sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Os caminhos para salvação no Hinduísmo


Dentro da religião Hindu é quase que unânime a crença no conceito de que o homem está preso em um sistema interminável de nascimento e morte, denominado como reencarnação ou samsara, este termo, de acordo com Prothero: “Significa vagar ou fluir [...] se refere ao círculo vicioso da vida, morte e renascimento” (PROTHERO, 2010, p.121). Dentro deste ciclo sem fim, as reencarnações variam de acordo com as ações realizadas pelo individuo durante o curso de sua trajetória, de sorte que uma vida voltada às práticas maléficas, poderá acarretar numa reencarnação em uma forma de vida inferior, ou seja, se torna possível a pessoa voltar a este mundo sob a forma de um animal, visto que está recebendo a punição de suas ações passadas, regredindo dentro do processo, uma vez que o objetivo de todo o Híndu é alcançar sua completude, ao unir-se com o divino Brahman, colocando um ponto final nas etapas da reencarnação e libertando-se desta vida terrena, essa concepção de libertação e estado de iluminação é chamado pelos hindus de Moksha. Todo este processo faz parte da doutrina do Karma, que segundo explica Hattstein: “A existência e o destino do individuo são a conseqüência direta das  ações praticadas na vida anterior, sendo as boas ações recompensadas com uma boa reencarnação, isto é, com o nascimento numa casta superior, e as más [...] com uma inferior”  (HATTSTEIN, 2000, p.12). 

A compreensão de vida para o hindu é puramente transitória, pois compreendem que não poderão alcançar a felicidade vivendo num ciclo onde a morte põe fim á qualquer felicidade adquirida em vida, além do fato da incerteza do próximo nascimento, que poderá ocorrer num ser de nível desprezível, daí pode-se compreender a lacuna que o hinduísmo não consegue preencher, dessa forma, a única maneira de por um término nessa incansável cadeia, no pensamento hindu, é libertar-se alcançando o moksha. Numa analise fria, diferentes das religiões ocidentais e algumas orientais que tem por objetivo final a condução de seus seguidores a viver a eternidade ao céu, paraíso, harém ou algo do tipo, numa conotação de viver para sempre em plena paz e alegria, a perspectiva de eternidade no hinduísmo busca alcançar o desprendimento do material, algo como escapar da prisão do samsara e dos males que ela proporciona, como se expressa Prothero: “O objetivo hindu, portanto, não é escapar deste mundo para algum paraíso celeste, mas escapar do céu e da terra e de seu ciclo de vida e morte” (PROTHERO, 2010, p.122). Enquanto a compreensão de salvação para o cristão é libertar-se do poder do pecado e passar a eternidade com o seu Deus, o hindu deseja acabar com o samsara (os hindus não crêem na existência do pecado) e alcançar o status de Brahman, a essência do universo.

Essa concepção de que a reencarnação virtuosa ou desprezível está diretamente associada ás práticas da vida presente, está inserido até mesmo nas escrituras hindus, a saber, o chandogya upanishad, que se refere á um texto do sama veda, uma das divisões dos vedas, nela está o relata que: “ Aqueles cuja vida foi virtuosa, renascem no corpo de um brâmane, de um xátria (nobre guerreiro) ou de qualquer outro ser honrado. Aqueles que se entregam aos vícios renascem nos seres inferiores e vis, no corpo de um pária”. Este processo se dará de maneira interminável, até o momento em que aja a libertação definitiva da alma, encerrando o ciclo do samsara.


Por 

Edson Moraes

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