POR LEONARDO MELO.
INTRODUÇÃO.
Desde a queda de Lucífer, assim como, o pecado cometido por Adão e Eva que passaram de geração pós geração, conhecido como pecado original [termo cunhado por Agostinho] que os homens tem se desviado do verdadeiro sentido da adoração ao Único Deus, Criador de todas as coisas. O homem no seu afã de ser autônomo e viver alienado do Deus Vivo passou a inventar outros deuses e criar suas própria forma de cultos e adoração. Na realidade, eles invocam e cultuam os seres das trevas e o próprio Satanás. Era comum no cotidiano da civilização do Oriente Próximo essa miscigenação e culto á vários deuses. Manifestou-se a falsa adoração nas civilizações: cananeias, Babilônicas, mesopotâmica, pérsia, egípcia, filisteia, grega, romana, enfim, havia vários tipos de culto sacrificial ao deus daquela região. E a invocação aos mortos também fazia parte destes momentos litúrgico. A situação foi tão séria que o Eterno precisou deixar proibições nas Escrituras Sagradas de se cultuar aos mortos e outros deuses que não Ele. Êx. 20.23, 34.14; Dt. 6.14; II Rs. 17.35; Jr. 25.6 Os. 13.4; Mq. 5.12; Jo. 14.6 I Co. 15.29, ss.
Essa influência maligna das religiões antigas se perpetuaram até hoje, e atualmente várias religiões invocam e cultuam os mortos em vários tipos de manifestações, um verdadeiro sincretismo religioso. Aqui no Brasil especificamente as religiões espiritualistas e a católica romana apresentam em suas liturgias essa invocação e lembrança aos mortos durante seus cultos e sessões. É o que veremos abaixo de maneira sintética.
SÍNTESE: INVOCAÇÃO E CULTO AOS MORTOS.
Considerando que a consulta aos mortos [espiritismo] não é uma nova crendice aceita pela sociedade contemporânea, mas tem seu início e influência nas primeiras civilizações do Oriente Próximo, deduzimos então que esta prática pagã e demoníaca é realizada desde praticamente os primórdios das civilizações. O pastor Tácito da G. L. Filho e Ursula R. da G. Leite em seu livro sobre seitas do nosso tempo: Seitas Espíritas, nos traz a seguinte informação, “[...] já no Egito encontra-se o Livro dos Mortos e os misteriosos hieróglifos, cuja chave Champollion legou á humanidade , que revelam a crença numa vida além-túmulo, dedicando cerimônias especiais aos que se foram. Diversos povos antigos tinham o costume de enterrar todos os objetos e bens que pertenciam aos seus mortos, para que os utilizassem no além. Quer dizer, a crença na vida após a morte é tão antiga quanto a humanidade, pois a própria alma e suas capacidades psíquicas atestam tal verdade. No Antigo Egito, nasceu o famoso ocultista Hermes Trimegisto, e toda a sua literatura, pintura, arquitetura e religião estavam influenciadas com as crenças espíritas. Ramsés II, faraó no tempo de Moisés, era praticante da astrologia, sendo aquele que determinou os signos cardeais: Áries, Libra, Câncer e Capricórnio. Não somente ele, mas todos os faraós acreditavam nas predições astrológicas, utilizavam métodos ocultistas e acreditavam em superstições. Em Nínive e na Babilônia, os sacerdotes assírios e caldeus adotavam práticas espíritas e adivinhavam o futuro pelas estrelas. A grande biblioteca de 25 mil livros[ tabletes de argila escritos em cuneiforme] pertencente a Assurbanipal, rei da Assíria, continha mitologia, ciências ocultas, história e astrologia; esses livros despertaram muitas pessoas para o ocultismo e práticas espíritas. Na Índia, a base fundamental do culto dos brâmanes era a evocação aos mortos. Entre os gregos, havia o costume de consultar os oráculos, pessoas em comunicação com os deuses e que previam acontecimentos. Havia também a crença na reencarnação. Pitágoras[580-500 a.C.] pregava a transmigração da alma. Os romanos também consultava os mortos e se davam à adivinhação do futuro, utilizando-se das Sibilas, lendárias sacerdotisas de Apolo que teriam existido na Sicília, Itália, Cumes e em Tibur, e que tinham o dom de predizer o futuro. Homero, na Odisséia, escreve sobre Ulisses consultando, por conselho da maga Circe, á sombra de Tirésias, a alma de sua própria mãe e as de pessoas queridas. Cícero, grande orador romano, fala que seu amigo mantinha conversas com os mortos. Éfeso, Cumas, e Heracléia eram famosas por suas pitonisas. Nos primórdios do Cristianismo, a prática da magia e da adivinhação estava largamente difundida no mundo pagão, como atestam os pais da Igreja, especialmente Agostinho”.
Percebemos que a prática de consulta aos mortos fez e faz parte infelizmente da cultura humana. O homem por ser um ser espiritual, é impulsionado a estar constantemente em busca de uma ligação com a divindade, pois, a incerteza do futuro traz uma inquietação descomunal para o homem, como afirma Jó “O homem nascido da mulher, é de bem poucos dias e cheio de inquietações”, Jó 14.1. pela cegueira espiritual o homem não quer se submeter ao senhorio de DEUS, prefere se refugiar e buscar respostas as sua indagações aos demônios e ao próprio Satanás. Nos tempos atuais, a influência e crença na comunicação com os mortos não perdeu seu ímpeto. Há um número crescente de pessoas que creem na reencarnação dos mortos e na consulta a eles como fonte de guia e esperança para suas vidas.
Há uma semelhança quanto a crença na reencarnação e evocação aos mortos entre os espiritualistas e católicos romanos. Já no ano 600 foi instituída pelos bispos católicos a oração aos santos mortos. Segundo, o Dr. em educação da U/Paraná, Toledo e Andrade, doutorando em Educação pela mesma universidade, eles concordam: “A Análise da posição da teologia católica sobre o tema da oração pelos mortos, presente no Catecismo Romano (1566). O documento foi elaborado após o Concílio de Trento, por ordem do Papa Pio V (1504-1572, Papa desde 1566). Trata-se de um texto de estilo claro e fundamentação teológica sólida que teve a finalidade de apresentar de maneira sucinta as decisões do Concílio. A estratégia fazia parte do processo de confessionalização da religião vivido pelo cristianismo ocidental na segunda metade do século XVI. O documento apresentava a doutrina de maneira simples e direta porque era voltado à ampla divulgação entre os fiéis. Sobre o tema da oração pelos mortos, na Parte IV, Cap. V, § IV, está dito que “as orações que se fazem pelos defuntos, a fim de livrá-los do fogo do Purgatório, constituem uma prática já instituída pelos Apóstolos”. O Catecismo Romano serviu à ação pastoral e moldou a eclesiologia católica na Modernidade. Ainda, o autor vai afirmar acerca da doutrina da oração aos mortos: “Na teologia católica, esse tema faz parte dos estudos escatológicos sobre o “estado intermediário” - o intervalo entre a morte e a ressurreição do corpo. A doutrina propõe a existência de um terceiro estado, para onde vão as almas dos que não se encontram perfeitamente puros por ocasião da morte. As almas dos que são perfeitamente puros quando morrem são imediatamente recebidas no céu, mas os que não se acham perfeitamente purificados e que ainda levam sobre si a culpa de pecados veniais e não sofreram o castigo devido aos seus pecados, precisam se submeter a um processo de purificação, com o fim de serem purificados de seus pecados. A extensão da permanência das almas no purgatório não pode ser antecipadamente determinada. Citando Jacques Le Goff, o purgatório “é um além-intermediário, onde certos mortos passam por uma provação que pode ser abreviada pelos sufrágios a ajuda espiritual dos vivos”.
Sobre a questão da lembrança aos mortos e sua liturgia ofertada pela Igreja Católica, no Brasil, o dia dois de novembro conhecido como dia de finados, os romanistas acendem velas e visitam os cemitérios em lembrança e homenagem aos mortos. também faz parte da liturgia católica e é celebrada pelos padres as missas para relembrar seus entes queridos que morreram. Temos as missas: de sete dias; de trinta dias, de um ano, enfim, não seria isso uma evocação aos mortos ou simplesmente uma lembrança sem interesses, um gesto de amor? A bíblia afirma que quem desce a sepultura jamais torna a subir dela, “Tal como a nuvem se desfaz e passa, aquele que desce á sepultura nunca tornará a subir”, “Nunca mais tornará a sua casa, nem o seu lugar jamais o conhecerá”, Jó 7.9-10. O escritor anônimo á carta aos Hebreus é bem decisivo em sua afirmação: “E como aos homens estar ordenado morrerem uma vez vindo depois disso o juízo”, Hb. 9.27. Para Boettner, “A oração para os mortos tem uma ligação íntima com a doutrina do purgatório e é uma consequência lógica dela. Orações pelos mortos implicam dizer que seu estado não é final e inalterável, e que pode ser melhorado a pedido nosso”, (BOETTNER. 1985. pg. 236-237).
Ainda, segundo o pastor Tácito da G. L. Filho Leite e Ursula R. da G. L. Filho, “Católicos e espíritas crêem que a vida depois da morte depende do modo como aproveitamos a vida agora no corpo.; que os falecidos não rompem seus laços com os que vivem na terra; que no além nem todos são iguais; que os espíritos podem nos socorrer e ajudar..., Católicos e espíritas reconhecem a figura extraordinária de Jesus Cristo, reconhecem que as Leis do Evangelho são excelentes; que fora da caridade não há salvação. Católicos e espíritas aceitam que os espíritos do além[demônios/Satanás] podem manifestar-se ou comunicar-se conosco, espontaneamente ou de maneira provocada”, (FILHO & LEITE. 1994. pg. 18-19) . Conforme Wilges em seu livro “Cultura Religiosa – As Religiões do Mundo”, ele nos dá um panorama da visão que Kardec tinha do mundo dos mortos e sua ligação com os vivos. É oportuno compreendermos que, como o espiritismo se baseia na revelação dos espíritos[demônios] sobre aqueles que o invocam, quais sejam, os médiuns, então esses receptores das mensagens das trevas são conhecidos como codificadores. Era assim que se via Hippolyte Leon Denizard Rivail [Allan Kardec]. Allan Kardec foi o canal que teve “o privilégio” de recepcionar e psicografar os escritos ofertados pelos espíritos[demônios/anjos caídos] que seriam suas doutrinas afim de ensinar aos seus discípulos: “o espiritismo baseia-se na revelação dos espíritos [...] Allan Kardec descobriu que numa encarnação anterior tinha sido um druísta com este nome. É o codificador das mensagens dos espíritos[demônios/anjos caídos/almas desencarnada”, conforme (WILGES. 1999. pg. 116).
Compreendemos por alguns argumentos apresentados acima que há uma ligação natural entre as crenças espiritualistas e os católicos romanos. É óbvio que na doutrina espírita comparada com as doutrinas católicas apresentam discordância, pontos divergentes entre eles. Por exemplo os católicos não se reúnem para invocar os mortos como o fazem os espíritas em suas sessões afim de que estes desçam e tragam suas mensagens do além; e outro ponto divergente entre ambos é que os católicos não pregam a reencarnação dos mortos, apesar de rezarem á eles, fazendo seus pedidos, possivelmente uma evocação disfarçada, porque, como vou fazer um pedido a alguém que já morreu? Com todo a deferência, Maria estar morta, os santos apóstolos estão mortos, os primeiros pais da Igreja pós-apostólica estão mortos. Então, por conseguinte, ainda que a Igreja Católica não afirme que em seus cultos não se invoque mortos, todavia, é o que acontece lá, embora eles neguem peremptoriamente.
Enfim, o pilar do espiritualismo é a comunicação com os mortos em suas diversas manifestações e esta se dá de várias maneiras. A própria história do espiritismo, tanto o antigo quanto o espiritualismo contemporâneo, já evidenciam esta assertiva. Conforme, Ron Rhodes “O espiritismo experimentou um reinicio nos tempos modernos de invocação aos mortos com as irmãs Margareth[1836-1893], Leah[1814-1890] e Catherine Fox[1841-1892], na fazenda do seu pai John Fox. Afirmaram ter ouvido som de batida na casa e acreditavam que esses sons eram uma forma de comunicação através de um espírito de um homem assassinado, cujo nome era Charles Rosma”, (RHODES. 2007. pg. 51-52). Tanto hoje, quanto antigamente a prática espírita é estar viva e influenciando milhões de incautos e ignorantes, que não conhecem as verdades do verdadeiro Evangelho de Cristo.
CONCLUSÃO.
Não há como dissociar algumas práticas exercidas pelos espiritualistas e os adeptos do Catolicismo romano. A evocação aos mortos que se praticam nas sessões espíritas tem uma semelhança com as orações aos mortos realizadas nos cultos romanistas. Ainda que os católicos não creiam nem pratiquem a reencarnação e acreditem na ação de espíritos guias trazendo suas mensagens do além, manifestadas de diversas maneiras e formas, é, porém, mister salientar que há uma comunicação com o sobrenatural quando se estar rezando em favor de alguém que já morreu, e se estar evocando outro morto.
A Bíblia Sagrada condena veementemente qualquer tipo de consulta aos mortos. Em nenhum momento existe em qualquer parte dos textos Sagrados alusão ou referência alguma a se pedir algum favor ou orar a quem quer que seja que morreu. Pelo contrário a Bíblia Sagrada condena e proíbe a oração e os cultos aos mortos, essa verdade é bem cristalina , tanto no A.T. quanto no N.T.: “Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro”; “Quando, pois, vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os adivinhos, que chilreiam e murmuram: Porventura não consultará o povo a seu Deus? A favor dos vivos consultar-se-á aos mortos?, Isaías 8.19; “Nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos”, “Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor; e por estas abominações o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti”, Deuteronômio 18.10-12. Saul foi punido pelo Senhor Deus por ter consultado uma adivinhadora, “Assim morreu Saul por causa da transgressão que cometeu contra o Senhor, por causa da palavra do Senhor, a qual não havia guardado; e também porque buscou a adivinhadora para a consultar”, I Crônicas 10.13. O apóstolo Paulo repreende os novos convertidos da Igreja grega de Corinto por suas crenças no batismo em nome daqueles que já morreram: “Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles então pelos mortos?, I Coríntios 15.29., o próprio Cristo afirmou que somente Ele é o único caminho para que o homem possa chegar a Deus, de maneira que não há outro mediador: “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”, João 14.6. E Paulo corroborou com esta verdade: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem”, I Timóteo 2.5.
Concluímos que, não existe na Bíblia Sagrada nenhum mandamento ou fundamento teológico para que o homem venha a se consultar, homenagear, rezar ou evocar os mortos como forma de comunicação. Certamente quem pratica tal atitude religiosa é abominação perante o Senhor e estar trazendo para si espíritos malignos e o próprio Satanás, porque simplesmente estar ordenado aos homens morrerem uma só vez e daí segue para o juízo. Inúmeros textos Bíblicos confirmam essa afirmação: “Os mortos não louvam ao Senhor, nem os que descem ao silêncio”; Salmos 115.17; “Porque na morte não há lembrança de ti; no sepulcro quem te louvará?”; Salmos 6.5. “Os mortos não louvam ao Senhor, nem os que descem ao silêncio”, Salmos 115.17;ss. Amém.
FONTE.
1. BÍBLIA APOLOGÉTICA DE ESTUDO. ARCF. Trad. João Ferreira de Almeida. S. Paulo. 2006. Instituto Cristão de Pesquisa. 1657 pg.
2. FILHO, Tácito da G. L.. & LEITE, Ursula R. da G. Seitas do nosso Tempo – Seitas Espíritas. Vol. 5. S. Paulo. 1994. Editora Juerp. 125 pg.
3. RHODES, RON. A verdade por trás dos espíritos, médiuns e fenômenos paranormais. Trad. Gleyce Duque. R. de Janeiro. 2007. CPAD. 153 pg.
4. BOETTNER, Loraine. Catolicismo Romano. S. Paulo. 1985. Imprensa Batista Regular. 341 pg.
5. WILGES, Irineu. Cultura Religiosa – As Religiões do Mundo. R.J./Petrópolis. 1999. Vozes. 208 pg.
6. TOLEDO, Cezar de Alencar Arnaut de, & ANDRADE, Rodrigo Pinto. Artigo: A oração pelos mortos no Catecismo de 1566. Publicado em: htpp//:www.seer.pucgoias.edu.br.-journais-articles-attachment.
7. FOHRER, Georg. História da Religião de ISRAEL. Trad. Josué Xavier. 2012. S.P. editora Paulus. 542 pg.
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