Por Paul Copan
Uma crítica ou uma ideia que vem da Filosofia da Religião é a de que a crença em Deus é uma espécie de esmagamento psicológico do homem. A ideia de que Deus é apenas o cumprimento dos desejos humanos, mas que na verdade Deus não é um ser real que verdadeiramente criou os céus e a terra, mas apenas o resultado dos desejos e projeções humanas e assim por diante. O argumento do esmagamento psicológico foi muito usado por ateus famosos no passado e um dos mais famosos por criar este argumento foi o filósofo alemão Ludwig Feuerbach, que escreveu no livro A Essência do Cristianismo que “religião é um sonho da mente humana”. Feuerbach foi quem influenciou Sigmund Fleud, que por sua vez escreveu em seu livro O Futuro de uma Ilusão que “Ideias religiosas surgiram da mesma semente que surgiram todas as demais metas e realizações das civilizações, apenas por causa da necessidade de defesa contra a força superior da natureza”, ele disse que “crenças religiosas são apenas ilusões ou realizações dos desejos mais antigos, mais fortes e mais urgentes da humanidade”. Então, basicamente, “Deus foi o que era necessário para que a humanidade pudesse atravessar o caminho da vida, pois crer em providência divina foi o que nos capacitou a acalmar nossos medos sobre a vida”. Karl Marx, que também foi influenciado pelo que Feuerbach disse, defendia que “a religião é o ópio do povo. Deus é um tipo de analgésico que nos ajuda a atravessar períodos de dificuldades econômicas, materiais e circunstânciais e isto é apenas tudo o que Deus é”. De fato, mesmo em nossos dias vemos pessoas como o biólogo Richard Dawkins que tenta encontrar explicações biológicas para a crença em Deus. Como resultado ele acha que uma biologia defeituosa, genes defeituosos são os motivos das crenças e assim por diante. Então há essa ideia de pensar em Deus como o resultado de um pensamento inferior, infantil, algo do tipo falacioso e o que precisamos fazer, [diz ele], é pensar que essas pessoas creem em Deus porque elas não podem encarar a vida como ela é, e apesar da crença em Deus ser completamente irreal, essas pessoas usam essa crença como um efeito placebo para que elas possam suportar as dificuldades da vida.
Assim, como responder a essas acusações do argumento ateu chamado Esmagamento Psicológico? Como responder aos ateus que dizem que você só acredita porque está sujeito a esse esmagamento psicológico? Ao olharmos a questão como um todo, é importante perguntar: e se a devoção religiosa for uma resposta adequada para o Deus que realmente existe? E se toda essa questão levantada por Feuerbach e cia for, na verdade ou talvez, apenas zombarias? As Escrituras indicam que fomos criados com um anseio inato por Deus, porque fomos criados por Deus. Como Eclesiastes 3 que diz que Deus colocou a eternidade no coração do homem e João Calvino falou que temos um Sensus Divinitatis, um senso do divino em cada um de nós, a ideia de que fomos planejados para crer em Deus quando funcionamos de forma apropriada, quando confiamos em Deus, mesmo que o pecado distorça, obscureça e influencie essa percepção.
O problema do argumento psicológico de que os que creem estão apenas procurando essa figura paterna para suas vidas não é apenas que esse é um péssimo argumento, esse é o argumento chamado de Ad Hominem, um argumento que ataca a pessoa, mas não o próprio argumento. Esse argumento comete o que é conhecido como Falácia Genética, que tenta provar ou refutar uma crença baseado na origem dessa crença. Por exemplo, é como se você rejeitasse a ideia de que 2 + 2 = 4 baseado numa péssima experiência com um antigo professor. Essa é uma estratégia boba, precisamos separar as experiências negativas que tivemos, da verdade em si ou da ideia que estamos abordando sem olhar para o que originou essa experiência, seja de um professor ou de um péssimo professor e ver se ela afeta, se esta é uma afirmação de verdade ou não, e você pode encontrar a verdade. George Macdonald disse que a verdade é a verdade, independente se saia dos lábios do falso profeta Balaão no livro de Números, ou dos lábios de Jesus. Logo, precisamos separar quais são as motivações para se acreditar numa experiência, da própria verdade.
Fonte:
COPAN, Paul. The Christian Philosophy of Religion Course: The Christian Metanarrative (Class One). St. Edmond, Oklahoma: Credo House, 2019
Tradução Walson Sales
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