POR LEONARDO MELO
INTRODUÇÃO
Os hereges não se cansam de batalhar contra a sã doutrina. Sempre na história da Igreja surgiram apóstatas, falsos doutores e mestres. E no afã de atraírem discípulos para suas heresias eles fazem de tudo. Quebram regras da hermenêutica, forçam as intepretações textuais, executam a exegese textual eivada e influenciada por interpretações e leitura da Bíblia totalmente influenciada por filosofias meramente humanas fora do contexto em que o texto se evidencia.
Foi assim, e sempre será. Sempre haverá alguém avocando para sí a descoberta de uma nova ideia ou interpretação de alguma perícope ou narrativa Bíblica. No caso da Igreja Católica Romana, eles lançaram um fundamento doutrinário onde associam o apóstolo Pedro a uma sucessão consecutiva de chefes da Igreja católica a partir do primado de Pedro. Segundo o catecismo católico, Pedro tem uma relação de suserania com a sucessão do papado. Eles alegam que o texto contido em Mateus, 16.13-19 traz exatamente a confirmação dessa liderança petrina sobre a Igreja do Senhor Jesus e consequentemente seus sucessores são os Papas da Igreja Católica romana. Porém, ao analisarmos o texto mencionado anteriormente[Mt. 16.13-19], e fazendo uma exegese responsável e analisando a perícope detidamente então, facilmente entenderemos que os sacerdotes católicos estão extremamente equivocados em suas conclusões em relação ao texto.
PEDRO E O SACERDÓCIO CATÓLICO-ROMANO - SUA RELAÇÃO COM O PAPADO.
É a partir deste texto, Mt. 16.13-19, que nasce toda a controvérsia acerca de sua interpretação, colocando o apóstolo Pedro como o primeiro Bispo[Papa] da Igreja e que seus sucessores são os Papas da Igreja Católica Romana, que tem a primazia sobre todas as Igrejas. É notório o engano teológico pregado a partir deste texto pelos bispos e padres católicos. É razoável entendermos que essa heresia nasceu séculos atrás, mas precisamente, não há registros literários que possamos com convicção dizer exatamente, quem foi o primeiro sucessor de Pedro, isto é, se ele foi o primeiro bispo[Papa] de Roma e quem literalmente lhe sucedeu. Há muitas especulações e controvérsias históricas. Ademais, tem-se outro problema; realmente Pedro esteve em Roma? “A literatura romanista afirma que o sucessor do Bispo Pedro foi Leão I, “O Grande”, que o clero romano afirma ser o primeiro Papa no sentido literal da palavra. Este Papa assumiu a função em meio a uma conflito doutrinário Cristológico que dividiu o Oriente”, segundo, [GONZALEZ.2009].
Eis, a pericope do texto de Mateus 16.13-19:
“E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem”? “E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas. Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou”? “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.
“E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus”. “Pois, também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”; “E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.
Segundo, [BOETTNER. 1985] houve um arcebispo e Cardeal da Igreja Católica Apostólica Romana, no Estado de Baltimore, nos EUA, e um dos maiores representantes da Igreja Católica americana, de nome James Gibbons[1834-1921] que escreveu em seu livro “Faith o four Fathers”[A Fé de nossos Pais] acerca da primazia de Pedro como Bispo ou primeiro Papa e sua relação com a sucessão dos Papas da Igreja Apostólica Romana. Ele afirmou: “A Igreja Católica ensina que nosso Senhor conferiu a S. Pedro o lugar máximo de honra e jurisdição no governo de toda a sua Igreja, e que a mesma supremacia espiritual sempre residiu nos Papas, ou bispos de Roma, como sucessores de S. Pedro. Consequentemente, para sermos verdadeiros seguidores de Cristo, todos os cristãos, tanto o clero como os leigos, devemos estar com a Sé de Roma, onde Pedro governava na pessoa de seu sucessor”.
Assim como Maria, a mãe de Jesus tem sua importância no credo Católico e é venerada, a ponto de ser considerada como Co-redentora e mediadora entre Deus e os homens, e ter uma doutrina que a estuda com exclusividade, exaltando seus atributos e sua pseuda-divindade, “A Mariolatria”, o apóstolo Pedro também ocupa um lugar diferenciado no cerne do Credo Católico Romano e a partir da crença que Pedro foi o primeiro Bispo[Papa] da Igreja em Roma, é que estão alicerçados toda a base doutrinal para a instituição do Papado e, é o que lhe confere sustentação Bíblico-Teológico para justificar a existência dos Papas ao longo dos séculos na Igreja Católica Apostólica Romana. É notório observarmos que o texto em que os bispos católicos tentam justificar a sucessão papal ligando-a ao apóstolo Pedro não tem nenhuma fundamentação bíblica, pois, o texto de Mateus 16.13-19 não afirma em nenhum momento que Jesus designou o apóstolo como chefe da sua Igreja, nomeando-o, Papa.
Também, as evidências internas e externas não comprovam ou não afirmam que Pedro esteve em Roma, não há como provar essa assertiva defendida pela Igreja Católica. Simplesmente não há registros históricos sobre o assunto. O que existe são conjecturas. Então, surge a questão, se este assunto era relevante, porque nem um dos pais da Igreja comenta sobre ele? Simplesmente há um silêncio sepulcral. Agostinho, de Hipona[354-430 d.C.] por exemplo afirmou sobre essa perícope Bíblica; “Nesta pedra, então, disse Ele, a qual tu confessaste. Eu construirei minha Igreja. Esta pedra é Cristo, e nesta fundação o próprio Pedro construiu”. Então, para Agostinho, não poderia ter sido mais claro em sua interpretação da pedra de Mateus 16. Em sua visão, Pedro é representativo da Igreja toda. A pedra não é a pessoa de Pedro, mas o próprio Cristo. De fato, na declaração acima, em uma exegese de Mateus 16, ele explicitamente diz que Cristo não construiu sua Igreja sobre um homem, referindo-se especificamente a Pedro. Se Cristo não construiu sua Igreja sobre um homem, então Ele não estabeleceu um ofício papal com sucessores de Pedro nos bispos de Roma. Novamente, se alguém examinar a documentação dos escritos de Agostinho que são fornecidos sobre Jesus, Pedro e as Chaves, esta particular referência não será encontrada. Claramente, os autores negligenciam prover tal documentação porque ela mina completamente a posição deles”. Esta é a posição doutrinária de um dos maiores teólogos que a Igreja cristã já teve pós era apostólica e excetuando Jesus.
Outrossim, os pais da Igreja, Tertuliano, afirmou no início do séc. III, que o Bispo de Roma seria usurpador, se aspirasse a supremacia, e Santo Ambrósio, afirmou não reconhecer a supremacia papal. Percebemos claramente que o papado não era unanimidade entre a liderança da cristandade e muitos não o reconheciam como sucessores de Pedro na terra.
Salientamos ainda que jamais o apóstolo Pedro reivindicou para sí supremacia ou autoridade sobre os demais apóstolos. Em suas duas epístolas, ele simplesmente silencia sobre tal fato. Se era importante para a Igreja e para o próprio apóstolo a supremacia da liderança, porque ele não faz menção em seus escritos[duas epístolas]? São perguntas que os bispos e padres romanos não conseguem responder tecnicamente, com argumentos lógicos e convincentes.
Para corroborar com o credo petrino da sucessão papal, os bispos romanistas criam para o Sumo Pontifcie, um título utópico, o de “infalível”, que fere frontalmente a doutrina Bíblica do pecado, que afirma que todo nós somos pecadores, inclinados ao mal, e precisamos continuamente do perdão dos nossos pecados, muitas vezes oculto e manifesto em nossas mentes e pensamentos que só o Senhor Jesus conhece. Romanos 3.10: “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer”; o sábio Salomão, filho do Rei David, afirmou em seus escritos da Meguilá, Eclesiastes, 7.20: “Na verdade que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque”. Então, este foi mais um atalho teológico que os bispos romanistas acharam para justificar a supremacia e poder do papado.
É interessante que as duas palavras que aparecem no texto de Mt. 16.13-19, Chave[princípio de autoridade] e pedra[petros, pedra pequena, simples pedregulho], são justamente as palavras que os bispos romanos dão maior ênfase na perícope, através de uma exegese eivada, que pudesse vir corroborar com a supremacia do apóstolo Pedro sobre a Igreja de Cristo, e que essa supremacia seja estendida aos seus sucessores, os Papas. É a fórmula que eles encontraram afim de ligar Pedro a sucessão Papal, e esta ser exercida em toda a sua plenitude, sem questionamentos. O texto de Mateus ora exemplificado, denota claramente o absurdo teológico cometido pelos teólogos católicos ao forçar o texto a afirmar uma coisa que o texto não diz. A própria Bíblia interpretasse por sí mesma. Estejamos, pois, alerta aos falsificadores da Palavra de Deus.
CONCLUSÃO.
A Bíblia afirma que sempre a verdade prevalecerá. É isto que o apóstolo Paulo afirma ao escrever uma de suas cartas á Igreja grega em Corinto: “Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade”, II Coríntios 13.8. As heresias surgem para arraigar mais a fé dos filhos de Deus em sua sacrossanta Palavra e expor as mentiras daqueles que dão lugar aos demônios para formular suas doutrinas. Ensinos heréticos tem suas origem nas trevas, são doutrinas de demônios, onde os homens dão lugar aos mesmos[demônios] e que tem já suas mentes cauterizadas[marcada com fogo, impressa], isto é influenciadas por Satanás e seus anjos, cf. I Tm. 41.1; O nosso Jesus nos alerta que próximo a sua vinda para arrebatar sua Igreja surgiriam muitos falsos profetas, é o que os sinóticos nos adverte: “E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos”, Mateus 24.11, ainda, O Mestre nos avisa: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores”, Mt. 7.15, conforme, Marcos 13.22; Lucas 22.8.
Logo, falsos ensinos, disseminação de heresias, falsos mestres e doutores, teólogos heréticos, sempre acompanharam a história da Igreja, só acompanharam, porém nunca conseguiram macular a história da verdadeira Igreja de Cristo Jesus e sua Palavra Santa, porque o Senhor da Igreja é a própria Verdade, é o Deus dela, consequentemente, as mentiras e enganos não se sustentam, são expostas á Verdade e são desmascaradas, assim como, as falsas religiões. Além do Espírito Santo perscrutar as profundezas de Deus como diz o apóstolo Paulo, II Coríntios 2.10, “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus”. Mesma coisa é a Palavra de Deus, é tão poderosa que revela todas as coisas que estão ocultas aos nossos olhos, e discerne as intenções dos homens: ”Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”. “E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar”, Hebreus 4.12-13.
Enfim, não tem condições dos ensinos heréticos se sustentarem diante da verdade que é a Palavra de Deus. A Palavra é o nosso Cordel, o aferidor de onde se encontra a verdade. Ao longo da sua história a Igreja verdadeira do Senhor Jesus Cristo sempre conviveu com as heresias que surgiam paralelamente ao crescimento da Igreja, todavia, Deus sempre levantou homens e os capacitou para defenderem a fé genuína e desbancar as heresias e reprovar as doutrinas de demônios. É essa visão apologética que Judas tem ao escrever sua carta[epístola], “[...],e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos”, Jd. 3b é como Paulo afirma: “E até importa que haja entre vós partidos[haireseis], para que os que são sinceros se manifestem entre vós”, I Coríntios 11.19, isto é, na realidade é inevitável que haja tal seletividade, porque só assim, se descobre a verdade!
É por isso que a Igreja Católica Apostólica Romana tomou o rumo que tomou, apostatou totalmente do verdadeiro Evangelho de Cristo, ensinando em seu meio preceitos de homens e pregando um falso evangelho, onde milhões de pessoas principalmente no nosso país tem seguido seus ensinamentos heréticos, e alguns levados por uma falsa “tradição, seguem enganados e cegos quanto as verdades presentes na Palavra de Deus. É por isso que o nosso Senhor afirma sobre a situação dos fariseus de sua época e que tem aplicação para os dias atuais: “Deixai-os; são cegos condutores de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova”, Mateus 15.14. amém.
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