Por Walson Sales
Este
manual surge em um momento crucial. Estamos vivendo no tempo da informação, e o
conhecimento está disponível como nunca antes. Muitos jovens cristãos estão
sendo atacados nas escolas e universidades. Eles são ridicularizados por crerem
em Deus. A crença em Deus, hoje, é considerada, nos meios acadêmicos, como algo
ultrapassado, e o crente é tratado como alguém digno de pena em uma sociedade
considerada pós-cristã e pagã. Dentro deste mundo de informações, nós não
podemos conhecer tudo, entretanto, podemos “estar preparados para responder com
mansidão a razão da esperança que há em nós” (I Pedro 3.15). Não só podemos,
precisamos. Como poderemos estar preparados para responder e dar uma razão da
nossa crença? Como poderemos justificar o tempo que temos desperdiçado? E como
podemos utilizar a nossa mente como uma ferramenta tão poderosa que Deus nos
deu? J. Gresham Machen (apud CRAIG, 2004, p. 15) afirma acertadamente que “hoje
o principal obstáculo à religião cristã está no campo do intelecto, a igreja está
perecendo hoje por falta de reflexão e não por excesso”. E é nesse campo que as
questões devem ser discutidas. Mas utilizar a razão em questão de fé significa
necessariamente que “provar”, por exemplo, a existência de Deus a um ateu quer
dizer “fornecer evidência adequada ou dar boas razões, sendo possível concluir
que é possível provar a existência de Deus e a veracidade do cristianismo”
(GEISLER, 2002, p. 60).
Os
cristãos sempre defenderam suas crenças no campo das ideias. Um exemplo bem
conhecido na vida do apóstolo Paulo – particularmente apreciado por apologistas
– é sua palestra no Areópago em Atenas, mencionado em Atos 17. Nesse local,
onde importantes assuntos civis e religiosos eram discutidos, Paulo dirigiu-se
a uma audiência diversificada e educada, incluindo “filósofos Epicureus e
Estoicos” (v. 18). Paulo procurou estabelecer um fundamento comum em sua
audiência, reconhecendo a devoção religiosa dos atenienses, citando dois de
seus poetas e conectando suas intuições sobre o“deus desconhecido” com o Deus
da Escritura e a pessoa e obra de Jesus Cristo. Dois mil anos depois, aqueles
entre nós que se esforçarem para recomendar o Evangelho e a cosmovisão cristã a
uma audiência cética estarão seguindo os passos de Paulo. Um dos locais mais
importantes no mercado das ideias hoje é a internet, o Areópago moderno (REESE,
2010). E, no nosso propósito aqui, a universidade.
Muitas
ideias têm sido propagadas contra a fé, principalmente contra o Cristianismo,
pelos principais líderes ateus da atualidade. O problema com as declarações de
Christopher Hitchens, por exemplo, de que “a religião envenena tudo” é que é
tanto vaga quanto extrema. O termo religião na literatura existente é
notadamente vago e difícil de definir. Se Dennett e Hitchens sugerem que Stalin
era “religioso” de alguma maneira, então, neste ponto, nós levantamos nossas
mãos em perplexidade. A declaração de Hitchens sobre a influência nociva da
religião também é extrema em seu desequilíbrio. A religião envenena tudo e não
traz benefício algum? Mais ponderados, ateístas sofisticados discordariam
fortemente. Como o filósofo ateu Walter Sinnott-Armstrong responde, esse slogan
de que a religião envenena tudo é “impreciso e insultante”. Ele aconselha os
ateus a não aplaudir ou rir das brincadeiras de Hitchens nem permanecer em
silêncio. Para Sinnott-Armstrong, a crítica de Hitchens é “como um parente
decrépito” que está constantemente fazendo “afirmações bizarras”; sua
apreciação nem é justa, nem muito esclarecedora (COPAN, 2011, p. 217). Não
negamos que pessoas se utilizaram de um zelo religioso na história e fizeram
coisas que não representam os ensinos originais do Evangelho, como as Cruzadas,
a Inquisição, a caça às bruxas e a luta entre católicos e protestantes na
Europa. Uma análise impessoal mostrará que essas ações foram realizadas por
pessoas que se afastaram dos ensinos originais do Cristianismo.
Antes
de prosseguir lendo, você precisa aprender como dialogar com os que criticam a
sua fé: você sempre deve, depois de apresentar a sua versão ou a versão da sua
crença, exigir uma resposta do seu opositor. Você perceberá que a resposta não
terá uma base racional e estará em um nível de fé absurda, até mesmo infantil,
quando os padrões metodológicos são utilizados. Você verá que os seus oponentes
criticam o que não conhecem e, pior, sem um verdadeiro conhecimento científico
ou filosófico. É quando o naturalismo metodológico ou o naturalismo filosófico
surge como se fosse a verdadeira ciência. Mas essa é uma oportunidade única
para iniciar um diálogo. Carson Weitnauer (2013) define que , em qualquer
diálogo entre diferentes cosmovisões, é crucial definirmos nossos termos
cuidadosamente. Existem muitos tipos de “ateísmo”, mas talvez a versão mais
comum é também chamada de “Naturalismo”. Em uma conferência em 2012,
proeminentes ateus como Richard Dawkins, Daniel Dennet, Rebecca Goldstein, Alex
Rosenberg, Sean Carrol, Jerry Coyne e Steven Weinberg definiram os seus pontos
de vista em comum como:
A
visão de que só há uma esfera de existência, o mundo natural, cujo
comportamento pode ser estudado por meio da razão e da investigação empírica.
Os princípios básicos de funcionamento do mundo natural parecem ser impessoais
e invioláveis; componentes microscópicos de matéria inanimada obedecendo as
leis da física se ajustam em estruturas complexas para formar seres humanos
inteligentes, emotivos e conscientes.
Aqui
nós devemos fazer uma decisão entre duas realidades potenciais: um mundo em que
somente as forças naturais estão funcionando (uma cosmovisão ateísta conhecida
como Naturalismo Filosófico) ou um mundo em que forças sobrenaturais estão
funcionando em adição às forças naturais (como representado pela Cosmovisão
Teísta), (WALLACE, 2010). O Cristianismo está inserido na Cosmovisão Teísta. É
a crença de que existe um Deus por trás da criação. Portanto, não fique triste
ao ser chamado de bobo ou infantil por crer em Deus, você está diante de uma
grande oportunidade de pedir uma resposta aos maiores questionamentos da
existência humana, e eles não recebem uma resposta coerente sem a presença de
Deus no argumento. Entretanto, não se esqueça de exigir do seu oponente, sempre
com muito respeito, o que ele pensa e como ele pode provar que Deus não existe.
Mcgrath (2008, p. 129) afirma que “de todas as religiões do mundo, o
cristianismo é a que foi submetida ao exame mais intenso, persistente e crítico
nos últimos trezentos anos. Ela sobreviveu nos meios culturais e intelectuais
mais hostis”. Sem esquecer que o autor menciona que o Cristianismo é a única
religião do mundo que repousa sobre 4 fundamentos: história, razão, revelação e
experiência. Isso é muito significativo pelo fato de que todos os demais
pensamentos religiosos tropeçarão em um desses pilares (Ibdem). Você não irá
sucumbir agora, pois você é o agente que será usado por
Deus nesta luta, Weitnauer (2013) arremata. Mas, e sobre o ateísmo? Embora
tenha sido persistentemente vendido a nós como uma visão de mundo que
representa a razão e a ciência, a verdade é que a cosmovisão ateísta está cheia
de contradições e afirmações bizarras. E comoa maior parte das pessoas
secularizadas não estudaram o porquê do ateísmo ser verdadeiro, uma excelente
estratégia evangelista para você e sua igreja é entender os desafios do
ateísmo.
Quando
se fala das Origens, logo vem a nossa mente o dualismo Criação x Evolução. A
Criação é colocada pelos cientistas, de forma geral, como algo ilusório. A
Evolução (materialismo, ateísmo e naturalismo), segundo eles, é o verdadeiro
conhecimento científico sobre as Origens, primeiro do Universo e depois da
Vida. Onde está a verdade sobre esse tema? A Bíblia dá-nos informação confiável
sobre a origem de todas as coisas como algo criado por Deus? A Bíblia afirma:
“Os céus proclamam a Glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas
mãos (Salmo 19.1).” O primeiro verso da Bíblia também declara de forma
inequívoca: “No principio criou Deus os céus e a terra (Genesis 1.1)”.
Perceba
que a Bíblia não se preocupa em provar a existência de Deus, ela pressupõe a
existência de Deus como um axioma. Quais seriam as implicações de se negar
esses versos bíblicos? Primeiro essas informações não seriam verdadeiras.
Segundo, possivelmente Deus não existiria. No entanto, a maioria dos ateus não
tem boas razões para a descrença. Eles simplesmente aprenderam a repetir o
Slogan: “Não existem boas evidências para a existência de Deus! ”. No caso do
cristão que não tem boas razões ou bons argumentos para o que ele crê, esse
slogan serve como um efetivo ponto de parada da conversa. Mas, se nós temos
boas razões e bons argumentos para a nossa crença, então esse slogan serve como
um efetivo ponto de partida na conversa. Os ateus tendem a ser pessoas muito
apaixonadas e querem crer em alguma coisa. Aqueles que simplesmente repetem
esse slogan após os argumentos a favor da existência de Deus fazem sempre
declarações vazias.
Vamos
iniciar nossa investigação com os cinco maiores questionamentos da existência
humana:
1 – Origem: De onde viemos?
2 – Identidade: Quem somos?
3 – Propósito: Por que
estamos aqui?
4 – Moralidade: Como devemos
viver?
5 – Destino: Para onde
vamos? (GEISLER & TUREK, 2006, p.20).
Esses
são os maiores questionamentos da existência do Universo e da Vida em nosso
planeta. E o Evolucionismo (Materialismo, Ateísmo, Naturalismo) não responde a
essas perguntas coerentemente. Nem por meio da ciência nem da Filosofia. A
única resposta a essas perguntas encontra-se na revelação de Deus, tanto na
Criação quanto na Bíblia. Não existe uma real batalha entre a ciência e o
Cristianismo. Podemos ver isso na Revelação Geral e Especial, respectivamente
comparando-as com as descobertas científicas de forma geral. Eu sustento a
cosmovisão teísta porque eu creio que ela explica melhor o mundo ao meu redor e
de uma forma que simplesmente não pode ser igualada pelo naturalismo
filosófico, que é inerente ao ateísmo. Para as 10 mais intrigantes e importantes
questões existenciais levantadas pelos seres humanos, o teísmo cristão continua
a oferecer a melhor explicação, especialmente quando comparado ao naturalismo
filosófico (ateísmo) e às religiões orientais (que é à base de todo o
pensamento espiritualista esotérico no mundo). Veja, por exemplo, a ampliação
desses grandes questionamentos:
·
Como o Universo passou a existir?
·
Porque há aparência de Design (Sintonia Fina/ajuste fino) no Universo?
·
Como a vida se originou?
·
Porque há aparência de Evidência de Inteligência na Biologia?
·
Como a Consciência Humana passou a existir?
· De
onde vem o livre-arbítrio?
·
Porque os seres humanos são tão contraditórios na natureza?
·
Porque existem Verdades Morais Transcendentes?
·
Porque nós acreditamos que a vida humana é preciosa?
·
Porque existe Dor, Mal e Injustiça em nosso mundo? (WALLACE, 2010).
Como
já especulava o grande filósofo e matemático Gottfried Wilhelm Leibniz, “..a
primeira questão que nós temos o direito de perguntar será, ‘porque existe
alguma coisa ao invés do nada?’” (apud DEMING, 2010).[1] Esses questionamentos
são tão sérios que, só para nós termos uma ideia, a primeira pergunta não faz
sentido sem a intervenção de Deus. Se alguém quiser saber apenas sobre a
Origem, ele tem que enfrentar os problemas decorrentes. Sendo assim, tratarei
sobre cinco pontos básicos sobre o assunto da existência de Deus, a saber: A
Origem do universo, a Ordem Complexa do Universo e da vida, O Argumento da
Moralidade, Os Fatos Históricos concernentes à Morte e Ressurreição de Jesus e
a Experiência Imediata de Deus, sendo esta última apenas implícita de uma forma
geral e específica no Cristianismo. Abordarei aqui alguns assuntos que, tomados
em conjunto, constituem um poderoso argumento cumulativo a favor da existência
de Deus e excelentes respostas, com considerações filosóficas, científicas,
morais e históricas. Isso sem descartar o maior princípio metafísico
experimentado em nosso senso comum de que “do nada, nada vem”. Deve haver uma
causa transcendente que trouxe o universo à existência. Então, que razões podem
ser dadas em defesa do teísmo cristão? Eu tenho defendido as cinco razões
seguintes. É o que veremos a seguir.
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Fonte:
SALES,
Walson. A Existência de Deus e os Ateus:
Uma Apologética com Diálogo. 2. Ed. Revisada e Ampliada. Recife, FASA, 2019
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Nota:
[1] Apud é uma expressão latina utilizada
obrigatoriamente em citações de citações segundo as normas ABNT – Associação
Brasileira de Normas Técnicas. A expressão significa: “citado por”.
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