segunda-feira, 16 de novembro de 2020

A ORIGEM DO MORMONISMO


Embora exista mais de um pensamento quanto ao inicio do Mormonismo, no tocante á maneira em que Joseph Smith tenha herdado a revelação e conseqüentemente o recebimento das placas,com as quais deu origem á Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, ou Mórmons como são conhecidos, utilizaremos o mais aceito e difundido como a “verdadeira” aparição dos seres celestiais. 

Mostraremos quem foi o fundador do Mormonismo, exporemos como se deu sua revelação e por fim detalharemos o estilo de vida desregrado o qual vivia, que culminou, de maneira precoce, num trágico fim, para alguém que se intitulava como portador da verdadeira mensagem da parte de Deus.


Um breve relato sobre Joseph Smith


Nascido em 23 de Dezembro de 1805 em Sharon, condado de Windsor, Vermont, localizado nos Estados unidos, Joseph Smith foi o quinto filho de Joseph Smith Sênior e Lucy Mack Smith, que ao todo teriam onze filhos.  Por conta dos insucessos constantes com as colheitas, algo que culminou na perca de sua propriedade rural anos antes, o senhor Smith se viu obrigado a mudar de horizonte, numa tentativa de recomeçar. Por volta dos 12 ou treze anos, mudou-se com os pais para a Vila de Palmyra em Nova Iorque, em busca de melhores condições de trabalho. Anos mais tarde, Smith Junior relembrou daquele momento de dificuldade passado por sua família: “Estando em situação quase indigente, fomos obrigados a trabalhar arduamente para sustentar uma família grande (...) e isso exigiu esforço de todos que eram capazes de proporcionar qualquer auxílio para o sustento da família” (SMITH, 2007, p.4).

O contexto no qual estava inserido determinante para a vida de Smith, que mais tarde seria chamado de o “profeta”, visto que seu pai era um homem voltado e envolto nas praticas do misticismo, além de demonstrar-se um homem com o caráter deturpado, algo que provavelmente tenha influenciado de forma negativa a personalidade de Smith Junior quando adulto. Talvez os fracassos da vida rural o influenciaram negativamente, impulsionando-o a buscar meios mais fáceis para ganhar dinheiro: a busca de tesouros e a impressão de dinheiro falso. Acerca das práticas controversas e delinqüentes realizadas pelo velho Smith temos o seguinte relato: 

O velho Joseph Smith era um homem místico que passava parte de seu tempo a procurar imaginários tesouros escondidos. [...] Além disso, algumas vezes tentou imprimir dinheiro falso, o que, pelo menos numa ocasião, levou-o a um confronto com a policia local. [...] Há ainda um registro em um numero da revista Histórical Magazine, de 1870, no qual esse juiz afirma que Smith era de fato um caçador de tesouros, e havia envolvido com um tal Jack Downing para fabricar dinheiro falso (MARTIN, 1992, p. 56)


O fato de ter o pai como caçador de objetos imaginários, sendo ele seu referencial, despertou em Smith Junior o desejo de trilhar os mesmos caminhos que seu patriarca, a busca por objetos misteriosos, algo que mudaria radicalmente sua vida e deixaria um legado (heterodoxo) para milhões de seguidores que viriam a aderir seus ensinamentos, a partir do encontro de objetos místicos. O resultado de suas muitas investidas na busca destes objetos, foram muitas crateras pelas cidades por onde passou, sobretudo em sua terra natal Vermon e Nova Iorque, local onde recebeu a mensagem celestial.

Já com a “revelação” em mãos, mas com a fama de caçador de objetos misteriosos, Smith distorceu uma história, em Outubro de 1825, com a finalidade de eliminar aquele rótulo que lhe seguia:

Em Outubro de 1825 fui contratado por um senhor de nome Josiah Stoal, que morava em Chenango, no Estado de Nova Iorque, para trabalhar para ele. Ele ouvira rumores de que os espnahóis haviam descoberto uma mina de prata em Harmony [...] antes de me contratar já havia começado a escavar o local [...] Depois me reuni a ele juntamente com outros trabalhadores [...] trabalhei no local por quase um mês, como não tivemos sucesso na empreitada, finalmente convenci o velho que deveríamos parar com as escavações. Daí provém a lenda de que na juventude eu teria sido caçador de tesouros (MARTIN, 1992, p. 56).


Obviamente que tal fala não passava de uma manobra do profeta, numa tentativa de elucidar sua fama, que não se referia apenas a especulações, antes provas documentais e históricas, onde graças a isso foi alvo de processo, sendo considerado culpado por crime de cavar terreno alheio a procura de tesouros. Acerca do episódio descrito por Smith, que de fato ocorreu, sua genitora traz um relato diferente do exposto pelo profeta, dizia ela que o senhor Stoal havia procurado seu filho, pois sua fama havia se espalhado e segundo o relato das pessoas, Smith possuía certos segredos e habilidades de encontrar objetos escondidos a vista das pessoas comuns, seria esse o motivo de Smith ter sido contratado pelo senhor Spoal (MARTIN, 1992).

O objeto pelo qual Smith possuía poderes sobrenaturais era uma “pedrinha mágica” que ele próprio alegava lhe conceder poderes sobrenaturais, lhe capacitando a encontrar objetos perdidos e ainda o poder de ler a sorte, nitidamente além da prática do misticismo, Smith vivia um profundo sincretismo religioso, beirando as práticas da bruxaria, uma vez que utilizada meios de agouro para adivinhar acontecimentos futuros, com isso enganava a muitos e lucrava com seus embustes, demonstrando ser um mentiroso e ganancioso, beneficiando-se da ingenuidade daqueles que o procuravam. Para asseverar este pensamento, trazendo um trecho da entrevista do pai de Smith a revista Historical Magazine, assim detalhou Martin: “Quando jovem o “profeta” utilizava com entusiasmo a “pedrinha mágica”, fora caçador de tesouros e mais, ele “lia a sorte”, localizava objetos extraviados por meio de uma pedrinha mágica” e alegava possuir poderes sobrenaturais para realizar tais façanhas” (MARTIN, 1992, p.57).

  É notório a capacidade de persuasão que Smith possuía, seu poder de influenciar as pessoas, fazendo com que estas acreditassem em suas manobras imaginárias, embora provavelmente houvesse situações em que Smith obtivesse êxito em sua empreitada, não se sabe com qual poder sobrenatural lhe conferisse essa capacidade, pois é fato que muitos recorriam á ele com o propósito de fazer uso de suas habilidades. Este pano de fundo foi a cereja do bolo de que Smith precisava para espalhar a notícia de que recebera um novo evangelho, mais uma vez enganando as pessoas, não apenas no âmbito financeiro, mas agora, no âmbito espiritual, embora desde mui jovem tinha o habito de defraudar também nas questões espirituais.

Foi em uma dessas buscas por objetos místicos, sendo apenas um adolescente de quatorze anos de idade que recebera a visão celestial, que pontuaremos mais a frente, logo percebe-se que sua inclinação ás praticas místicas se deu bem cedo, especialmente pelo modelo que tinha em sua casa, seu pai, que como vimos, vivia o misticismo aliado a seu desejo de enriquecer, dessa forma utilizada a busca de tesouros como a maneira mais rápida de obter tal enriquecimento.

Diante do apresentado vimos que o contexto social no qual Joseph Smith estava inserido foi fator decisivo na formação de seu caráter, sobretudo as práticas desonestas e místicas de seu pai, contribuíram diretamente no modo em que o “profeta” conduziu sua vida e enganou muitas pessoas.

A presunção de Smith é tanta a ponto de escrever o audacioso registro em um dos livros sagrados Mórmons, considerados como inspirados por Deus, gozando do mesmo nível de importância tal qual a Bíblia Sagrada, a seguinte mensagem a seu próprio respeito: “Joseph Smith, o Profeta e Vidente do Senhor, com exceção apenas de Jesus, fez mais pela salvação dos homens neste mundo do que qualquer outro homem que jamais viveu nele” (Doutrinas & Convênios 135:3).


Por 

Edson Moraes

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