Capítulo 2 - O FOGO CAI EM AZUSA O PRIMEIRO APARECIMENTO DAS LÍNGUAS
Fui à Igreja do Novo Testamento, no auditório Burbank, domingo de manhã, dia
15 de abril. Uma irmã de cor falou em línguas. Isto produziu um grande impacto no
povo, que depois se reuniu em grupinhos na calçada, perguntando o que significava
isso. Pareciam sinais de um Pentecostes. Depois soubemos que o Espírito se fizera
presente algumas noites antes, dia 9 de abril, na pequena casa da Rua Bonnie Brae. Há
muito que buscavam ansiosamente por um derramamento do Espírito. Um grupo de
irmãos negros e brancos estavam esperando ali diariamente para que algo acontecesse.
E agora era a época da Páscoa outra vez (um ano depois que o clamor por Avivamento
começou). Não sei qual o motivo, mas não tive o privilégio de estar ali naquela reunião
em que pela primeira vez diversas pessoas falaram em línguas.
À tarde, estive numa reunião na Rua Bonnie Brae e senti que Deus estava
operando poderosamente. Há muito que orávamos por uma vitória.
E agora Jesus estava novamente "se apresentando vivo" (Atos 1:3) a muitas
pessoas. Os pioneiros haviam preparado o caminho para que as multidões pudessem
agora entrar.
Era notável na reunião a humildade que se manifestava nas pessoas. Todas
estavam absorvidas pela presença de Deus. Era evidente que afinal o Senhor encontrara
o pequeno grupo através do qual podia atuar. Não havia outra Missão no país onde a
mesma ação pudesse ser realizada.
Todas eram controladas por homens, por isso o Espírito não podia operar.
Outras obras bem mais pretensiosas" haviam falhado.
Tudo o que os homens estimam havia sido rejeitado e o Espírito, mais uma vez,
nascia numa humilde estrebaria, fora dos pomposos estabelecimentos eclesiásticos.
OS HUMILDES COMEÇOS
É indispensável que o corpo seja preparado através do arrependimento e da
humildade para que haja o derramamento do Espírito Santo. As pregações da Reforma
foram começadas por Martinho Lutero num prédio em decadência no meio da praça
pública em Wittenburg. D'Aubigné o descreve desta maneira: "No meio da praça de
Wittenburg estava uma velha capela de madeira, com dez metros de comprimento e seis
metros e meio de largura, cujas paredes estaqueadas de todos os lados estavam prestes a
cair. Um velho púlpito feito de tábuas de um metro de altura recebia o pregador. Foi
neste lugar desprezível que a pregação da Reforma começou. Foi da vontade de Deus
que o movimento que restauraria Sua glória começasse num ambiente o mais humilde
possível. Foi aí neste lugar desditoso que Deus ordenou, de forma figurada, que Seu
Filho amado nascesse pela segunda vez... Entre as milhares de catedrais e paróquias
que enchiam a terra, não houve uma sequer naquela época que Deus escolhesse para a
pregação gloriosa a respeito da vida eterna." No Avivamento em Gales, os grandes
pregadores da Inglaterra tiveram de vir e sentar-se aos pés de mineiros trabalhadores e
rudes para ver as obras maravilhosas de Deus. Escrevi para o jornal "Way of Faith"
naquela ocasião: "A coisa genuína está aparecendo entre nós; o Altíssimo mais uma vez
lutará contra os mágicos de Faraó. Porém, muitos o rejeitarão e blasfemarão. Muitos
não o reconhecerão, mesmo entre aqueles que se consideram seus seguidores. Temos
orado e crido num Pentecostes. Será que o reconheceremos quando chegar?"
OS EXTREMOS E MISTURAS NOS AVIVAMENTOS
A presente manifestação Pentecostal não irrompeu num instante como se fosse
um imenso incêndio de pradaria para pôr fogo no mundo inteiro. Na realidade, nenhuma
obra divina aparece desta maneira. É preciso tempo para a preparação O produto final
não é reconhecido em seu período inicial. Os homens indagarão de onde veio tudo
aquilo, pois não tomaram conhecimento da preparação; no entanto, esta preparação é
sempre uma condição essencial.
Cada movimento do Espírito de Deus também tem de passar pelas poderosas
investidas das forças de Satanás. "O dragão se deteve em frente da mulher que estava
para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando nascesse" (Apocalipse 12:4). Foi
assim também com o princípio desta obra Pentecostal. O inimigo fez muitas
falsificações, mas Deus manteve a criancinha bem escondida dos Herodes por uma
estação, até que pôde adquirir força e discernimento para resistir-lhes. A chama foi
preservada com ciúmes pela mão do Senhor dos ventos das críticas, dos ciúmes, da
incredulidade, etc. Passou por mais ou menos as mesma experiências de todos os
Avivamentos. Havia inimigos dentro e fora da obra. Tanto Lutero, quanto Wesley,
tiveram as mesmas dificuldades nos seus tempos. Temos este tesouro em "vasos de
barro". Todo nascimento normal é cercado de circunstâncias não totalmente agradáveis.
O trabalho perfeito de Deus é realizado dentro da imperfeição humana. Somos criaturas
da "queda".
Por que esperar uma manifestação perfeita neste caso? Estamos voltando para
Deus.
John Wesley descreve assim o Avivamento em sua época: "Assim que parti, dois
ou três começaram a crer que o que imaginavam eram impressões vindas de Deus.
Enquanto isso uma enxurrada de críticas vinha de todas as partes. Não se admire
que Satanás semeio o joio no meio do trigo de Cristo. Foi sempre assim, principalmente
quando houve um grande derramamento do Espírito, e sempre será assim até o diabo ser
preso por mil anos. Até então, ele tentará imitar e se opor ao trabalho do Espírito de
Cristo."
D'Aubigné disse: "Um movimento religioso quase sempre excede a justa
moderação.
A fim de que a natureza humana possa dar um passo para frente, seus pioneiros
devem estar muitos passos na vanguarda." Outro escritor disse: "Lembrem-se que
grandes extravagâncias e fanatismos acompanharam a doutrina da justificação pela fé
quando foi trazida de volta por Lutero. A maravilha não foi que Lutero tivesse a
coragem de enfrentar o papa e os cardeais, mas que ele tivesse a coragem de suportar o
desprezo que sua própria doutrina trouxe sobre ele pela maneira como foi interpretada e
alardeada por adeptos. Lembrem-se do escândalo e ofensas que se fizeram presentes
com o ressurgimento da piedade e devoção sob a influência de Wesley. O que nós
consideramos hoje como errado pode ser a luz refratada de uma grande verdade que
ainda está abaixo do horizonte."
John Wesley mesmo orou assim quando o Avivamento parecia estar
desfalecendo:
"Senhor, manda-nos o antigo Avivamento sem seus defeitos; mas se não for
possível, manda-o de volta com todos os seus defeitos. Precisamos de um Avivamento!"
Adam Clark disse: "A natureza (como também Satanás) sempre se mescla tanto
quanto possível com o verdadeiro trabalho do Espírito de forma a levá-lo ao descrédito
e a destruí-lo. Assim, em todos os grandes Avivamentos religiosos é quase impossível
impedir que o fogo estranho se misture com o verdadeiro fogo."
O Dr. Seiss disse: "Nunca houve uma semeadura de Deus na terra que não fosse
super-semeada por Satanás; nem houve crescimento vindo de Cristo sem que as ervas
do maligno se misturassem para impedir o crescimento. Aquele que pretender achar
uma igreja perfeita em que não haja elementos indignos nem imperfeições, pretende
tarefa impossível."
Ainda outro escritor diz: "Nas diversas crises que ocorreram na história da
igreja, têm surgido homens com um destemor santo que assombrava seus companheiros.
Quando Lutero afixou suas teses na porta da catedral de Wittenburg, os homens
cautelosos se impressionaram com sua audácia. Quando John Wesley ignorou todas as
restrições eclesiásticas e normas religiosas e pregou no campo e pelas ruas, os homens
consideraram sua reputação arruinada. Em todas as épocas tem sido assim. Quando as
condições religiosas de uma época exigiam a chamada de homens que estavam
dispostos a sacrificar tudo por Cristo, "a demanda criou a oferta" e sempre acharam-se
alguns que estavam dispostos a serem considerados loucos pela causa de Deus. Um total
desprezo com relação às opiniões dos homens e outras conseqüências é a única atitude
que pode vir de encontro às exigências do tempo presente."
Deus achou seu Moisés na pessoa do irmão Smale para nos guiar até a travessia
do Jordão. Escolheu, entretanto, ao irmão Seymour para ser nosso Josué para nos levar
ao outro lado.
Domingo, dia 15 de abril, o Senhor me chamou para dez dias de orações
especiais... Eu me sentia como se carregasse um grande fardo, mas não sabia o que Ele
estava pensando. Ele tinha algo para eu fazer e queria que eu me preparasse para isto.
Quarta-feira, dia 18 de abril, o grande terremoto de São Francisco ocorreu e devastou a
cidade e os arredores. Não menos do que quinhentas pessoas perderam a vida só em São
Francisco. Eu senti que o Senhor estava respondendo nossas orações concernentes a um
Avivamento à sua própria maneira. "Quando os teus juízos reinam na terra, os
moradores do mundo aprendem justiça" (Isaías 26:9). Um enorme fardo de oração veio
sobre mim; orei para que as pessoas não fossem indiferentes à voz de Deus.
O INÍCIO DA MISSÃO AZUSA
Quinta-feira, dia 19 de abril, enquanto estávamos sentados na reunião do meio dia no auditório Peniel, Rua South Main, 227, de repente o chão começou a mexer-se.
Uma sensação horrorosa tomou conta de todos. Ficamos sentados, muito espantados.
Muitas pessoas começaram correr para o meio da rua, olhando ansiosamente para os
edifícios com medo que caíssem. Foi uma hora muito séria. Eu fui para casa e depois de
um período de oração, o Senhor me mostrou que deveria voltar para reunião que havia
sido transferida da Rua Bonnie Brae para a Rua Azusa, 312. Haviam alugado uma velha
casa de madeira que fora antes uma igreja metodista, no centro da cidade, e que durante
muito tempo não fora usada para reuniões. Tornarase um depósito de madeira velha e
cimento, mas agora limparam a sujeira e o entulho o suficiente para colocar no meio
umas tábuas, em cima de barris velhos. Desta forma, dava lugar para cerca de trinta
pessoas, se é que me lembro corretamente. Sentavam-se formando um quadrado,
olhando uns para os outros.
Senti tremenda pressão interior para ir à reunião daquela noite. Era minha
primeira visita a Missão Azusa. Mamãe Wheaton, que estava vivendo conosco naquela
época, iria junto. Ela andava tão devagar que eu mal conseguia esperá-la. Chegamos lá
finalmente e encontrei cerca de doze irmão, alguns brancos e alguns negros. O Irmão
Seymour estava lá dirigindo. A "arca do Senhor" começou a se mover vagarosamente,
mas com firmeza em Azusa. No princípio era carregada nos ombros de sacerdotes
indicados por Ele mesmo. Não tínhamos nenhuma "carroça nova" naqueles dias para
agradar as multidões mistas e carnais.
Tínhamos de combater contra Satanás, mas a "arca" não era puxada por bois
(bestas ignorantes). Os sacerdotes estavam "vivos para Deus", através de muita
preparação e oração. O discernimento não era perfeito, e o inimigo tirou algum proveito
disto, e trouxe algumas críticas ao trabalho, mas os irmãos logo aprenderam a "apartar o
precioso do vil".
Todas as forças do inferno estavam combinadas contra nós no princípio. Nem
tudo era benção. Na realidade, a luta foi tremenda. Satanás procurava espíritos
imperfeitos, como sempre, para destruir a obra, se possível. Mas o fogo não podia ser
apagado. Irmãos fortes haviam se reunido com a ajuda do Senhor. Aos poucos levantouse uma onda de vitória. Mas tudo isto veio de um pequeno começo, uma pequenina
chama.
Preguei uma mensagem na minha primeira reunião em Azusa. Dois irmãos
falaram em línguas. Muitas benção parecia acompanhar estas manifestações. Em breve
muitos já sabiam que o Senhor estava operando na Rua Azusa e pessoas de todas as
classes começaram a vir às reuniões. Muitos estavam apenas curiosos e não
acreditavam, mas outros tinham fome da presença de Deus. Os jornais começaram a
ridicularizar e a debochar das reuniões, oferecendo-nos desta maneira muita publicidade
gratuita. Isto trouxe as multidões. O diabo superou-se a si mesmo outra vez.
Perseguições externas nunca fazem mal à obra. Tínhamos de nos preocupar mais com os
espíritos malignos que trabalhavam dentro da obra. Até espíritas e hipnotizadores
vieram investigar o que fazíamos e tentar nos influenciar. Apareceram então todos os
descontentes religiosos e charlatães procurando um lugar para trabalhar. Estes é que nos
causavam mais temor, porquanto constituem sempre perigo para todos os trabalhos que
estão sendo iniciados, e não encontram guarida em outros lugares. Esta situação lançou
tal medo sobre muitas pessoas que foi quase insuperável e impediu muito a ação do
Espírito. Várias temiam buscar a Deus por pensar que o diabo poderia pegá-las.
Descobrimos logo no início que quando tentávamos segurar a "arca" (I Crônicas
13:9), o Senhor parava de trabalhar. Não ousávamos chamar muita a atenção do povo
para o que o maligno tentava realizar, pois medo seria o resultado. Só podíamos orar.
Então Deus deu-nos a vitória. Havia a presença de Deus conosco através da oração; nós
podíamos contar com ela. Os líderes tinham uma experiência bastante limitada, e a
grande maravilha é que o trabalho tenha sobrevivido contra seus poderosos adversários.
Mas era de Deus. E era este o segredo.
Um certo escritor disse bem: "No dia de Pentecostes, o cristianismo enfrentou o
mundo; era uma nova religião sem universidade, povo ou patrocinador. Tudo o que era
antigo e venerável se levantou em oposição maciça contra ele, e ele não bajulou ou
procurou conciliar-se com nenhum deles. Foi de encontro a todos os sistemas existentes
e todos os maus costumes, queimando à medida que passava todas as inumeráveis
formas de oposição. Isto realizou só com sua língua de fogo."
Outro escritor disse: "A apostasia da igreja primitiva veio porque os cristãos
queriam ver seu poder e governo se espalhar, mais do que a transformação e vida de
cada um dos seus membros. No momento em que nos regozijamos com as multidões
que se aderiram à nossa versão ou conceito da verdade, em lugar de buscar a
transformação de vidas individuais de acordo com o plano divino, já estamos andando
na estrada da apostasia que leva à Roma e às sua filhas."
OS EFEITOS ESPIRITUAIS DO TERREMOTO
Verifiquei que o terremoto havia aberto muitos corações. Eu distribuía
especialmente meu último folheto, "A Última Chamada". Parecia muito apropriado
depois do terremoto. Domingo , dia 22 de abril, levei 10.000 destes à Igreja do Novo
Testamento. Os obreiros os aceitaram alegremente e logo os distribuíram por toda a
cidade.
Quase todos os pregadores do país estavam trabalhando a valer para provar que
Deus nada tinha a ver com o terremoto e desta forma aliviar o medo do povo. O Espírito
procurava tocar os corações com convicção através deste julgamento. Sentia-me
indignado que os pregadores fossem usados por Satanás para abafar a voz do Senhor.
Da mesma forma eles foram usados depois, durante a guerra. Até as professoras nos
colégios trabalhavam com afinco para convencer as crianças que o terremoto não era
obra de Deus. O diabo fez muita publicidade nesta área.
Depois do terremoto passei muito tempo em oração e dormi pouco. O Senhor
me mostrou definitivamente que Ele tinha uma mensagem para o povo. No Sábado
seguinte deu-me parte dela. Na segunda-feira, deu-me o resto. Quando acabei de
escrever era meia-noite e meia. Já estava pronta para ser levada ao impressor.
Ajoelhei-me diante do senhor e senti Sua presença de uma forma muito forte
como grande prova de que a mensagem era mesmo Sua. Devia mandar imprimi-la na
manhã seguinte. Daquela hora até às quatro da manhã, fui maravilhosamente absorvido
pela intercessão. Sentia a ira de Deus contra o povo e lutei muito contra ela em oração.
Ele me mostrou que estava muito triste com a obstinação do povo mesmo em face do
seu juízo sobre o pecado. São Francisco era uma cidade terrivelmente pervertida.
Mostrou-me o Senhor que todo o inferno operava para, se possível, abafar Sua
voz através do terremoto. A mensagem que Ele me deu era para contra atacar esta
influência. Os homens negavam Sua presença no terremoto, mas agora Ele iria falar. Era
uma mensagem terrível a que Ele me dera. Eu não deveria discutir sobre ela com
ninguém, simplesmente entregá-la. Eles teriam de prestar contas ao Senhor. Senti todo o
inferno contra mim nesta situação, o que depois ficou comprovado. Fui dormir às quatro
horas, levantei-me às sete e corri com a mensagem para o impressor.
A pergunta que havia em quase todos os corações era: "Foi Deus que fez isso?"
Instintivamente sabiam que era assim. Até os ímpios estavam conscientes deste
fato. O folheto foi logo composto, no mesmo dia já estava sendo impresso e na próxima
tarde eu já tinha os primeiros exemplares. Senti que deveria levá-los logo ao povo o mais
depressa possível. Lembrei-me que os dez dias que o Senhor me chamara para orar
terminavam no dia em que recebi os primeiros exemplares desta folheto. Compreendia
tudo agora claramente.
Distribuí a mensagem rapidamente nas missões, igrejas, bares, empresas e na
realidade em todos os lugares, tanto em Los Angeles, como em Pasadena. Além disso
enviei pelo correio alguns milhares a obreiros nas cidades vizinhas para serem
distribuídos. Todo o processo foi uma obra de fé. Comecei sem nenhum dólar. Mas o
Senhor me supriu com os recursos necessários. Trabalhei muito todos os dias. O irmão e
irmã Otterman os distribuíram em São Diego. Era preciso muita coragem. Muitos
clamavam contra a mensagem. Por causa deste folheto passei toda espécie de
experiência em Los Angeles. Todo o inferno se acometia contra mim.
Deus enviou o irmão Boehmer de Pasadena para me ajudar. Ele ficava do lado
de fora dos bares, orando enquanto eu entregava e os distribuía. Em alguns lugares
ficavam tão furiosos que queriam me matar. As empresas estavam todas paradas depois
do que ocorrera em São Francisco. O povo estava paralisado de medo. Este fator foi
responsável por parte da influência que o folheto surtiu. A pressão contra mim foi
tremenda. Todo o inferno se levantava para impedir que a mensagem fosse distribuída.
Mas nunca vacilei. Senti sempre sobre mim a mão de Deus. O povo ficava abismado
quando soube o que Deus tinha para falar a respeito de terremotos. O Senhor mandou-me a diversas reuniões com uma exortação solene para que todos se arrependessem e o
buscassem. Na Missão Azusa tivemos um tempo de grande poder. Os irmão se
humilhavam. Uma irmão de cor falava e orava em línguas. A atmosfera própria do céu
estava ali.
Domingo, dia 11 de maio, eu havia terminado a distribuição do meu folheto "O
Terremoto". O peso que sentira desapareceu repentinamente. Meu trabalho estava
concluído. Setenta e cinco mil folhetos haviam sido publicados e distribuídos em Los
Angeles e no sul da Califórnia em menos de três semanas. Em Oakland, o irmão
Manley, por sua própria vontade, havia impresso e distribuído mais cinqüenta mil nas
cidades em volta da Baía de São Francisco e arredores no mesmo espaço de tempo.
O terremoto de São Francisco fora verdadeiramente a voz de Deus para seu
povo na costa do Pacífico. Foi usado de forma poderosa para convencer os incrédulos e
preparar para a graciosa visitação que viria depois. Nos primeiros dias da Missão Azusa,
tanto o céu como o inferno pareciam ter chegado à cidade. Os homens estavam a ponto
de estourar e havia uma poderosa convicção sobre o povo em geral. As pessoas
pareciam cair aos pedaços mesmo na rua sem nenhuma provocação. Havia como que
uma cerca em volta da Missão Azusa feita pelo Espírito. Quando o povo a atravessava,
a dois ou três quarteirões de distância, era tomado pela convicção dos seus pecados.
EXPERIÊNCIAS COM O ESPÍRITO EM AZUSA
A obra era cada vez mais clara e forte em Azusa. Deus operava poderosamente.
Parecia que todos tinham de ir a Azusa. Havia missionários vindos da África,
Índia e ilhas oceânicas. Pregadores e obreiros atravessavam o continente, e vinham de
ilhas distantes, motivados por uma tração irresistível por Los Angeles. "Congregai os
meus santos" (Salmos 50:1-7). Haviam sido chamados para assistir o Pentecostes,
embora não soubessem. Era a chamada de Deus. Reuniões independentes, em Lonas e
Missões, começaram a fechar por falta de gente. Seus membros estavam todos em
Azusa. O irmão e irmão Garr fecharam o auditório "Sarça Ardente" e vieram para
Azusa para serem batizados no Espírito, e logo foram para a Índia para espalhar a
chama. Até o irmão Smale veio para Azusa procurar os membros de sua igreja.
Convidou-os a voltar para casa, prometendo dar-lhes liberdade no Espírito, e durante
algum tempo Deus operou poderosamente na Igreja do Novo Testamento também.
Houve muita perseguição, principalmente por parte da imprensa. Escreviam
coisas incríveis, mas isso só fazia com que mais gente viesse. Muitos deram ao
movimento seis meses de vida. Em pouco tempo havia reuniões noite e dia sem
interrupção. Todas as noites a casa estava lotada. Todo o prédio em cima e embaixo
havia sido esvaziado e estava sendo utilizado. Havia muito mais brancos do que pessoas
de cor frequentando as reuniões. A segregação racial foi apagada pelo sangue de Jesus.
A. S. Worrel, tradutor do Novo Testamento, declarou que o trabalho de Azusa havia
redescoberto o sangue de Jesus para a igreja naquela época. Dava-se grande ênfase ao
sangue como elemento purificador. Colocavam-se padrões morais elevados para quem
queria ter uma vida limpa. "Vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do
senhor arvorará contra ele a sua bandeira" (Isaías 59:19)
O amor divino se manifestava maravilhosamente nestas reuniões. Não se
permitia nem sequer uma palavra indelicada contra os inimigos ou outras igrejas . A
mensagem era o amor de Deus. Era como se o primeiro amor da igreja primitiva
houvesse retornado. O batismo como recebíamos no princípio não permitia que
pensássemos, falássemos ou ouvíssemos o mal contra nenhuma criatura. O Espírito era
muito sensível como uma pomba delicada. A pomba não tem fel. Sabíamos
imediatamente quando magoávamos o Espírito através de um pensamento ou de uma
palavra. Parecíamos viver num mar de puro amor divino. O Senhor lutava por nós
naqueles dias. Nós nos submetíamos ao seu julgamento em todos os assunto, nunca
buscando defender nosso trabalho ou a nossa pessoa. Vivíamos em sua maravilhosa e
atual presença. E nada contrário ao seu puro Espírito era permitido.
O falso era separado do real pelo Espírito de Deus. A própria Palavra de Deus
era que resolvia todos os assuntos. O coração do povo, tanto em ação como em
motivação, era descoberto até o cerne mais profundo. Não era nenhuma brincadeira
tornar-se parte do grupo. "Ninguém ousava ajuntar-se a eles" (Atos 5:13) a não ser que
levasse as coisas a sério, e quisesse ir até o fim. Naquele tempo, para receber o batismo
era necessário passar pela "morte" e por um processo de purificação. Tínhamos uma
sala especial em cima para aqueles que buscavam com mais ardor o batismo embora
muitos fossem batizados também em plena reunião.
Muitas vezes eram batizados enquanto estavam sentados. Na parede da sala
especial estava escrito: "É proibido falar alto; sussurre apenas". Não sabíamos nada a
respeito de "conquistar pelo barulho" naquela época!
O Espírito operava profundamente. Uma pessoa inquieta ou que falasse sem
pensar era logo repreendida pelo Espírito. Estávamos em terra santa. Esta atmosfera era
insuportável para os carnais. Geralmente passavam bem longe daquela sala a não ser
que já houvesse sido subjugados e esvaziados pelo Espírito. Só iam para lá os que
verdadeiramente buscavam a Deus, os que estavam sérios com Ele. Este não era um
lugar para manifestações emocionais nem para ter ataques ou dar vazão a sentimentos
negativos. Os homens não gritavam naquele tempo. Eles buscavam a misericórdia do
Senhor, diante do Seu trono. Sua atitude era de quem tirava os sapatos por estar em terra
santa. "Os tolos entram correndo, onde anjos não ousam pisar..."
A AÇÃO DO ESPÍRITO NA MÚSICA
Sexta-feira, 15 de junho, em Azusa, o Espírito derramou o coro celestial dentro
de minha alma. Encontrei-me de repente, unindo-me aos demais que já haviam recebido
este dom sobrenatural. Era uma manifestação espontânea e de tal arrebatamento que
nenhuma língua humana poderia descrever. No início esta manifestação era
maravilhosa, pura e poderosa. Temíamos reproduzi-la, como também com as línguas
estranhas. Hoje em dia, muitos parecem não ter nenhum constrangimento de imitar
todos os dons. É por isso que eles perderam grande parte do seu poder e influência.
Ninguém podia compreender esse dom de cânticos espirituais além daqueles através dos
quais se manifestava. Era realmente um novo cântico no Espírito. Quando o ouvi pela
primeira vez numa reunião, um grande desejo entrou na minha alma de recebê-lo.
Achava que expressaria muito bem todos os meus sentimentos reprimidos. Eu ainda não
falara em línguas. A nova canção, no entanto, me conquistou. Era um dom de Deus de
alto nível e apareceu entre nós logo que começou o trabalho em Azusa. Ninguém havia
pregado sobre isso. O Senhor o havia derramado soberanamente junto com o
derramamento do "restante do azeite", o batismo no Espírito da chuva serôdia.
Manifestava-se à medida que o Espírito impulsionava as pessoas que tinham o
Dom, individualmente ou em grupo. Às vezes era sem palavras, outra vezes em línguas.
O efeito sobre o povo era maravilhoso. Havia uma atmosfera celestial como se os anjos
mesmos estivessem presentes e houvessem se unido a nós.
Provavelmente isto ocorria mesmo. Parecia fazer cessar toda a crítica e
oposição, e era difícil até para os ímpios negá-los ou ridicularizá-los.
Alguns condenam estes cânticos novos sem palavras. Mas não foi o som dado
antes da linguagem? E não há inteligência sem linguagem? Quem compôs a primeira
música? Temos sempre de seguir a composição de um algum homem que veio antes de
nós? Somos adoradores demais da tradição. O falar em línguas não está de acordo com a
sabedoria ou com o conhecimento humano. E por que não um dom de cânticos
espirituais? De fato, estes são um desafio aos cânticos religiosos de ritmo moderno que
usamos hoje. E provavelmente foram dados com este propósito.
Entretanto alguns dos velhos hinos são muito bons de cantar também, e não
devem ser desprezados. Alguém disse que cada novo Avivamento traz sua própria
hinologia. E isto realmente aconteceu conosco.
No princípio em Azusa, não tínhamos instrumentos musicais. Na realidade, não
sentimos necessidade deles. Não havia lugar para eles no nosso louvor. Tudo era
espontâneo. Não cantávamos nem com hinários. Todo os hinos antigos eram cantados
de memória, vivificados pelo Espírito de Deus. "Veio o Consolador" era provavelmente
o mais cantado. Cantávamos com corações cheios dessa experiência nova e poderosa.
Oh, como o poder de Deus nos enchia e nos comovia! Os hinos sobre o "sangue"
também eram muito populares. "A vida está no sangue." As experiências de Sinai,
Calvário e Pentecostes todas tinham seus lugares certos no trabalho de Azusa, Contudo
as novas canções era totalmente diferentes, pois não eram de composição humana, e não
podiam ser falsificadas com sucesso. O corvo não pode imitar a pomba.
Mais tarde começaram a desprezar este Dom quando o espírito humano se
reivindicou outra vez. Colocaram-no para fora com o uso do hinário e hinos
selecionados pelos líderes. Era como assassinar o Espírito e isto entristecia muito a
alguns de nós; porém a corrente contrária era forte demais. Os hinários hoje em dia são
em grande parte uma produção comercial e não perderíamos muito se não os
tivéssemos. Os velhos hinos são violados pelas mudanças, e procuram produzir novos
estilos todos os anos para que haja mais lucro. Há muito pouco espírito de adoração
neles. Mexem com os pés, mas não com os corações dos homens! Os cânticos
espirituais dados por Deus, no início, eram semelhantes a uma harpa eólica por sua
espontaneidade e doçura. Na realidade, era o próprio sopro de Deus tocando nas cordas
dos corações humanos ou nas cordas vocais humanas. As notas eram maravilhosamente
doces tanto no volume quanto na duração.
Eram às vezes impossíveis humanamente. Era o cantar no Espírito.
A LIDERANÇA DAS REUNIÕES EM AZUSA
O irmão Seymour foi aceito como o líder nominal. Mas não havia papa ou
hierarquia. Éramos todos irmãos. Não tínhamos programas humanos. O Senhor mesmo
liderava. Não havia uma classe sacerdotal, nem ações sacerdotais. Estas coisas surgiram
depois à medida que o movimento apostatou. No princípio não tínhamos nem
plataforma, nem púlpito. Todos estavam no mesmo nível. Os ministros eram servos na
verdadeira concepção da palavra. Não homenageavam os homens pelo que possuíam a
mais de recursos ou de instrução, mas pelos dons que Deus lhe dera. Ele colocava os
membros no lugar certo do Seu corpo. Agora "coisa espantosa e horrenda se anda
fazendo na terra: os profetas profetizam falsamente e os sacerdotes dominam de mãos
dadas com eles; e é o que deseja meu povo.
Porém, que fareis quando estas coisas chegarem ao seu fim?" (Jeremias
5:30,31). E também: "Os opressores do meu povo são crianças e mulheres estão à testa
do seu governo" (Isaías 3:12).
O irmão Seymour geralmente ficava sentado atrás de duas caixas vazias, uma em
cima da outra. Usualmente mantinha a cabeça dentro de uma delas, durante o culto, em
oração. Não havia orgulho aqui. Os serviços religiosos eram quase que contínuos.
Almas sequiosas podiam ser encontradas sob o poder de Deus quase a qualquer hora, de
dia ou de noite. Nunca o local estava fechado ou vazio. O povo vinha se encontrar com
Deus. Ele estava ali. Por isso a reunião era contínua e não carecia de liderança humana.
A presença de Deus tornava-se mais e mais maravilhosa. Naquele velho prédio de teto
baixo e piso descoberto Deus fazia em pedaços homens e mulheres fortes e tornava a
juntá-los outra vez para Sua glória. Era um tremendo processo de desmontagem e
revisão geral. O orgulho e a auto-afirmação, a auto-importância e a auto-estima, não
podiam sobreviver aqui.
O ego religioso pregava rapidamente seu próprio sermão de enterro.
Nenhum assunto ou pregação era anunciado de antemão e nenhum pregador
especial havia para essa hora. Ninguém sabia o que iria acontecer e nem o que Deus
faria.
Tudo era espontâneo, comandado pelo Espírito. Queríamos ouvir Deus através
de quem Ele falasse. Não fazíamos acepção de pessoas. Os ricos e cultos eram iguais
aos pobres e ignorantes e era muito mais difícil para aqueles morrerem.
Só reconhecíamos a Deus. Todos eram iguais. Nenhuma carne podia se gloriar
na Sua presença, e Ele não podia usar quem tivesse opiniões próprias. Era reuniões do
Espírito Santo, guiadas pelo Senhor. O Avivamento tinha de começar num ambiente
humilde para que o elemento egoísta e humano não entrasse. Todos caíam juntos aos
seus pés, com humildade. Todos se assemelhavam e tinham tudo em comum, neste
sentido pelo menos. O teto era baixo e por isso as pessoas altas deviam dobrar-se. Ao
chegarem a Azusa já tinham se humilhado, e estavam preparadas para as bênçãos. A
forragem estava preparada para ovelhas, não ara girafas.
Fomos libertos ali mesmo das hierarquias eclesiásticas e dos seus abusos.
Queríamos Deus. Quando chegávamos à reunião evitávamos o máximo possível
cumprimentar e conversar uns com os outros. Queríamos primeiro chegar a Deus.
Colocávamos a cabeça em baixo de algum banco em oração e entrávamos em
contato com os homens só no Espírito; não os conhecíamos mais na carne. As reuniões
começam espontaneamente com testemunhos, louvor e adoração. Os testemunhos nunca
eram apressados pela agitação do homem. Não tínhamos um programa preestabelecido
que tinha de ser empurrado de qualquer maneira. Nosso tempo pertencia a Deus.
Tínhamos verdadeiros testemunhos vindos diretamente de corações vibrantes
com as experiências. Se não for assim, quanto menores forem os testemunhos melhor é.
Uma dúzia de pessoas às vezes estavam de pé tremendo sob o poder de Deus.
Não precisávamos que um líder nos indicasse o que fazer, mas também não havia
desordem. Estávamos absorvidos em Deus nas reuniões, através da oração. Nossas
mentes estavam voltadas exclusivamente para Ele, e todos Lhe obedeciam com
mansidão e humildade. Em honra nós preferíamos uns aos outros (Romanos 12:10). O
Senhor podia irromper através de qualquer um. Orávamos por isso continuamente.
Alguém finalmente ficava de pé, ungido com a mensagem. Todos reconheciam isso e
permitiam que acontecesse. Podia ser uma criança, um homem ou uma mulher. Podia
ser do banco de trás ou do da frente. Não fazia diferença.
Regozijávamos na obra do Senhor. Ninguém queria aparecer. Só pensávamos
em obedecer ao Senhor. Na verdade, havia uma tal atmosfera divina que só um tolo se
colocaria de pé sem verdadeira unção. E mesmo assim , não duraria muito. As reuniões
eram controladas pelo Espírito diretamente do trono da graça.
Verdadeiramente foram dias maravilhosos. Eu muitas disse que preferia viver
seis meses naquela época do que cinquenta anos de uma vida normal. Mas Deus ainda é
o mesmo hoje. Só nós é que mudamos.
Alguém podia estar falando. Repentinamente, o Espírito caía sobre toda a
congregação. Deus mesmo fazia os apelos. Homens caíam por toda a casa como mortos
numa batalha, ou corriam ao altar em massa buscando a Deus. A cena muitas vezes
parecia uma floresta cheia de árvores caídas. Uma cena assim não podia ser imitada.
Não me lembro de Ter visto um apelo sequer naqueles dias. Deus mesmo os chamava. E
o pregador sabia quando parar. Quando Deus falava todos obedecíamos.
Parecia algo temerário impedir a atuação do Espírito ou entristecê-lo. O local
todo estava cheio de orações. Deus estava no Seu santo templo. À humanidade cabia
ficar em silêncio. A glória do Shekinah1 estava ali. Aliás alguns diziam ter visto a glória
do senhor envolvendo o prédio durante a noite. Eu não duvido.
Mais de uma vez parei quando se aproximava deste local e orei pedindo forças
antes de ousar continuar. A presença do Senhor era muito real.
DEUS TRATA COM A CARNE PELO BATISMO
Homens presunçosos às vezes apareciam no nosso meio. Especialmente
pregadores que tentavam espalhar suas próprias idéias e se auto-promover. Seus
esforços, porém, duravam pouco. Ficavam sem fôlego. Suas mentes vagavam seus
cérebros pareciam girar. Tudo ficava escuro diante de seus olhos. Não podiam
continuar.
Nunca vi alguém que tivesse tido sucesso naqueles dias; estavam lutando contra
o próprio Deus. Ninguém precisava interrompê-los. Simplesmente orávamos e o
Espírito Santo fazia o resto. Queríamos que o Espírito controlasse tudo. Ele os
confundia logo. Eram carregados para fora mortos, espiritualmente falando.
Geralmente se humilhavam até o pó, passando pelo mesmo processo que
passáramos.
Em outras palavras, eram esvaziados de si mesmos; depois se viam com todas
suas fraquezas, e com humildade de criança confessavam tudo; Deus os pegava então e
transformava-os poderosamente através do batismo no Espírito. "O velho homem
morria" com todo seu orgulho, arrogância e boas obras. No meu caso, passeia a não me
suportar. Supliquei que Deus colocasse uma cortina entre mim e meu passado de tal
forma que apagasse até mesmo as minhas derradeiras ações. O Senhor me disse que
esquecesse cada boa ação como se nunca tivesse ocorrido, assim que fosse realizada; e
que prosseguisse adiante como se nunca tivesse feito nada para Ele , para que minhas
boas obras não se tornassem numa armadilha voltada contra mim mesmo.
Víamos coisas maravilhosas naqueles dias. Mesmo homens muito bons vieram a
se desprezar quando se viam na luz mais clara de Deus. Os pregadores é que custavam a
se entregar. Tinham muito para entregar à morte. Tanta fama e boas obras! Quando,
entretanto, Deus finalizava sua obra neles, com alegria viravam uma nova página e
começavam outro capítulo. Portanto, havia uma razão para eles lutarem tanto. A morte
não é uma experiência agradável, e os homens fortes custam a morrer!
O irmão Ansel Post, um pregador batista, estava sentado numa cadeira no meio
da sala numa reunião à noite. De repente veio sobre ele o Espírito. Deu um salto e
começou a louvar a Deus em línguas e a correr de um lado para o outro, abraçando
todos os irmãos possível. Estava cheio do amor de Deus. Mais tarde foi para o Egito
como missionário. Vejamos seu próprio testemunho a respeito do ocorrido:
"Subitamente, como no dia de Pentecostes, enquanto eu estava sentado a uns
quatro metros do pregador, o Espírito Santo veio sobre mim e literalmente me encheu.
Parecia que eu fora suspenso, pois no mesmo instante estava de pé gritando "louvado
seja Deus". Imediatamente comecei a falar noutra língua. Eu não teria ficado mais
surpreso se no mesmo momento alguém tivesse me dado um milhão de dólares."
Depois que o irmão Smale convidou sua congregação de volta e prometeu-lhes
liberdade no Espírito, escrevi o seguinte no "Way of Faith": "A Igreja do Novo
Testamento recebeu seu "Pentecostes" ontem. Foi maravilhoso. Homens e mulheres
ficaram prostrados diante da quantidade de poder que havia no local. Uma atmosfera
celestial invadiu todo o ambiente. Eu nunca antes ouvira cantar daquela maneira. Era
uma melodia que parecia vir direto do trono de Deus."
No "Christian Harvester", escrevi na mesma data: "Na Igreja do Novo
Testamento, uma jovem muito requintada ficou durante horas prostrada no chão. De vez
em quando, os mais belos cantos celestiais saíam de sua boca. Subiam até o trono de
Deus e depois morriam numa melodia que não era terrena. Cantava: "Louvado seja
Deus! Louvado seja Deus!" Na casa inteira homens e mulheres choravam. Um pregador
estava deitado com o rosto no chão, "morrendo". O Pentecostes havia chegado."
Tivemos diversas noites de orações na Igreja do Novo Testamento. Mas o pastor
Smale nunca recebeu o batismo com o Dom de falar em línguas. Era uma posição difícil
para ele. Tudo era novo. Então o diabo fez o máximo para difamar e destruir a obra.
Mandou espíritos malignos para assustar o pastor e levá-lo a rejeitar a obra.
Mas o irmão Smale era o Moisés de Deus para levar o povo até o Jordão, apesar
dele mesmo nunca ter atravessado. O irmão Seymour foi quem os levou na travessia.
No entanto, por estranho que pareça, Seymour também não falou em línguas até depois
da Missão Azusa Ter sido aberta já havia algum tempo. Muitos irmãos entraram antes
dele. Todos quantos recebiam este batismo falavam em línguas.
CARACTERÍSTICAS DO AVIVAMENTO: IMPERFEIÇÃO, OPOSIÇÃO E
DOMÍNIO DO ESPÍRITO.
Muitos se atrapalharam no princípio de Azusa por causa da natureza dos
instrumentos que Deus usava. Escrevi no "Way of Faith" como se segue: "Alguém disse
que não é quem pode preparar a maior fogueira, mas quem pode acendê-la primeiro que
vai iluminar todo o país. Deus nunca pode esperar um instrumento perfeito surgir. Neste
caso, estaria esperando até agora. Lutero mesmo declarou que era um rude lenhador
com o papel de cortar árvores. Os pioneiros são homens assim. Deus também tem
homens refinados como Melancthon, que virão depois para cortar e arrumar a madeira
de forma simétrica. Uma carga de dinamite não produz o produto final. Mas ajuda a
soltar as pedras que depois serão transformadas em monumentos pelas mãos talentosas
do escultor. Muitos altos dignitários da Igreja Católica Romana no tempo de Lutero
estavam convencidos de que seriam necessária uma reforma e consideravam que ele
estava no caminho certo. Mas declararam em resumo não poderem aceitar que essa nova
doutrina viesse de origem tão insignificante. "Que fosse um monge, um simples monge,
que presumiu nos reformar a todos", disseram eles, "é o que não podemos tolerar!"
"De Nazaré pode sair alguma coisa boa?"
"mesmo na melhor forma possível, a humanidade caída é algo extremamente
peculiar, despedaçado e imperfeito. "Temos este tesouro em vasos de barro." Na fase
embrionária de todas as novas experiências temos de admitir muitas falhas humanas. Há
sempre muitos espíritos rudes, impulsivos e mal equilibrados entre os primeiros a serem
atingidos por um Avivamento. Além disso nossa compreensão do Espírito de Deus
nesta fase é tão limitada que ficamos propensos a errar ocasionalmente por não
reconhecermos tudo que realmente veio de Deus. Só podemos compreender tudo à
medida que nós mesmos somos possuídos pelo Espírito.
Julgamentos precipitados são sempre perigosos. "nada julgueis antes do tempo"
(I Coríntios 4:5). O grupo usado na Missão Azusa para quebrar a cerca foi o "bando de
Gideão" que abriu o caminho da vitória para os que vieram depois."
Escrevo ainda em "Way of Faith" , em primeiro de agosto de 1906: "O
Pentecostes chegou a Los Angeles, a Jerusalém americano. Toda seita, credo e doutrina
debaixo do céu é encontrado em Los Angeles, assim como todas as nações são
representadas aqui. Muitas vezes fui tentado a duvidar que minhas forças resistissem até
o final. O peso de oração tem sido muito grande. Mas desde a primavera de 1905,
quando tive a primeira visão e recebi o fardo para sustentar em oração, nunca tive
dúvida quanto ao resultado final. Os homens em todos os lugares estão com suas almas
perturbadas e o avivamento com seus fenômenos sobrenaturais é o assunto do dia.
Grande oposição também se manifesta. Os jornais são muito venenosos, injustos e
inverídicos nos seus pronunciamentos. Os pseudosistemas religiosos também estão
lutando fortemente, mas "a saraiva varrerá o refúgio da mentira" (Isaías 28:17). Seus
esconderijos estão sendo descobertos. Um riacho purificador está passando pelo meio
da cidade. A Palavra de Deus prevalece.
"A perseguição está forte. A polícia chegou a ser chamada para acabar com as
reuniões. E obra foi atacada também pelos espíritos fanáticos, facilmente encontrados
nesta cidade. Deus e Satanás se encontram num tremendo embate. Pouco podemos fazer
além de orar e observar. O Espírito Santo mesmo está tomando a liderança, deixando
toda liderança humana de lado. Ai dos homens que ficam no caminho, procurando
egoisticamente mandar ou controlar. O Espírito não aceita interferências deste tipo. Os
instrumentos humanos se perdem de vista na sua maioria. Nossas mentes e corações
estão voltados para Deus. As reuniões estão repletas. Há grande excitação entre aqueles
que não são espirituais ou que não são salvos.
"Todas as falsas religiões debaixo do céu encontram-se representadas aqui. A
não ser a Velha Jerusalém, não há nada igual no mundo. (Fica do lado oposto do mundo
com condições naturais muito semelhantes.) Todas as nações são representadas como
em Jerusalém. Milhares vindo de toda parte do país e de muitos lugares do mundo,
mandados por Deus para estar no Pentecostes, levarão o fogo ao redor do mundo. O
zelo missionário está atingindo sua temperatura máxima. Os dons do Espírito estão
sendo derramados, a armadura da igreja restaurada. Verdadeiramente estamos nos dias
da restauração, os "últimos dias"; são dias maravilhosos, dias gloriosos, mas dias
horríveis para os que continuam resistindo. São dias de privilégio, responsabilidade e
perigo.
"Os demônios estão sendo expulsos, os doentes curados, muitos abençoados com
salvação, restaurados e batizados com o Espírito Santo e poder. Heróis estão sendo
desenvolvidos, os fracos se fortalecendo no Senhor. Os corações humanos estão sendo
revistos como por uma vela acesa. É uma época de grande peneiração não só de ações,
como de motivos interiores secretos. Nada pode escapar dos olhos do Senhor que a tudo
perscrutam. Jesus está sendo levantado, o "sangue" magnificado, e o Espírito Santo
homenageado mais uma vez. Muito poder para prostrar as pessoas se manifesta. É esta a
principal causa de resistência por parte daqueles que se recusam a obedecer. A obra é
para valer. Deus está conosco com grande autenticidade. Não ousamos pensar em
ninharias. Homens fortes ficam durante horas prostrados sob o poder de Deus, cortados
como grama. O Avivamento será mundial sem dúvida."
Via Ruanna Pereira
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