Por Hugh Ross
Quando eu tinha oito anos, comecei a economizar para comprar um telescópio. Demorou vários anos, mas finalmente reuni moedas suficientes para comprar o aparelho. Com a ajuda do meu pai, o montei e projetei um local adequado para o colocar e, por fim, observei o céu pelo meu telescópio.
Eu fiquei maravilhado. Eu nunca tinha visto nada tão lindo, tão incrível. O espetáculo era bom demais para não ser compartilhado. Então transferi meu instrumento do quintal para a frente da casa para que pudesse convidar meus vizinhos para se juntarem a mim. Mas nenhum convite foi necessário. Assim que coloquei meu telescópio na calçada, uma multidão entusiasmada se formou, uma multidão que ficou até tarde da noite.
Naquela noite, comecei a perceber que muitas pessoas, talvez todas as pessoas, ficaram fascinadas com os anfitriões estrelados. Certa vez, pensei que a imensidão dos céus fosse responsável por esse fascínio. Contudo, essa é apenas uma parte da história, mas há mais. Há o mistério do que realmente existe lá fora, o que esses pontos de luz podem ser, o mistério de como todos eles chegaram lá e do que está acima e além. Olhar para o céu noturno parece levantar questões profundas não apenas sobre o universo, mas também sobre nós mesmos.
O Universo e Você
A Cosmologia é o estudo do universo como um todo - sua estrutura, origem e desenvolvimento. Esse não é um assunto apenas para acadêmicos em suas torres de marfins. A cosmologia é para todos.
Nas palavras do historiador, economista e presidente da faculdade Dr. George Roche, “realmente importa, e importa muito, a maneira como pensamos sobre o cosmos.” [1] O que Roche quer dizer é que nosso conceito de universo molda nossa visão de mundo, nossa filosofia de vida e, portanto, nossas decisões e ações diárias.
Por exemplo, se o universo não foi criado ou é de alguma forma acidental, então ele não tem significado objetivo e, conseqüentemente, a vida, incluindo a vida humana, não tem significado. Uma cadeia mecânica de eventos determina tudo. Moralidade e religião podem ser temporariamente úteis, mas são irrelevantes em última instância. O Universo (com U maiúsculo) é a realidade final.
Por outro lado, se o universo foi criado, então deve haver realidade além dos limites do universo. O Criador é essa realidade última e exerce autoridade sobre todo o resto. O Criador é a fonte da vida e estabelece seu significado e propósito. A personalidade do Criador define a personalidade. O caráter do Criador define a moralidade.
Assim, estudar a origem e o desenvolvimento do universo é, em certo sentido, investigar a base de qualquer significado e propósito para a vida. A cosmologia tem profundas ramificações teológicas e filosóficas.
Infelizmente, muitos pesquisadores se recusam a reconhecer essa conexão. Em nome da objetividade, eles reúnem e examinam os dados por meio de um par de óculos especial, os óculos “Deus-não-é-necessário-para-explicar-nada”. É difícil para eles admitirem que tais lentes representam sua posição teológica, sua fé pessoal. Também conheci pesquisadores que lêem o universo através dos óculos "Deus é quem-ou-o-que-eu-escolher".
Embora ninguém seja perfeitamente objetivo, alguns pesquisadores estão dispostos a reunir e integrar os dados para ver qual teoria das origens é mais consistente com os fatos – seja o que for que essa teoria diga sobre a necessidade e as características de um Originador.
Chauvinismo Cosmológico
Como a cosmologia investiga questões tão pesadas e pessoais, ela evoca possessividade e competição. Isso talvez seja mais evidente hoje do que nunca. Três grupos disputam a autoridade suprema no assunto: cientistas, teólogos e filósofos.
O chauvinismo dos cientistas é exemplificado por uma conversa estimulante que ouvi em meus dias de graduação na Universidade de British Columbia. “Não só um bom físico pode fazer física melhor do que qualquer outra pessoa”, disse o professor, “ele pode fazer qualquer coisa melhor do que qualquer outra pessoa”. Ele expressou a crença de que o treinamento em ciências é essencial para enfrentar os desafios da vida moderna. Em um curso de pós-graduação em relatividade, meu professor lamentou a intromissão dos teólogos na cosmologia. “Hoje”, ele se gabou, “temos sido capazes de espantar a maioria dos ministros para fora da cosmologia com uma aplicação direta do cálculo tensorial.” [2]
Em uma reunião de filósofos, ouvi um distinto orador lamentar com seus colegas sobre a 'intrusão’ desastrada dos cientistas na cosmologia. “Até os melhores físicos”, disse ele, “são péssimos filósofos”.
Em um colóquio de teologia, ouvi do púlpito que apenas os teólogos têm o direito de interpretar toda a ciência, já que são formados na mãe das ciências, a teologia. O palestrante concluiu com uma nota dramática: “Os cientistas têm apenas as observações. Temos revelação!”
O chauvinismo cosmológico não é simplesmente uma manifestação de orgulho acadêmico. Ele reflete décadas de crescente especialização em educação. As universidades há muito abandonaram a teologia de seu currículo de ciências. Poucos seminários, se é que ainda exista algum, atraem alunos com alguma formação científica. Estudantes de filosofia podem ter noções de teologia e ciência, mas geralmente não em profundidade. Os alunos de teologia e filosofia podem estudar a história de suas disciplinas, o que raramente os alunos de ciências estudam. Os frutos inevitáveis de tal especialização são polarizações, conflitos e mal-entendidos, sem mencionar a negligência com as pessoas comuns, cujos dólares de impostos sustentam grande parte da pesquisa em cosmologia. Sei que a especialização é necessária para avançar as fronteiras do conhecimento, mas imagine o quanto poderíamos aprender sobre a realidade de forma mais eficiente e eficaz se adotássemos uma abordagem interdisciplinar, dando atenção adequada ao contexto histórico.
Se os especialistas deixarem de se intimidar mutuamente e pararem também de intimidar os leigos e começarem a dialogar em termos compreensíveis, qualquer um que deseje, poderá explorar e integrar os fatos sobre o nosso universo. Então, todos nós, incluindo os novatos, podemos enriquecer nossa compreensão do significado e propósito para o universo, para a vida, para a humanidade e para todas as pessoas.
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Fonte:
ROSS, Hugh. The Creator and the Cosmos: How the Greatest Scientific Discoveries of the Century Reveal God. Colorado Springs, Colo.: NavPress, 2001, pp 11-13
Tradução Walson Sales
Traduzindo trechos e buscando editoras interessadas nas publicações.
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Notas:
[1] George Roche, A World Without Heroes: The Modern Tragedy (Hillsdale, MI: Hillsdale College Press, 1987), 120.
[2] Hugh Ross, The Biblical Forecasts of Scientific Discoveries (Pasadena, CA: Reasons to Believe, 1987).
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