e fé na promessa de Deus, mas a Igreja Católica deturpou a pessoa de Maria, honrando-a acima de toda a humanidade; colocou-a acima da Trindade e impôs a ela atributos e honrarias que certamente ela não gostaria de ter, nem Deus a daria, pois Deus não dá sua glória a ninguém (Is 48.2). Esta nunca foi a sua intenção de Maria. Podemos vê-la orientando os homens nas bodas de Caná: “[...] Fazei tudo quanto ele vos mandar” (Lc 2.5). Portanto, a vontade de Maria nunca foi tomar ou usurpar a glória ou o lugar de Jesus, mas sempre foi a obediência aos princípios divinos e a honra a Deus e ao Seu Filho, reconhecendo sempre que Jesus era o seu Senhor e Salvador.
Por Rafael Félix.
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