domingo, 12 de janeiro de 2020

Os Mártires do Cristianismo Parte II

A MORTE DOS APÓSTOLOS

Depois do martírio de Estêvão, quem padeceu em seguida foi Tiago, o santo apóstolo de Cristo e irmão de João. “Quando esse Tiago,” diz Clemente, “foi trazido para o banco dos réus, quem o trouxe e foi a causa da sua aflição, vendo que ele seria condenado e sofreria a morte, sentiu-se tão comovido em seu coração e consciência que, a caminho da execução, confessou que ele também era cristão. E assim foram conduzidos juntos. Durante o caminho pediu a Tiago que perdoasse o que ele fizera. Depois de ponderar o caso por um instante consigo mesmo, Tiago voltou-se para ele e disse: — Que a paz esteja contigo, irmão — e beijou-o. Os dois foram decapitados juntos, em 36, d.C

Tomé pregou aos pártios, medos e persas, e também aos carmânios, hircânios, báctrios e mágios. Padeceu em Calamina, uma cidade da Índia, sendo morto por uma flechada.

Simão, irmão de Judas e de Tiago, o jovem (que eram filhos de Maria Clopas e de Alfeu), foi bispo de Jerusalém depois de Tiago e foi crucificado numa cidade do Egito no tempo do imperador Trajano. 

Simão, o apóstolo, chamado Cananeu e Zelotes, pregou na Mauritânia, na África e na Bretanha: ele também foi crucificado.


Marcos, o evangelista e primeiro bispo de Alexandria, pregou o evangelho no Egito e lá, amarrado e arrastado para a fogueira, foi queimado e depois sepultado num lugar chamado ‘Bucolus’, sob o imperador Trajano. 

Bartolomeu que também pregou aos indianos e que traduziu o evangelho de S.Mateus para a língua deles. Por fim, em Albinópolis, cidade da grande Armênia, após várias perseguições, foi abatido a bordoadas e depois crucificado. Em seguida, após ser esfolado, foi decapitado. Em seguida, após ser esfolado, foi decapitado.


André, o apóstolo e irmão de Pedro, assim escreve Jerônimo: “André pregou no ano oitenta de nosso Senhor Jesus Cristo aos cítios e sógdios, aos sacas e numa cidade chamada Sebastópolis, agora habitada pelos etíopes. Foi sepultado em Patras, cidadeda Acaia, depois de crucificado por Egéias, o governador dos edessenos. Bernardo e Cipriano mencionam a confissão e martírio do abençoado apóstolo. Baseando-nos em parte no que dizem eles e em parte no que dizem outros escritores, inferimos o seguinte: quando André, por meio de sua diligente pregação convertera muitos à fé em Cristo, o governador Egéias, sabendo disso, dirigiu-se a Patras, no intuito de forçar todos os que acreditavam que Cristo era Deus, com pleno consentimento do senado, a oferecer sacrifícios aos ídolos e prestar-lhes honras divinas. André, achando no início que era bom resistir aos perversos conselhos e atos de Egéias, foi ter com ele e dirigiu-lhe a palavra no seguinte sentido: “que convinha a quem era juiz de homens, primeiro conhecer o seu Juiz que mora no céu e depois de conhecê-lo, E assim, na adoração do Deus verdadeiro, afastar a sua mente dos deuses falsos e ídolos cegos.” Essas palavras disse André ao procônsul.


André, permanecendo firme e constante em suas convicções, respondeu assim sobre o castigo com que fora ameaçado: “Que ele não teria pregado a honra e glória da cruz, se temesse a morte na cruz.” Depois disso, foi pronunciada a sentença de condenação: André deveria ser crucificado, por ensinar e promover uma nova seita e por abolir a religião dos seus deuses. Ao dirigir-se ao lugar do martírio e ao ver ao longe a cruz já preparada, André não mudou nem de semblante nem de cor, seu sangue não se retraiu, a voz não hesitou, o corpo não desfaleceu, a mente não se perturbou, o entendimento não lhe faltou, como sói acontecer com os homens. Sua voz, porém, falou extravasando a abundância do seu coração, e uma ardente caridade mostrou-se nas suas palavras como centelhas de fogo. Disse ele: “Ó cruz, extremamente bem-vinda e tão longamente esperada! De boa vontade, cheio de alegria e desejo, eu venho a ti, discípulo que sou daquele que pendeu de ti: pois sempre fui teu amante e sempre desejei te abraçar.”

Mateus, também chamado Levi, primeiro publicano transformado em apóstolo, escreveu o seu evangelho endereçado aos judeus na língua hebraica. Depois de converter à fé a Etiópia e todo o Egito, Hircano, o rei deles, mandou alguém transpassá-lo com uma lança. Filipe, o santo apóstolo, depois de muito ter trabalhado entre nações bárbaras pregando-lhes a palavra da salvação, no fim padeceu em Hierápolis, cidade da Frígia, onde foi crucificado e apedrejado até a morte. Lá mesmo foi sepultado, juntamente com suas filhas.

Tiago irmão do Senhor, assumiu o governo da Igreja com os apóstolos, destacando-se entre todos os homens, desde o tempo de nosso Senhor, como alguém justo e perfeito. Não tomava vinho nem bebida alcoólica e não comia alimento algum de origem animal.
A navalha nunca lhe tocou a cabeça. A ele somente era permitido entrar no recinto sagrado do templo, pois não se vestia com roupas de lã, mas apenas de linho. Costumava entrar a sós e lá, caindo de joelhos, pedia perdão para o povo. Assim, pelo fato de se ajoelhar com tanta freqüência para adorar a Deus e implorar perdão para o povo, seus joelhos perderam o sentido do tato e ficaram entorpecidos e ásperos como os de um camelo. Ele foi, pela excelência de sua vida justa, chamado de “o Justo” e “a salvaguarda do povo.”
Por isso, quando muitos dos seus homens importantes passaram a crer, houve um tumulto provocado pelos judeus, escribas e fariseus, os quais diziam: “Corre-se o perigo de que todo o povo venha a considerar Jesus como o Cristo”.
Reuniram-se, portanto, entre si e disseram a Tiago: “Nós te imploramos para refrear o povo, pois as pessoas Creem em Jesus como se ele fosse Cristo. Nós te rogamos para persuadir a todos os que vieram para a festa da Páscoa a pensarem corretamente sobre Jesus. Pois todos prestam ouvidos a ti e todo o povo atesta que tu és justo e que não aceitas a pessoa de qualquer homem. Portanto, persuade o povo para que ninguém seja enganado a respeito de Jesus, pois todo o povo e até nós mesmos estamos dispostos a obedecer-te. Por isso, fica de pé sobre o pináculo do templo, para que possas ser visto no alto e tuas palavras possam ser ouvidas por todos, pois todas as tribos e muitos gentios se  reuniram para a Páscoa”. E assim os referidos escribas e fariseus puseram Tiago sobre as ameias do templo e dirigindo-se a ele gritavam: — Tu, homem justo, a quem todos nós devemos obedecer, este povo está se perdendo seguindo Jesus que foi crucificado. E ele em voz alta respondeu: — Por que me perguntais sobre Jesus, o Filho do Homem? Ele está sentado à mão direita do Altíssimo e virá sobre as nuvens do céu.

Então os escribas e fariseus diziam uns aos outros: — Agimos mal ao provocar esse testemunho de Jesus. Vamos subir até ele e atirá-lo para baixo, para que outros, tomados de medo, venham a negar a fé. — E puseram-se a gritar dizendo: — Ei, cuidado! Esse homem também foi seduzido. — Por isso, subiram ao pináculo do templo a fim de atirá-lo lá do alto. Todavia, ele não morreu com a queda, mas, virando se, pôs-se de joelhos dizendo: — Ó SenhorDeus, Pai, eu te suplico para perdoá-los, porque não sabem o que fazem. — E eles disseram uns aos outros: — Vamos apedrejar Tiago, o homem justo. — E o conduziram para castigá-lo com pedras. Mas enquanto o apedrejavam, um sacerdote lhes disse: — Parem! Que estais fazendo? O homem justo orou por vós. — E um dos circunstantes, um pisoador, apanhou o instrumento que se usava para bater e apertar o pano e com ele golpeou o homem justo na cabeça,e assim terminou o seu testemunho. Sepultaram-no naquele mesmo lugar. Ele foi uma verdadeira testemunha de Cristo para os judeus e os gentios.



A primeira das dez perseguições foi desencadeada por Nero por volta do ano 64 do Senhor. A tirânica fúria desse imperador foi cruel contra os cristãos, “a ponto de conforme registra Eusébio — encher cidades de cadáveres humanos, mostrando velhos jazendo ao lado de jovens e corpos de mulheres abandonados nus no meio da rua sem respeito algum por seu sexo.” Muitos houve entre os cristãos daqueles dias que, vendo as obscenas abominações e a intolerável crueldade de Nero, julgaram que ele era o anticristo.

Nessa perseguição, entre muitos outros santos, o abençoado apóstolo Pedro foi condenado à morte e, segundo alguns relatos escritos, foi crucificado em Roma; muito embora alguns outros, e não sem motivo, duvidem disso. Hegessipo diz que Nero procurava fatos contra Pedro para condená-lo à morte. Quando o povo percebeu isso, rogaram a Pedro, com muita insistência, para que ele fugisse da cidade. Pedro no fim foi persuadido pelos importunos pedidos e preparou se para a fuga. Porém, ao chegar ao portão da cidade, viu o Senhor Jesus Cristo vindo ao seu encontro, a quem Pedro, adorando, disse: — Senhor, para onde vais tu? — Ao que Ele respondeu dizendo: — Estou voltando para ser crucificado. — Assim Pedro, percebendo que com essas palavras o Senhor se referia ao martírio do qual ele estava fugindo, voltou para a cidade. Jerônimo diz que ele foi crucificado, com a cabeça para baixo e os pés para o alto a pedido dele mesmo porque era — disse ele — indigno de ser crucificado do mesmo modo e jeito como o fora o Senhor.

Paulo, o apóstolo, que antes se chamava Saulo, depois da sua grande luta e trabalhos indizíveis na promoção do evangelho, padeceu também durante essa primeira perseguição de Nero. Abdias declara que, para a sua execução, Nero enviou dois de seus escudeiros, Ferega e Partêmio, para lhe comunicar a notícia de sua morte. Eles, quando chegaram e o viram ensinando ao povo, pediram-lhe que orasse por eles a fim de que pudessem vir a crer. Paulo lhes disse que em breve eles passariam a crer e seriam batizados sobre o seu sepulcro. Depois disso, os soldados se aproximaram e o conduziram para fora da cidade até o lugar da execução, onde ele, após fazer as suas orações, entregou o pescoço à espada.

Série mártires do Cristianismo Parte II

Compilação: Eziel Ferreira

Nenhum comentário:

Postar um comentário