Por David
Gooding e John Lennox
Um
dos mitos mais arraigados que moldou o pensamento das pessoas no mundo moderno
é a ideia de que a ciência tornou a crença em Deus e no sobrenatural
desnecessária e impossível para uma pessoa que pensa. É um mito muito difundido
e falacioso que infelizmente se confundiu com a verdadeira ciência na mente de
muitas pessoas. Vejamos como surgiu esse mito.
Um
mito moderno
A noção comum é que a crença em Deus e no
sobrenatural surgiu em um estágio primitivo do desenvolvimento humano. O homem
antigo foi confrontado por todos os tipos de processos e acontecimentos que ele
não conseguia entender. De alguns deles, como o crescimento de suas plantações
e a fertilidade de suas criações de gado, sua própria vida dependia. Outros
deles, trovões e relâmpagos, tempestades e doenças, ameaçavam sua própria[33]
existência. Não entendendo esses processos e maravilhado com eles, esses
antigos, conforme essa teoria, fizeram o que uma criança faria: personalizou
esses fenômenos. Quando a lua entrava em eclipse, eles imaginavam que algum
tipo de demônio estava tentando estrangular a lua e eles se envolveram em todos
os tipos de religião e magia para tentar afugentar o demônio. Quando trovejava,
eles pensavam que era algum deus falando, e se um raio caia, eles pensavam que
era um espírito malévolo tentando destruí-los. Ele até pensavam que, ao
observar qualquer fenômeno incomum na natureza, eles poderiam prever o que os
deuses fariam. Mas, como nos séculos mais recentes desenvolvemos o método
científico com sofisticação cada vez maior, passamos a compreender cada vez
mais os processos da natureza. Agora podemos ver que um eclipse não é causado
por um demônio, nem raios e doenças são causados por espíritos malévolos.
Descobrimos que os processos da natureza são impessoais e, em princípio (no
nível não quântico), completamente previsíveis. Os ateus, portanto, argumentam
que não há mais necessidade de introduzir a ideia de Deus e do sobrenatural
para explicar o funcionamento da natureza. Nem mesmo há necessidade de chamar
Deus para preencher as lacunas em nosso conhecimento, como fez Sir Isaac Newton
quando disse: 'Não conheço nenhum poder na natureza que pudesse causar esse
movimento transversal sem o braço divino.[1] O ateu conclui portanto, esse Deus
se tornou irrelevante e diz que não temos necessidade dessa hipótese. Como
resultado, o público em geral passou a pensar que a ciência tornou a crença em
um Criador desnecessária e impossível.[34]
Esta teoria é manifestamente uma falácia
Mas há uma falácia manifesta aqui. Pegue um
carro Ford. É concebível que uma pessoa primitiva que estivesse vendo um pela
primeira vez e que não entendesse os princípios de um motor de combustão
interna, pudesse imaginar que havia um deus (Sr. Ford) dentro do motor,
fazendo-o funcionar. Ele poderia ainda imaginar que, quando o motor funcionava
suavemente, era porque o Sr. Ford dentro do motor gostava dele, e quando ele se
recusava a ir, era porque o Sr. Ford não gostava dele. É claro que,
eventualmente, os primitivos se tornariam civilizados, aprenderiam engenharia
e, ao desmontar o motor, descobririam que não havia nenhum Sr. Ford dentro do
motor e que ele não precisava apresentar o Sr. Ford como uma explicação para o
funcionamento do motor. A compreensão dos princípios impessoais da combustão
interna bastaria para explicar como o motor funcionava. Até agora tudo bem. Mas
se ele então decidisse que sua compreensão dos princípios do motor de combustão
interna tornava impossível acreditar na existência de um senhor Ford que
projetou o motor, isso seria obviamente falso. É também uma confusão de
categorias supor que nossa compreensão dos princípios impessoais segundo os
quais o universo funciona torna desnecessário ou impossível acreditar na
existência de um Criador pessoal que projetou, criou e mantém o grande motor
que é o universo . Em outras palavras, não devemos confundir os mecanismos
pelos quais o universo trabalha com sua causa. Cada um de nós sabe como
distinguir entre o movimento conscientemente desejado de um braço para um
propósito e um movimento espasmódico involuntário[35] de um braço induzido pelo
contato acidental com uma corrente elétrica.
Neste ponto, no entanto, os crentes no mito
tenderão a responder da seguinte forma: "Bem, pode haver um Deus fora do
universo que o criou em primeiro lugar. Mas, na verdade, nada se pode saber
sobre ele e não é tarefa da ciência especular sobre sua possível existência.
Por outro lado, com base no que agora sabemos sobre o funcionamento do
universo, podemos afirmar com segurança que, mesmo que um Deus exista fora do
universo, ele não intervém, não pode e nunca intervirá em seu funcionamento. E,
assim, a ciência torna impossível, em particular, acreditar na afirmação Cristã
de que Deus invadiu a natureza na pessoa de Jesus Cristo.” Vamos agora
investigar como essa parte do mito surge.
Continua...
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Fonte:
GOODING, David; LENNOX,John. Christianity: Opium or Truth?Coleraine, N
Ireland: Myrtlefield Trust, 2014
Tradução Walson Sales
Traduzindo trechos e buscando editoras
interessadas nas publicações.“Examinai tudo. Retende o bem.” I TS 5:21.
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