O batismo é uma doutrina Bíblica que foi ensinada pelo Senhor Jesus, os apóstolos e ainda a igreja primitiva de modo geral. Um dos sinais de um converso, era seu desejo de batizar-se, vemos esta realidade diante do episódio em que Felipe se depara com um Eunuco etíope, após a explanação do texto em que lia o homem e compreendendo a mensagem, este sentiu o desejo de ser batizado, como símbolo de sua conversão. Então esta doutrina tem respaldo nas Escrituras, por este motivo até nossos dias a igreja cristã preserva este ensino, batizando todos os que desejam após se arrependerem de seus pecados. Uma ressalva, é que todos os candidatos precisam estar vivos para serem batizados; parece algo lógico esta afirmativa, mas se algum grupo, auto intitulado cristão, promovesse o ensino de que seria possível batizar os mortos, estaria correto? É possível batizar os mortos para a salvação? Há base Bíblica para esta doutrina? A resposta é não, nenhum amparo existe na Biblia para o batismo pelos mortos, que é uma das heresias defendidas dentro do mormonismo.
Quem escutar este ensino, certamente irá remetê-lo ao catolicismo, que de acordo com Raimundo de Oliveira (1987, p.13) esta prática deu-se inicio por volta do século IV da nossa era cristã. Todavia não estamos tratando deste grupo heterodoxo, mas do Mormonismo, que ensina que após a morte, embora não havendo o homem entregue sua vida a Cristo, poderá obter a salvação graças ao batismo por procuração, que é realizado pelos esforços de seus parentes, que possuem a obrigação de identificar seus mortos, a fim de que recebam o perdão de seus pecados; negar realizar tal missão poderá implicar em problemas para sua própria salvação, assim falou Smith: “Essa doutrina dá a conhecer de uma forma muito clara a sabedoria e misericórdia de Deus em preparar uma ordenança para salvar os mortos, possibilitando-lhes receber o batismo por procuração, e assim seus nomes podem ficar escritos no céu, julgados de acordo com suas obras na carne. Essa doutrina é a mensagem das Escrituras. Os membros da Igreja que negligenciam este dever em favor dos seus parentes mortos põem em perigo a si próprio ” (“Ensinamentos do Profeta Joseph Smith”, edição 1975 – p. 188).
As ordenanças pelos mortos, são de tão grande relevância no Mormonismo, que sua negligencia é algo que não deve sequer passar na mente do mórmon, pois sua maior responsabilidade aqui na terra é justamente esta observância, de acordo com Smith: “Devemos assegurar-nos que sejam realizadas as ordenanças no templo, tanto para nós como para nossos ancestrais...nossa maior responsabilidade neste mundo é identificar nossos ancestrais e ir ao templo em seu beneficio” (Ensinamentos do profeta Joseph Smith, p.355). Esta doutrina tem um peso tão considerável, dentro desta seita, que as demais obras realizadas por seus fieis, como por exemplo, o “evangelismo” (os mórmons são conhecidos por enviarem missionários pelo mundo), não possui a mesma importância que a ordenança pelos mortos, conforme seus ensinos: “Alguns podem pensar que, se pagam o dizimo...passam um, dois ou mais anos pregando o evangelho ao mundo, serão liberados desta responsabilidade. Porém, o maior e mais importante de todos os deveres é a realização das ordenanças pelos mortos” (Princípios do evangelho, Ed. 1988 – p.248).
Das varias doutrinas pertencentes ao mormonismo, algumas que lhes são exclusivas, a doutrina pelo batismo dos mortos, aparentemente era a preferida de Smith; quando se referia à este ensino ele expressou: “A maior responsabilidade neste mundo que Deus nos impôs é a de buscar os mortos...È o mais glorioso de todos os assuntos pertencentes ao evangelho” (Doutrinas de Salvação, volume II, Ed. 1976, p.146).
Gostaria de chamar a atenção para mais uma contradição encontrada no mormonismo, embora esta doutrina seja ferrenhamente defendida e difundida pelos mórmons, ela não consta em sua principal literatura, a saber, o Livro de Mórmon, pois na verdade, este livro que é considerado sagrado, refuta a idéia de salvação após a morte: “Virá a noite tenebrosa, durante a qual nenhum labor será executado. Pois que, nesta vida, nesta vida é o tempo que o homem tem para o encontro com Deus…Como vos disse antes...peço-vos, portanto, que não deixeis o dia do arrependimento para o fim... Não podereis dizer quando fordes levados a esta terrível crise: eu me arrependo, o que me fará voltar a Deus...Porque se protelardes o dia de vosso arrependimento para o dia de vossa morte, eis que vos terei submetido ao espírito do diabo, que vos tomará como coisa sua” (Alma 34.32-35 Livro de Mórmon, Ed. 1951 – pp. 337,338). Se sua própria literatura não acredita na salvação após a morte, por meio do batismo realizado pelos vivos, como pode esta doutrina ser verdadeira?
Não existe mais nada a fazer após a morte, os que descem a sepultura não poderão mais receber qualquer tipo de intercessão ou sacrifício, pois restará apenas aguardar o juízo divino. Esta verdade está amparada por diversos Textos, mencionados nas Escrituras, vejamos abaixo:
Da mesma forma, como o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo (Hb 9.27).
Assim como a nuvem se desfaz e passa, assim aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir. Nunca mais tornará à sua casa, nem o seu lugar jamais o conhecerá (Jó 7.9,10).
Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco eles têm jamais recompensa, mas a sua memória ficou entregue ao esquecimento (Ec 9.5).
Se seus filhos são homenageados, ele não fica sabendo; se são humilhados ou caem em desgraça, ele nada vê nem percebe (Jó 14.21).
Se a responsabilidade de buscar aos mortos fosse de fato uma doutrina Bíblica, certamente haveria a menção de Jesus orientando seus discípulos, ou ao menos alguma passagem escrita por Paulo orientando as igrejas, no entanto não existe nenhuma notificação nas páginas das Escrituras que embasem esta doutrina, o que nos leva determinar que este pseudo ensino não passa de um delírio, oriundo do coração dos homens, uma vez que está discordância com a Palavra de Deus.
Por
Edson Moraes
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