Por Ted Cabal
Essa
questão tem gerado polêmica entre os Cristãos conservadores nos últimos tempos,
mas provou ser de pouco interesse para os evolucionistas teístas (aqueles que
aceitam a evolução como um mecanismo de Deus na criação) e para aqueles que
rejeitam o livro de Gênesis como a palavra inerrante de Deus. O debate tem sido
principalmente entre os Criacionistas da Terra Jovem e os Criacionistas da Terra
Antiga, que acreditam que Deus criou literalmente os vários tipos de seres
vivos (em oposição à descendência comum do Darwinismo). Ambos os lados
sustentam que os seres humanos não descendem de outras espécies e rejeitam o
ateísmo e a teoria macroevolucionária do neo-Darwinismo.
Os
dois campos criacionistas, no entanto, diferem sobre a interpretação dos dias
da criação do Gênesis. Se os dias foram períodos consecutivos de 24 horas e se
a Terra foi criada no primeiro dia, os cálculos baseados em genealogias
bíblicas revelam que a Terra foi criada há apenas milhares de anos. Se os dias foram
de duração indeterminada ou não consecutivas, a Bíblia não revela quando a
Terra foi criada. Curiosamente, ambos os lados concordam que as genealogias
revelam que Adão e Eva foram criados especialmente há apenas milhares de anos.
Os
Criacionistas da Terra Jovem (CTJ) interpretam os dias como períodos
consecutivos de 24 horas, por razões como as que seguem: (1) Os dias no Gn 1
são numerados consecutivamente e compostos de uma "tarde e manhã".
(2) Êxodo 20: 8-11 ordena uma semana literal de seis dias de trabalho e um dia
de descanso, com base na criação original / semana de descanso de Deus. As duas
semanas pareceriam, portanto, ter a mesma duração. (3) De acordo com Rm 5:12,
"o pecado entrou no mundo através de um homem, e a morte através do
pecado", mas o Criacionismo da Terra Antiga implicaria que a morte animal teria
entrado no mundo antes do pecado de Adão e Eva.
Os
Criacionistas da Terra Antiga (CTA) argumentam contra os dias da criação de 24
horas por razões como as que seguem: (1) A palavra Hebraica para
"dia" (yom) é usada de
diferentes maneiras no relato da criação. Por exemplo, Gn 1: 5 se refere a yom apenas ao período do dia (luz do
dia), não à noite. Além disso, Gn 2: 4, traduzido literalmente, fala do "yom que o Senhor Deus fez a terra e os
céus". (2) O descanso de Deus no sétimo "dia" não tem tarde e
manhã (Gn 2: 2-3), e Hb 4: 3-11 retrata esse mesmo Sábado como uma continuação
até os dias atuais. (3) Adão não poderia ter dado o nomea todos os pássaros e
animais em 24 horas, de acordo com Gn 2.
Ambos
os lados acreditam ter argumentos fortes a favor de sua interpretação e de refutar
a outra posição. E historicamente, o debate sobre a interpretação bíblica
muitas vezes levou a um entendimento mais claro da Palavra de Deus. Mas também
é altamente discutível se essa questão merece o rancor e a divisão que ela
provoca. Alguns CTJ acusam os CTA de submeter a Bíblia à ciência evolucionária.
Alguns CTA acusam os CTJ de minar a credibilidade bíblica, ao gerar um falso
conflito entre a ciência e as Escrituras.
Felizmente,
uma coisa não pode ser discutida entre aqueles que acreditam na Bíblia: mesmo
que a interpretação correta dos dias da criação não esteja facilmente aparente para
a geração atual, podemos confiar na Bíblia em todos os aspectos. Debates sobre
interpretações bíblicas não devem ser interpretados como uma falha da Sagrada
Escritura.
Fonte:
CABAL, Ted.Are the Days of Genesis to Be Interpreted
Literally?In CABAL, Ted
(General Editor). The Apologetics Study Bible: Understand Why You Believe – Real
Questions, Straight Answers, Stronger Faith. Nashville, Tennessee:
Holman Bible Publishers, 2007
Tradução Walson Sales.
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