terça-feira, 13 de outubro de 2020

A Teologia Natural, o Naturalismo, a Consciência e a Inferência da Melhor Explicação


Por Walson Sales


Atualmente estou estudando algumas disciplinas que são, a princípio, consideradas Pós-Metafísicas, como por exemplo a Filosofia da Mente. Tenho lido autores antimetafísicos como o Paul M. Churchland (Livro: Matéria e Consciência) que defende um reducionismo radical da Mente ou da Consciência ao material. Contudo, tenho percebido que não há uma fundamentação coerente dos Naturalistas/Materialistas rígidos sobre a questão. O que há é uma pressuposição à priori de que a realidade última é unicamente material e tudo o que existe e, a partir deste ponto de partida, o Materialismo Rígido é empurrado garganta abaixo, junto com a negação da Metafísica, da Mente como entidade imaterial e da própria existência de Deus. Vale destacar aqui, entretanto, a importância da Teologia Natural quando a Metafísica se encontra com o Materialismo/Naturalismo no que diz respeito a Mente/Consciência. Paul Copan e Paul K. Moser[1] afirmam que a teologia natural é oferecida de maneira sábia em termos de boas razões, e não de provas matemáticas. Usada pelo Espírito de Deus, oferece aos seres humanos que raciocinam, razões plausíveis para crer que Deus é real (assim como a mente e a metafísica). Stephen Davis apresentou uma gama de opções a respeito das conclusões dos argumentos teístas bem-sucedidos:


(a) possivelmente verdade; 

(b) conhecido por ser possivelmente verdadeiro; 

(c) mais razoável ou plausível do que suas negações; 

(d) conhecido por ser mais razoável ou plausível do que suas negações; 

(e) razoável ou plausível; 

(f) conhecido como razoável ou plausível; 

(g) verdadeiro; 

(h) conhecido como verdadeiro; 

(i) necessariamente verdadeiro; ou 

(j) conhecido por ser necessariamente verdadeiro.[2]


De acordo com Davis, o objetivo ou meta aconselhável de um argumento teológico natural é produzir conclusões caracterizadas pelas letras (c) e (d). Ou seja, esses argumentos devem buscar conclusões que sejam "mais razoáveis ou plausíveis que suas negações" ou "conhecidas por serem mais razoáveis ou plausíveis que suas negações". O objetivo aconselhável de um argumento teológico natural é fornecer bons fundamentos cognitivos para a crença teísta, oferecendo assim essa crença como cognitivamente mais razoável ou plausível do que suas negações. O que é dito aqui está bem claro. Quando os argumentos são comparados, a inferência da melhor explicação fica patente. São linhas de investigações assim que expõem o quanto o viés materialista é trabalhado nas universidades.

A consciência, por exemplo, está entre as características mais mistificadoras do cosmos e é um pesadelo para os Naturalistas e Materialistas, segundo J. P. Moreland, exatamente porque eles não tem um mecanismo para explicar como a consciência pode surgir da matéria bruta.[3] Observe como os materialistas e Naturalistas lutam entre si para negar que a Consciência seja independente da esfera material. Geoffrey Madell opina que “o surgimento da consciência, então, é um mistério, e para o qual o materialismo fracassa notoriamente em fornecer uma resposta”.[4] O Naturalista Colin McGinn afirma que a chegada da Consciência beira a pura magia porque parece não haver uma explicação naturalista para ela: “Como a mera matéria pode originar a consciência? Como a evolução converteu a água do tecido biológico no vinho da consciência? A consciência parece uma novidade radical no universo, não prefigurada pelos efeitos posteriores do Big Bang; então, como a Consciência planejou surgir a partir do que a precedeu? ”[5] O Naturalista William Lyons argumenta que “[o fisicalismo] parece estar em sintonia com o materialismo científico do século XX porque a Consciência [está] em harmonia com o tema geral de que tudo o que existe no universo é matéria, energia e movimento e que os seres humanos são um produto da evolução das espécies tanto quanto os búfalos e castores. A evolução é uma vestimenta sem costura, sem buracos onde as almas possam ser inseridas de cima.”[6] Como então resolver esse problema? O conselho de (nada mais, nada menos que) Jaegwon Kim para seus companheiros naturalistas é que eles devem simplesmente admitir a irrealidade do mental e reconhecer que o naturalismo cobra um preço alto e não pode ser obtido de forma barata.[7] Isto significa que a solução mágica de um dos maiores naturalistas da Filosofia da Mente é simplesmente admitir a irrealidade do mental e por implicação do Metafísico? Admitir a mágica sem um mágico? Contudo, G. K. Chesterton afirma que a correlação regular entre diversas entidades no mundo é mágica que requer um Mágico para explicá-la.[8] O teísmo tem a melhor explicação dos fenômenos mentais.


Referências: 


[1] Introduction em COPAN, Paul; MOSER, Paul K. (eds). The Rationality of Theism. New York: Routledge, 2003, p. 10.


[2] DAVIS, Stephen, Reason, God and Theistic Proofs, p. 4.


[3] MORELAND, J. P. The Argument from Consciousness. In COPAN, Paul; MOSER, Paul K. (eds). The Rationality of Theism. New York: Routledge, 2003, pp. 204.


[4] MADELL, Geoffrey, Mind and Materialism (Edinburgh: Edinburgh University Press, 1988), 141.


[5] MCGINN, Colin, The Mysterious Flame (New York: Basic Books, 1999), 13–14. 


[6] LYONS, William, “Introduction,” em Modern Philosophy of Mind, William Lyons (ed.) (London: Everyman, 1995), iv.


[7] KIM, Jaegwon, Mind in a Physical World (Cambridge, MA: MIT Press, 1998).


[8] CHESTERTON, G. K. Orthodoxy (John Lane Company, 1908; reprinted, San Francisco: Ignatius Press, 1950), Cap. 5.

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