Trecho do livro "Um Ateu Garante: Deua Existe. De Antony Flew (p.78, 79 e 80)
No discurso que fez na entrega do prêmio Templeton, Paul Davies disse que "a ciência só progredirá se os cientistas adotarem uma visão do mundo essencialmente teológica". Ninguém pergunta de onde vieram as leis da física, mas "mesmo os cientistas mais ateus aceitam, como um ato de fé, a existência de uma ordem na natureza que obedece a leis e é, pelo menos parcialmente, compreensível para nós". Davies rejeita duas comuns idéias errôneas. Diz que é errada a idéia de que uma "teoria de tudo" — teoria hipotética que unificaria todos os fenômenos físicos — mostraria que este é o único mundo logicamente consistente, e que isso pode ser demonstrado, porque não há nenhuma prova de que o universo é logicamente necessário, e na verdade é possível imaginar universos alternativos que sejam logicamente consistentes. Davies diz também que é uma "tolice completa" supor-se que as leis da física são leis nossas, não da natureza. Os físicos não podem acreditar que a lei da gravitação de Newton seja uma criação cultural. As leis da física "realmente existem", declara Davies, e o trabalho dos cientistas é descobri-las, não inventá-las.
Ele chama atenção para o fato de que as leis da natureza por trás dos fenômenos não são descobertas por meio de observação direta, mas reveladas por experiência e teoria matemática. Essas leis são escritas num código cósmico que os cientistas devem decifrar a fim de que seja revelada a mensagem que é "a mensagem da natureza, a mensagem de Deus — a escolha do termo é sua —, mas não nossa mensagem".
A questão principal, diz Davies, é dividida em três partes:
De onde vêm as leis da física?
Por que temos essas determinadas leis, em vez de um conjunto de outras?
Como explicamos o fato de que temos um conjunto de leis que dão vida a gases sem traços característicos, consciência ou inteligência?
Essas leis "parecem quase planejadas — funcionando em perfeita harmonia, como dizem alguns comentaristas — para que a vida e a consciência possam emergir". Ele conclui, dizendo que essa "natureza planejada da existência física é fantástica demais para que eu a aceite como um simples fato. Ela aponta para um significado fundamental e mais profundo da existência". Palavras como "propósito" e "planejamento", ele diz, captam apenas de modo imperfeito o porquê do universo. "Mas existe um porquê, disso não tenho a menor dúvida."
John Barrow, em seu discurso na fundação Templeton, observa que a complexidade infinita e a perfeita estrutura do universo são governadas por algumas leis simples, simétricas e inteligíveis. "Existem equações matemáticas, que parecem meros rabiscos num papel, que nos dizem como universos inteiros se comportam." Como Davies, ele descarta a idéia de que a ordem do universo é imposta por nossa mente. "A seleção natural não requer a compreensão de quarks e buracos negros para nossa sobrevivência e multiplicação."
Barrow observa que, na história da ciência, novas teorias ampliam e incluem teorias antigas. Embora a teoria da mecânica de Newton tenha sido substituída pela de Einstein — e poderá ser substituída por alguma outra no futuro —, daqui a mil anos engenheiros ainda recorrerão às teorias de Newton. Do mesmo modo, Barrow diz, as concepções religiosas a respeito do universo também usam aproximações e analogias para facilitar a compreensão de coisas novas. "Elas não são toda a verdade, mas isso não impede que sejam parte da verdade."
Enviado por Sandro Nascimento.
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