sábado, 1 de fevereiro de 2020

Homens e Mulheres na Perspectiva Bíblica

(A  questão da liderança - Distinções honradas e valorizadas)


Embora pareça a cultura popular e  acadêmica que a narrativa bíblica, quando lida superficialmente, é um tanto hostil  no que respeita a ideia de igualdades  e diferenças nos papeis relacionais entre homens e mulheres, vemos que Deus entendeu que o modo como ele criou as coisas "era muito bom".   Ainda que alguns digam que não seja justo que ao  homem tenha sido atribuída a função de liderança no casamento/família, Deus estabeleceu esse modelo desde o princípio da existência humana, e a ordem da sua criação é vista cheia de belezas , quando compreendida. O  modelo divino revelado nas Escrituras  honram e resguardam ambas as partes de abusos e encorajam cada um a exercitarem seus dons e inteligência no que foram concedidos para serem compreendidos e vivenciados.

Princípios bíblicos  quanto ao papel de liderança do homem:

A ordem da criação : A ordem da criação não é um detalhe sem valor, antes estabelece um importante precedente bíblico.
 O homem ( Adão) foi criado primeiro e a  mulher ( Eva) foi criada em segundo lugar ( Gn 2.7 18-23). Isso se evidencia quando o Apostolo Paulo usa o  fato de que "primeiro, foi formado Adão, depois, Eva" ( 1 Tm 2.13) como razão para que homens e mulheres cumpram  diferentes papeis.

 A representação: Era Adão e não Eva, que tinha o papel especial de representar a raça humana. Embora Eva tenha pecado antes de Adão ( Gn 3.6), a Bíblia nos diz:" como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo" ( 1 Co 15.22, veja também 1 Co 15.45-49 e Rm 5.12-21). Somente Adão é que representara a raça humana em razão do papel particular de liderança que Deus lhe concedeu.

 A nomeação da mulher: Adão não apenas foi criado antes de sua mulher, mas recebeu também a responsabilidade de lhe dar um nome: " Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada ( Gn 2.23 - NVI). Em função do contexto maior da atividade de nomeação em Gênesis 1 e 2, os leitores originais reconheceriam que o encarregado da responsabilidade de nomear as criaturas  é sempre de quem tem autoridade sobre elas. Vê-se isso quando Deus nomeia as diferentes partes de sua criação em Gênesis 1 e 2, e quando os pais dão nome aos filhos ( veja,p. ex.; Gn 4.25,26; 5.3-28,29; 16.15; 19.37.38; 21.3)

 A nomeação da raça humana:  Gênesis 5.1,2 registra quando Deus nomeou a raça humana: " Deus criou homem, à semelhança de Deus o fez; homem e mulher os criou. Quando  foram criados, ele os abençoou e os chamou Homem" ( Gn 5.1,2- NVI). Como vimos ambos foram criados por Deus, portanto ambos tem igual valor e importância. Mas Deus quando decidiu nomear a raça humana, escolheu um termo distintamente masculino ( no contexto de Gn 1-5) - Deus ao denominar a "raça de homem", sussurrou a liderança masculina".

A responsabilidade primária:  Foi a Adão a quem Deus primeiro chamou para que lhe prestasse contas depois que ele e Eva pecaram. " Chamou o Senhor Deus ao homem e lhe perguntou Onde estás?" ( Gn3.9). Deus ao fazer isso , mostrou que Adão, como líder, tinha a responsabilidade primária por sua família, apesar disso a serpente falou primeiro com Eva e ela ter pecado primeiro ( Gn 3.1-6).

Princípios bíblicos  quanto a criação da mulher:

O propósito: Quando Deus criou Eva, ele a criou para ser a auxiliadora de Adão. "Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só ; far-lhe- ei  uma auxiliadora que lhe seja idônia" ( Gn 2.18). Embora uma "auxiliadora" possa assumir diversas funções em termos de liderança, o contexto mais amplo indica  uma auxiliadora, que, em virtude da criação, tem nessa relação um papel de menor autoridade. Contudo, "auxiliadora" não significa alguém que seja inferior, pois o próprio Deus  é muitas vezes chamado na Bíblia  de nosso  "auxiliador"(Sl 33.20; 70.5; 115.9), mesmo quando somos responsáveis finais pelas tarefas. Além disso, a palavra traduzida por "idônea" significa "alguém que o auxilie e lhe corresponda", isto é igual e adequada a ele.

O conflito:  O pecado trouxe o conflito  no interior do relacionar entre Adão e Eva, ao distorcer os papéis que Deus estabeleceu para eles. Não criou papeis novos, apenas tornou os já existentes mais difíceis de serem cumpridos. Quando Deus em juízo , falou com Eva depois da Queda, ele disse "teu desejo será para o teu marido, e ele te governará" ( Gn 3.16). Uma frase semelhante que usa a mesma e rara hebraíca traduzida por "desejo" encontra-se em Gênesis 4.7, quando Deus diz a Caim: "o pecado jaz a porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo". Nos dois casos a palavra "desejo" ( hebraico teshûqah) denota provavelmente um "desejo de conquistar ou dominar sobre"(não desejo sexual, como creem alguns).  A palavra traduzida por governará, revela não uma liderança entre iguais.

 A restauração: A boa nova é que Jesus  quando veio, veio para trazer restauração. Em Colossenses 3.18,19 vemos Paulo explicando uma decorrência de Gênesis 3.16 "Esposas, sede submissas ao próprio marido , como convém no Senhor.  Maridos amai vossa  esposa e não a conduzisse com dureza - Isto é, que Adão e Eva tivessem o mesmo relacionamento antes da Queda.

O mistério: Embora não fosse do conhecimento de Adão e Eva, o relacionamento deles antes da Queda representava o relacionamento de Cristo e sua Igreja. É por isso que Paulo, ao escrever sobre a relação conjugal , cita o mandamento dado por Deus em Gênesis 2: " Eis por que deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e a igreja"( Ef 5.31,32).
Agora,  a relação entre Cristo e a Igreja não varia com a cultura. É a mesma para todas gerações. Não é reversível. Há um papel de liderança ou governo que pertence a Cristo e não à Igreja.

O paralelismo com a Trindade:  Assim como na Trindade há igualdade, diferenças e unidade entre Pai, Filho e Espírito Santo, também no casamento há igualdade, diferenças e unidade que refletem o relacionamento da Trindade. As diferenças entre Adão e Eva antes da Queda refletem as diferenças entre o Pai e o Filho na Trindade, conforme especifica o Apóstolo Paulo em 1 Co 11.13: " Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo".

 São maravilhosas expressões determinadas por Deus para refletir a igualdade, a diferença e a unidade que Ele estabelecera entre homens e mulheres. Aspectos extraordinários que, quando conhecidos, refletem a sabedoria de Deus quando criou homens e mulheres tão maravilhosamente iguais em tantos aspectos e encantadoramente diferentes em muitos outros. 

Livro: Confrontando o Feminismo Evangélico- Respostas bíblicas a questões cruciais/ Wayne Grudem

Compilado por Fabiana Ribeiro.

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