"Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o Diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda" (Jd v 9). "Archangelos" (Arcanjos): a expressão é somente usada aqui e em 1 Tessalonicenses 4.16 em todo o Novo Testamento. Designa algum poder altíssimo angelical, dotado de autoridade sobre larga área, celestial ou terrena. O livro de Enoque (considerado apócrifo) dá os nomes de sete arcanjos, a saber: Uriel, Rafael, Raquel, Saracael, Miguel, Gabriel e Remiel. Segundo é dito ali, a cada um deles Deus entregou uma província sobre a qual reina.
A província de Miguel seria autoridade "sobre a melhor porção da humanidade e sobre os caos". Os escritos judaicos fazem assim dele o protetor de Israel como nação.
O Arcanjo. Apesar daquilo que se depreende dos livros não- canônicos, isto é, que há sete arcanjos, as Escrituras Sagradas só designam um, Miguel, como Arcanjo (Jd v 9); talvez antes de sua queda, Lúcifer, (o resplandecente) fosse também um arcanjo, igual a Miguel (Ez 28.1 e ss). Mas por causa do seu pecado, teve seu título cassado por Deus, e agora apenas é tratado assim: "tu eras".
"O prefixo 'are' sugere um anjo-chefe, principal ou poderoso. Assim, Miguel é agora o anjo acima de todos os anjos, reconhecido como sendo o primeiro príncipe do Céu. É o primeiro-ministro da administração divina do Universo, sendo o 'administrador angélico' de Deus para o povo judeu, também o será para o juízo". O arcanjo em foco é sempre representado como um anjo-chefe, o capitão dos exércitos celestiais (Ap 12.7).
No Antigo Testamento, Miguel aparece primordialmente identificado com Israel como nação. Deste modo, Deus fala dele como o príncipe do povo eleito: "Naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levantará pelos filhos do teu povo..." (Dn 12.1a). Ele protege e defende em caráter especial o povo eleito de Deus. Seja como for, ele é sempre visto como o Arcanjo representado.
Os "principados" (Cl 1.16) para os escritos pós-bíblicos são tipos de arcanjos. As explicações judaicas dadas sobre esse tema indicam que tais anjos têm, sob suas ordens, vasto número de seres espirituais. São quais "reis celestiais", com muitíssimos súditos; mas eles mesmos estão, naturalmente, sujeitos a Deus, o Grande Rei.
Estes mesmos escritos defendiam que, talvez o trecho de Atos 7.38, se refira a Miguel como o anjo enviado na doação da Lei. Em qualquer conexão das Escrituras, Miguel é sempre pintado "como um anjo guerreiro". Miguel, em hebraico significa "Quem é semelhante a Deus". Não nos é revelado o porquê deste significado, mas pode ser, em oposição às disposições hostis de Satanás, que disse: "...subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo" (Is 14.14). Assim, nasce o nome "Miguel", acrescentado ao vocábulo "Arcanjo" (chefe), para defender que, nenhum ser criado pode ser "semelhante a Deus". Este deve ser o sentido do pensamento.
Miguel entra em foco nas seguintes passagens (Dn 10.13,21; 12.1; 1 Ts 4.16; Jd v. 9; Ap 12.7). Na passagem de Daniel 10.13,21 e 12.1, ele é pintado como o anjo guardião de Israel. Seu nome: "O arcanjo" (Jd v. 9), deriva-se do vocábulo "arc", que quer dizer "chefe", complementado no sufixo "mensageiro" que quer dizer "anjo". Miguel, portanto, é chefe dos anjos, enquanto que Jesus é o Senhor de Todos (Hb 1.4-6). Ele é chamado em Daniel (10.13,21): "...um dos primeiros príncipes" e "vosso príncipe". Nessa capacidade lhe é peculiarmente apropriada que ele é o Arcanjo representado. Alguns teólogos o chamam de "O mensageiro da Lei e do juízo" ou do "julgamento" de Deus. Os teólogos medievais concebiam que a Bíblia apresenta a existência do príncipe do mal, a epítome de toda a maldade, uma pessoa real, e que Miguel, seria, segundo este pensamento, o Príncipe do bem, em oposição àquele.
Comandando os exércitos que combateram a Satanás, o grande dragão, e todos os seus sequazes, Miguel, sempre se destaca isolado! De vez que a Bíblia nunca se refere a arcanjos, apenas ao "Arcanjo". Seu nome "Miklã'el", no hebraico é sinônimo de Micaías e Mica. É nome pessoal de onze personagens mencionados nas Escrituras, apenas uma delas recebe mais do que uma referência passageira. Essa exceção é o Arcanjo Miguel. Sobre o ministério, ou função por ele desempenhada, vejamos:
Em Daniel 10.13,21 e 12.1, sua missão específica é guardar e proteger a nação israelita. Mas é óbvio que suas atividades são as mais variadas, envolvendo até mesmo uma vastíssima área. Isso nos fornece alguns pensamentos quanto à sua piedade, mesmo sendo guerreiro, e poderoso (Jd v 9), e, no tocante ao ministério dos anjos, destaca-se como comandante.
Em 1 Tessalonicenses 4.16, Miguel, o arcanjo, virá aos brados, acompanhando Jesus na sua vinda para o arrebatamento. Não apenas proclamará a nova incomparável e emocionante de que Jesus retorna, como também pronunciará simultaneamente com Cristo a palavra de vida para todos os que "...dormem em Cristo e aguardam a ressurreição: "Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido e com voz de arcanjo... e os que morreram em Cristo ressuscitarão... Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens..."
Em Judas (v 9), ele é visto a contender com o Diabo. A disputa diz respeito ao corpo de Moisés: "Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o Diabo, e disputava a res peito do corpo de Moisés..." Sobre isto, há muitas tradições tais como: "Esta disputa teve lugar com o Diabo re- clamando para si 'o corpo de Moisés"'. Ele alegara que Moisés pertencia à uma ordem material e que ele fora homicida no passado (Êx 2.11-15), por esse motivo não merecia um sepultamento decente. O segundo ponto desta tradição se prende à resposta de Miguel à Satanás. Vejamos, pois: "Miguel responde a essa primeira acusação, alegando que o Senhor é o Criador e Governador do mundo material, pelo que Satanás nada tinha a dizer acerca do que ocorresse com o corpo de Moisés". A segunda acusação de Satanás não se prendia tão somente à falha de Moisés, mas era apenas um embuste para poder adquirir seu corpo, para fazer do mesmo um "ídolo" monumental, para com ele corromper a nação israelita.
Miguel, então, solicita a imediata ajuda de Deus, e este guardou o corpo de Moisés da "vista da serpente", e a seguir ordenou a Miguel triunfar sobre ele com um só golpe: "O Senhor te repreenda!" (cf. Zc 3.2; Jd v 9). Assim Miguel, pela razão e ajuda direta de Deus, saiu vencedor. (Citado por Adam and Chrales Black, Londres, 1897, The Assump of Moses, pp. 105-110).
Em Apocalipse 12.7, Miguel é visto a combater o Diabo e seus anjos em defesa do Céu. A passagem em foco apresenta um segundo quadro da revolta original de Satanás quando se rebelou contra Deus no passado (Is 14.12-16; Ez 28.1 e ss). Mas em todas as passagens em que Miguel aparece no cenário da História angelical, é sempre em conexão com a guerra; mas sempre triunfante! Até o dia do arrebatamento, Miguel não terminará sua missão. Portanto, poderá nos socorrer quando for necessário! (SI 34.7).
Pedro, Severino. Os Anjos sua natureza e oficio, 1987, Ed. CPAD.
Compilado por
Edson Moraes
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