Hoje não se fala em nenhuma outra coisa no Brasil e no mundo que não seja o “coronavírus”. Alguns jornais e sites já chegaram a publicar em 18/03/2020 que no Brasil já existem cerca de 428 casos confirmados do novo coronavírus, dados esses fornecidos pelo Ministério da Saúde. Além dessas informações, o balanço federal já registrou quatro mortes por causa do Covid-19. Diversas outras epidemias do século XXI dizimaram milhares de pessoas em diversos países e continentes, por exemplo:
• O Ebola na África Ocidental (2013-2016), deixando um saldo de 11.300 mortos;
• A Gripe A (H1N1) (2009-2010), deixando um Saldo de 18.500 mortos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Entretanto a revista médica Lancet estima o número de mortes entre 151.700 e 575.400;
• Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) (2002-2003) deixando um saldo de 774 mortos;
• A Gripe Aviária (2003-2004) deixando um saldo de 400 mortos.
Agora em 2020 o mundo está em choque por causa dessa pandemia comumente chamada de “coronavírus”. Seria o “coronavírus” um sinal do fim dos tempos? Sim, claro que sim. Essa epidemia ou como está sendo chamada “pandemia”, encaixa-se dentro do termo “pestilências” citado por Jesus em (Lc 21.11 e Mt 24.7).
O texto a seguir, é de extrema importância para os estudiosos da Palavra de Deus. Embora ele não seja tão atual e não cite as últimas epidemias do século XXI, algumas delas já citadas resumidamente acima por mim, acredito que a leitura do mesmo é de grande relevância para todos aqueles que gostam de estudar os sinais do tempo do fim.
“Haverá... pestilências em vários lugares...” Lc 21.11; Mt 24.7
Desde os mais remotos tempos, existem doenças infectocontagiosas que se apresentam de forma endêmica e epidêmica. Dizemos que uma doença infectocontagiosa é endêmica numa determinada região se há uma prevalência dessa doença nessa região mais ou menos constante ao longo do tempo. Se o número de novos casos dessa doença aumentar na determinada região em um intervalo de tempo específico, ou surgirem casos onde não havia ocorrência da doença, teremos o que se denomina epidemia.
Os dois conceitos são relativos para uma determinada região num determinado intervalo de tempo. Portanto, se tivermos apenas três casos de uma doença, como a poliomielite por exemplo, em uma região onde não se registrava nenhum caso há muito tempo, estaremos diante de uma epidemia dessa doença. Por outro lado, se registrarmos 500.000 novos casos de malária em um ano, em uma determinada região onde esse tem sido, aproximadamente, o número de casos ocorridos todos os anos, diremos que a malária é endêmica nessa região, mas que não houve uma epidemia dessa doença no referido ano.
Em toda a história da humanidade, as doenças infectocontagiosas sempre existiram e se fizeram presentes nas comunidades urbanas e rurais. Doenças como caxumba, coqueluche, cólera, difteria, febre amarela, hepatite, influenza, malária, peste (bubônica e pneumônica), poliomielite, rubéola, sarampo, tifo, tracoma, tuberculose, varicela, varíola e outras mais raras se apresentavam ao longo dos séculos em epidemias ora mais, ora menos agressivas. Contribuía para isso, a falta de saneamento básico e o estado imunológico das populações. Como a capacidade imunológica das pessoas sofre influência das condições de vida, fundamentalmente a qualidade da alimentação diária, observamos uma íntima relação entre fome e epidemias ao longo da história.
Outro fator muito importante para a propagação das epidemias eram as guerras, principalmente as guerras de invasão, pois os exércitos levavam consigo agentes infecciosos de uma região para outra disseminando-os. Por outro lado, a partir do declínio do Império Romano e por mais de mil anos, a insegurança forçava a construção de castelos fechados no campo, e as cidades ficavam cada vez mais compactas para facilitar a defesa. Isso aumentava muito a probabilidade de disseminação de um agente infeccioso na comunidade devido à proximidade entre os portadores do agente e os indivíduos sãos. Tudo isso se agravava sob as condições adversas do inverno em latitudes mais elevadas, onde, pela ausência de meios eficazes de combater o frio, as pessoas tendiam a ficar mais próximas umas das outras.
Esta profecia também se referia a algo distante da realidade vivida pelos discípulos e seus contemporâneos porque, apesar da existência das doenças endêmicas tradicionais como, por exemplo, a lepra, não havia o registro de uma grande epidemia na Palestina há mais de meio século. Milhares de vezes, em muitos lugares, o número de pessoas que adoeceu por moléstias infectocontagiosas aumentou progressivamente caracterizando as epidemias e, muitas vezes, esse aumento foi tão intenso que acabou determinando as grandes epidemias.
Quando uma grande epidemia se alastrava em uma extensão geográfica que incluía várias nações em várias partes do mundo, tínhamos o que se denomina pandemia. Para este fenômeno, a contribuição dos longos períodos de fome foi importante. As três pandemias mais importantes dos últimos dois milênios da história da humanidade ocorreram nos séculos VI, XIV e XX.
Desde a época da geração seguinte a de Jesus, vieram ocorrendo inúmeras epidemias que dizimavam dezenas, e às vezes, centenas de milhares de pessoas ao longo dos séculos até que, em 542, mais de cinco séculos após o Sermão Profético, ocorreu uma das mais importantes pandemias da história. Conhecida como a "Peste de Justiniano", foi de extrema virulência (capacidade do germe de causar doença) e alto índice de mortalidade, e se alastrou por todo o Mediterrâneo, pela Gália e pela Germânia. Só na cidade de Constantinopla, atual Istambul, morreram aproximadamente 230 mil dos 400 mil habitantes em apenas quatro meses. O quadro clínico apresentava-se com febre e prostração seguidas pela inflamação dos gânglios linfáticos (bubões ou ínguas nas virilhas, axilas, coxas e próximo das orelhas) que, quando drenados, revelavam um odor fétido. Na evolução surgiam as pústulas negras pelo corpo e a febre se intensificava levando ao coma e à morte.
Cinco anos mais tarde, uma misteriosa epidemia nas ilhas britânicas dizimou dois terços de toda a população, inclusive o seu rei. Ficou conhecida com a “Praga Amarela”, pela cor da pele das vítimas, no século seguinte, as ilhas britânicas sofreriam mais uma grande epidemia de Praga Amarela e outras três de peste. Este fato teve influência determinante na história da Inglaterra.
Inúmeras epidemias se sucederam ao longo dos séculos seguintes até que, no século XIV, ocorreu a mais terrível pandemia da história. Foi a maior de todos os tempos em índice de mortalidade. Começando na Ásia, em 1347, e se alastrando para a Europa pelos portos do Mar Negro e do Mediterrâneo, a “Peste Negra” ou “Morte Negra”, como ficou conhecida devido à alta incidência de hemorragias, era transportada por pulgas de ratos dos portos e porões dos navios. A doença se apresentava de duas formas: a peste bubônica (reconhecida pela inflamação dos gânglios linfáticos) e a peste pneumônica que levava à hemorragia pulmonar fulminante, fazendo as vítimas se sufocarem no próprio sangue.
O desespero que a peste produziu levava as pessoas a se manterem trancadas em suas casas ou cabanas vivendo reclusas com medo de se infectarem. Não se sabia qual era a causa, nem como ocorria a contaminação. Famílias, devido ao pânico, rejeitavam seus doentes e os mortos eram enterrados em valas comuns ou deixados nas ruas, a agricultura ficou paralisada e o gado, abandonado no campo.
Em 1349, surgiram os “Irmãos Flagelantes”, homens encapuzados que usavam mantos brancos com uma cruz vermelha estampada na frente e outra nas costas, que peregrinavam de cidade em cidade realizando rituais públicos de autoflagelação. Por acreditarem que a peste era uma punição pelo pecado, açoitavam-se com chicotes com pregos para que o sangue jorrasse da pele, demonstrando assim o “arrependimento da humanidade”.
A pandemia matou mais pobres do que ricos e mais a população urbana do que a rural. A taxa de mortalidade era extremamente elevada. Estima-se que a Peste Negra tenha feito 23 milhões de vítimas na Ásia e 25 milhões, na Europa. Dizimou um quarto da humanidade, segundo alguns pesquisadores, e um terço, segundo outros. A Espanha, por exemplo, perdeu metade de sua população. A pandemia provocou um grande atraso no desenvolvimento dos países e contribuiu para uma maior tendência ao fanatismo, ao misticismo e à superstição.
A Peste Negra apresentou recorrências a cada 10 ou 15 anos durante meio século e, depois, voltou a causar muitas outras epidemias nos séculos seguintes, mas em proporções menores e em limitadas extensões geográficas. No final do século XV, surgia uma nova doença na Europa. Conhecida como a "Peste Francesa", a sífilis se alastrou depois que o exército de Carlos VIII da França sitiou Nápoles em 1494. Acreditavam que era um castigo pela promiscuidade sexual, pois as primeiras manifestações da doença se apresentavam como chagas nas “vergonhas”. Como não havia tratamento eficaz, a doença evoluía levando muitos a sequelas graves e à morte.
Ao longo dos séculos, continuaram a ocorrer grandes epidemias de malária, febre amarela, varíola, tifo, coqueluche, gripe, difteria, sarampo, poliomielite e peste. Essas epidemias se revezavam quanto à época e à região acometida. Assim, durante a “Guerra dos Trinta Anos”, por volta de 1630, ocorreu, entre outras, uma nova epidemia de peste bubônica que causou a morte de aproximadamente um milhão de pessoas no Norte da Itália e Sul da França.
Em 1830, chegou à cólera, uma doença desconhecida pelos europeus até 1817. Vindo da Ásia, onde doença era endêmica há séculos, o cólera dizimava as populações, principalmente urbanas, e tinha preferência pelos mais pobres. A aparência das vítimas era assustadora pois, em poucos dias, a diarreia profusa levavam-nas a uma desidratação tão intensa que pareciam esqueletos recobertos de pele. A mortalidade era muito alta pois não havia como compensar a grande perda de líquidos pelo organismo.
As epidemias continuaram a se suceder até que, em 1918 e 1919, ocorreu outra terrível pandemia, a “Gripe Espanhola”. Foi a maior pandemia da história em número de pessoas acometidas. Estimativas referem cerca de um bilhão de doentes. A estimativa de mortos é bem imprecisa, variando entre 20 e 40 milhões em todo mundo. Agravada pelas condições do fim da Primeira Guerra Mundial, a pandemia matou mais do que a própria guerra. O mundo viveu um período de pânico generalizado, pois as pessoas podiam acordar pela manhã com um aspecto saudável e estarem mortas à noite. A evolução do quadro clínico era dramaticamente fulminante. Milhares de pacientes que sobreviveram ficaram com sequelas neurológicas graves.
Em 1920, houve uma grande epidemia de tifo na Rússia e, somente nesse ano, morreram 3,5 milhões de pessoas. Desde então, as epidemias continuaram a se repetir, sendo progressivamente menos intensas e se restringindo cada vez mais aos países sub desenvolvidos, onde as medidas de prevenção e contenção das epidemias não evoluíram como nos países desenvolvidos. A medicina, no século XX, conseguiu grandes vitórias no que se refere às doenças infectocontagiosas, pois, com o desenvolvimento de vacinas e antibióticos, pôde prevenir ou tratar a maioria delas, evitando a morte de, provavelmente, centenas de milhões de pessoas, principalmente ao longo das últimas seis décadas.
O melhor exemplo de vitória da medicina sobre as doenças infectocontagiosas foi o que ocorreu com a varíola, doença que, por milênios, foi um flagelo para a humanidade. Transmitida pelo ar, a varíola foi responsável por devastadoras epidemias ao longo da história. Em seu auge na Europa, no século XVIII, a varíola matou milhões de pessoas, em sua maioria crianças. Alguns pesquisadores acreditam que a varíola foi a doença que mais matou em toda a história da humanidade, mais até que a Peste Negra. Após anos de vacinação em massa, em 1979, a Organização Mundial da Saúde declarou a varíola uma doença erradicada do planeta.
Várias epidemias, ao longo da história, ficaram registradas como de causa desconhecida, até que uma nova epidemia surgiu há duas décadas, a AIDS, que em pouco tempo teve seu agente causador descoberto. No princípio todos ficaram muito alarmados pois, em poucos anos, a doença se transformou em uma pandemia com uma curva de crescimento que revelava uma progressão geométrica em vários países no mundo. Com as campanhas de prevenção, conseguiu-se um controle relativo dessa epidemia na maioria dos países e, com o advento dos medicamentos antivirais, o prognóstico das vítimas tem melhorado muito, porém, em países pobres, esse benefício da ciência tem chegado de forma muito escassa. Em razão disso, atualmente, a epidemia de AIDS tem matado menos nos países ricos e mais nos países pobres sendo que, em alguns destes, principalmente na África, pela falta de uma política de prevenção, a epidemia está em franca expansão. Mas há ainda a Esperança do desenvolvimento de uma vacina eficaz em poucos anos, o que produziria um efeito determinante no controle da epidemia nesses países.
Ainda existem várias endemias no mundo atualmente, a quase totalidade delas se concentra nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, porém, não há comparação com o que foi no passado, e o investimento de organizações oficiais e não governamentais em medidas de prevenção e o surgimento de novas vacinas e novos medicamentos têm melhorado esta realidade. No que se refere a possibilidade do surgimento de novas doenças infectocontagiosas, a ciência hoje está muito mais bem equipada, pois a tecnologia para identificação e rastreamento de possíveis novos agentes infecciosos tem evoluído de uma forma incrível nos últimos anos.
Sempre haverá alarmistas no que se refere às doenças infectocontagiosas, mas é inegável que, ao observarmos a evolução da medicina nesta área no último século, principalmente nas últimas décadas, constataremos que as vitórias sobre essas pestilências vieram-se acumulando e hoje, a grande maioria delas é passível de prevenção e tratamento eficazes.
A maior parte do texto desse artigo foi extraído do livro “Os Últimos Dias” do autor Ricardo L. V. Mascarenas. (2001).
Por Nivaldo Gomes.
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