Darwin
na Universidade de Medicina
Por Walson Sales
Depois
de ajudar o pai nas visitas médicas aos pacientes, o pai decidiu enviá-lo para
a universidade de Medicina. Seu irmãos mais velho, Erasmus, achava que ele
deveria ir para Cambridge. Robert decidiu enviar Carles Darwin para a
Universidade de Edimburgo, a “Atenas do Norte”, para Charles. Edimburgo tinha
mais relação com a tradição liberal da família. Charles seria a terceira
geração dos Darwin a estudar medicina lá, seguindo seu pai e seu avô. O
professor de filosofia natural, John Leslie, havia sido professor particular
dos filhos da família Wedgwood uma vez em Maer. Como resultado, Charles saiu de
casa com cartas que o colocariam nas melhores mesas de jantar de intelectuais.
Apesar de ser considerada melhor que as universidades inglesas e formar uma quantidade
maior e melhor de médicos, Edimburgo havia muito era um refúgio para os
Dissidentes ricos, barrados em Oxford e Cambridge por recusarem confessar os 39
artigos da Igreja Anglicana. Em Edimburgo eles estudariam uma série ampla de
assuntos médicos e científicos, incluindo Botânica, Química, e História
Natural. Edimburgo mantinha os alunos informados sobre as melhores, mais
heterodoxas e as mais inovadoras ciências recém-criadas, como
Charles acabaria descobrindo (DESMOND & MOORE, 2001, p. 41, 42) e como
veremos mais adiante, de fato, o que moldou a mente de Darwin para que ele tomasse
emprestada a Teoria da Evolução. De fato, em Edimburgo, Darwin se
dedicou mesmo a colecionar espécimes de invertebrados, encontrou ideias materialistas
radicais e negligenciou seus estudos médicos (GUNDLACH, 2018). Depois
que Erasmus, irmão de Darwin, concluiu seus estudos
médicos externos, ele veio morar com Charles e estudar em Edimburgo. Havia duas
características distintas em Edimburgo. A primeira era a Igreja. Edimburgo era
a capital religiosa da Escócia. Seus severos pregadores eram indicados por
patronos nobres e pela Coroa. Assim era a igreja da Escócia, chamada “The
Kirk”, a Assembléia Geral, reunia-se em Edimburgo em meio a muita pompa. Toda a
cidade aparecia, incluindo Charles e Erasmus, para ver os delegados em becas
negras convergindo a fim de discutir a saúde moral da nação. A segunda era a
própria cidade. Era uma cidade de paisagens maravilhosas e ciências
apavorantes; de socialistas fazendo experiências com a vida cooperativa e
comerciantes frenólogos examinando as cabeças de seus fregueses; de professores
debatendo a origem da Terra e anatomistas decifrando a criação da vida (DESMOND
& MOORE, 2001, p. 43).
A
posição política de Darwin, e da família, era Whig, ou seja, liberal (defendia competição aberta, emancipação
religiosa, que permitia não-conformistas, Judeus e Católicos prestar culto e
eram veementemente contra a escravidão), contrastando com o partido Tory, conservador, que já governava o
país há 50 anos e defendiam abertamente a escravidão (DESMOND & MOORE,
2001, p. 44).
No
primeiro trimestre na universidade eles se transformaram em ratos vorazes de
biblioteca, pois retiraram mais livros do que qualquer outra pessoa na
universidade. Além de participar de aulas particulares proferidas pelo
professor Robert Knox, um exuberante, usando monóculo, vestido em ouro,
atacando cruelmente o clero. Suas sátiras cortantes sobre religião fizeram dele
o flagelo da liderança da igreja da Escócia. Ele deu aulas a mais estudantes do
que todos os outrosprofessores particulares reunidos. Neste mesmo príodo,
Charles Darwin já estava desiludido com a medicina, notadamente a anatomia.
Seria o começo da jornada para abandonar o curso de medicina. Além disso,
Charles compartilhava com seu pai o horror pelo sangue e nunca se esforçou para
para superar isso. (DESMOND & MOORE, 2001, p. 45-47).
Ao
escrever às suas irmãs, escreveu: “vou aprender a empalhar pássaros com um
negro”. O “negro” em questão era um escravo liberto, John Edmonstone que o
excêntrico “lorde” e viajante católico Charles Waterton trouxera da Guiana. O
ex-escravo havia aprendido taxidermia com Lorde e ofereceu um curso muito
barato. Charles se matriculou e não só
aprendeu a empalhar animais, mas também ouviu em primeira nas conversas as
histórias de um escravo sobre a exuberância das florestas tropicais. Apesar da
pressão da família, Darwin não conseguia ver sabedoria na medicina. Sua falta
de interesse na medicina era notória à família. Charles, nesses dias, reviveu o
encanto de suas caminhadas de infância pela costa galesa. Por esse tempo,
Erasmus encerrou seus estudos em Edimburgo e se matriculou na escola de
anatomia de Londres, deixando Charles à própria sorte (DESMOND & MOORE,
2001, p. 48-49).
Fontes citadas:
DESMOND, Adrian; MOORE, James. Darwin:
A Vida de um Evolucionista Atormentado (Tradução Cyntia Azevedo). 4ª edição revisada e ampliada. São Paulo: Geração Editorial, 2001
GUNDLACH, Bradley J. Charles Darwin. In COPAN, Paul [et all] (organizadores). Dicionário
de cristianismo e ciência: obra de referência definitiva para a interseção
entre fé cristã e ciência contemporânea. (tradução Paulo
Sartor Jr). 1. ed. - Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2018.
Próximos textos:
ü A Teoria da Evolução sob Escrutínio -
Parte 5 - A Influência que Marcou Charles Darwin até a Formulação da Teoria da
Evolução
ü A Teoria da Evolução sob Escrutínio -
Parte 6 - O Verdadeiro Motivo de Darwin Ter Ido Estudar Artes (Teologia)
ü A Teoria da Evolução sob Escrutínio -
Parte 7 - Darwin, O Erudito “Exemplar” no Curso de Artes (Teologia)
ü A Teoria da Evolução sob Escrutínio -
Parte 8 - Darwin e a Igreja Anglicana – contexto político
ü A Teoria da Evolução sob Escrutínio -
Parte 9 - Darwin Seguindo Para o Encerramento do Curso
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