terça-feira, 6 de abril de 2021

Introdução do livro “A Existência de Deus e os Ateus: Uma Apologética com Diálogo” publicado pela FASA em 2019

Por Walson Sales

 

Este manual surge em um momento crucial. Estamos vivendo no tempo da informação, e o conhecimento está disponível como nunca antes. Muitos jovens cristãos estão sendo atacados nas escolas e universidades. Eles são ridicularizados por crerem em Deus. A crença em Deus, hoje, é considerada, nos meios acadêmicos, como algo ultrapassado, e o crente é tratado como alguém digno de pena em uma sociedade considerada pós-cristã e pagã. Dentro deste mundo de informações, nós não podemos conhecer tudo, entretanto, podemos “estar preparados para responder com mansidão a razão da esperança que há em nós” (I Pedro 3.15). Não só podemos, precisamos. Como poderemos estar preparados para responder e dar uma razão da nossa crença? Como poderemos justificar o tempo que temos desperdiçado? E como podemos utilizar a nossa mente como uma ferramenta tão poderosa que Deus nos deu? J. Gresham Machen (apud CRAIG, 2004, p. 15) afirma acertadamente que “hoje o principal obstáculo à religião cristã está no campo do intelecto, a igreja está perecendo hoje por falta de reflexão e não por excesso”. E é nesse campo que as questões devem ser discutidas. Mas utilizar a razão em questão de fé significa necessariamente que “provar”, por exemplo, a existência de Deus a um ateu quer dizer “fornecer evidência adequada ou dar boas razões, sendo possível concluir que é possível provar a existência de Deus e a veracidade do cristianismo” (GEISLER, 2002, p. 60).

Os cristãos sempre defenderam suas crenças no campo das ideias. Um exemplo bem conhecido na vida do apóstolo Paulo – particularmente apreciado por apologistas – é sua palestra no Areópago em Atenas, mencionado em Atos 17. Nesse local, onde importantes assuntos civis e religiosos eram discutidos, Paulo dirigiu-se a uma audiência diversificada e educada, incluindo “filósofos Epicureus e Estoicos” (v. 18). Paulo procurou estabelecer um fundamento comum em sua audiência, reconhecendo a devoção religiosa dos atenienses, citando dois de seus poetas e conectando suas intuições sobre o“deus desconhecido” com o Deus da Escritura e a pessoa e obra de Jesus Cristo. Dois mil anos depois, aqueles entre nós que se esforçarem para recomendar o Evangelho e a cosmovisão cristã a uma audiência cética estarão seguindo os passos de Paulo. Um dos locais mais importantes no mercado das ideias hoje é a internet, o Areópago moderno (REESE, 2010). E, no nosso propósito aqui, a universidade.

Muitas ideias têm sido propagadas contra a fé, principalmente contra o Cristianismo, pelos principais líderes ateus da atualidade. O problema com as declarações de Christopher Hitchens, por exemplo, de que “a religião envenena tudo” é que é tanto vaga quanto extrema. O termo religião na literatura existente é notadamente vago e difícil de definir. Se Dennett e Hitchens sugerem que Stalin era “religioso” de alguma maneira, então, neste ponto, nós levantamos nossas mãos em perplexidade. A declaração de Hitchens sobre a influência nociva da religião também é extrema em seu desequilíbrio. A religião envenena tudo e não traz benefício algum? Mais ponderados, ateístas sofisticados discordariam fortemente. Como o filósofo ateu Walter Sinnott-Armstrong responde, esse slogan de que a religião envenena tudo é “impreciso e insultante”. Ele aconselha os ateus a não aplaudir ou rir das brincadeiras de Hitchens nem permanecer em silêncio. Para Sinnott-Armstrong, a crítica de Hitchens é “como um parente decrépito” que está constantemente fazendo “afirmações bizarras”; sua apreciação nem é justa, nem muito esclarecedora (COPAN, 2011, p. 217). Não negamos que pessoas se utilizaram de um zelo religioso na história e fizeram coisas que não representam os ensinos originais do Evangelho, como as Cruzadas, a Inquisição, a caça às bruxas e a luta entre católicos e protestantes na Europa. Uma análise impessoal mostrará que essas ações foram realizadas por pessoas que se afastaram dos ensinos originais do Cristianismo.

Antes de prosseguir lendo, você precisa aprender como dialogar com os que criticam a sua fé: você sempre deve, depois de apresentar a sua versão ou a versão da sua crença, exigir uma resposta do seu opositor. Você perceberá que a resposta não terá uma base racional e estará em um nível de fé absurda, até mesmo infantil, quando os padrões metodológicos são utilizados. Você verá que os seus oponentes criticam o que não conhecem e, pior, sem um verdadeiro conhecimento científico ou filosófico. É quando o naturalismo metodológico ou o naturalismo filosófico surge como se fosse a verdadeira ciência. Mas essa é uma oportunidade única para iniciar um diálogo. Carson Weitnauer (2013) define que , em qualquer diálogo entre diferentes cosmovisões, é crucial definirmos nossos termos cuidadosamente. Existem muitos tipos de “ateísmo”, mas talvez a versão mais comum é também chamada de “Naturalismo”. Em uma conferência em 2012, proeminentes ateus como Richard Dawkins, Daniel Dennet, Rebecca Goldstein, Alex Rosenberg, Sean Carrol, Jerry Coyne e Steven Weinberg definiram os seus pontos de vista em comum como:

 

A visão de que só há uma esfera de existência, o mundo natural, cujo comportamento pode ser estudado por meio da razão e da investigação empírica. Os princípios básicos de funcionamento do mundo natural parecem ser impessoais e invioláveis; componentes microscópicos de matéria inanimada obedecendo as leis da física se ajustam em estruturas complexas para formar seres humanos inteligentes, emotivos e conscientes.

 

Aqui nós devemos fazer uma decisão entre duas realidades potenciais: um mundo em que somente as forças naturais estão funcionando (uma cosmovisão ateísta conhecida como Naturalismo Filosófico) ou um mundo em que forças sobrenaturais estão funcionando em adição às forças naturais (como representado pela Cosmovisão Teísta), (WALLACE, 2010). O Cristianismo está inserido na Cosmovisão Teísta. É a crença de que existe um Deus por trás da criação. Portanto, não fique triste ao ser chamado de bobo ou infantil por crer em Deus, você está diante de uma grande oportunidade de pedir uma resposta aos maiores questionamentos da existência humana, e eles não recebem uma resposta coerente sem a presença de Deus no argumento. Entretanto, não se esqueça de exigir do seu oponente, sempre com muito respeito, o que ele pensa e como ele pode provar que Deus não existe. Mcgrath (2008, p. 129) afirma que “de todas as religiões do mundo, o cristianismo é a que foi submetida ao exame mais intenso, persistente e crítico nos últimos trezentos anos. Ela sobreviveu nos meios culturais e intelectuais mais hostis”. Sem esquecer que o autor menciona que o Cristianismo é a única religião do mundo que repousa sobre 4 fundamentos: história, razão, revelação e experiência. Isso é muito significativo pelo fato de que todos os demais pensamentos religiosos tropeçarão em um desses pilares (Ibdem). Você não irá sucumbir agora, pois você é o agente que será usado por Deus nesta luta, Weitnauer (2013) arremata. Mas, e sobre o ateísmo? Embora tenha sido persistentemente vendido a nós como uma visão de mundo que representa a razão e a ciência, a verdade é que a cosmovisão ateísta está cheia de contradições e afirmações bizarras. E comoa maior parte das pessoas secularizadas não estudaram o porquê do ateísmo ser verdadeiro, uma excelente estratégia evangelista para você e sua igreja é entender os desafios do ateísmo.

Quando se fala das Origens, logo vem a nossa mente o dualismo Criação x Evolução. A Criação é colocada pelos cientistas, de forma geral, como algo ilusório. A Evolução (materialismo, ateísmo e naturalismo), segundo eles, é o verdadeiro conhecimento científico sobre as Origens, primeiro do Universo e depois da Vida. Onde está a verdade sobre esse tema? A Bíblia dá-nos informação confiável sobre a origem de todas as coisas como algo criado por Deus? A Bíblia afirma: “Os céus proclamam a Glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos (Salmo 19.1).” O primeiro verso da Bíblia também declara de forma inequívoca: “No principio criou Deus os céus e a terra (Genesis 1.1)”.

Perceba que a Bíblia não se preocupa em provar a existência de Deus, ela pressupõe a existência de Deus como um axioma. Quais seriam as implicações de se negar esses versos bíblicos? Primeiro essas informações não seriam verdadeiras. Segundo, possivelmente Deus não existiria. No entanto, a maioria dos ateus não tem boas razões para a descrença. Eles simplesmente aprenderam a repetir o Slogan: “Não existem boas evidências para a existência de Deus! ”. No caso do cristão que não tem boas razões ou bons argumentos para o que ele crê, esse slogan serve como um efetivo ponto de parada da conversa. Mas, se nós temos boas razões e bons argumentos para a nossa crença, então esse slogan serve como um efetivo ponto de partida na conversa. Os ateus tendem a ser pessoas muito apaixonadas e querem crer em alguma coisa. Aqueles que simplesmente repetem esse slogan após os argumentos a favor da existência de Deus fazem sempre declarações vazias.

Vamos iniciar nossa investigação com os cinco maiores questionamentos da existência humana:

 

1 – Origem: De onde viemos?

2 – Identidade: Quem somos?

3 – Propósito: Por que estamos aqui?

4 – Moralidade: Como devemos viver?

5 – Destino: Para onde vamos? (GEISLER & TUREK, 2006, p.20).

 

Esses são os maiores questionamentos da existência do Universo e da Vida em nosso planeta. E o Evolucionismo (Materialismo, Ateísmo, Naturalismo) não responde a essas perguntas coerentemente. Nem por meio da ciência nem da Filosofia. A única resposta a essas perguntas encontra-se na revelação de Deus, tanto na Criação quanto na Bíblia. Não existe uma real batalha entre a ciência e o Cristianismo. Podemos ver isso na Revelação Geral e Especial, respectivamente comparando-as com as descobertas científicas de forma geral. Eu sustento a cosmovisão teísta porque eu creio que ela explica melhor o mundo ao meu redor e de uma forma que simplesmente não pode ser igualada pelo naturalismo filosófico, que é inerente ao ateísmo. Para as 10 mais intrigantes e importantes questões existenciais levantadas pelos seres humanos, o teísmo cristão continua a oferecer a melhor explicação, especialmente quando comparado ao naturalismo filosófico (ateísmo) e às religiões orientais (que é à base de todo o pensamento espiritualista esotérico no mundo). Veja, por exemplo, a ampliação desses grandes questionamentos:

 

· Como o Universo passou a existir?

· Porque há aparência de Design (Sintonia Fina/ajuste fino) no Universo?

· Como a vida se originou?

· Porque há aparência de Evidência de Inteligência na Biologia?

· Como a Consciência Humana passou a existir?

· De onde vem o livre-arbítrio?

· Porque os seres humanos são tão contraditórios na natureza?

· Porque existem Verdades Morais Transcendentes?

· Porque nós acreditamos que a vida humana é preciosa?

· Porque existe Dor, Mal e Injustiça em nosso mundo? (WALLACE, 2010).

 

Como já especulava o grande filósofo e matemático Gottfried Wilhelm Leibniz, “..a primeira questão que nós temos o direito de perguntar será, ‘porque existe alguma coisa ao invés do nada?’” (apud DEMING, 2010).[1] Esses questionamentos são tão sérios que, só para nós termos uma ideia, a primeira pergunta não faz sentido sem a intervenção de Deus. Se alguém quiser saber apenas sobre a Origem, ele tem que enfrentar os problemas decorrentes. Sendo assim, tratarei sobre cinco pontos básicos sobre o assunto da existência de Deus, a saber: A Origem do universo, a Ordem Complexa do Universo e da vida, O Argumento da Moralidade, Os Fatos Históricos concernentes à Morte e Ressurreição de Jesus e a Experiência Imediata de Deus, sendo esta última apenas implícita de uma forma geral e específica no Cristianismo. Abordarei aqui alguns assuntos que, tomados em conjunto, constituem um poderoso argumento cumulativo a favor da existência de Deus e excelentes respostas, com considerações filosóficas, científicas, morais e históricas. Isso sem descartar o maior princípio metafísico experimentado em nosso senso comum de que “do nada, nada vem”. Deve haver uma causa transcendente que trouxe o universo à existência. Então, que razões podem ser dadas em defesa do teísmo cristão? Eu tenho defendido as cinco razões seguintes. É o que veremos a seguir.

 

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Fonte:

SALES, Walson. A Existência de Deus e os Ateus: Uma Apologética com Diálogo. 2. Ed. Revisada e Ampliada. Recife, FASA, 2019

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Nota:

[1] Apud é uma expressão latina utilizada obrigatoriamente em citações de citações segundo as normas ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. A expressão significa: “citado por”.

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