Existem diversas cosmovisões no tocante à existência de Deus, dentro das mais diversas religiões no mundo, ou a ausência delas. Embora cada uma delas tenha sua opinião formada, possuindo seus próprios argumentos para defenderem sua opiniões, entretanto apenas uma dentre tantas cosmovisões está correta, inevitavelmente as demais devem ser consideradas como falsas.
Abordaremos neste artigo as cosmovisões mais conhecidas, a saber: Teísmo, Ateísmo, Panteísmo.
Teísmo - Um Deus que se relaciona com o homem, mas que existe além do universo
Esta cosmovisão defende a idéia da existência de um universo espiritual, rompendo o campo da matéria física. Neste espaço há um Deus que é responsável por toda a criação, tanto no âmbito material, quanto no campo espiritual. Embora este Criador esteja muito acima de sua criação, Ele se auto revelou à mesma de muitas formas e muitas maneiras (Hb 1.1).
O Teísmo defende a crença de que Deus tem interesse pela vida humana e deseja relacionar-se com ela, com o propósito de abençoar ou trazer juízo, desempenhando algumas intervenções no mundo dos homens. Para que o homem de fato possa conhecer a Deus, é preciso entender que por ser criatura é limitado, já o Criador é Eterno e desta forma a única maneira para que isto possa ocorrer é se o próprio divino decida de revelar, podendo ocorrer de duas formas esta revelação, a saber, a revelação geral e a revelação especial. A revelação geral se refere ao tipo de comunicação que o Senhor faz de si mesmo para todas as pessoas, em todos os momentos da história e em todos os lugares. Quanto a revelação especial, esta se dá por meio da revelação que Deus faz de si mesmo á determinadas pessoas, em determinadas épocas, de modo pessoal e específico.
A base da crença para o Teísmo é a fé, embora não reprove outros meios, tais como os argumentos teológicos, místicos, racionais, naturais e sobrenaturais em favor da existência de Deus (CHAMPLIN, p.330). Esta crença rejeita impreterivelmente o politeísmo ou o panteísmo, uma vez que suas práticas são opostas e não há quaisquer semelhanças em suas doutrinas. Defenda como inquestionável a revelação de Deus por meio da Bíblia Sagrada, atribuindo-a autoridade do próprio Criador, nos relatos do Antigo e Novo Testamento, desta feita, intrinsecamente apóia a possibilidade de o homem te o acesso ao conhecimento de Deus através de sua criação e ainda por meio da consciência e intelecto humano, pois ao homem foi revelado o ética moral de Deus e por este momento o indivíduo é responsável diante do Senhor pelos seus atos, sendo num futuro determinado julgado através de sua obras.
Em sua grande parte, os defensores do Teísmo crêem que o Deus Criador seja trinitariano, ou seja, é um Deus composto por três pessoas de forma indivisível. Embora nem todos apóiem este conceito.
No tocante ao relacionamento pessoal em que Deus é apresentado no Teísmo, assim escreveu Champlin: “O conceito de um Deus pessoal é importante para esta forma de teísmo, onde figuram os atributos tradicionais de Deus, como um Ser onipotente, onipresente, que tudo sabe, que é completamente santo, etc” (CHAMPLIN, p. 331).
Ateísmo – Não existe Deus algum, nem dentro nem além do Universo
A etimologia da palavra Ateísmo, vem do grego a (não) e theos (Deus), ou seja não há Deus. É a cosmovisão que propaga o ensino de que não existe Deus em qualquer parte, quer seja no mundo físico, quanto no espiritual, este último sequer existe dentro do ateísmo, pois se compreende que o universo se reduz ao mundo material, palpável, aquilo que se pode tocar ou ver, sendo rejeitada a possibilidade de haver qualquer deidade existente. Esta idéia não apenas aponta para o Deus defendido pelo Teísmo, mas também nega a divindade em qualquer religião, Cristianismo, Islamismo, Budismo, etc. Embora, a única Divindade existente, de fato seja o Deus revelado nas escrituras (Dt 6.4).
Alguns renomados ateus defendiam esta cosmovisão por possuírem conceitos absurdos acerca de Deus. Freud por exemplo dizia que a religião era a neurose das massas, logicamente não acreditava na idéia de um Deus vivo. Embora muito respeitado até aos dias de hoje como o criador da psicanálise, mas na perspectiva Bíblica está encaixado entre os tolos: “Diz o néscio em seu coração: Não há Deus” (Sl 14.1).
Há alguns conceitos defendidos pelos ateus, seus pilares que servem como fundamento, para não acreditarem na existência de Deus, abordaremos os mesmos e traremos as respectivas refutações.
1º Os ateus, em sua grande maioria acreditam que o conhecimento só pode ser alcançado por meio da experiência sensorial, rejeitando outros meios, tais como a razão, a intuição, e sobretudo com experiências sobrenaturais, pelo fato de que tais contatos são irracionais e não sensoriais com um ser divino.
Resposta – Há outros meios de se alcançar o conhecimento, além dos cinco sentidos, como a razão, a intuição e as experiências sobrenaturais. Segundo Champlin “O terreno inteiro da parapsicologia é invocado a entrar na controvérsia, pois parece que cientistas qualificados têm encontrado modos não-empíricos de se obter conhecimentos. E há também a tradição mística que precisa ser ouvida. Estes métodos não-empíricos de se obter conhecimento contêm a afirmação Teísta” (CHAMPLIN, p. 364). Sendo assim, até as ciências seculares fazem a busca pelo conhecimento através de meios não sensoriais, então seria razoável o ateu proceder do mesmo modo.
2º Os ateus não se deixam levar pelas declarações convencionais que são utilizadas para apoiar a existência de Deus, tais como a ética moral do homem, o senso de discernimento quanto ao bem e o mal, a necessidade de causa, na presença do desígnio do mundo, na hierarquia de valores, que conduzem a um valor supremo, etc.
Resposta – Os argumentos teológicos, bíblicos, cosmológicos e naturais apontam para a existência de um ser supremo, nos servindo como uma prova irrefutável contra o pensamento ateísta, e isto não pode simplesmente ser posto de lado. Não se descarta uma idéia com muitos pilares que apóiam a sustentação apenas pelo fato de um contra-evidencia ter sido levantada.
A palavra argumento significa o raciocínio que conduz à indução ou dedução de algo. Ora, os argumentos são provas que servem para afirmar ou fazer apologia de algo, e no campo das cosmovisões acerca de Deus ela é de suma importância pelo fato de servir como um sustentáculo que corroboram para a comprovação da existência de Deus. Hoje muitos pensadores consentem com a força dos argumentos levantados, enxergando neles bases para a crença teísta.
3º O ateu acredita que se Deus existisse não haveria tanta influencia do mal no mundo, pois sua presença inibiria esta ação, uma vez que Deus sendo bom não permitiria tantas atrocidades, desastres, doenças mortes, ou seja, o mal natural e o mal moral, como a desumanidade do homem contra o seu próximo por exemplo.
Resposta – O fato de existir o mal não significa que este é o dominador do universo humano, é bem verdade que há em diversos segmentos atuações intensas do mal, isto se dá pelo fato de alguns homens estarem com seus corações voltados para cumprir a vontade do diabo.
Se substituirmos a figura de um Deus todo poderoso e em seu lugar colocarmos um deus finito, limitado, então o mal existiria de modo desenfreado, sem ter quem o controle, mas não é este o caso. Deus está no controle de todas as coisas, e se há manifestações do mal em nosso mundo, se dá pelo alto nível de pecado em que o homem está imerso, e desta forma suas intenções são dirigidas por este sentimento contrário aos princípios de Deus. A maldade está dentro do homem, que não faz nenhum esforço para deixar de praticá-la. Mas haverá um dia em que todo o poder do mal será anulado, e o bem vencerá.
Uma verdade precisa ser destacada: Deus é sempre bom e sua bondade gera sua misericórdia, que é a causa de ser tolerante com o homem. Ele não é o criador do mal, pois sua santidade não permite que faça o tal (Hab 1:13). Tampouco o mal tem tido todo o domínio, pois se não fosse a presença de Deus ainda neste mundo, estaríamos vivendo uma degradação moral ainda pior, mas como as rédeas estão na mão de Deus o mal age de forma limitada, por um curto período de tempo.
4º Alguns ateus não aceitam a existência de Deus pelo fato de haver muitas duvidas dentro do homem acerca do Criador, e que desta forma se de fato ele existisse, deveria de comunicar de forma que tais duvidas fossem solucionadas. Como isto não ocorre, defendem eles, não há nenhum Deus se comunicando com o homem.
Resposta – Deus se comunica com o homem, porém este não tem a percepção de ouvir sua voz, pelo fato de estar no pecado e isto servir de barreira para ouvir a voz do criador. Ora, o som não deixa de existir pelo fato de uma pessoa ser surda, assim ocorre no ateísmo, pois o homem está destituído de fé, e certo de que Deus não existe, assim não enxerga qualquer prova de que Deus se comunique.
Para se ouvir a voz de Deus basta estar de ouvidos atentos, quando se coloca as mãos tapando-os deliberadamente, significa que não têm o desejo de ouvi-lo, o fato de não desejar algo não faz com que aquele algo deixe de existir.
Panteísmo – Deus é o próprio Universo, ou seja, Deus é tudo
Na visão do panteísta Deus é o universo em sua plenitude e em sua singularidade, ou seja, toda a criação remonta o criador, de certa forma todas as coisas compõem ou são aspectos de um Deus. Assim sendo, nesta concepção Deus é o próprio universo ou Ele está em todas as coisas e o universo é Deus. No panteísmo há a junção de mente e a matéria, ou seja, o infinito e o finito tornam-se uma e a mesma coisa, embora de diferentes expressões. Vemos a pratica do panteísmo em algumas formas do Hinduísmo, Zen budismo, pela ciência cristã e pela maioria das religiões da nova Era (GEISLER, p.16). Seria Deus o cabeça da totalidade e o mundo é o seu corpo.
As mais diferentes formas de se compreender a existência de Deus, possuem características opostas, cada qual usando seus argumentos para provar sua veracidade e aceitação, todavia o meio pelo qual pudemos entender que de fato há um Deus criador de todas as coisas, além da própria criação que aponta para um Ser supremo, são as Escrituras que registram aquilo que Deus se fez conhecer, ou seja, se auto revelou, para que através disto recebêssemos um conhecimento limitado, naquilo que podemos compreender de sua essência, e assim pudéssemos nos relacionar com Ele.
Por
Edson Moraes
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